A FÁBRICA

Abril 09 2008

“O velho que lia romances de amor”, o mais conhecido livro do escritor Luís Sepúlveda, alcançou esta semana a impressionante cifra de 18 milhões de exemplares vendidos, 20 anos depois da sua publicação, informou o próprio autor.
“Provavelmente estamos perante o terceiro livro mais traduzido do espanhol para outras línguas, a seguir ao ‘Dom Quixote‘ e ‘Cem anos de solidão‘”, assegurou Sepúlveda em conferência de imprensa na cidade de Gijón.
Sepúlveda foi homenageado recentemente em Itália por ter vendido neste país cinco milhões de exemplares daquela obra, já traduzida em 60 idiomas, entre os quais o chinês e o hebraico, e publicada inclusivamente por editoras “piratas”.
“O velho que lia romances de amor” foi levado ao cinema com guião do próprio Luís Sepúlveda, realização do australiano Rolf de Heer e interpretação de Richard Dreyfuss. (Lusa).

O curto livro (110 páginas) “O Velho que lia romances de amor”, é um romance simples e de leitura rápida e leve, mas muito bem escrito por Luís Sepúlveda. O romance conta-nos a história de António Proaño, mas é ao mesmo tempo, um registo autobiográfico do autor. Luís Sepúlveda dedicou o livro ao seu amigo Chico Mendes, o grande defensor da floresta amazónica.
Antonio José Bolívar Proaño e Dolores Encarnación del Santíssimo Sacramento Estupiñán Otavalo, ficaram comprometidos aos 13 anos, e casaram-se dois anos depois. Quatro anos depois, após a morte do pai de Dolores, herdaram "uns poucos metros de terra, insuficientes para sustentar uma família, além de alguns animais domésticos que se foram com os gastos do velório". Descobriram entretanto que não podiam ter filhos. Inconformados, aceitam uma proposta do governo e mudam-se para a Amazónia, instalando-se em El Idilio, um lugar perdido na imensa floresta. Dois anos depois, Dolores sucumbe “consumida até aos ossos pela malária”.
Com a morte da mulher, a vida de António José Bolívar Proaño sofre uma completa transformação. Abandona o lugarejo onde vivia e junta-se aos índios xuar, onde passa vários anos com eles, aprendendo os segredos da vida na selva. Quando volta a El Idilio, descobre sua paixão pelos romances “que falavam do amor com palavras tão bonitas que às vezes lhe faziam esquecer a barbárie humana”. Os livros eram-lhe trazidos pelo dentista Rubicundo Loachamín, duas vezes por ano, nas suas viagens para arrancar os dentes das populações pobres das margens dos rios Zamora, Yacuambi e Nangaritza.
Um dia, "um gringo filho da puta", mata as crias de uma onça para aproveitar as suas peles. A onça, persegue-o e mata-o e passa a representar um perigo para a população de El Idilio. A população faz uma caçada à onça, mas sente-se incapaz de continuar, incumbindo a António José Bolívar Proaño, o velho que lia romances de amor, a dura tarefa de encontrar a alimária e matá-la.
No final do livro, Antonio José Bolívar Proaño percebe que no confronto entre a civilização e a vida selvagem, só há perdedores, nunca vencedores: “O velho acariciou-a (a onça morta)*, ignorando a dor do pé ferido, e chorou de vergonha, sentindo-se indigno, envilecido, de modo nenhum vencedor daquela batalha”.
*
O parêntesis é meu.
publicado por armando ésse às 15:30

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