A FÁBRICA

Novembro 03 2006

“Politica é a arte de mentir a propósito”
Voltaire

Sr. 1º Ministro,
Parece que a palavra de ordem do momento é – Liberalizar, Liberalizar, Liberalizar – mas, enquanto a direita económica se regozija, a direita política anda completamente à deriva.
V. Ex.ª usurpou-lhe o programa, as ideias e os métodos, de tal modo que, os coitados, para se afirmarem como alternativa de poder, apenas reivindicam a alteração da cor do papel em que são dados os despachos ministeriais.
Consideram que o rosa é uma cor velha, esbatida e gasta e que não se coaduna com as novas exigências de modernidade, pelo que propõem em sua substituição um laranja shock, mais em consonância com o choque tecnológico que V. Ex.ª prometeu, com o choque fiscal que V. Ex.ª ofereceu e com choque emocional que V. Ex.ª provocou nos portugueses que acreditaram em si.
Tenho de concordar que a cor laranja fica melhor como pano de fundo ao ataque ao Sector Público, ao desmantelamento das funções sociais do Estado, à privatização dos serviços públicos, bem como à coragem demonstrada na grande ofensiva contra os privilégios dos reformados, pensionistas, idosos, doentes e toda essa gentinha que representa um encargo insuportável e que em nada contribui para o saneamento das contas públicas.
Mas V. Ex.ª esteve muito bem, quando em sessão plenária, na Assembleia da República, a propósito da discussão sobre o “estado da Nação”, dirigindo-se à bancada Social-Democrata disse: “ V. Exas. estão zangados porque gostariam de ter feito o que nós estamos a fazer e não o fizeram”, foi muito bem dito sim senhor! Nem imagina como me ri ao ouvir V. Ex.ª.
Também concordo com V. Ex.ª quando diz que todos estão de acordo que é necessário fazer sacrifícios, desde que sejam os outros a fazer e, como prova disso, os deputados, que apoiam incondicionalmente as medidas restritivas do seu governo, apenas protestaram, quando V. Ex.ª tentou acabar com alguns dos seus privilégios, obrigando-o, num verdadeiro golpe de rins, a um estratégico e sensato recuo
Mas, deixe que lhe diga que os portugueses são uns ingratos, então não é que quando V. Ex.ª vem anunciar, com pompa e circunstância, como o caso merece, um forte investimento na Ciência e na Investigação, assistimos a uma manifestação de investigadores que vêm protestar contra a precariedade do emprego e contra as más condições de trabalho? Não bastavam já os funcionários públicos, os professores, os trabalhadores dos transportes e todos esses desordeiros que andam por aí?
Mas enfim, nem tudo são más notícias, os portugueses sempre se podem animar com o espectáculo das opas, fusões, transacções e isenções, bem como, com os paraísos fiscais e a revista Forbes que nos mostra que num país de pobres, existem uns quantos que têm fortunas dignas de destaque internacional.
Não posso deixar de mencionar que no ano de 1928, numa conjuntura político/económica difícil e complexa, um Senhor, ministro das finanças, de nome Oliveira Salazar, publicou a reforma orçamental e, no período de 1928/29, registou um saldo positivo que lhe granjeou grande prestígio. Também ele exigiu o controlo sobre as despesas de todos os ministérios e impôs forte austeridade e rigoroso controlo das Contas do Estado, conseguindo um superavit nas finanças públicas e… foi o que foi…
Sr. 1º Ministro, os portugueses não têm dúvidas que V. Ex.ª vai controlar o deficit e vai ter sucesso nesse desígnio nacional de cumprimento do Programa de Estabilidade e Crescimento com que o País está comprometido. O que não querem, seguramente, é serem espectadores de mais uma página menos honrosa da História de Portugal, e muito menos que ela seja protagonizada por um partido de esquerda.


Jorge Gaspar.
publicado por armando ésse às 21:20

Novembro 03 2006

“Politica é a arte de mentir a propósito”
Voltaire

Sr. 1º Ministro,
Parece que a palavra de ordem do momento é – Liberalizar, Liberalizar, Liberalizar – mas, enquanto a direita económica se regozija, a direita política anda completamente à deriva.
V. Ex.ª usurpou-lhe o programa, as ideias e os métodos, de tal modo que, os coitados, para se afirmarem como alternativa de poder, apenas reivindicam a alteração da cor do papel em que são dados os despachos ministeriais.
Consideram que o rosa é uma cor velha, esbatida e gasta e que não se coaduna com as novas exigências de modernidade, pelo que propõem em sua substituição um laranja shock, mais em consonância com o choque tecnológico que V. Ex.ª prometeu, com o choque fiscal que V. Ex.ª ofereceu e com choque emocional que V. Ex.ª provocou nos portugueses que acreditaram em si.
Tenho de concordar que a cor laranja fica melhor como pano de fundo ao ataque ao Sector Público, ao desmantelamento das funções sociais do Estado, à privatização dos serviços públicos, bem como à coragem demonstrada na grande ofensiva contra os privilégios dos reformados, pensionistas, idosos, doentes e toda essa gentinha que representa um encargo insuportável e que em nada contribui para o saneamento das contas públicas.
Mas V. Ex.ª esteve muito bem, quando em sessão plenária, na Assembleia da República, a propósito da discussão sobre o “estado da Nação”, dirigindo-se à bancada Social-Democrata disse: “ V. Exas. estão zangados porque gostariam de ter feito o que nós estamos a fazer e não o fizeram”, foi muito bem dito sim senhor! Nem imagina como me ri ao ouvir V. Ex.ª.
Também concordo com V. Ex.ª quando diz que todos estão de acordo que é necessário fazer sacrifícios, desde que sejam os outros a fazer e, como prova disso, os deputados, que apoiam incondicionalmente as medidas restritivas do seu governo, apenas protestaram, quando V. Ex.ª tentou acabar com alguns dos seus privilégios, obrigando-o, num verdadeiro golpe de rins, a um estratégico e sensato recuo
Mas, deixe que lhe diga que os portugueses são uns ingratos, então não é que quando V. Ex.ª vem anunciar, com pompa e circunstância, como o caso merece, um forte investimento na Ciência e na Investigação, assistimos a uma manifestação de investigadores que vêm protestar contra a precariedade do emprego e contra as más condições de trabalho? Não bastavam já os funcionários públicos, os professores, os trabalhadores dos transportes e todos esses desordeiros que andam por aí?
Mas enfim, nem tudo são más notícias, os portugueses sempre se podem animar com o espectáculo das opas, fusões, transacções e isenções, bem como, com os paraísos fiscais e a revista Forbes que nos mostra que num país de pobres, existem uns quantos que têm fortunas dignas de destaque internacional.
Não posso deixar de mencionar que no ano de 1928, numa conjuntura político/económica difícil e complexa, um Senhor, ministro das finanças, de nome Oliveira Salazar, publicou a reforma orçamental e, no período de 1928/29, registou um saldo positivo que lhe granjeou grande prestígio. Também ele exigiu o controlo sobre as despesas de todos os ministérios e impôs forte austeridade e rigoroso controlo das Contas do Estado, conseguindo um superavit nas finanças públicas e… foi o que foi…
Sr. 1º Ministro, os portugueses não têm dúvidas que V. Ex.ª vai controlar o deficit e vai ter sucesso nesse desígnio nacional de cumprimento do Programa de Estabilidade e Crescimento com que o País está comprometido. O que não querem, seguramente, é serem espectadores de mais uma página menos honrosa da História de Portugal, e muito menos que ela seja protagonizada por um partido de esquerda.


Jorge Gaspar.
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