A FÁBRICA

Novembro 30 2005

O clima na Europa está a passar pelas maiores mudanças dos últimos 5 mil anos, segundo o relatório anual da Agência Europeia do Ambiente publicado ontem. O documento analisou a situação ambiental em cerca de 30 países e avaliou a eficácia das políticas aplicadas nesse âmbito nos últimos cinco anos. Como principal conclusão, o relatório destacou que “as alterações climáticas já estão em andamento”, como demonstra a ocorrência cada vez maior de fenómenos meteorológicos extremos, a escassez de água em algumas regiões e o degelo nos pólos.
O fenómenos também se reflecte no aumento médio de 0,95 grau centígrado das temperaturas europeias, que devem aumentar “de 2 a 6 graus ao longo deste século”, alertou o documento. “A Europa tem a obrigação de olhar para além de 2012 e das suas fronteiras”, pois as alterações climáticas são um problema “global”, disse durante a apresentação do relatório a directora da Agência Europeia do Meio Ambiente, Jacqueline McGlade.
Segundo a representante da Agência, é preciso haver uma maior redução das emissões de gases de efeito estufa. Embora a UE tenha conseguido limitar o aumento das temperaturas a um máximo de 2 graus, “viveremos em condições atmosféricas jamais experimentadas por seres humanos”, disse. Apesar de as alterações climáticas serem o desafio mais imediato, existem outras prioridades ambientais, como a luta contra a poluição atmosférica, o regulamento dos produtos químicos para reduzir os seus efeitos sobre a saúde e a conservação do solo como recurso produtivo e reserva da biodiversidade. Para avaliar a situação no continente, o documento analisou nove indicadores: emissões de gases de efeito estufa, consumo de energia, electricidade renovável, emissões de substâncias acidificantes e de precursores do ozónio, demanda do transporte de mercadorias, superfície dedicada à agricultura ecológica, resíduos urbanos e uso de recursos hídricos.
Por países, a Espanha registrou o pior desempenho da UE no cumprimento de muitos dos objectivos ambientais da União Europeia, pois passou por um rápido crescimento económico que não foi acompanhado de medidas para enfrentar os problemas que surgiram. O relatório destacou os progressos obtidos nos últimos trinta anos graças à legislação da UE, mas também ressaltou os desafios que ainda devem ser enfrentados. A Europa “deverá usar mais as energias renováveis”, afirmou o documento. Muitos dos problemas ambientais devem-se à forma como a Europa utiliza o seu solo, à sua estrutura económica e ao estilo de vida dos cidadãos, sendo “necessário aumentar a consciencialização”, ressaltou o relatório.
“Numa economia cada vez mais globalizada, as decisões dos consumidores de qualquer lugar afectam não só o meio ambiente europeu, mas também o de muitas outras partes do mundo”, acrescentou. Além disso, o texto cita uma análise recente que aponta que, entre 1990 e 2000, as áreas urbanas na Europa expandiram-se 6%, com a utilização de mais de 800 mil hectares de solos naturalmente produtivos para a construção de casas, escritórios, comércios e outras superfícies artificiais .O relatório alertou ainda que o turismo contribui para a expansão dessas áreas, “sobretudo nos limites de aglomerações costeiras como, por exemplo, a costa mediterrânea, muito urbanizada”. Um desenvolvimento mal planeado do turismo “pode aumentar a pressão sobre regiões que já sofrem com a escassez de água”, alertou a Agência Ambiental.
Durante a entrevista colectiva de apresentação do documento, McGlade insistiu que as políticas ambientais “demonstraram ser um incentivo à inovação, e não um obstáculo”. Já para a vice-presidente da Comissão Europeia, Margot Wallström, “ainda é preciso fazer muito” para reduzir o impacto da poluição, “fenómeno que provoca a morte prematura de 370 mil cidadãos europeus por ano”. Além disso, ela reconheceu que a UE é responsável pela degradação ambiental em outras áreas do planeta. Por isso, “é necessário estimular o desenvolvimento sustentável”, afirmou.

Link:reports.eea.eu.int.
publicado por armando ésse às 09:05

Novembro 30 2005

O clima na Europa está a passar pelas maiores mudanças dos últimos 5 mil anos, segundo o relatório anual da Agência Europeia do Ambiente publicado ontem. O documento analisou a situação ambiental em cerca de 30 países e avaliou a eficácia das políticas aplicadas nesse âmbito nos últimos cinco anos. Como principal conclusão, o relatório destacou que “as alterações climáticas já estão em andamento”, como demonstra a ocorrência cada vez maior de fenómenos meteorológicos extremos, a escassez de água em algumas regiões e o degelo nos pólos.
O fenómenos também se reflecte no aumento médio de 0,95 grau centígrado das temperaturas europeias, que devem aumentar “de 2 a 6 graus ao longo deste século”, alertou o documento. “A Europa tem a obrigação de olhar para além de 2012 e das suas fronteiras”, pois as alterações climáticas são um problema “global”, disse durante a apresentação do relatório a directora da Agência Europeia do Meio Ambiente, Jacqueline McGlade.
Segundo a representante da Agência, é preciso haver uma maior redução das emissões de gases de efeito estufa. Embora a UE tenha conseguido limitar o aumento das temperaturas a um máximo de 2 graus, “viveremos em condições atmosféricas jamais experimentadas por seres humanos”, disse. Apesar de as alterações climáticas serem o desafio mais imediato, existem outras prioridades ambientais, como a luta contra a poluição atmosférica, o regulamento dos produtos químicos para reduzir os seus efeitos sobre a saúde e a conservação do solo como recurso produtivo e reserva da biodiversidade. Para avaliar a situação no continente, o documento analisou nove indicadores: emissões de gases de efeito estufa, consumo de energia, electricidade renovável, emissões de substâncias acidificantes e de precursores do ozónio, demanda do transporte de mercadorias, superfície dedicada à agricultura ecológica, resíduos urbanos e uso de recursos hídricos.
Por países, a Espanha registrou o pior desempenho da UE no cumprimento de muitos dos objectivos ambientais da União Europeia, pois passou por um rápido crescimento económico que não foi acompanhado de medidas para enfrentar os problemas que surgiram. O relatório destacou os progressos obtidos nos últimos trinta anos graças à legislação da UE, mas também ressaltou os desafios que ainda devem ser enfrentados. A Europa “deverá usar mais as energias renováveis”, afirmou o documento. Muitos dos problemas ambientais devem-se à forma como a Europa utiliza o seu solo, à sua estrutura económica e ao estilo de vida dos cidadãos, sendo “necessário aumentar a consciencialização”, ressaltou o relatório.
“Numa economia cada vez mais globalizada, as decisões dos consumidores de qualquer lugar afectam não só o meio ambiente europeu, mas também o de muitas outras partes do mundo”, acrescentou. Além disso, o texto cita uma análise recente que aponta que, entre 1990 e 2000, as áreas urbanas na Europa expandiram-se 6%, com a utilização de mais de 800 mil hectares de solos naturalmente produtivos para a construção de casas, escritórios, comércios e outras superfícies artificiais .O relatório alertou ainda que o turismo contribui para a expansão dessas áreas, “sobretudo nos limites de aglomerações costeiras como, por exemplo, a costa mediterrânea, muito urbanizada”. Um desenvolvimento mal planeado do turismo “pode aumentar a pressão sobre regiões que já sofrem com a escassez de água”, alertou a Agência Ambiental.
Durante a entrevista colectiva de apresentação do documento, McGlade insistiu que as políticas ambientais “demonstraram ser um incentivo à inovação, e não um obstáculo”. Já para a vice-presidente da Comissão Europeia, Margot Wallström, “ainda é preciso fazer muito” para reduzir o impacto da poluição, “fenómeno que provoca a morte prematura de 370 mil cidadãos europeus por ano”. Além disso, ela reconheceu que a UE é responsável pela degradação ambiental em outras áreas do planeta. Por isso, “é necessário estimular o desenvolvimento sustentável”, afirmou.

Link:reports.eea.eu.int.
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Novembro 30 2005

Na passagem do 70º aniversário da morte de Fernando Pessoa, aqui ficam as notas auto-biográficas, escritas em Lisboa, em 30 de Março de 1935.

Nome completo: Fernando António Nogueira Pessoa.

Idade e naturalidade: Nasceu em Lisboa, freguesia dos Mártires, no prédio n.º 4 do Largo de S. Carlos (hoje do Directório) em 13 de Junho de 1888.

Filiação: Filho legítimo de Joaquim de Seabra Pessoa e de D. Maria Madalena Pinheiro Nogueira. Neto paterno do general Joaquim António de Araújo Pessoa, combatente das campanhas liberais, e de D. Dionísia Seabra; neto materno do conselheiro Luís António Nogueira, jurisconsulto e que foi Director-Geral do Ministério do Reino, e de D. Madalena Xavier Pinheiro.

Ascendência geral: misto de fidalgos e judeus.

Estado: Solteiro.

Profissão: A designação mais própria será «tradutor», a mais exacta a de «correspondente estrangeiro em casas comerciais». O ser poeta e escritor não constitui profissão, mas vocação.

Morada: Rua Coelho da Rocha, 16, 1º. Dto. Lisboa. (Endereço postal - Caixa Postal 147, Lisboa).


Funções sociais que tem desempenhado: Se por isso se entende cargos públicos, ou funções de destaque, nenhumas.

Obras que tem publicado: A obra está essencialmente dispersa, por enquanto, por várias revistas e publicações ocasionais. O que, de livros ou folhetos, considera como válido, é o seguinte: «35 Sonnets» (em inglês), 1918; «English Poems I-II» e «English Poems III» (em inglês também), 1922, e o livro «Mensagem», 1934, premiado pelo Secretariado de Propaganda Nacional, na categoria «Poema». O folheto «O Interregno», publicado em 1928, e constituído por uma defesa da Ditadura Militar em Portugal, deve ser considerado como não existente. Há que rever tudo isso e talvez que repudiar muito.

Educação: Em virtude de, falecido seu pai em 1893, sua mãe ter casado, em 1895, em segundas núpcias, com o Comandante João Miguel Rosa, Cônsul de Portugal em Durban, Natal, foi ali educado. Ganhou o prémio Rainha Vitória de estilo inglês na Universidade do Cabo da Boa Esperança em 1903, no exame de admissão, aos 15 anos.

Ideologia Política: Considera que o sistema monárquico seria o mais próprio para uma nação organicamente imperial como é Portugal. Considera, ao mesmo tempo, a Monarquia completamente inviável em Portugal. Por isso, a haver um plebiscito entre regimes, votaria, embora com pena, pela República. Conservador do estilo inglês, isto é, liberdade dentro do conservantismo, e absolutamente anti-reaccionário.

Posição religiosa: Cristão gnóstico e portanto inteiramente oposto a todas as Igrejas organizadas, e sobretudo à Igreja de Roma. Fiel, por motivos que mais adiante estão implícitos, à Tradição Secreta do Cristianismo, que tem íntimas relações com a Tradição Secreta em Israel (a Santa Kabbalah) e com a essência oculta da Maçonaria.

Posição iniciática: Iniciado, por comunicação directa de Mestre a Discípulo, nos três graus menores da (aparentemente extinta) Ordem Templária de Portugal.

Posição patriótica: Partidário de um nacionalismo místico, de onde seja abolida toda a infiltração católico-romana, criando-se, se possível for, um sebastianismo novo, que a substitua espiritualmente, se é que no catolicismo português houve alguma vez espiritualidade. Nacionalista que se guia por este lema: «Tudo pela Humanidade; nada contra a Nação».

Posição social: Anticomunista e anti-socialista. O mais deduz-se do que vai dito acima.

Resumo de estas últimas considerações: Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, Grão-Mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos - a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania.


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Novembro 30 2005

Na passagem do 70º aniversário da morte de Fernando Pessoa, aqui ficam as notas auto-biográficas, escritas em Lisboa, em 30 de Março de 1935.

Nome completo: Fernando António Nogueira Pessoa.

Idade e naturalidade: Nasceu em Lisboa, freguesia dos Mártires, no prédio n.º 4 do Largo de S. Carlos (hoje do Directório) em 13 de Junho de 1888.

Filiação: Filho legítimo de Joaquim de Seabra Pessoa e de D. Maria Madalena Pinheiro Nogueira. Neto paterno do general Joaquim António de Araújo Pessoa, combatente das campanhas liberais, e de D. Dionísia Seabra; neto materno do conselheiro Luís António Nogueira, jurisconsulto e que foi Director-Geral do Ministério do Reino, e de D. Madalena Xavier Pinheiro.

Ascendência geral: misto de fidalgos e judeus.

Estado: Solteiro.

Profissão: A designação mais própria será «tradutor», a mais exacta a de «correspondente estrangeiro em casas comerciais». O ser poeta e escritor não constitui profissão, mas vocação.

Morada: Rua Coelho da Rocha, 16, 1º. Dto. Lisboa. (Endereço postal - Caixa Postal 147, Lisboa).


Funções sociais que tem desempenhado: Se por isso se entende cargos públicos, ou funções de destaque, nenhumas.

Obras que tem publicado: A obra está essencialmente dispersa, por enquanto, por várias revistas e publicações ocasionais. O que, de livros ou folhetos, considera como válido, é o seguinte: «35 Sonnets» (em inglês), 1918; «English Poems I-II» e «English Poems III» (em inglês também), 1922, e o livro «Mensagem», 1934, premiado pelo Secretariado de Propaganda Nacional, na categoria «Poema». O folheto «O Interregno», publicado em 1928, e constituído por uma defesa da Ditadura Militar em Portugal, deve ser considerado como não existente. Há que rever tudo isso e talvez que repudiar muito.

Educação: Em virtude de, falecido seu pai em 1893, sua mãe ter casado, em 1895, em segundas núpcias, com o Comandante João Miguel Rosa, Cônsul de Portugal em Durban, Natal, foi ali educado. Ganhou o prémio Rainha Vitória de estilo inglês na Universidade do Cabo da Boa Esperança em 1903, no exame de admissão, aos 15 anos.

Ideologia Política: Considera que o sistema monárquico seria o mais próprio para uma nação organicamente imperial como é Portugal. Considera, ao mesmo tempo, a Monarquia completamente inviável em Portugal. Por isso, a haver um plebiscito entre regimes, votaria, embora com pena, pela República. Conservador do estilo inglês, isto é, liberdade dentro do conservantismo, e absolutamente anti-reaccionário.

Posição religiosa: Cristão gnóstico e portanto inteiramente oposto a todas as Igrejas organizadas, e sobretudo à Igreja de Roma. Fiel, por motivos que mais adiante estão implícitos, à Tradição Secreta do Cristianismo, que tem íntimas relações com a Tradição Secreta em Israel (a Santa Kabbalah) e com a essência oculta da Maçonaria.

Posição iniciática: Iniciado, por comunicação directa de Mestre a Discípulo, nos três graus menores da (aparentemente extinta) Ordem Templária de Portugal.

Posição patriótica: Partidário de um nacionalismo místico, de onde seja abolida toda a infiltração católico-romana, criando-se, se possível for, um sebastianismo novo, que a substitua espiritualmente, se é que no catolicismo português houve alguma vez espiritualidade. Nacionalista que se guia por este lema: «Tudo pela Humanidade; nada contra a Nação».

Posição social: Anticomunista e anti-socialista. O mais deduz-se do que vai dito acima.

Resumo de estas últimas considerações: Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, Grão-Mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos - a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania.


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