A FÁBRICA

Setembro 28 2006
Se eu escrevesse o que sinto quando ouço o hino da República Portuguesa ou quando vislumbro a bandeira dos lusitanos a flutuar ao vento, provavelmente seria preso. Historicamente é uma falácia que se diga que Portugal é a “pátria lusitana”, sabendo nós que os Lusitanos nunca habitaram a norte do rio Douro (essa secção do território esteve grande parte do tempo sob domínio dos Suevos).
Portugal está recheado de alucinações mitológicas, de lendários devaneios. A impossibilidade que este país tem em se desquitar é um mal histórico. Vejamos: Um dos episódios maiores da história da República Portuguesa relata uma padeira que, farta de fazer roscas (sabe-se lá a quem), decide com uma pá(!!!!!) o resultado final de uma batalha! Que histórias de bravura serão contadas no futuro? Um pescador da Póvoa do Varzim que violentamente afundou a totalidade da armada americana somente com um anzol? Um portuense que, numa noite de S. João dizimou o exército indiano com um alho-porro? Um lisboeta que cilindrou o défice enquanto encomendava um bolo-rei? Uma possível explicação para este delírio colectivo seria o facto de todos os automóveis funcionarem a cannabis e não a derivados do petróleo. Mas nesse cenário teríamos nas ruas gente sorridente, o que não é o caso. O povo português só fica alegre quando ejacula ou quando recebe a devolução do IRS.
Os “Lusíadas” são outra obra de infausto título e embaraçoso conteúdo. A questão do título está relacionada com o facto, já anteriormente por mim descrito, do domínio territorial Suevo no norte do país. O conteúdo é um conjunto de embaraços mais ou menos evidentes. Recomendo a leitura do “achamento” da Ilha dos Amores. De súbito, tudo faz sentido: a incompetência dos portugueses é um facto histórico, pois já naquele tempo a ilha teve que se deslocar para poder ser alcançada pelas naus.
Em tempo idos, se já Internet existisse, provavelmente os “achadores” portugueses teriam “surfado” na onda digital e não nos mares do mundo para expandir território. A página online para conquistas e afins teria, mais ou menos, o seguinte aspecto.

Olá! Sejais vós bem-vindos à página de expansão do Reino Português. Ao preço de cada opção acresce a taxa de 20% (como se faz na Phinlândia).

Seleccione a opção que deseja:

- Chacinar povos selvagens

- Assinar um tratado para o empossar como dono de metade de um mundo que é de todos

- Enviar uma mensagem para o phuturo para um primeiro-ministro que teima em castigar constantemente os que menos têm

- Encomendar uma francesinha

Tudo isto é triste, mas não é fado. Na realidade, a música popular portuguesa é somente uma desculpa para se beber mau vinho.
A pátria não é coisa que se possa impor. Aquilo que o homem hoje separa com fronteiras foi, outrora, um campo livre. Então que filiação é esta? Que sentido faz a palavra pátria se nos incita a marchar contra os canhões? O mundo é um só, a minha casa. As barreiras fronteiriças somente separam aquilo que é de todos. Deixemo-nos de bandeiras tingidas de sangue. Foi-se a padeira, mas a padaria, retrógrada e atrasada, sobrevive. Este país é como um campo estrumado: parece lindo ao longe, mas o odor a esterco aumenta à medida que nos aproximamos. Acabaram-se as férias. Bem-vindos.

Hugo Machado
publicado por armando ésse às 06:04

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