A FÁBRICA

Novembro 29 2006
Portugal é tão profícuo a produzir teses, antíteses, estudos e projectos como a produzir analfabetos. São analfabetos funcionais que sabendo ler e escrever (mal), o seu gosto pela leitura pouco vai além de palavras derivadas de bola golo e baliza, de preferência com menos de três sílabas para não cansar a vista e não forçar os neurónios a um esforço excessivo.
Menos mal que a Nova Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário (TLEBS) com a sua “abstrusa” nomenclatura vai facilitar a gíria desportiva e evitar que o Gabriel Alves continue a sua teimosa invenção de palavras sobrecarregadas com advérbios disjuntos restritivos da verdade da asserção e frases complexas copulativas assindéticas e nos vais ajudar a entender melhor as transcendentes maquinações táctico-estratégicas do futebol.
Não deixa de ser pertinente a correlação directa entre a produção intelectual e a proliferação de analfabetos, de tal modo, que a continuar assim, os intelectuais, por razões de mercado, (entenda-se), vão virar-se definitivamente para o desporto rei.
Para animar as hostes, agora que no futebol as coisas estão mais calmas, surgiu a famosa gramática que tem a particularidade de ter gerado amplos consensos em seu redor.
Independentemente do mérito do trabalho dos autores da TLEBS, parece que teria sido mais prudente e avisado terem ampliado e promovido o debate, formulando dados e hipóteses em vez de terem antecipado soluções. Estas deveriam ter surgido como efeito de uma prática efectiva e de uma elaboração em trabalho participado com os vários intervenientes no processo educativo, criando assim as melhores condições para a produção de um manual com a qualidade que lhe é exigível, compreendido e aceite por todos.
Em vez disso, atiram da sua cátedra receitas para os “putos” consumirem e os professores que se desenrasquem.
Não me parece que seja a melhor forma de se incutir o gosto pela língua nem pela leitura mas antes um caminho chato e doloroso que me faz recordar a forma como, no meu tempo, iniciávamos tortuosamente a descoberta dos Lusíadas e só muito depois, após inúmeras sessões de psicoterapia, foi possível descobrir o seu verdadeiro valor.
Mas deixemo-nos de fait-divers e voltando ao assunto que interessa de momento (o futebol obviamente), que fique registado que quando o Gabriel Alves se referir ao árbitro da partida está simplesmente a designar um nome, Comum, Humano, Animado, Concreto, Contável, Não Massivo, Singular, Masculino e Género Natural e se algum adepto num excesso de linguagem lhe chamar Camelo saiba que apenas esta a mudar uma das designações atrás referidas, e meus senhores! Se for Gay pode muito bem ser um Epiceno! É melhor saber primeiro se é homem ou mulher, porque epiceno é na verdade um nome muito feio e pode induzir uma falsa ideia de discriminação.
Como eu acredito que os autores da nova TLEBS não têm nada contra os alunos, nem contra os professores nem contra o futebol e muito menos contra o Gabriel Alves terei que concluir, por exclusão de partes, que eles apenas não gostam da língua portuguesa.
Vá-se lá saber porquê!
Jorge Gaspar.
publicado por armando ésse às 08:00

Novembro 29 2006
Portugal é tão profícuo a produzir teses, antíteses, estudos e projectos como a produzir analfabetos. São analfabetos funcionais que sabendo ler e escrever (mal), o seu gosto pela leitura pouco vai além de palavras derivadas de bola golo e baliza, de preferência com menos de três sílabas para não cansar a vista e não forçar os neurónios a um esforço excessivo.
Menos mal que a Nova Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário (TLEBS) com a sua “abstrusa” nomenclatura vai facilitar a gíria desportiva e evitar que o Gabriel Alves continue a sua teimosa invenção de palavras sobrecarregadas com advérbios disjuntos restritivos da verdade da asserção e frases complexas copulativas assindéticas e nos vais ajudar a entender melhor as transcendentes maquinações táctico-estratégicas do futebol.
Não deixa de ser pertinente a correlação directa entre a produção intelectual e a proliferação de analfabetos, de tal modo, que a continuar assim, os intelectuais, por razões de mercado, (entenda-se), vão virar-se definitivamente para o desporto rei.
Para animar as hostes, agora que no futebol as coisas estão mais calmas, surgiu a famosa gramática que tem a particularidade de ter gerado amplos consensos em seu redor.
Independentemente do mérito do trabalho dos autores da TLEBS, parece que teria sido mais prudente e avisado terem ampliado e promovido o debate, formulando dados e hipóteses em vez de terem antecipado soluções. Estas deveriam ter surgido como efeito de uma prática efectiva e de uma elaboração em trabalho participado com os vários intervenientes no processo educativo, criando assim as melhores condições para a produção de um manual com a qualidade que lhe é exigível, compreendido e aceite por todos.
Em vez disso, atiram da sua cátedra receitas para os “putos” consumirem e os professores que se desenrasquem.
Não me parece que seja a melhor forma de se incutir o gosto pela língua nem pela leitura mas antes um caminho chato e doloroso que me faz recordar a forma como, no meu tempo, iniciávamos tortuosamente a descoberta dos Lusíadas e só muito depois, após inúmeras sessões de psicoterapia, foi possível descobrir o seu verdadeiro valor.
Mas deixemo-nos de fait-divers e voltando ao assunto que interessa de momento (o futebol obviamente), que fique registado que quando o Gabriel Alves se referir ao árbitro da partida está simplesmente a designar um nome, Comum, Humano, Animado, Concreto, Contável, Não Massivo, Singular, Masculino e Género Natural e se algum adepto num excesso de linguagem lhe chamar Camelo saiba que apenas esta a mudar uma das designações atrás referidas, e meus senhores! Se for Gay pode muito bem ser um Epiceno! É melhor saber primeiro se é homem ou mulher, porque epiceno é na verdade um nome muito feio e pode induzir uma falsa ideia de discriminação.
Como eu acredito que os autores da nova TLEBS não têm nada contra os alunos, nem contra os professores nem contra o futebol e muito menos contra o Gabriel Alves terei que concluir, por exclusão de partes, que eles apenas não gostam da língua portuguesa.
Vá-se lá saber porquê!
Jorge Gaspar.
publicado por armando ésse às 08:00

Novembro 29 2006
Comentário de uma leitora atenta:

Obrigada por ter "destapado o umbigo da nossa humilhação".
Algumas apanham e calam-se impotentes, outras ouvem e fecham-se numa concha humilhadas, as restantes, ouvem, sabem, vêm, e acham terrivel, mas também não fazem nada...Eles sabem, ouvem, vêm, alguns até acometem também e todos juntos achamos repugnante mas está toda a gente demasiado ocupada, ou tem demasiado bom senso, e fica impavida e serena à espera que alguem faça.
Se sempre que alguem ouvisse, visse, tivesse conhecimento de casos de violência doméstica, de qualquer genero, metesse o "bedelho", e apresentasse queixa na entidade competente mais próxima, poria fim à grande maioria dos casos...Os que os cometem (este crime público) teriam medo de ser ouvidos, vistos, ou falados....Vale a sua intenção e de muito poucos como o Sr.
Mais uma vez obrigada!
XP.

Na realidade a violência doméstica, é em Portugal um crime público o que significa que não é necessário que seja a vítima a apresentar a queixa pessoalmente. Pode ser denunciada por terceiros e não exige queixa das partes envolvidas.
A violência doméstica é punível com pena de prisão de um a cinco anos quando se trata de maus tratos entre cônjuges ou entre quem conviver em condições idênticas às dos cônjuges.
Para apresentar uma queixa, as vítimas devem dirigir-se ao posto mais próximo da GNR, da PSP, da Polícia Judiciária ou aos serviços do Ministério Público do Tribunal da Comarca da área da sua residência.
Por último mas não menos importante, resta-me acrescentar que, não pactuar com essa escumalha é um dever cívico.
publicado por armando ésse às 06:20

Novembro 29 2006
Comentário de uma leitora atenta:

Obrigada por ter "destapado o umbigo da nossa humilhação".
Algumas apanham e calam-se impotentes, outras ouvem e fecham-se numa concha humilhadas, as restantes, ouvem, sabem, vêm, e acham terrivel, mas também não fazem nada...Eles sabem, ouvem, vêm, alguns até acometem também e todos juntos achamos repugnante mas está toda a gente demasiado ocupada, ou tem demasiado bom senso, e fica impavida e serena à espera que alguem faça.
Se sempre que alguem ouvisse, visse, tivesse conhecimento de casos de violência doméstica, de qualquer genero, metesse o "bedelho", e apresentasse queixa na entidade competente mais próxima, poria fim à grande maioria dos casos...Os que os cometem (este crime público) teriam medo de ser ouvidos, vistos, ou falados....Vale a sua intenção e de muito poucos como o Sr.
Mais uma vez obrigada!
XP.

Na realidade a violência doméstica, é em Portugal um crime público o que significa que não é necessário que seja a vítima a apresentar a queixa pessoalmente. Pode ser denunciada por terceiros e não exige queixa das partes envolvidas.
A violência doméstica é punível com pena de prisão de um a cinco anos quando se trata de maus tratos entre cônjuges ou entre quem conviver em condições idênticas às dos cônjuges.
Para apresentar uma queixa, as vítimas devem dirigir-se ao posto mais próximo da GNR, da PSP, da Polícia Judiciária ou aos serviços do Ministério Público do Tribunal da Comarca da área da sua residência.
Por último mas não menos importante, resta-me acrescentar que, não pactuar com essa escumalha é um dever cívico.
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