A FÁBRICA

Março 30 2005

High Society 1966, René Magritte

É a maior tragédia, com que o destino pode castigar o homem.
O desejo de ser outro, diferente daquilo que somos: não pode arder um desejo mais doloroso no coração humano.
Porque não é possível suportar a vida de outra maneira, apenas sabendo que nos conformamos com aquilo que significamos para nós próprios e para o mundo.
Temos de nos conformar com aquilo que somos e de ter consciência, quando nos conformamos, de que em troca dessa sabedoria, não recebemos elogios da vida, não nos põem no peito nenhuma condecoração por sabermos e aceitarmos que somos vaidosos ou egoístas, carecas e barrigudos - não, temos de saber que por nada disso recebemos recompensas nem louvores.
Temos de suportar, o segredo é isso.
Temos de suportar o nosso carácter, o nosso temperamento, já que os defeitos, egoísmo e avidez, não os mudam nem a experiência, nem a compreensão.
Temos de suportar que os nossos desejos não tenham plena repercussão no mundo.
Temos de suportar que as pessoas que amamos, não nos amem, ou que não nos amem como gostaríamos.
Temos de suportar a traição e a infidelidade, e o que é o mais difícil entre todas as tarefas humanas, temos de suportar a superioridade moral ou intelectual de uma outra pessoa.

Pequeno texto, de um dos melhores livros que me lembro ter lido.
"As Velas Ardem Até ao Fim", de Sándor Márai.
publicado por armando ésse às 05:17

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