A FÁBRICA

Janeiro 18 2006

O Supremo Tribunal dos Estados Unidos emitiu hoje um acórdão que valida o “suicídio medicamente assistido” no estado do Oregon , o único Estado norte-americano que dispõe de uma legislação nesse domínio e que poderá inspirar outros. Nesta decisão, tomada por uma maioria de seis votos contra três, a mais alta instância judicial do país considera que o governo não pode proibir os médicos daquele Estado de prescreverem medicamentos para fins de eutanásia. A legislação federal “não autoriza o Procurador-Geral (secretário da Justiça) a proibir a administração de substâncias regulamentadas para fins de suicídio assistido, perante uma legislação médica estadual que permite tal procedimento”, concluiu o tribunal. O secretário da Justiça norte-americano, Alberto Gonzales, recorreu ao tribunal para contestar o despacho de um tribunal de apelação federal invalidando uma decisão do seu ministério que proibia tal prática no Oregon. Aprovada por duas vezes pelos eleitores do Oregon, a lei “Morrer com Dignidade” é aí aplicada desde 1997. A lei enquadra estritamente a eutanásia, exigindo que dois médicos concluam que a esperança de vida do doente atingido por uma doença incurável é inferior a seis meses, que este tenha solicitado esse procedimento e que a sua escolha seja feita com plena consciência. A administração do actual Presidente, George W. Bush, apoiada por numerosas organizações religiosas, tenta desde o final de 2001 combater este texto. LUSA.
A palavra eutanásia deriva do grego eu (bom) e thanatos (morte) significa morte boa, morte calma, morte doce ou indolor. A expressão teve origem no século XVII, quando Francis Bacon cunhou-a como designação da função do médico, quando este proporcionava ao enfermo morte indolor, calma e doce.

Muitos autores, ao tratar o assunto, citam, macabramente, usos de povos antigos, cuja sensibilidade ética não tem nada a ver com a nossa. Em Esparta, por exemplo, era prática comum precipitar os recém-nascidos mal-formados do alto do monte Talgeto. Os birmaneses, por sua vez, enterravam vivos os idosos e os enfermos graves. Populações sul-americanas, forçosamente nómadas por factores ambientais, sacrificavam os anciãos e enfermos, para não os abandonar ao ataque de animais selvagens.
Em Novembro de 2000, a Holanda tornou-se o primeiro país do mundo onde a eutanásia e o suicídio assistido são legais. Na Holanda, onde o tema sempre suscitou grande preocupação nas classes médica e jurídica, há estimativas que variam de três a doze mil casos anuais de morte por eutanásia. Até aqui, esta prática era condenada por lei, mas tolerada pela sociedade desde 1996, quando praticada em doentes adultos e sob a tutela directa do Ministério Público.
A lei aprovada foi criticada severamente pelo Vaticano, considerando que «viola a dignidade humana» e está em contradição com a Declaração de Genebra de 1948, da Associação Médica Mundial, bem como os princípios da ética clínica aprovados por doze países da União Europeia em 1987.
Além disto, a Academia Pontífica para a Vida procurou fazer valer que a aceitação legal da morte voluntária de um membro da sociedade por outro perverte, na sua raiz, um dos princípios fundamentais da convivência civil.
Também defende que a legalização é susceptível de conduzir à perda da necessária confiança nos médicos por parte dos pacientes e de abrir toda a espécie de abusos e injustiças, principalmente em detrimento dos mais débeis.
O direito de um paciente em recusar procedimentos terapêuticos que lhe prolonguem a vida é reconhecido em vários países.

Inúmeros casos, em diferentes locais do mundo trazem, de tempos a tempos, a discussão sobre a eutanásia, com posições extremadas em ambos os campos, de pró ou contra, a eutanásia.
Se por um lado os que são a favor da eutanásia, pretender que a eutanásia seja um direito a morrer dignamente e sem dor, do outro lado retaliam dizendo que é legalizar o homicídio, e que o direito sobre a vida é um direito divino.

A eutanásia provocada por outrém, ou a morte realizada por misericórdia ou piedade, constitui homicídio, pelo nosso direito penal. Talvez, seja o momento de a legislação portuguesa avançar nesta matéria.
publicado por armando ésse às 09:54

Janeiro 18 2006

O Supremo Tribunal dos Estados Unidos emitiu hoje um acórdão que valida o “suicídio medicamente assistido” no estado do Oregon , o único Estado norte-americano que dispõe de uma legislação nesse domínio e que poderá inspirar outros. Nesta decisão, tomada por uma maioria de seis votos contra três, a mais alta instância judicial do país considera que o governo não pode proibir os médicos daquele Estado de prescreverem medicamentos para fins de eutanásia. A legislação federal “não autoriza o Procurador-Geral (secretário da Justiça) a proibir a administração de substâncias regulamentadas para fins de suicídio assistido, perante uma legislação médica estadual que permite tal procedimento”, concluiu o tribunal. O secretário da Justiça norte-americano, Alberto Gonzales, recorreu ao tribunal para contestar o despacho de um tribunal de apelação federal invalidando uma decisão do seu ministério que proibia tal prática no Oregon. Aprovada por duas vezes pelos eleitores do Oregon, a lei “Morrer com Dignidade” é aí aplicada desde 1997. A lei enquadra estritamente a eutanásia, exigindo que dois médicos concluam que a esperança de vida do doente atingido por uma doença incurável é inferior a seis meses, que este tenha solicitado esse procedimento e que a sua escolha seja feita com plena consciência. A administração do actual Presidente, George W. Bush, apoiada por numerosas organizações religiosas, tenta desde o final de 2001 combater este texto. LUSA.
A palavra eutanásia deriva do grego eu (bom) e thanatos (morte) significa morte boa, morte calma, morte doce ou indolor. A expressão teve origem no século XVII, quando Francis Bacon cunhou-a como designação da função do médico, quando este proporcionava ao enfermo morte indolor, calma e doce.

Muitos autores, ao tratar o assunto, citam, macabramente, usos de povos antigos, cuja sensibilidade ética não tem nada a ver com a nossa. Em Esparta, por exemplo, era prática comum precipitar os recém-nascidos mal-formados do alto do monte Talgeto. Os birmaneses, por sua vez, enterravam vivos os idosos e os enfermos graves. Populações sul-americanas, forçosamente nómadas por factores ambientais, sacrificavam os anciãos e enfermos, para não os abandonar ao ataque de animais selvagens.
Em Novembro de 2000, a Holanda tornou-se o primeiro país do mundo onde a eutanásia e o suicídio assistido são legais. Na Holanda, onde o tema sempre suscitou grande preocupação nas classes médica e jurídica, há estimativas que variam de três a doze mil casos anuais de morte por eutanásia. Até aqui, esta prática era condenada por lei, mas tolerada pela sociedade desde 1996, quando praticada em doentes adultos e sob a tutela directa do Ministério Público.
A lei aprovada foi criticada severamente pelo Vaticano, considerando que «viola a dignidade humana» e está em contradição com a Declaração de Genebra de 1948, da Associação Médica Mundial, bem como os princípios da ética clínica aprovados por doze países da União Europeia em 1987.
Além disto, a Academia Pontífica para a Vida procurou fazer valer que a aceitação legal da morte voluntária de um membro da sociedade por outro perverte, na sua raiz, um dos princípios fundamentais da convivência civil.
Também defende que a legalização é susceptível de conduzir à perda da necessária confiança nos médicos por parte dos pacientes e de abrir toda a espécie de abusos e injustiças, principalmente em detrimento dos mais débeis.
O direito de um paciente em recusar procedimentos terapêuticos que lhe prolonguem a vida é reconhecido em vários países.

Inúmeros casos, em diferentes locais do mundo trazem, de tempos a tempos, a discussão sobre a eutanásia, com posições extremadas em ambos os campos, de pró ou contra, a eutanásia.
Se por um lado os que são a favor da eutanásia, pretender que a eutanásia seja um direito a morrer dignamente e sem dor, do outro lado retaliam dizendo que é legalizar o homicídio, e que o direito sobre a vida é um direito divino.

A eutanásia provocada por outrém, ou a morte realizada por misericórdia ou piedade, constitui homicídio, pelo nosso direito penal. Talvez, seja o momento de a legislação portuguesa avançar nesta matéria.
publicado por armando ésse às 09:54

Janeiro 11 2006

O Herói dos “Hippies” e da “Flower Power Generation” faz cem anos.
O químico suíço Albert Hofmann, inventor da droga conhecida como LSD, abreviatura da expressão alemã Liserg Saure Diethylamid ( dietilamida do ácido lisérgico), completa cem anos hoje. Será homenageado num simpósio internacional que discutirá os efeitos do uso dessa substância.
O LSD é uma droga com efeitos alucinógenos e foi a muito consumida dentro do movimento hippie nos anos 60. Depois disso, acabou sendo proibida e perdeu popularidade até os anos 90, quando voltou timidamente à ribalta entre os fãs de música electrónica.
Hofmann, que nasceu em 1906 na cidade de Baden, descobriu a substância em 1943, quando trabalhava nos laboratórios Sandoz, actualmente parte do grupo farmacêutico Novartis.
Em declarações à imprensa de seu país, o químico confessou não estar surpreso pelo facto de ter entrado para a história apenas por causa do LSD, apesar de ter feito outras descobertas.
“Trata-se de um produto muito especial que actua na consciência, que é, afinal de contas, o que nos distingue dos animais”, afirmou o químico, acrescentando que sob os efeitos do LSD, “vemos, ouvimos e sentimos de forma diferente e intensa, mesmo com uma dose ínfima”.
Em 1943, quando realizava experiências para desenvolver um estimulante circulatório e respiratório, Hofmann descobriu o LSD de forma acidental e foi cobaia da sua própria descoberta.
Entre 1947 e 1966, a Sandoz manufacturou o LSD em cápsulas e ampolas para utilização médica em tratamentos psiquiátricos e neurológicos, mas adquiriu uma má reputação por abusos no seu consumo—o que resultou no fim da produção.
Actualmente, Hoffman reconhece que não se trata da “droga do prazer”, e adverte que seu consumo pode ser “extremamente perigoso”.
Albert Hofman, morreu ontem de ataque cardíaco em sua casa, contava 102 anos de idade, noticia a agência Lusa.
publicado por armando ésse às 11:10
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Janeiro 11 2006

O Herói dos “Hippies” e da “Flower Power Generation” faz cem anos.
O químico suíço Albert Hofmann, inventor da droga conhecida como LSD, abreviatura da expressão alemã Liserg Saure Diethylamid ( dietilamida do ácido lisérgico), completa cem anos hoje. Será homenageado num simpósio internacional que discutirá os efeitos do uso dessa substância.
O LSD é uma droga com efeitos alucinógenos e foi a muito consumida dentro do movimento hippie nos anos 60. Depois disso, acabou sendo proibida e perdeu popularidade até os anos 90, quando voltou timidamente à ribalta entre os fãs de música electrónica.
Hofmann, que nasceu em 1906 na cidade de Baden, descobriu a substância em 1943, quando trabalhava nos laboratórios Sandoz, actualmente parte do grupo farmacêutico Novartis.
Em declarações à imprensa de seu país, o químico confessou não estar surpreso pelo facto de ter entrado para a história apenas por causa do LSD, apesar de ter feito outras descobertas.
“Trata-se de um produto muito especial que actua na consciência, que é, afinal de contas, o que nos distingue dos animais”, afirmou o químico, acrescentando que sob os efeitos do LSD, “vemos, ouvimos e sentimos de forma diferente e intensa, mesmo com uma dose ínfima”.
Em 1943, quando realizava experiências para desenvolver um estimulante circulatório e respiratório, Hofmann descobriu o LSD de forma acidental e foi cobaia da sua própria descoberta.
Entre 1947 e 1966, a Sandoz manufacturou o LSD em cápsulas e ampolas para utilização médica em tratamentos psiquiátricos e neurológicos, mas adquiriu uma má reputação por abusos no seu consumo—o que resultou no fim da produção.
Actualmente, Hoffman reconhece que não se trata da “droga do prazer”, e adverte que seu consumo pode ser “extremamente perigoso”.
Albert Hofman, morreu ontem de ataque cardíaco em sua casa, contava 102 anos de idade, noticia a agência Lusa.
publicado por armando ésse às 11:10
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Janeiro 10 2006

Philip Roth disse numa entrevista, "Quando temos um livro de História na nossa frente sabemos que não é uma obra de ficção. Se temos uma obra de ficção, sabemos que não é um livro de História".
Esta afirmação vem a propósito do livro "A Conspiração Contra a América", no qual o enredo parte da premissa de que Frank Delano Roosevelt, em vez de disputar a cadeira presidencial em 1940 com um inexpressivo candidato republicano, tivesse-a perdido para o popular Charles A. Lindbergh, o famoso aviador, simpatizante do nazismo.
Construindo um relato ficcional em torno da sua própria família, Philip Roth descreve o que representou para si e para milhares de americanos a ameaçadora administração Charles Lindbergh. Na luta pela sobrevivência numa América fascista, são retratadas, de forma polémica, figuras históricas políticas importantíssimas nos Estados Unidos da América, durante os anos da Guerra Mundial.

Apesar da veemente recusa de Philip Roth em elaborar paralelismos com a actual situação política norte-americana, muitos consideram o livro como forma de protesto pela actual política da administração Bush contra minorias étnicas.
E, para que não restem dúvidas, Philip Roth foi bem claro ao dizer " trata-se de uma ficção criada pela imaginação, não pela minha. Comecei a escrever este livro em Janeiro de 2000.A ideia ocorreu-me em Dezembro do ano anterior. Bush só foi empossado em 20 de Janeiro. Estava no meio do romance quando ocorreu o ataque de 11 de Setembro. Antes disso, a presidência de Bush nem existia. Não passou pela minha cabeça nem por um segundo".
É um livro que
vale a pena ler, do melhor, na minha opinião, escritor mundial da actualidade.
Philip Roth nasceu em Newark, New Jersey, em 19 de Março de 1933. Nascido no seio de uma família judia proveniente do Leste da Europa, escreveu a sua primeira obra em 1959 “Goodbye, Columbus” (não traduzido para o português), que lhe valeu logo o National Book Award. Viveu em Roma, Londres, Chicago e Nova York, antes de se mudar definitivamente para o interior dos Estados Unidos, mais precisamente para o Connecticut, onde leva uma vida de quase eremita. Acorda cedo, escreve seis horas por dia, seis dias por semana. Foi casado durante anos com a atriz Claire Bloom - casamento que acabou num divórcio litigioso em que Roth chegou a cobrar de Claire as horas que passou ajudando-a a decorar textos. Não vê televisão, e não vai ao cinama. Com os raros amigos, costuma conversar por telefone. Odeia ficção e só lê sobre o assunto que depois vai escrever.
O seu primeiro livro é de 1959, “Goodbye, Columbus”, seguindo-se a brilhante obra de 1969 “o Complexo de Portnoy” que se tornou um grande sucesso e convenceu os críticos da sua qualidade como escritor. Mas temos que esperar pelos anos noventa, pela sua trilogia, iniciada em 1997 com “Pastoral americana”, seguido de “Casei com um Comunista”, de 1998 e “Mancha Humana” de 2000, para ser reconhecido como muito provavelmente o melhor escritor vivo. Esta trilogia, narra a invenção dos EUA tais como são agora, sempre pelos olhos de personagens autobiográficos, principalmente Nathan Zuckerman, alter ego do autor na trilogia.
A ficção começa com os anos 60, em “Pastoral Americana”, de seguida recua alguns anos em “Casei com um Comunista”, que revê o macarthismo, e conclui-se com “Mancha Humana”, em que o politicamente correcto e o escândalo Mónica Lewinski são o pano de fundo de um conflito racial .
Philip Roth ganhou os quatro mais importantes prémios literários da América:o National Book Critics Circle Award com The Counterlife (1986), o National Book Critics Circle Award com Patrimony (1991), o PEN/Faulkner Award com Operation Shylock (1993), o National Book Award com O Teatro de Sabbath (1995), e o Pulitzer Prize com Pastoral Americana (1997). Ganhou o Ambassador Book Award da União de Língua Inglesa com Casei com um Comunista (1998); no mesmo ano foi galardoado com a National Medal of Arts, na Casa Branca. Com A Mancha Humana, Roth obteve o seu segundo PEN/Faulkner Award bem como o Britain’s W. H. Smith Award para o Melhor Livro do Ano. Em 2001 recebeu o mais alto galardão da Academia Americana de Artes e Letras, a Gold Medal para ficção, atribuída de seis em seis anos «para o conjunto da obra».

Peço desculpa, por não ter tempo para vos visitar mas estou com muitíssimo trabalho!
publicado por armando ésse às 10:30

Janeiro 10 2006

Philip Roth disse numa entrevista, "Quando temos um livro de História na nossa frente sabemos que não é uma obra de ficção. Se temos uma obra de ficção, sabemos que não é um livro de História".
Esta afirmação vem a propósito do livro "A Conspiração Contra a América", no qual o enredo parte da premissa de que Frank Delano Roosevelt, em vez de disputar a cadeira presidencial em 1940 com um inexpressivo candidato republicano, tivesse-a perdido para o popular Charles A. Lindbergh, o famoso aviador, simpatizante do nazismo.
Construindo um relato ficcional em torno da sua própria família, Philip Roth descreve o que representou para si e para milhares de americanos a ameaçadora administração Charles Lindbergh. Na luta pela sobrevivência numa América fascista, são retratadas, de forma polémica, figuras históricas políticas importantíssimas nos Estados Unidos da América, durante os anos da Guerra Mundial.

Apesar da veemente recusa de Philip Roth em elaborar paralelismos com a actual situação política norte-americana, muitos consideram o livro como forma de protesto pela actual política da administração Bush contra minorias étnicas.
E, para que não restem dúvidas, Philip Roth foi bem claro ao dizer " trata-se de uma ficção criada pela imaginação, não pela minha. Comecei a escrever este livro em Janeiro de 2000.A ideia ocorreu-me em Dezembro do ano anterior. Bush só foi empossado em 20 de Janeiro. Estava no meio do romance quando ocorreu o ataque de 11 de Setembro. Antes disso, a presidência de Bush nem existia. Não passou pela minha cabeça nem por um segundo".
É um livro que
vale a pena ler, do melhor, na minha opinião, escritor mundial da actualidade.
Philip Roth nasceu em Newark, New Jersey, em 19 de Março de 1933. Nascido no seio de uma família judia proveniente do Leste da Europa, escreveu a sua primeira obra em 1959 “Goodbye, Columbus” (não traduzido para o português), que lhe valeu logo o National Book Award. Viveu em Roma, Londres, Chicago e Nova York, antes de se mudar definitivamente para o interior dos Estados Unidos, mais precisamente para o Connecticut, onde leva uma vida de quase eremita. Acorda cedo, escreve seis horas por dia, seis dias por semana. Foi casado durante anos com a atriz Claire Bloom - casamento que acabou num divórcio litigioso em que Roth chegou a cobrar de Claire as horas que passou ajudando-a a decorar textos. Não vê televisão, e não vai ao cinama. Com os raros amigos, costuma conversar por telefone. Odeia ficção e só lê sobre o assunto que depois vai escrever.
O seu primeiro livro é de 1959, “Goodbye, Columbus”, seguindo-se a brilhante obra de 1969 “o Complexo de Portnoy” que se tornou um grande sucesso e convenceu os críticos da sua qualidade como escritor. Mas temos que esperar pelos anos noventa, pela sua trilogia, iniciada em 1997 com “Pastoral americana”, seguido de “Casei com um Comunista”, de 1998 e “Mancha Humana” de 2000, para ser reconhecido como muito provavelmente o melhor escritor vivo. Esta trilogia, narra a invenção dos EUA tais como são agora, sempre pelos olhos de personagens autobiográficos, principalmente Nathan Zuckerman, alter ego do autor na trilogia.
A ficção começa com os anos 60, em “Pastoral Americana”, de seguida recua alguns anos em “Casei com um Comunista”, que revê o macarthismo, e conclui-se com “Mancha Humana”, em que o politicamente correcto e o escândalo Mónica Lewinski são o pano de fundo de um conflito racial .
Philip Roth ganhou os quatro mais importantes prémios literários da América:o National Book Critics Circle Award com The Counterlife (1986), o National Book Critics Circle Award com Patrimony (1991), o PEN/Faulkner Award com Operation Shylock (1993), o National Book Award com O Teatro de Sabbath (1995), e o Pulitzer Prize com Pastoral Americana (1997). Ganhou o Ambassador Book Award da União de Língua Inglesa com Casei com um Comunista (1998); no mesmo ano foi galardoado com a National Medal of Arts, na Casa Branca. Com A Mancha Humana, Roth obteve o seu segundo PEN/Faulkner Award bem como o Britain’s W. H. Smith Award para o Melhor Livro do Ano. Em 2001 recebeu o mais alto galardão da Academia Americana de Artes e Letras, a Gold Medal para ficção, atribuída de seis em seis anos «para o conjunto da obra».

Peço desculpa, por não ter tempo para vos visitar mas estou com muitíssimo trabalho!
publicado por armando ésse às 10:30

Janeiro 09 2006

Quando o Presidente francês François Mitterrand, deixou a presidência da República francesa, em 1995, no meio de numerosos escândalos que eclipsaram os últimos anos da sua presidência e detestado por uma grande maioria dos franceses, nada faria prever que em, apenas, dez anos e passando o crivo da história nos 14 anos do seu “reinado”, os franceses o considerariam o melhor presidente da República Francesa dos últimos 60 anos. A dimensão de François Mitterrand ofusca a do herói da Segunda Guerra Mundial, o general Charles de Gaulle, que até à semana passada, era sempre em todas as sondagens o Presidente mais querido entre os presidentes da V República.
François Mitterrand
nasceu em Jarnac, Charente em 26 de Outubro de 1916. Casou com Danielle Gouze, de quem teve dois filhos.Teve uma filha de uma relação adúltera.
Durante a Segunda Guerra Mundial foi ferido e capturado em Junho de 1940, evadindo-se em Dezembro de 1941, da prisão de Kassel.

Fundador do Movimento Nacional dos Prisioneiros, foi condecorado pelo regime de Vichy, acreditando que o General Pétain deteria os alemães. Aderiu à Resistência em 1944, integrando posteriormente o governo do general De Gaulle .
Deputado desde de 1946, participou em 11 governos entre 1947 e 1958, tornando-se no mais no mais jovem ministro francês, no governo socialista de Paul Ramadier.
Ao longo destes onze anos, foi titular das pastas dos Combatentes, Informação, Ultramar, Justiça e Interior. Em 1954, defendeu a causa da Argélia francesa. Candiadato à Presidência da República em 1965, onde obteve 45% dos votos. Foi nomeado secretário-geral do Partido Socialista Francês em 1970. Em 1974 recandidatou-se ao cargo de Presidente da República, onde obteve com o apoio dos comunistas, 49% dos votos, mas só em 1981 consegue vencer, com 51,75% dos votos e tornar-se o primeiro presidente socialista.
Uma das suas primeiras medidas foi abolir a pena de morte. Nesse mesmo ano descobre que têm cancro na próstata, mas só divulgará a sua existência em 1992.Um dos muitos segredos guardados anos a fio, pela enigmática figura que foi François Mitterrand.
Este primeiro mandato foi o do relançamento geoestratégico da França, em termos políticos e culturais.

A nível externo, o reatamento das ligações com o seu inimigo de sempre, a Alemanha, para criar as bases da União Europeia. Internamente, protagonizou a construção de grandes obras de Estado - Pirâmide no Louvre,Cidade da Ciência e da Música de Villete, Ópera Bastilha, Instituto do Mundo Árabe e a Biblioteca Nacional.
Tudo isso a par de inúmeras medidas sociais- a semana de 39 horas e a reforma aos 60 anos-, nacionalização de bancos, criação das rádios locais privadas, imposto sobre as grandes fortunas, quinta semana de férias pagas.
Esta semana o jornal “Le Monde”, desvenda mais um dos muitos segredos de Mitterrand, ao afirmar que, François Mitterrand, autorizou a sabotagem do Rainbow Warrior, em 1985, barco do Greenpeace onde morreu o fotógrafo português Fernando Pereira. Em 1988 foi reeleito.
No segundo mandato, Mitterrand acabou por ser confrontado por protestos sociais, diversos escândalos com negócios controversos, os suicídios do seu ex-primeiro-ministro, Pierre Bérégovoy, em 1993, e do seu braço-direito, François Gorussouvre, no Eliseu, em 1994. Decidido europeísta, apesar dos seus receios perante a reunificação alemã, apoia a unificação da Alemanha e a sua amizade e sintonia com Helmut Kohl foram decisivos para impulsionar o processo que levou à assinatura do Acto Único e do Tratado da União Europeia.
Morreu em 8 de Janeiro de 1996, em Paris, vítima de cancro da próstata.
No seu funeral, pela primeira, reúniram-se a mulher, os dois filhos, a sua filha Mazarine, nascida em 1974, e a sua mãe.
Político astuto e controverso, cultivou um estilo distante e um gosto pela monumentalidade que revela a vontade de deixar o país marcado com a sua personalidade. A sua herança política foi, principalmente, a de ter mostrado que era possível existir alternância e coabitação política sem rupturas e de ter conciliado a esquerda com certos valores do capitalismo.
publicado por armando ésse às 04:32
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Janeiro 09 2006

Quando o Presidente francês François Mitterrand, deixou a presidência da República francesa, em 1995, no meio de numerosos escândalos que eclipsaram os últimos anos da sua presidência e detestado por uma grande maioria dos franceses, nada faria prever que em, apenas, dez anos e passando o crivo da história nos 14 anos do seu “reinado”, os franceses o considerariam o melhor presidente da República Francesa dos últimos 60 anos. A dimensão de François Mitterrand ofusca a do herói da Segunda Guerra Mundial, o general Charles de Gaulle, que até à semana passada, era sempre em todas as sondagens o Presidente mais querido entre os presidentes da V República.
François Mitterrand
nasceu em Jarnac, Charente em 26 de Outubro de 1916. Casou com Danielle Gouze, de quem teve dois filhos.Teve uma filha de uma relação adúltera.
Durante a Segunda Guerra Mundial foi ferido e capturado em Junho de 1940, evadindo-se em Dezembro de 1941, da prisão de Kassel.

Fundador do Movimento Nacional dos Prisioneiros, foi condecorado pelo regime de Vichy, acreditando que o General Pétain deteria os alemães. Aderiu à Resistência em 1944, integrando posteriormente o governo do general De Gaulle .
Deputado desde de 1946, participou em 11 governos entre 1947 e 1958, tornando-se no mais no mais jovem ministro francês, no governo socialista de Paul Ramadier.
Ao longo destes onze anos, foi titular das pastas dos Combatentes, Informação, Ultramar, Justiça e Interior. Em 1954, defendeu a causa da Argélia francesa. Candiadato à Presidência da República em 1965, onde obteve 45% dos votos. Foi nomeado secretário-geral do Partido Socialista Francês em 1970. Em 1974 recandidatou-se ao cargo de Presidente da República, onde obteve com o apoio dos comunistas, 49% dos votos, mas só em 1981 consegue vencer, com 51,75% dos votos e tornar-se o primeiro presidente socialista.
Uma das suas primeiras medidas foi abolir a pena de morte. Nesse mesmo ano descobre que têm cancro na próstata, mas só divulgará a sua existência em 1992.Um dos muitos segredos guardados anos a fio, pela enigmática figura que foi François Mitterrand.
Este primeiro mandato foi o do relançamento geoestratégico da França, em termos políticos e culturais.

A nível externo, o reatamento das ligações com o seu inimigo de sempre, a Alemanha, para criar as bases da União Europeia. Internamente, protagonizou a construção de grandes obras de Estado - Pirâmide no Louvre,Cidade da Ciência e da Música de Villete, Ópera Bastilha, Instituto do Mundo Árabe e a Biblioteca Nacional.
Tudo isso a par de inúmeras medidas sociais- a semana de 39 horas e a reforma aos 60 anos-, nacionalização de bancos, criação das rádios locais privadas, imposto sobre as grandes fortunas, quinta semana de férias pagas.
Esta semana o jornal “Le Monde”, desvenda mais um dos muitos segredos de Mitterrand, ao afirmar que, François Mitterrand, autorizou a sabotagem do Rainbow Warrior, em 1985, barco do Greenpeace onde morreu o fotógrafo português Fernando Pereira. Em 1988 foi reeleito.
No segundo mandato, Mitterrand acabou por ser confrontado por protestos sociais, diversos escândalos com negócios controversos, os suicídios do seu ex-primeiro-ministro, Pierre Bérégovoy, em 1993, e do seu braço-direito, François Gorussouvre, no Eliseu, em 1994. Decidido europeísta, apesar dos seus receios perante a reunificação alemã, apoia a unificação da Alemanha e a sua amizade e sintonia com Helmut Kohl foram decisivos para impulsionar o processo que levou à assinatura do Acto Único e do Tratado da União Europeia.
Morreu em 8 de Janeiro de 1996, em Paris, vítima de cancro da próstata.
No seu funeral, pela primeira, reúniram-se a mulher, os dois filhos, a sua filha Mazarine, nascida em 1974, e a sua mãe.
Político astuto e controverso, cultivou um estilo distante e um gosto pela monumentalidade que revela a vontade de deixar o país marcado com a sua personalidade. A sua herança política foi, principalmente, a de ter mostrado que era possível existir alternância e coabitação política sem rupturas e de ter conciliado a esquerda com certos valores do capitalismo.
publicado por armando ésse às 04:32
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Janeiro 06 2006

Ariel Scheinermann (Sharon mais tarde) nasceu a 27 de Fevereiro de 1928, em Kfar Mahal, uma aldeia ao norte de Tel Aviv, quando a Palestina estava sob jurisdição britânica.
Oriundo de uma família de fervorosos sionistas russos que imigraram para Palestina no início do século XX, Ariel Sharon é junto com Shimon Peres, o último dos políticos que surgiram com a criação do Estado de Israel em 1948.
Em 1945 passou a integrar o Haganah, organização clandestina que precedeu o exército israelita, caracterizada inicialmente como um grupo de judeus sionistas resistentes ao domínio britânico e aos árabes. No decurso da primeira guerra Israelo-árabe, após a criação do Estado de Israel, em 1948, comandou uma companhia de infantaria.
Em 1950, liderou operações militares contra tropas do Egipto na Faixa de Gaza. Uma das manobras resultou na morte de 38 soldados egípcios.
Em 1956 Ariel Sharon foi acusado de insubordinação e desonestidade na campanha do canal de Suez durante a guerra do Sinai no Egipto. Segundo o historiador militar israelita Martim Van Cheveld, da Universidade Hebraica de Jerusalém, os soldados comandados por Ariel Sharon avançaram “da forma mais incompetente possível, resultando numa batalha totalmente desnecessária, que se tornou a mais sangrenta da guerra”. Na ocasião os seus próprios comandados acusaram-no de oportunismo desumano, no sentido de tentar construir a sua reputação à custa deles.
Em 1967 comandou uma divisão de blindados na Guerra dos Seis Dias, que conquistou Jerusalém Oriental, Cisjordânia e a Faixa de Gaza e em 1973 liderou a captura do Terceiro Exército do Egipto, pondo fim à Guerra do Yom Kippur.
Na esfera político-partidária a trajectória de Ariel Sharon é mais recente, iniciando-se concretamente em 1973 quando foi um dos principais mentores das forças de direita que originaram o partido Likud. Apesar de se situar no espectro político à direita, Ariel Sharon tornou-se conselheiro especial de segurança do primeiro-ministro Ytzhak Rabin (Partido Trabalhista) em 1974.
Em 1977, Sharon foi eleito pela primeira vez para uma das cadeiras no Knesset, o parlamento israelita. Entre 1977 e 1981 foi Ministro da Agricultura no primeiro governo do Likud e organizou o primeiro grande movimento de colonização judaica nos territórios ocupados. Apesar de inicialmente ter se posicionado contra o acordo de paz de Camp David, entre Israel e Egipto em 1978, Ariel Sharon acabou comandando a retirada dos colonos judeus do Sinai ocupado por Israel desde a Guerra do Yom Kippur, em 1973.
Como ministro da Defesa, em 1982, planeou a desastrada invasão do Líbano que culminou com o cerco e destruição parcial da capital Beirute pelas tropas israelitas. Sem comunicar as suas intenções ao então primeiro-ministro, Menachem Begin, Ariel Sharon comandou a invasão da capital libanesa com o pretexto de expulsar do Líbano a base da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), liderada por Yasser Arafat. A operação militar pôs mesmo fim às incursões militares da OLP em território israelita, a partir do Líbano. Mas não só - acabou também resultando no massacre de quase 2 mil palestinianos - por milicianos cristãos aliados de Israel. Entre os mortos, estavam dezenas de mulheres, idosos e crianças, todos alojados nos campos de refugiados palestinianos de Sabra e Shatila, então sob supervisão israelita. Como resultado, Ariel Sharon foi destituído do cargo de ministro de Defesa em 1983, depois de ser considerado por um tribunal israelita indirectamente responsável pelo massacre. Ariel Sharon foi ainda ministro do Comércio e da Indústria entre 1984 e 1990.
No início da década de 90, como ministro da Habitação, incentivou a maior ampliação de colonatos judeus na Faixa de Gaza e na Cisjordânia desde a invasão de 1967.
Em 1996, o então primeiro-ministro, Benjamim Netanyahu, também do partido Likud, convidou Ariel Sharon para integrar o seu Governo. Foi nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros. Ariel Sharon assumiu a liderança do Likud depois da derrota de Netanyahu nas eleições gerais de 1999.
Aproveitou o fracasso das negociações com os palestinianos em Camp David, em Junho de 2001, para colher dividendos políticos criticando no Parlamento a actuação do então primeiro-ministro, Ehud Barak. “Jerusalém pertence ao povo judeu e Barak não tem o direito de abrir mão do santuário do povo, negociando com os palestinianos a soberania sobre a cidade”, disse Sharon.
Em Setembro de 2000, uma inesperada e polémica visita à mesquita de al-Aqsa foi o rastilho que levou à segunda Intifada. Muita gente acredita que Ariel Sharon, planeou esta visita para provocar uma reacção violenta dos palestinianos, de forma a criar um ambiente político propício à sua ascensão ao poder. Tornou-se primeiro-ministro em Fevereiro de 2001, com a promessa de pôr fim à segunda Intifada palestiniana, iniciada depois de, Ariel Sharon, ter visitado a mesquita de al-Aqsa, em Jerusalém Oriental, considerada sagrada pelos muçulmanos. Em Janeiro de 2003 é reeleito e em Dezembro desse ano, anuncia a retirada total da Faixa de Gaza.
Esta sua decisão de retirar da Faixa de Gaza e de partes da Cisjordânia, processo concluído em 18 Setembro de 2005, provocou a ira dos seus seguidores e foi rejeitada pelo seu antigo partido, o Likud. Em resposta Ariel Sharon abandonou o Likud em 21 Novembro de 2005 e fundou um novo partido, o Kadima, em 18 de Dezembro de 2005, favorito para as eleições de 28 de Março, deste ano.
No dia 4 de Janeiro, Ariel Sharon, foi hospitalizado depois de sofrer um acidente vascular cerebral, sendo submetido a uma cirurgia durante a qual, sofreu uma grave hemorragia cerebral que o colocou, no limbo entre a vida e a morte.
publicado por armando ésse às 10:28
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Janeiro 06 2006

Ariel Scheinermann (Sharon mais tarde) nasceu a 27 de Fevereiro de 1928, em Kfar Mahal, uma aldeia ao norte de Tel Aviv, quando a Palestina estava sob jurisdição britânica.
Oriundo de uma família de fervorosos sionistas russos que imigraram para Palestina no início do século XX, Ariel Sharon é junto com Shimon Peres, o último dos políticos que surgiram com a criação do Estado de Israel em 1948.
Em 1945 passou a integrar o Haganah, organização clandestina que precedeu o exército israelita, caracterizada inicialmente como um grupo de judeus sionistas resistentes ao domínio britânico e aos árabes. No decurso da primeira guerra Israelo-árabe, após a criação do Estado de Israel, em 1948, comandou uma companhia de infantaria.
Em 1950, liderou operações militares contra tropas do Egipto na Faixa de Gaza. Uma das manobras resultou na morte de 38 soldados egípcios.
Em 1956 Ariel Sharon foi acusado de insubordinação e desonestidade na campanha do canal de Suez durante a guerra do Sinai no Egipto. Segundo o historiador militar israelita Martim Van Cheveld, da Universidade Hebraica de Jerusalém, os soldados comandados por Ariel Sharon avançaram “da forma mais incompetente possível, resultando numa batalha totalmente desnecessária, que se tornou a mais sangrenta da guerra”. Na ocasião os seus próprios comandados acusaram-no de oportunismo desumano, no sentido de tentar construir a sua reputação à custa deles.
Em 1967 comandou uma divisão de blindados na Guerra dos Seis Dias, que conquistou Jerusalém Oriental, Cisjordânia e a Faixa de Gaza e em 1973 liderou a captura do Terceiro Exército do Egipto, pondo fim à Guerra do Yom Kippur.
Na esfera político-partidária a trajectória de Ariel Sharon é mais recente, iniciando-se concretamente em 1973 quando foi um dos principais mentores das forças de direita que originaram o partido Likud. Apesar de se situar no espectro político à direita, Ariel Sharon tornou-se conselheiro especial de segurança do primeiro-ministro Ytzhak Rabin (Partido Trabalhista) em 1974.
Em 1977, Sharon foi eleito pela primeira vez para uma das cadeiras no Knesset, o parlamento israelita. Entre 1977 e 1981 foi Ministro da Agricultura no primeiro governo do Likud e organizou o primeiro grande movimento de colonização judaica nos territórios ocupados. Apesar de inicialmente ter se posicionado contra o acordo de paz de Camp David, entre Israel e Egipto em 1978, Ariel Sharon acabou comandando a retirada dos colonos judeus do Sinai ocupado por Israel desde a Guerra do Yom Kippur, em 1973.
Como ministro da Defesa, em 1982, planeou a desastrada invasão do Líbano que culminou com o cerco e destruição parcial da capital Beirute pelas tropas israelitas. Sem comunicar as suas intenções ao então primeiro-ministro, Menachem Begin, Ariel Sharon comandou a invasão da capital libanesa com o pretexto de expulsar do Líbano a base da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), liderada por Yasser Arafat. A operação militar pôs mesmo fim às incursões militares da OLP em território israelita, a partir do Líbano. Mas não só - acabou também resultando no massacre de quase 2 mil palestinianos - por milicianos cristãos aliados de Israel. Entre os mortos, estavam dezenas de mulheres, idosos e crianças, todos alojados nos campos de refugiados palestinianos de Sabra e Shatila, então sob supervisão israelita. Como resultado, Ariel Sharon foi destituído do cargo de ministro de Defesa em 1983, depois de ser considerado por um tribunal israelita indirectamente responsável pelo massacre. Ariel Sharon foi ainda ministro do Comércio e da Indústria entre 1984 e 1990.
No início da década de 90, como ministro da Habitação, incentivou a maior ampliação de colonatos judeus na Faixa de Gaza e na Cisjordânia desde a invasão de 1967.
Em 1996, o então primeiro-ministro, Benjamim Netanyahu, também do partido Likud, convidou Ariel Sharon para integrar o seu Governo. Foi nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros. Ariel Sharon assumiu a liderança do Likud depois da derrota de Netanyahu nas eleições gerais de 1999.
Aproveitou o fracasso das negociações com os palestinianos em Camp David, em Junho de 2001, para colher dividendos políticos criticando no Parlamento a actuação do então primeiro-ministro, Ehud Barak. “Jerusalém pertence ao povo judeu e Barak não tem o direito de abrir mão do santuário do povo, negociando com os palestinianos a soberania sobre a cidade”, disse Sharon.
Em Setembro de 2000, uma inesperada e polémica visita à mesquita de al-Aqsa foi o rastilho que levou à segunda Intifada. Muita gente acredita que Ariel Sharon, planeou esta visita para provocar uma reacção violenta dos palestinianos, de forma a criar um ambiente político propício à sua ascensão ao poder. Tornou-se primeiro-ministro em Fevereiro de 2001, com a promessa de pôr fim à segunda Intifada palestiniana, iniciada depois de, Ariel Sharon, ter visitado a mesquita de al-Aqsa, em Jerusalém Oriental, considerada sagrada pelos muçulmanos. Em Janeiro de 2003 é reeleito e em Dezembro desse ano, anuncia a retirada total da Faixa de Gaza.
Esta sua decisão de retirar da Faixa de Gaza e de partes da Cisjordânia, processo concluído em 18 Setembro de 2005, provocou a ira dos seus seguidores e foi rejeitada pelo seu antigo partido, o Likud. Em resposta Ariel Sharon abandonou o Likud em 21 Novembro de 2005 e fundou um novo partido, o Kadima, em 18 de Dezembro de 2005, favorito para as eleições de 28 de Março, deste ano.
No dia 4 de Janeiro, Ariel Sharon, foi hospitalizado depois de sofrer um acidente vascular cerebral, sendo submetido a uma cirurgia durante a qual, sofreu uma grave hemorragia cerebral que o colocou, no limbo entre a vida e a morte.
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