A FÁBRICA

Agosto 12 2005

Los Angeles, 12 de Agosto de 1984.
O andamento vivo e a temperatura elevada foram desgastando Salazar, que cedeu ao quilómetro 19, Castella descolou aos 34, Seko e Takeshi ficaram para trás aos 36.
Na cabeça do pelotão ficaram, então, Lopes, John Tracy e Charles Speddeing. Mas, aos 38 quilómetros, Lopes desferiu um ataque rumo à vitória, rumo ao sonho.
Entrou no estádio com 200 metros de vantagem, em passada firme, com o sorriso nos lábios. Os braços erguidos ao céu.
Lopes conquistava para Portugal, a primeira medalha de ouro numas Olimpíadas.
Eram 3horas10 minutos da madrugada em Lisboa.
O tempo que Lopes realizou continua a ser record Olímpico.

1º Carlos Lopes(Por)..........2.09.21
2º John Tracy(Irl)..............2.09.56
3º Charles Spedding(Ing)...2.09.58

" Se foi dura a Maratona?
Não, foram os 42 km do costume. Nunca tive medo de ser derrotado, bater não me batem, ralhar não dói... Nervoso estava Moniz Pereira.
Nunca o vi assim.
Nervoso de mais.
Estou feliz, o professor merecia esta medalha.
"Decidi não me preocupar antes dos 37 km, a partir daí sabia que tinha de dar forte e feio, foi o que fiz." Depois da vitória, Lopes mostrou-se desagradado com a FPA e não deixou de comparar o tratamento que lhe deram, com o que foi dado a Mamede.
"Fui campeão do Mundo de Corta-Mato em Nova Iorque e campeão Olímpico em Los Angeles, ajustei as contas com os americanos que sempre me desvalorizaram. Mas, uma coisa é certa: tudo isto só foi possível porque tinha uma grande firma atrás de mim - a Nike. A Nike afastou-me da aldeia Olímpica para me darem melhores condições e para que evitasse o contacto com certos...vírus. Não foi, por acaso que a Nike colocou ao meu serviço um dos melhores massagistas do Mundo."
Lopes refere que a federação recusou um bilhete para que a sua esposa o pudesse apoiar, no estádio Olímpico, e também a falta de apoio durante o controle anti-doping, onde teve que recorrer à Rita Borralho (Maratonista) para assegurar a tradução.
Lopes classifica esta situação:
" Uma vergonha! Antes de uma outra prova (10 mil metros) andava tudo muito preocupadinho com um certo senhor (Mamede), de tal forma que até punham cadeiras atrás das portas para que ninguém chateasse o reizinho, que afinal era um... tigre de papel. Por tudo isto não fui à festa da Missão Portuguesa, fui à festa da Nike. É que se nunca fui ingrato, também nunca fui parvo, nem masoquista."
A vitória de Carlos Lopes na Maratona Olímpica valeu-lhe o reconhecimento de Mundo. Ronald Reagan convidou-o a visitá-lo na Casa Branca. Tony Monk, uma das mais célebres pintoras americanas, fascinada pela sua saga, em Los Angeles, pintou-lhe retrato a óleo. Lopes gostou muito.
A chegada a Lisboa foi apoteótica, palmas que estrugiram, bandeiras que tremularam.
Portugal descobria, de novo, um novo sentido de si, da sua grandeza.
Em 1984, Lopes foi Campeão do Mundo de Corta-Mato, rebocou Mamede para o record do Mundo de 10 mil metros e foi campeão Olímpico da Maratona, tudo isto, contribuiu para que os jornalistas espanhóis o elegessem como o "Melhor Desportista Mundial" do ano de 1984.
O prémio foi entregue, em Madrid, pelo Rei D. Juan Carlos.
Mário Soares, na altura, primeiro-ministro, ofereceu-lhe um churrasco em São Bento e condecorou-o com a Grã-Cruz da Ordem do Infante, a mais importante comenda nacional. Lopes garantiu-lhe que caso se candidatasse à presidência da república teria o seu apoio. Cumpriu a promessa algum tempo depois.
Fonte: Jornal "A Bola".
publicado por armando ésse às 07:51

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