A FÁBRICA

Julho 19 2006

O ex-presidente Nelson Mandela comemorou ontem os seus 88 anos. Ao contrário dos últimos 16 anos, o líder histórico passou o dia longe das máquinas fotográficas sem manifestações públicas. O 88º aniversário do mais famoso combatente sul-africano desperta a consciência nacional para a inevitabilidade do seu desaparecimento gradual dos olhares públicos, ditado por um acentuado enfraquecimento físico. Apesar de um estado de saúde bom para a idade, Mandela já não tem a energia necessária para manter o ritmo a que se sujeitou desde que foi libertado em 1990. Na semana passada foi fotografado ao lado do ex-presidente norte-americano Bill Clinton, mas as aparições públicas de Mandela são cada vez mais raras. A sua mobilidade está diminuída pela artrite que lhe afecta os joelhos e os seus colaboradores mais próximos dizem que a sua memória já não é o que era. Se os anos da Presidência de Mandela - entre 1994 e 1999 - foram mágicos e constituíram marcos da democracia e do orgulho nacional para um povo recém libertado do «Apartheid», os últimos sete deram projecção crescente ao velho líder, sempre ligado a grandes causas, como as crianças desfavorecidas, as vítimas da SIDA, do cancro e da violência doméstica e sexual. Lusa.
Rolihlahla Mandela nasceu a 18 de Julho de 1918, em Qunu, na região sul-africana do Transkei, aos sete anos quando entrou para a escola foi-lhe dado o nome inglês de Nelson. Filho adoptivo de um chefe da tribo Thembu, Mandela foi educado com o sentido de vir a dirigir a sua tribo. Mas a exemplo de todos os não – branco da África do Sul, Mandela depressa se apercebeu dos dolorosos efeitos do apartheid, o sistema legal que obrigava à separação de raças no seu país. As injustiças que testemunhou levaram – no a seguir a carreira política e judicial. O jovem estudante universitário foi suspenso por se ter juntado a um boicote de protesto. Mudou – se para Joanesburgo, onde terminou o curso universitário por correspondência, e juntou – se ao Congresso Nacional Africano (ANC), um movimento nacionalista negro.
Mandela ajudou a escrever os princípios políticos do ANC, que pediam a redistribuição de terras, direitos de associativismo sindical, e educação gratuita e obrigatória. Em 1952, Mandela viajava por todo o país recrutando voluntários para uma campanha de desobediência civil a nível nacional. Depois de ter sido detido e condenado pela organização da campanha, Mandela ficou com residência fixa em Joanesburgo. Aí passou o exame de advocacia, e juntamente com o seu amigo e activista Oliver Tambo, fundou a primeira agência de advogados negros na Africa do Sul.
Neste período, Mandela construiu o Plano M, que organizou os membros do ANC numa rede nacional clandestina. À medida que Mandela emergia como líder natural do ANC, o Governo começou a apertar o cerco ao jovem advogado. Em 1961, Mandela entrou na clandestinidade e fundou a Umkhonto we Sizwe, a ala armada do ANC.
No regresso de uma viagem ilegal ao exterior, onde tratou de todos os detalhes envolvendo treino de guerrilha, Mandela foi detido e condenado por ter saído do país sem autorização e incitamento à greve. Mais tarde seria julgado por sabotagem e conspiração para derrubar o governo, no seu discurso de defesa perante o Tribunal, diz Mandela, “ Tenho lutado contra a dominação branca e contra a dominação negra. Tenho acalentado o ideal de uma sociedade democrática e livre em que todas as pessoas possam viver juntas, em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para cuja concretização espero viver. Mas se for necessário, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer”. Condenaram-no a prisão perpétua...
Nos 27 anos de detenção, Mandela galvanizou o apoio contra o apartheid em todo o Mundo, tornando – se um símbolo da igualdade de direitos e da justiça.
A libertação de Nelson Mandela em 11 de Fevereiro de 1990 da cadeia de Robben Island, foi a confissão do regime de que estava à beira do esgotamento. A instabilidade interna provocada pela degradação das estruturas do sistema, pela luta social e política contra a segregação racial, pelos efeitos das sanções económicas internacionais, fizeram com que as figuras mais realista do regime percebessem que a situação não podia prolongar-se por muito mais tempo.Frederik De Klerk tomou a decisão corajosa de libertar Nelson Mandela sem que este fizesse concessões em relação aos princípios que sempre defendera. E quando Nelson Mandela saiu da prisão naquele Domingo, com o braço direito levantado e de punho cerrado, o Mundo, finalmente ficou a conhecê-lo de vista e não apenas de nome, adivinhou que aqueles tímidos passos eram dados em direcção a uma nova África do Sul. Nelson Mandela, diria perante a multidão que se concentrou na Cidade do Cabo no dia da libertação, “ A nossa marcha para a liberdade é irreversível. Não podemos permitir que o medo se atravesse no nosso caminho”.
Após a sua libertação, teve um papel decisivo como presidente do ANC nas negociações que conduziram ao fim do apartheid.

Em 1993 dividiu o Nobel da Paz com o Presidente sul-africano F.W. de Clerk, e um ano mais tarde, aos 75 anos de idade, foi eleito Presidente da África do Sul.
Os 27 anos que passou na cadeia não deram a Nelson Mandela sentimentos de vingança. Um dos seus maiores desgostos, após a sua libertação da cadeia de Robben Island, foi ter – se esquecido de agradecer aos seus carcereiro. Desta forma, ninguém se surpreendeu que, após ter vencido as primeiras eleições multi- raciais de 1994, Mandela telefonasse diversas vezes aos seus ex. captores para se aconselhar sobre a melhor forma de construir uma sociedade racialmente integrada e politicamente democrática.
Entre cânticos de "Poder para o Povo!", Mandela assinou a nova constituição do País, que defende a defesa dos direitos humanos e a anti-discriminação. Mandela deixou o cargo de Presidente em 1999, depois de ter preparado durante ano o Vice-presidente Thabo Mbeki, para seu sucessor. Ao abandonar a presidência, Mandela deixou um país ainda perturbado pelo ódio racial, enorme pobreza e uma altíssima taxa de criminalidade.

Mas continua o mais adorado homem do país, sendo creditado pela positiva transição da tirania para a democracia, e pelo empenho na promoção da reconciliação que salvou o país de um imenso banho de sangue.
Depois de um complicadíssimo divórcio de Winnie Madikizela em 1996, casou com Graça Machel, viúva do ex. Presidente de Moçambique Samora Machel, no dia do seu 80º aniversário.
Após a reforma, disse que queria apenas aproveitar a paz e a liberdade que levou uma vida inteira a conseguir, na sua aldeia natal de Eastern Cape, passar muito tempo com a sua mulher e com os netos, e escrever as suas memórias.

Um verdadeiro "Freedom Fighter", apesar da banalização do uso da expressão, nomeadamente, pelos actuais inquilinos da Casa Branca.
PARABÉNS, Mister Mandela!
publicado por armando ésse às 15:42
Tags:

Julho 19 2006

O ex-presidente Nelson Mandela comemorou ontem os seus 88 anos. Ao contrário dos últimos 16 anos, o líder histórico passou o dia longe das máquinas fotográficas sem manifestações públicas. O 88º aniversário do mais famoso combatente sul-africano desperta a consciência nacional para a inevitabilidade do seu desaparecimento gradual dos olhares públicos, ditado por um acentuado enfraquecimento físico. Apesar de um estado de saúde bom para a idade, Mandela já não tem a energia necessária para manter o ritmo a que se sujeitou desde que foi libertado em 1990. Na semana passada foi fotografado ao lado do ex-presidente norte-americano Bill Clinton, mas as aparições públicas de Mandela são cada vez mais raras. A sua mobilidade está diminuída pela artrite que lhe afecta os joelhos e os seus colaboradores mais próximos dizem que a sua memória já não é o que era. Se os anos da Presidência de Mandela - entre 1994 e 1999 - foram mágicos e constituíram marcos da democracia e do orgulho nacional para um povo recém libertado do «Apartheid», os últimos sete deram projecção crescente ao velho líder, sempre ligado a grandes causas, como as crianças desfavorecidas, as vítimas da SIDA, do cancro e da violência doméstica e sexual. Lusa.
Rolihlahla Mandela nasceu a 18 de Julho de 1918, em Qunu, na região sul-africana do Transkei, aos sete anos quando entrou para a escola foi-lhe dado o nome inglês de Nelson. Filho adoptivo de um chefe da tribo Thembu, Mandela foi educado com o sentido de vir a dirigir a sua tribo. Mas a exemplo de todos os não – branco da África do Sul, Mandela depressa se apercebeu dos dolorosos efeitos do apartheid, o sistema legal que obrigava à separação de raças no seu país. As injustiças que testemunhou levaram – no a seguir a carreira política e judicial. O jovem estudante universitário foi suspenso por se ter juntado a um boicote de protesto. Mudou – se para Joanesburgo, onde terminou o curso universitário por correspondência, e juntou – se ao Congresso Nacional Africano (ANC), um movimento nacionalista negro.
Mandela ajudou a escrever os princípios políticos do ANC, que pediam a redistribuição de terras, direitos de associativismo sindical, e educação gratuita e obrigatória. Em 1952, Mandela viajava por todo o país recrutando voluntários para uma campanha de desobediência civil a nível nacional. Depois de ter sido detido e condenado pela organização da campanha, Mandela ficou com residência fixa em Joanesburgo. Aí passou o exame de advocacia, e juntamente com o seu amigo e activista Oliver Tambo, fundou a primeira agência de advogados negros na Africa do Sul.
Neste período, Mandela construiu o Plano M, que organizou os membros do ANC numa rede nacional clandestina. À medida que Mandela emergia como líder natural do ANC, o Governo começou a apertar o cerco ao jovem advogado. Em 1961, Mandela entrou na clandestinidade e fundou a Umkhonto we Sizwe, a ala armada do ANC.
No regresso de uma viagem ilegal ao exterior, onde tratou de todos os detalhes envolvendo treino de guerrilha, Mandela foi detido e condenado por ter saído do país sem autorização e incitamento à greve. Mais tarde seria julgado por sabotagem e conspiração para derrubar o governo, no seu discurso de defesa perante o Tribunal, diz Mandela, “ Tenho lutado contra a dominação branca e contra a dominação negra. Tenho acalentado o ideal de uma sociedade democrática e livre em que todas as pessoas possam viver juntas, em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal para cuja concretização espero viver. Mas se for necessário, é um ideal pelo qual estou disposto a morrer”. Condenaram-no a prisão perpétua...
Nos 27 anos de detenção, Mandela galvanizou o apoio contra o apartheid em todo o Mundo, tornando – se um símbolo da igualdade de direitos e da justiça.
A libertação de Nelson Mandela em 11 de Fevereiro de 1990 da cadeia de Robben Island, foi a confissão do regime de que estava à beira do esgotamento. A instabilidade interna provocada pela degradação das estruturas do sistema, pela luta social e política contra a segregação racial, pelos efeitos das sanções económicas internacionais, fizeram com que as figuras mais realista do regime percebessem que a situação não podia prolongar-se por muito mais tempo.Frederik De Klerk tomou a decisão corajosa de libertar Nelson Mandela sem que este fizesse concessões em relação aos princípios que sempre defendera. E quando Nelson Mandela saiu da prisão naquele Domingo, com o braço direito levantado e de punho cerrado, o Mundo, finalmente ficou a conhecê-lo de vista e não apenas de nome, adivinhou que aqueles tímidos passos eram dados em direcção a uma nova África do Sul. Nelson Mandela, diria perante a multidão que se concentrou na Cidade do Cabo no dia da libertação, “ A nossa marcha para a liberdade é irreversível. Não podemos permitir que o medo se atravesse no nosso caminho”.
Após a sua libertação, teve um papel decisivo como presidente do ANC nas negociações que conduziram ao fim do apartheid.

Em 1993 dividiu o Nobel da Paz com o Presidente sul-africano F.W. de Clerk, e um ano mais tarde, aos 75 anos de idade, foi eleito Presidente da África do Sul.
Os 27 anos que passou na cadeia não deram a Nelson Mandela sentimentos de vingança. Um dos seus maiores desgostos, após a sua libertação da cadeia de Robben Island, foi ter – se esquecido de agradecer aos seus carcereiro. Desta forma, ninguém se surpreendeu que, após ter vencido as primeiras eleições multi- raciais de 1994, Mandela telefonasse diversas vezes aos seus ex. captores para se aconselhar sobre a melhor forma de construir uma sociedade racialmente integrada e politicamente democrática.
Entre cânticos de "Poder para o Povo!", Mandela assinou a nova constituição do País, que defende a defesa dos direitos humanos e a anti-discriminação. Mandela deixou o cargo de Presidente em 1999, depois de ter preparado durante ano o Vice-presidente Thabo Mbeki, para seu sucessor. Ao abandonar a presidência, Mandela deixou um país ainda perturbado pelo ódio racial, enorme pobreza e uma altíssima taxa de criminalidade.

Mas continua o mais adorado homem do país, sendo creditado pela positiva transição da tirania para a democracia, e pelo empenho na promoção da reconciliação que salvou o país de um imenso banho de sangue.
Depois de um complicadíssimo divórcio de Winnie Madikizela em 1996, casou com Graça Machel, viúva do ex. Presidente de Moçambique Samora Machel, no dia do seu 80º aniversário.
Após a reforma, disse que queria apenas aproveitar a paz e a liberdade que levou uma vida inteira a conseguir, na sua aldeia natal de Eastern Cape, passar muito tempo com a sua mulher e com os netos, e escrever as suas memórias.

Um verdadeiro "Freedom Fighter", apesar da banalização do uso da expressão, nomeadamente, pelos actuais inquilinos da Casa Branca.
PARABÉNS, Mister Mandela!
publicado por armando ésse às 15:42
Tags:

mais sobre mim
Julho 2006
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
18
20
22

23
25
26
27
28

30
31


pesquisar
 
subscrever feeds
blogs SAPO