A FÁBRICA

Setembro 15 2005

Apesar de milhões de dólares gastos na prevenção, para responder a catástrofes de todos os níveis, a resposta da Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA), à passagem do furacão Katrina, foi feita de uma maneira descoordenada, com falhas de comunicação e confusão generalizada, que custou a vida a muitas centenas, ou mesmo milhares de americanos. Acusado de ter demorado demasiado tempo a reagir à catástrofe – só abandonou o seu rancho no Texas, onde estava de férias, dois dias depois de o Katrina ter destruído New Orleans, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, admitiu na segunda-feira que foram cometidos erros na forma como as autoridades responderam à catástrofe criada pelo furacão Katrina, há cerca de duas semanas. George Bush disse em New Orleans, que houve uma inoperância dos serviços de protecção civil e que as críticas que alguns sectores lhe fizeram, são justas.
George W. Bush, fez estas declarações num momento em que as sondagens publicadas pelas revistas Time e Newsweek, dizem que a esmagadora maioria dos americanos estava descontente com a velocidade de reacção do governo norte-americano à tragédia de 29 de Agosto.

Obrigado, Humor Negro.
publicado por armando ésse às 21:30

Setembro 15 2005

Apesar de milhões de dólares gastos na prevenção, para responder a catástrofes de todos os níveis, a resposta da Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA), à passagem do furacão Katrina, foi feita de uma maneira descoordenada, com falhas de comunicação e confusão generalizada, que custou a vida a muitas centenas, ou mesmo milhares de americanos. Acusado de ter demorado demasiado tempo a reagir à catástrofe – só abandonou o seu rancho no Texas, onde estava de férias, dois dias depois de o Katrina ter destruído New Orleans, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, admitiu na segunda-feira que foram cometidos erros na forma como as autoridades responderam à catástrofe criada pelo furacão Katrina, há cerca de duas semanas. George Bush disse em New Orleans, que houve uma inoperância dos serviços de protecção civil e que as críticas que alguns sectores lhe fizeram, são justas.
George W. Bush, fez estas declarações num momento em que as sondagens publicadas pelas revistas Time e Newsweek, dizem que a esmagadora maioria dos americanos estava descontente com a velocidade de reacção do governo norte-americano à tragédia de 29 de Agosto.

Obrigado, Humor Negro.
publicado por armando ésse às 21:30

Setembro 14 2005

Quadro Pleasure Principle - René Magritte
Num país mal governado, em que os salários de miséria são uma regra, é, de certa forma, escandaloso ouvirmos notícias de pessoas que são nomeadas para cargos para os quais, sem nunca ter demonstrado alguma competência, auferem salários milionários. Ao longo destes seis meses, foram muitas as nomeações que indignaram de uma forma ou de outra o cidadão comum. Assim de cabeça lembro-me: Pina Moura, Fernando Gomes, Armando Vara, Oliveira Martins e ainda ontem, Maria Rui. A lista seria certamente muito mais extensa se fizesse uma pequeníssima pesquisa. Mas para o efeito estes nomes são os bastantes. Ontem estava numa pequena arrumação aos meus livros, quando me veio parar à mão o livro “A Nova Ordem Estupidológica” do psicólogo Vítor J. Rodrigues. Já há muito que não lhe punha os olhos em cima , por isso decidi folheá-lo, e encontrei este texto que quero partilhar convosco:
“…Um governo de estúpidos não se avalia realmente a si mesmo, nem fornece aos outros elementos para que o avaliem: pelo contrário, apresenta dados que convençam os outros de que é um bom governo. A fim de assegurar a perpetuação do poder, é fundamental fazer quatro coisas:
a - Consolidar o poder. Acelerar o acesso de primos, conhecidos, comparsas, colegas, enfim, estúpidos de confiança a lugares-chave .Elaborar legislação destinada a favorecer e proteger as conquistas de todos os interessados em que o político estúpido continue a governar.
b – Convencer o público de que os seus interesses estão a ser objecto de um zelo desvelado. Isto será grandemente facilitado pelo facto de uma parte destes interesses ser de natureza estúpida – o que, nos tempos que correm, é frequentemente o caso.
c – justificar cuidadosamente as decisões tomadas. O que importa é justificá-las a posteriori, razão pela qual elas podem e devem ser tomadas segundo conveniências políticas momentâneas deixando depois a técnicos esforçados o cuidado de inventarem justificações que pareçam convincentes (até mesmo científicas).Isto costuma ser especialmente interessante e útil na esfera educativa e laboral.
d – Afastar do poder as pessoas inteligentes. Este aspecto costuma ser fácil pois essas pessoas tomam frequentemente a iniciativa de se conservarem afastadas – sob o efeito do enjoo – ou, noutra variante, não têm hipóteses pois uma boa parte do mundo está nas mãos dos estúpidos…
Apesar deste texto ser ficção, e não ter nadinha a ver com o que se passa no nosso país, não resisti a partilhá-lo.
publicado por armando ésse às 11:37

Setembro 14 2005

Quadro Pleasure Principle - René Magritte
Num país mal governado, em que os salários de miséria são uma regra, é, de certa forma, escandaloso ouvirmos notícias de pessoas que são nomeadas para cargos para os quais, sem nunca ter demonstrado alguma competência, auferem salários milionários. Ao longo destes seis meses, foram muitas as nomeações que indignaram de uma forma ou de outra o cidadão comum. Assim de cabeça lembro-me: Pina Moura, Fernando Gomes, Armando Vara, Oliveira Martins e ainda ontem, Maria Rui. A lista seria certamente muito mais extensa se fizesse uma pequeníssima pesquisa. Mas para o efeito estes nomes são os bastantes. Ontem estava numa pequena arrumação aos meus livros, quando me veio parar à mão o livro “A Nova Ordem Estupidológica” do psicólogo Vítor J. Rodrigues. Já há muito que não lhe punha os olhos em cima , por isso decidi folheá-lo, e encontrei este texto que quero partilhar convosco:
“…Um governo de estúpidos não se avalia realmente a si mesmo, nem fornece aos outros elementos para que o avaliem: pelo contrário, apresenta dados que convençam os outros de que é um bom governo. A fim de assegurar a perpetuação do poder, é fundamental fazer quatro coisas:
a - Consolidar o poder. Acelerar o acesso de primos, conhecidos, comparsas, colegas, enfim, estúpidos de confiança a lugares-chave .Elaborar legislação destinada a favorecer e proteger as conquistas de todos os interessados em que o político estúpido continue a governar.
b – Convencer o público de que os seus interesses estão a ser objecto de um zelo desvelado. Isto será grandemente facilitado pelo facto de uma parte destes interesses ser de natureza estúpida – o que, nos tempos que correm, é frequentemente o caso.
c – justificar cuidadosamente as decisões tomadas. O que importa é justificá-las a posteriori, razão pela qual elas podem e devem ser tomadas segundo conveniências políticas momentâneas deixando depois a técnicos esforçados o cuidado de inventarem justificações que pareçam convincentes (até mesmo científicas).Isto costuma ser especialmente interessante e útil na esfera educativa e laboral.
d – Afastar do poder as pessoas inteligentes. Este aspecto costuma ser fácil pois essas pessoas tomam frequentemente a iniciativa de se conservarem afastadas – sob o efeito do enjoo – ou, noutra variante, não têm hipóteses pois uma boa parte do mundo está nas mãos dos estúpidos…
Apesar deste texto ser ficção, e não ter nadinha a ver com o que se passa no nosso país, não resisti a partilhá-lo.
publicado por armando ésse às 11:37

Setembro 12 2005

Em Setembro de 2000, 189 Chefes de Estado e de Governo, reunidos a nível de Cimeira, aprovaram a Declaração do Milénio. Exactamente um ano depois da assinatura desta declaração o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, apresentou um projecto contendo oito medidas essenciais para que a declaração do milénio pudesse ser executada até a data estipulada de 2015. Ficando conhecido este documento como Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). O mais importante objectivo é a redução da pobreza e da fome para metade. Os outros sete objectivos são menos ousados. Quando a 60ª sessão da Assembleia-Geral da ONU for inaugurada na próxima quarta-feira são exactamente estes “Objectivos de Desenvolvimento do Milénio” que estarão em cima da mesa:
ODM 1: redução da pobreza e da fome
O primeiro ODM é a redução da pobreza extrema e da fome para metade. Para as Nações Unidas, pobres são as pessoas que têm de viver com menos de um dólar por dia, uma definição um tanto formal, pois quem tem que lutar diariamente pelo que comer geralmente está excluído de todo o resto: educação, saúde, participação política e social. A luta contra a pobreza é portanto o cerne da questão, sem a qual nenhuma das outras metas é alcançável.
ODM 2: educação
O segundo objectivo para as Nações Unidas é o alcance de níveis básicos de educação. A garantia de acesso à educação básica é a condição para que cada um possa desenvolver plenamente o seu potencial de modo a poder participar activamente no processo de formação social e político.
Até 2015, pretende-se assegurar que todas as crianças possam completar o nível escolar básico.
ODM 3: igualdade dos sexos
O terceiro objectivo é a igualdade dos sexos.Com um empenhamento especial para pôr fim à violência contra a mulher, especialmente à violência doméstica, ao comércio de mulheres e à mutilação genital.
ODM 4, 5 e 6: saúde
Os objectivos 4, 5 e 6 estão ligados à saúde, especialmente a redução da mortalidade infantil (ODM 4) Saúde materno - infantil (ODM 5). O sexto ODM, prevê o aumento da luta contra a Sida, malária e outras doenças. Entre 1,5 e 2,7 milhões de pessoas morrem por ano vítimas da malária, que chega a infectar entre 300 a 500 milhões de pessoas ao ano. Outros dois milhões de pessoas morrem de tuberculose e mais de meio milhão de mulheres sucumbem devido a complicações na gravidez e no parto em cada ano. Mais de 42 milhões de pessoas estão infectadas com o vírus HIV, que já custou a vida de mais de 20 milhões de pessoas.
ODM 7: meio ambiente
A situação é complicada quanto à chamada “garantia de sustentabilidade ecológica”. Enquanto que nos países industrializados a causa da destruição ambiental está ligada a formas descontroladas de produção e consumo, em países em desenvolvimento as causas são a pobreza, o crescimento populacional, falta de condições básicas e o desconhecimento de alternativas.
ODM 8: desenvolvimento
O oitavo e último objectivo é a “construção de uma parceria internacional pelo desenvolvimento”. Como a criação de um sistema comercial e financeiro justo e aberto, o perdão da dívida externa aos países em desenvolvimento, o aumento da ajuda para o desenvolvimento, e cada vez mais, a cooperação da economia privada nessa ajuda.
Mais de mil milhões de pessoas, vivem na pobreza extrema, carecendo da água, alimentação adequada , cuidados de saúde básicos e serviços sociais de que precisam para sobreviver. Cidadãos do terceiro mundo precisam de oportunidades, não de esmola. É necessário um avanço importante ao nível das políticas globais, na maior Cimeira das Nações Unidas, de sempre, que tem lugar entre 14 e 16 de Setembro, para que os países mais pobres do planeta fiquem em condições de alcançar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

Ainda há tempo de realizar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, mas já não resta muito. Mesmo nos países mais pobres, é possível alcançar os Objectivos até 2015.
Mas esta é a última oportunidade.
Esta Assembleia-Geral vai contar com a presença de mais de 170 chefes de Estado e de Governo, o Presidente da República, Jorge Sampaio representará Portugal.
publicado por armando ésse às 18:56

Setembro 12 2005

Em Setembro de 2000, 189 Chefes de Estado e de Governo, reunidos a nível de Cimeira, aprovaram a Declaração do Milénio. Exactamente um ano depois da assinatura desta declaração o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, apresentou um projecto contendo oito medidas essenciais para que a declaração do milénio pudesse ser executada até a data estipulada de 2015. Ficando conhecido este documento como Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM). O mais importante objectivo é a redução da pobreza e da fome para metade. Os outros sete objectivos são menos ousados. Quando a 60ª sessão da Assembleia-Geral da ONU for inaugurada na próxima quarta-feira são exactamente estes “Objectivos de Desenvolvimento do Milénio” que estarão em cima da mesa:
ODM 1: redução da pobreza e da fome
O primeiro ODM é a redução da pobreza extrema e da fome para metade. Para as Nações Unidas, pobres são as pessoas que têm de viver com menos de um dólar por dia, uma definição um tanto formal, pois quem tem que lutar diariamente pelo que comer geralmente está excluído de todo o resto: educação, saúde, participação política e social. A luta contra a pobreza é portanto o cerne da questão, sem a qual nenhuma das outras metas é alcançável.
ODM 2: educação
O segundo objectivo para as Nações Unidas é o alcance de níveis básicos de educação. A garantia de acesso à educação básica é a condição para que cada um possa desenvolver plenamente o seu potencial de modo a poder participar activamente no processo de formação social e político.
Até 2015, pretende-se assegurar que todas as crianças possam completar o nível escolar básico.
ODM 3: igualdade dos sexos
O terceiro objectivo é a igualdade dos sexos.Com um empenhamento especial para pôr fim à violência contra a mulher, especialmente à violência doméstica, ao comércio de mulheres e à mutilação genital.
ODM 4, 5 e 6: saúde
Os objectivos 4, 5 e 6 estão ligados à saúde, especialmente a redução da mortalidade infantil (ODM 4) Saúde materno - infantil (ODM 5). O sexto ODM, prevê o aumento da luta contra a Sida, malária e outras doenças. Entre 1,5 e 2,7 milhões de pessoas morrem por ano vítimas da malária, que chega a infectar entre 300 a 500 milhões de pessoas ao ano. Outros dois milhões de pessoas morrem de tuberculose e mais de meio milhão de mulheres sucumbem devido a complicações na gravidez e no parto em cada ano. Mais de 42 milhões de pessoas estão infectadas com o vírus HIV, que já custou a vida de mais de 20 milhões de pessoas.
ODM 7: meio ambiente
A situação é complicada quanto à chamada “garantia de sustentabilidade ecológica”. Enquanto que nos países industrializados a causa da destruição ambiental está ligada a formas descontroladas de produção e consumo, em países em desenvolvimento as causas são a pobreza, o crescimento populacional, falta de condições básicas e o desconhecimento de alternativas.
ODM 8: desenvolvimento
O oitavo e último objectivo é a “construção de uma parceria internacional pelo desenvolvimento”. Como a criação de um sistema comercial e financeiro justo e aberto, o perdão da dívida externa aos países em desenvolvimento, o aumento da ajuda para o desenvolvimento, e cada vez mais, a cooperação da economia privada nessa ajuda.
Mais de mil milhões de pessoas, vivem na pobreza extrema, carecendo da água, alimentação adequada , cuidados de saúde básicos e serviços sociais de que precisam para sobreviver. Cidadãos do terceiro mundo precisam de oportunidades, não de esmola. É necessário um avanço importante ao nível das políticas globais, na maior Cimeira das Nações Unidas, de sempre, que tem lugar entre 14 e 16 de Setembro, para que os países mais pobres do planeta fiquem em condições de alcançar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

Ainda há tempo de realizar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, mas já não resta muito. Mesmo nos países mais pobres, é possível alcançar os Objectivos até 2015.
Mas esta é a última oportunidade.
Esta Assembleia-Geral vai contar com a presença de mais de 170 chefes de Estado e de Governo, o Presidente da República, Jorge Sampaio representará Portugal.
publicado por armando ésse às 18:56

Setembro 11 2005

No dia 11 de Setembro de 1973, o presidente Salvador Allende apareceu pela última vez na varanda do palácio presidencial de La Moneda. Com um capacete de combate e uma metralhadora em punho, observou o cerco dos militares em redor do palácio. O presidente, voltou ao seu escritório, onde escreveu a última mensagem transmitida ao país através da Rádio Magallanes:
“Esta será certamente a última oportunidade que terei de falar com vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas de Rádio Magallanes. As minhas palavras não expressam amargura, mas decepção.

Que elas sejam um castigo moral para quem traiu o seu juramento:
soldados do Chile, comandantes titulares, o almirante Merino, que se auto proclamou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general desprezível que só ontem manifestou a sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se auto promoveu Director Geral do Corpo de Fuzileiros.
Diante destes factos só me cabe dizer aos trabalhadores:
Eu não vou renunciar!
Colocado num caminho histórico, pagarei com a minha vida a fidelidade do povo. E digo-vos que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser apagada definitivamente. Eles têm a força avassaladora, mas não detêm os processos sociais, nem com o crime nem com a força.
A história é nossa e é escrita pelos povos.
Trabalhadores da minha Pátria:

Quero agradecer-vos a vossa constante lealdade, a confiança que depositaram num homem que só foi intérprete de grandes desejos de Justiça, que se comprometeu a respeitar a Constituição e a lei, e assim o fiz.
Neste momento definitivo, o último em que posso dirigir-me a vocês, quero que aprendam a lição:
o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reacção, criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem com sua tradição, que lhes foi ensinada pelo general Schneider e reafirmada pelo comandante Araya, vítimas do mesmo sector social que hoje estará à espera de reconquistar o poder para continuar a defender os seus lucros e privilégios.
Dirijo-me a vocês, principalmente à modesta mulher da nossa terra, à camponesa que acreditou em nós, à mãe que soube da nossa preocupação pelas crianças.

Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que sempre trabalharam contra a sedição das corporações profissionais, corporações de classe que também defenderam as vantagens de uma sociedade capitalista.
Dirijo-me à juventude, aqueles que cantaram e deram a sua alegria e o seu espírito de luta.
Dirijo-me ao homem chileno, o trabalhador incansável, o camponês, o intelectual, aqueles que serão perseguidos, pois no nosso país o fascismo já esteve presente nos atentados terroristas, explodindo as pontes e as vias ferroviárias, e destruindo os oleodutos e condutas de gás, ante o silêncio de quem tinha obrigação de proceder.
Estavam comprometidos.
A história os julgará.
A Rádio Magallanes será certamente cortada e o metal tranquilo da minha voz não chegará a vocês.
Não importa.
Continuarão a ouvi-la.

Sempre estarei junto de vocês.
Pelo menos a minha lembrança será a de um homem digno que foi fiel à Pátria.
O povo deve defender-se, mas não sacrificar-se.
O povo não deve deixar arrasar-se, molestar-se, nem deve humilhar-se. Trabalhadores da minha Pátria, tenho fé no Chile e no seu destino.
Outros homens superarão este momento negro e amargo no qual a traição pretende impor-se. Fiquem sabendo que, muito mais cedo do que tarde, as grandes alamedas por onde passará o homem livre, serão abertas novamente, para construir uma sociedade melhor.
Viva o Chile!

Viva o povo!
Vivam os trabalhadores!
Estas são as minhas últimas palavras e tenho a certeza de que o meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a deslealdade, a covardia e a traição.”
Nas suas últimas palavras, o presidente Salvador Allende antecipou a sua própria morte como uma “lição moral” para os seus inimigos responsáveis, pelo golpe de Estado que instalou no Chile a ditadura do general Augusto Pinochet.
publicado por armando ésse às 10:34

Setembro 11 2005

No dia 11 de Setembro de 1973, o presidente Salvador Allende apareceu pela última vez na varanda do palácio presidencial de La Moneda. Com um capacete de combate e uma metralhadora em punho, observou o cerco dos militares em redor do palácio. O presidente, voltou ao seu escritório, onde escreveu a última mensagem transmitida ao país através da Rádio Magallanes:
“Esta será certamente a última oportunidade que terei de falar com vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas de Rádio Magallanes. As minhas palavras não expressam amargura, mas decepção.

Que elas sejam um castigo moral para quem traiu o seu juramento:
soldados do Chile, comandantes titulares, o almirante Merino, que se auto proclamou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general desprezível que só ontem manifestou a sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se auto promoveu Director Geral do Corpo de Fuzileiros.
Diante destes factos só me cabe dizer aos trabalhadores:
Eu não vou renunciar!
Colocado num caminho histórico, pagarei com a minha vida a fidelidade do povo. E digo-vos que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser apagada definitivamente. Eles têm a força avassaladora, mas não detêm os processos sociais, nem com o crime nem com a força.
A história é nossa e é escrita pelos povos.
Trabalhadores da minha Pátria:

Quero agradecer-vos a vossa constante lealdade, a confiança que depositaram num homem que só foi intérprete de grandes desejos de Justiça, que se comprometeu a respeitar a Constituição e a lei, e assim o fiz.
Neste momento definitivo, o último em que posso dirigir-me a vocês, quero que aprendam a lição:
o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reacção, criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem com sua tradição, que lhes foi ensinada pelo general Schneider e reafirmada pelo comandante Araya, vítimas do mesmo sector social que hoje estará à espera de reconquistar o poder para continuar a defender os seus lucros e privilégios.
Dirijo-me a vocês, principalmente à modesta mulher da nossa terra, à camponesa que acreditou em nós, à mãe que soube da nossa preocupação pelas crianças.

Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que sempre trabalharam contra a sedição das corporações profissionais, corporações de classe que também defenderam as vantagens de uma sociedade capitalista.
Dirijo-me à juventude, aqueles que cantaram e deram a sua alegria e o seu espírito de luta.
Dirijo-me ao homem chileno, o trabalhador incansável, o camponês, o intelectual, aqueles que serão perseguidos, pois no nosso país o fascismo já esteve presente nos atentados terroristas, explodindo as pontes e as vias ferroviárias, e destruindo os oleodutos e condutas de gás, ante o silêncio de quem tinha obrigação de proceder.
Estavam comprometidos.
A história os julgará.
A Rádio Magallanes será certamente cortada e o metal tranquilo da minha voz não chegará a vocês.
Não importa.
Continuarão a ouvi-la.

Sempre estarei junto de vocês.
Pelo menos a minha lembrança será a de um homem digno que foi fiel à Pátria.
O povo deve defender-se, mas não sacrificar-se.
O povo não deve deixar arrasar-se, molestar-se, nem deve humilhar-se. Trabalhadores da minha Pátria, tenho fé no Chile e no seu destino.
Outros homens superarão este momento negro e amargo no qual a traição pretende impor-se. Fiquem sabendo que, muito mais cedo do que tarde, as grandes alamedas por onde passará o homem livre, serão abertas novamente, para construir uma sociedade melhor.
Viva o Chile!

Viva o povo!
Vivam os trabalhadores!
Estas são as minhas últimas palavras e tenho a certeza de que o meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a deslealdade, a covardia e a traição.”
Nas suas últimas palavras, o presidente Salvador Allende antecipou a sua própria morte como uma “lição moral” para os seus inimigos responsáveis, pelo golpe de Estado que instalou no Chile a ditadura do general Augusto Pinochet.
publicado por armando ésse às 10:34

Setembro 11 2005

Salvador Allende nasceu em 26 de Junho de 1908, na cidade de Valparaíso. Em 1926, entra na Escola de Medicina da Universidad de Chile, concluindo o curso de Medicina. Em 1933 é um dos fundadores do Partido Socialista do Chile, de cujo grupo parlamentar faz parte entre 1937 e 1946. Por fazer oposição ao governo conservador do General Carlos Ibáñez, é exilado na região de Caldera. Em 1939, após o triunfo do Presidente Pedro Aguirre Cerda, aceita o cargo de Ministro da Saúde.
Casa-se, no ano de 1940, com Hortensia Bussi, que lhe deu três filhas: Laura, María Isabel e Beatriz. Foi eleito Secretário Geral do Partido Socialista chileno, em 1942. EM 1945 foi eleito Senador pelas províncias sulistas de Valdivia, Llanquihue, Chiloé, Aysén e Magallanes. Durante quase quinze anos, de 1949 a 1963, preside ao Colégio Médico do Chile.
Em 1952, candidata-se à Presidência da República pela primeira vez, recebendo 5% dos votos. É reeleito Senador, representando as províncias de Tarapacá e Antofagasta, no norte do país. Recandidata-se à Presidência da República, sendo derrotado pelo candidato independente Jorge Alessandri Rodríguez, que tinha o apoio de uma coligação de direita, em 1958. A pequena diferença de menos de trinta e cinco mil votos assusta a burguesia chilena. Em 1961, chega ao Senado pela sua região natal: Valparaíso, reduto conservador, tradicionalmente difícil para a esquerda.
Recandidata-se novamente em 1964. Para impedir a vitória dos socialistas, a direita chilena vota maciçamente em Eduardo Frei, democrata cristão. Allende recebe cerca de 40% dos votos.
Conquista a Presidência do Senado em 1966. Em 1969 reelege-se como Senador por Chiloé, Aysén e Magallanes. O candidato do Partido Comunista às eleições presidenciais, o poeta Pablo Neruda, desiste da candidatura, em favor de Salvador Allende.
Em 04 de Setembro de 1970, Salvador Allende obtém a primeira maioria relativa (36%) nas eleições presidenciais, apoiado pela Unidad Popular, sucessora da Frente Popular. Devido à Lei Eleitoral chilena, o Congresso Nacional deve escolher entre as duas primeiras maiorias relativas. Após um acordo com a Democracia Cristã, Salvador Allende é eleito Presidente da República, assumindo a Presidência, sob a apreensão e o temor de todos os conservadores, no dia 04 de Novembro de 1970.
Inicia-se a chamada Via Chilena ao Socialismo, “la revolución de empanada y vino tinto”.
Durante o Governo Popular, a luta popular incrementa-se, contra todas as campanhas destabilizadoras promovidas pela direita apoiada pelos democratas cristãos. A CIA observa, planeia, conspira. A Unidade Popular ganha a maioria absoluta nas eleições municipais de 1971, além de cerca de 43% dos votos parlamentares de 1973. Fracassada uma tentativa de impugnar Salvador Allende, o grupo de centro-direita começa uma intensa campanha para preparar a intervenção das forças armadas.
Sob intenso clima de agitação, provocado pelos sectores reaccionários e conservadores, com amplo apoio dos EUA, via CIA, fazem greves de sectores vitais, como transportes, para minar o abastecimento de víveres. Os motoristas de camiões são pagos, com vários meses de adiantamento, para ficar em casa. O Golpe de Estado de 11 de Setembro de 1973, derruba aquele que foi o mais democrático regime da América do Sul. Um dos líderes golpistas é Augusto Pinochet, Ministro da Defesa do Governo de Salvador Allende.
O Presidente Salvador Allende Gossens é covardemente assassinado no Palácio de La Moneda, no dia 11 de Setembro de 1973.
Iniciava-se no Chile uma das mais sangrentas ditaduras militares da América Latina, comandada pelo general Augusto Pinochet, proclamado no ano seguinte "Chefe Supremo da Nação". Imediatamente após o golpe, o general inicia uma repressão cruel contra a oposição, proibindo qualquer actividade política e oprimindo os sectores da esquerda com prisões, torturas e execuções em massa, espalhando o terror por todo país e exterior. O Chile, que foi abrigo dos perseguidos de todo o continente, e um dos últimos pilares de liberdade na América do Sul, persegue implacavelmente os seus compatriotas.

A longa noite do horror fascista, cobriu o Chile.
publicado por armando ésse às 09:02
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Setembro 11 2005

Salvador Allende nasceu em 26 de Junho de 1908, na cidade de Valparaíso. Em 1926, entra na Escola de Medicina da Universidad de Chile, concluindo o curso de Medicina. Em 1933 é um dos fundadores do Partido Socialista do Chile, de cujo grupo parlamentar faz parte entre 1937 e 1946. Por fazer oposição ao governo conservador do General Carlos Ibáñez, é exilado na região de Caldera. Em 1939, após o triunfo do Presidente Pedro Aguirre Cerda, aceita o cargo de Ministro da Saúde.
Casa-se, no ano de 1940, com Hortensia Bussi, que lhe deu três filhas: Laura, María Isabel e Beatriz. Foi eleito Secretário Geral do Partido Socialista chileno, em 1942. EM 1945 foi eleito Senador pelas províncias sulistas de Valdivia, Llanquihue, Chiloé, Aysén e Magallanes. Durante quase quinze anos, de 1949 a 1963, preside ao Colégio Médico do Chile.
Em 1952, candidata-se à Presidência da República pela primeira vez, recebendo 5% dos votos. É reeleito Senador, representando as províncias de Tarapacá e Antofagasta, no norte do país. Recandidata-se à Presidência da República, sendo derrotado pelo candidato independente Jorge Alessandri Rodríguez, que tinha o apoio de uma coligação de direita, em 1958. A pequena diferença de menos de trinta e cinco mil votos assusta a burguesia chilena. Em 1961, chega ao Senado pela sua região natal: Valparaíso, reduto conservador, tradicionalmente difícil para a esquerda.
Recandidata-se novamente em 1964. Para impedir a vitória dos socialistas, a direita chilena vota maciçamente em Eduardo Frei, democrata cristão. Allende recebe cerca de 40% dos votos.
Conquista a Presidência do Senado em 1966. Em 1969 reelege-se como Senador por Chiloé, Aysén e Magallanes. O candidato do Partido Comunista às eleições presidenciais, o poeta Pablo Neruda, desiste da candidatura, em favor de Salvador Allende.
Em 04 de Setembro de 1970, Salvador Allende obtém a primeira maioria relativa (36%) nas eleições presidenciais, apoiado pela Unidad Popular, sucessora da Frente Popular. Devido à Lei Eleitoral chilena, o Congresso Nacional deve escolher entre as duas primeiras maiorias relativas. Após um acordo com a Democracia Cristã, Salvador Allende é eleito Presidente da República, assumindo a Presidência, sob a apreensão e o temor de todos os conservadores, no dia 04 de Novembro de 1970.
Inicia-se a chamada Via Chilena ao Socialismo, “la revolución de empanada y vino tinto”.
Durante o Governo Popular, a luta popular incrementa-se, contra todas as campanhas destabilizadoras promovidas pela direita apoiada pelos democratas cristãos. A CIA observa, planeia, conspira. A Unidade Popular ganha a maioria absoluta nas eleições municipais de 1971, além de cerca de 43% dos votos parlamentares de 1973. Fracassada uma tentativa de impugnar Salvador Allende, o grupo de centro-direita começa uma intensa campanha para preparar a intervenção das forças armadas.
Sob intenso clima de agitação, provocado pelos sectores reaccionários e conservadores, com amplo apoio dos EUA, via CIA, fazem greves de sectores vitais, como transportes, para minar o abastecimento de víveres. Os motoristas de camiões são pagos, com vários meses de adiantamento, para ficar em casa. O Golpe de Estado de 11 de Setembro de 1973, derruba aquele que foi o mais democrático regime da América do Sul. Um dos líderes golpistas é Augusto Pinochet, Ministro da Defesa do Governo de Salvador Allende.
O Presidente Salvador Allende Gossens é covardemente assassinado no Palácio de La Moneda, no dia 11 de Setembro de 1973.
Iniciava-se no Chile uma das mais sangrentas ditaduras militares da América Latina, comandada pelo general Augusto Pinochet, proclamado no ano seguinte "Chefe Supremo da Nação". Imediatamente após o golpe, o general inicia uma repressão cruel contra a oposição, proibindo qualquer actividade política e oprimindo os sectores da esquerda com prisões, torturas e execuções em massa, espalhando o terror por todo país e exterior. O Chile, que foi abrigo dos perseguidos de todo o continente, e um dos últimos pilares de liberdade na América do Sul, persegue implacavelmente os seus compatriotas.

A longa noite do horror fascista, cobriu o Chile.
publicado por armando ésse às 09:02
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