A FÁBRICA

Agosto 04 2008
O escritor russo Alexandre Soljenitsin, de 89 anos, prémio Nobel da Literatura em 1970, morreu ontem no seu domicílio em Moscovo, anunciou o seu filho à agência Itar-Tass.
Alexandre Soljenitsin faleceu às 23 horas de domingo de “insuficiência cardíaca aguda”, segundo declarou o filho do escritor.
Soljenitsin é mais conhecido por ter revelado ao mundo a realidade do sistema soviético em livros como “Arquipélago de Gulag”, “Um Dia na Vida de Ivan Denissovitch”, ou “O Primeiro Círculo”.
Galardoado com o Nobel da Literatura em 1970, foi privado da cidadania russa em 1974 e expulso do país tendo vivido depois na Alemanha, Suíça e Estados Unidos tendo regressado à Rússia em 1994, após a implosão da União Soviética.
Alexandre Soljenitsin foi quem mostrou ao mundo o universo inumano dos campos de concentração soviéticos no seu clássico "Arquipélago de Gulag".
Patriota com uma determinação comparável, segundo os críticos, à de Fedor Dostoievski, não foi capaz de vencer o cancro de que padecia e acabou por falecer de insuficiência cardíaca aguda na sua residência em Moscovo.
Nascido a 11 de Dezembro de 1918 no Cáucaso, aderiu aos ideais revolucionário bolcheviques daquele tempo, estudou Matemática e tomou parte como artilheiro na II Guerra Mundial, contra o III Reich.
Dos campos de batalha, em 1941, aos campos de concentração, em 1945, foi um passo. Uma simples carta, escrita a um amigo em Janeiro de 1945, provocou a prisão do capitão de artilharia do Exército Vermelho Alexandre Soljenitsin. Naquela carta estavam escritas algumas palavras amargas contra os privilégios existentes no seio do Exército e contra a conduta de Estaline em relação à guerra. Estaline não admitia, no entanto, qualquer espécie de crítica à sua actuação como político e como homem.
Por isso, Soljenitsin vê-se condenado, sem qualquer julgamento, a oito anos de prisão e quatro anos de exílio. Assim começou a dura vida de um jovem físico e matemático, que acabou por abandonar as ciências puras, passando a dedicar-se apenas às lides literárias.
Libertado em 1953, foi exilado para a Ásia Central, onde começou a escrever, viajando depois para Riazan, a duas centenas de quilómetros de Moscovo, para ser professor.
O sucessor de Estaline, Nikita Krushtchev, deu "luz verde" à publicação - na revista Novy Mir - de "Um Dia na Vida de Ivan Denissovitch", relato do quotidiano de um recluso nos "gulag", editado a 18 de Novembro de 1962.
Uma onda de choque sacudiu a Rússia e em especial os meios soviético mas, sobretudo, o mundo, que abriu os olhos para uma realidade até então desconhecida.
Krushtchev, que continuava com a sua política de desanuviamento permitiu que este livro fosse publicado, uma vez que ele iria aprofundar muitas das críticas contra Estaline.
No entanto, as estrondosas vendas deste livro impressionaram vivamente as autoridaes soviéticas, que, terminado o degelo político de Krushtchev, proibiram a divulgação de todos os seus livros.
Começou então a fase de literatura clandestina. Os livros "O Pavilhão dos Cancerosos", "O Primeiro Círculo" e "Agosto de 1914", tiveram de ser publicados no Ocidente e difundidos na União Soviética clandestinamente.
O Nobel da Literatura foi-lhe atribuído em 1970, mas declinou ir recebê-lo a Estocolmo com receio de não poder regressar à mãe Rússia, então com Leónidas Brejnev, à frente da União Soviética.
O seu primeiro casamento terminou em divórcio quando estava a ponto de concluir a sua obra magna, o "Arquipélago de Gulag".
Entretanto, em Setembro de 1973, as forças de segurança "levaram" Elizavieta Voronianskaia, a amiga de Soljenitsin que lhe tinha dactilografado secretamente o manuscrito do "Arquipélago de Gulag", a confessar onde se encontrava o original. Tal confissão conduziu Elizavieta ao suicídio. Perante tal situação, e em homenagem a tão grande amiga, Soljenitsin dá ordens de imediata publicação. Se as primeiras edições clandestinas lhe tinham provocado a irradiação do Sindicato dos Escritores, impedindo-o portanto de ganhar a vida como escritor, a difusão do livro, em 1974, culminou com a expulsão Soljenitsin para o Ocidente, primeiro para a Alemanha e Suíça, e depois para os Estados Unidos e a consequente retirada de cidadania soviética.
Os ocidentais reparam entretanto que Soljenitsin era um conservador ortodoxo e defensor acérrimo da cultura eslava, muito duro para com a sociedade de consumo.
Em 1994 voltou à Rússia e espantou toda a gente ao aprovar a guerra na Tchetchénia desencadeada por Ieltsine , pedindo a pena de morte para os independentistas.
Aproximando-se a seguir do então Presidente Vladimir Putin, louvando publicamente as suas qualidades, Soljenitsin atacou ainda os hebreus, ao ponto de o Congresso Judaico Russo o ter acusado de anti-semitismo. (Fontes Lusa/Bertrand).
publicado por armando ésse às 07:01

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