A FÁBRICA

Novembro 17 2006
Diz um ditado espanhol “cada cual opina de la fiesta de acuerdo a como le vaya en ella” e para os senhores congressistas a festa até nem correu nada mal.
Sócrates garantiu, prometeu, jurou, afirmou e refutou e o povo eleito aplaudiu.
Aplaudiu quando garantiu que está a governar à esquerda, quando prometeu que vai modernizar o país, quando jurou que vai servir Portugal e os Portugueses, quando afirmou combater as desigualdades, quando refutou as críticas de que não há debate interno e…aplaudiu muitas mais vezes; quando falou contra os sindicatos e os manifestantes, contra a esquerda e contra a direita, a favor das reformas, do rigor e da modernidade e… continuariam a aplaudir mesmo que tivesse dito: Boas! Boas! Boas! São mesmo as congressistas de Ermesinde!
O Congresso não foi propriamente um fórum de reflexão e de debate, mas também não foi para isso que foi realizado e ninguém pode negar que foi uma bonita cerimónia de entronização.
Mesmo assim, (no melhor pano cai a nódoa), há sempre alguém a querer estragar a festa, com suficiente descaramento para proferir frases pindéricas do tipo:
“Para a história do socialismo fica a criação do Serviço Nacional de Saúde por António Arnaut e não as taxas moderadoras dos internamentos”
“Os sacrifícios das finanças públicas só valem a pena se servirem para resolverem o principal défice do país, o social”.
“A Reforma da Administração Pública tem de ser feita com e não contra os Funcionários Públicos”,
Manuel Alegre.
“Não faz sentido cortar só por cortar, até porque a classe média e os Trabalhadores em geral esperam mais serviço do Estado e não menos”, José Leitão.
“Temos que fazer uma pergunta: será que estamos a fazer no Governo o que prometemos? Temos que ser implacáveis nesta resposta”, Helena Roseta.
Aqueles Senhores ainda não perceberam que o José Sócrates é o fundador do Socialismo Moderno que ninguém sabe o que é, mas como diria Fernando Pessoa, se soubessem o que é, que saberiam?
O Filósofo espanhol Ortega e Gasset, no seu livro “A Rebelião das Massas” conta o seguinte episódio:
“Um cigano foi confessar-se; mas o padre precavido, começou por perguntar se sabia os mandamentos da Lei de Deus. A isto o cigano respondeu “olhe vossemecê, Senhor Padre, eu até ia aprendéri, mas ouvi um runrum de que a iam tirári”.
Também anda para aí um runrum que já não regem os mandamentos da esquerda no partido socialista…
… e eu que até me ia filiari!!!
Jorge Gaspar
publicado por armando ésse às 08:15

Novembro 17 2006
Diz um ditado espanhol “cada cual opina de la fiesta de acuerdo a como le vaya en ella” e para os senhores congressistas a festa até nem correu nada mal.
Sócrates garantiu, prometeu, jurou, afirmou e refutou e o povo eleito aplaudiu.
Aplaudiu quando garantiu que está a governar à esquerda, quando prometeu que vai modernizar o país, quando jurou que vai servir Portugal e os Portugueses, quando afirmou combater as desigualdades, quando refutou as críticas de que não há debate interno e…aplaudiu muitas mais vezes; quando falou contra os sindicatos e os manifestantes, contra a esquerda e contra a direita, a favor das reformas, do rigor e da modernidade e… continuariam a aplaudir mesmo que tivesse dito: Boas! Boas! Boas! São mesmo as congressistas de Ermesinde!
O Congresso não foi propriamente um fórum de reflexão e de debate, mas também não foi para isso que foi realizado e ninguém pode negar que foi uma bonita cerimónia de entronização.
Mesmo assim, (no melhor pano cai a nódoa), há sempre alguém a querer estragar a festa, com suficiente descaramento para proferir frases pindéricas do tipo:
“Para a história do socialismo fica a criação do Serviço Nacional de Saúde por António Arnaut e não as taxas moderadoras dos internamentos”
“Os sacrifícios das finanças públicas só valem a pena se servirem para resolverem o principal défice do país, o social”.
“A Reforma da Administração Pública tem de ser feita com e não contra os Funcionários Públicos”,
Manuel Alegre.
“Não faz sentido cortar só por cortar, até porque a classe média e os Trabalhadores em geral esperam mais serviço do Estado e não menos”, José Leitão.
“Temos que fazer uma pergunta: será que estamos a fazer no Governo o que prometemos? Temos que ser implacáveis nesta resposta”, Helena Roseta.
Aqueles Senhores ainda não perceberam que o José Sócrates é o fundador do Socialismo Moderno que ninguém sabe o que é, mas como diria Fernando Pessoa, se soubessem o que é, que saberiam?
O Filósofo espanhol Ortega e Gasset, no seu livro “A Rebelião das Massas” conta o seguinte episódio:
“Um cigano foi confessar-se; mas o padre precavido, começou por perguntar se sabia os mandamentos da Lei de Deus. A isto o cigano respondeu “olhe vossemecê, Senhor Padre, eu até ia aprendéri, mas ouvi um runrum de que a iam tirári”.
Também anda para aí um runrum que já não regem os mandamentos da esquerda no partido socialista…
… e eu que até me ia filiari!!!
Jorge Gaspar
publicado por armando ésse às 08:15

Novembro 10 2006

Este senhor é o artista adulado da "Pop Art".
Andy Warhol (1928-1987), foi também a fonte de inspiração do nome deste blog.
Não pretendo ter 15 minutos de fama, apenas tempo para alguns apontamentos, notas e pensamentos.


Foi desta forma que este blog começou, decorrem precisamente, hoje, dois anos. A todos os que passaram por cá, deixo o meu sincero agradecimento, quer seja, pelas vossas palavras, pelas vossas sugestões, pela vossa solidariedade, pela vossa critíca, mas acima de tudo, o meu muito obrigado, pelo vosso encorajamento.
Um abraço a todos.
publicado por armando ésse às 08:08

Novembro 10 2006

Este senhor é o artista adulado da "Pop Art".
Andy Warhol (1928-1987), foi também a fonte de inspiração do nome deste blog.
Não pretendo ter 15 minutos de fama, apenas tempo para alguns apontamentos, notas e pensamentos.


Foi desta forma que este blog começou, decorrem precisamente, hoje, dois anos. A todos os que passaram por cá, deixo o meu sincero agradecimento, quer seja, pelas vossas palavras, pelas vossas sugestões, pela vossa solidariedade, pela vossa critíca, mas acima de tudo, o meu muito obrigado, pelo vosso encorajamento.
Um abraço a todos.
publicado por armando ésse às 08:08

Novembro 08 2006
O Primeiro Ministro, Eng.º José Sócrates, afirmou em conferência de imprensa, no final da XVI Cimeira Ibero-americana, realizada no passado fim-de-semana em Montevideu, que “Em matéria de visão humanista e respeito pelos direitos humanos, não encontra melhor exemplo do que os EUA, a política externa (Norte Americana) valoriza estes pontos”.
Como já estamos habituados a que o Sr. Primeiro Ministro diga o contrário daquilo que pensa, é muito possível que quando diz “não encontro melhor exemplo”, esteja a pensar “não encontro pior exemplo” e se assim for, pensa muito bem.
Destacamos quatro paradigmas da visão humanista daquele País, designadamente: a aplicação da pena de morte, a base naval de Guantánamo, a invasão do Iraque e a liberdade de expressão.

1. Hoje, os EUA fazem parte de um grupo de países resistentes, onde a pena de morte é ainda oficialmente permitida, sendo o segundo País, depois da China, onde mais pessoas são executadas anualmente.
A Amnistia Internacional, revelou que pelo menos 2.148 pessoas foram executadas em 2005 – 94% dos quais nos EUA, Irão, Arábia Saudita e China. 20.000 pessoas estão no corredor da morte.
Apesar dos esforços desenvolvidos por inúmeras organizações não governamentais bem como dos acórdãos e tratados internacionais com vista à abolição da pena de morte, os EUA, não se limitam a mantê-la, como ainda violam sistematicamente a Convenção de Viena, não informando os demais países das detenções e condenações de cidadãos estrangeiros, ao ponto de terem sido condenados (em 1999) pelo Tribunal Internacional de Justiça, por ignorarem os direitos de (Walter e Karl LaGrand), dois irmãos de origem alemã executados.
2. Ainda em matéria humanista, os Estados Unidos na sua caminhada imperial do “quero posso e mando” votaram contra o projecto da criação do Tribunal Penal Internacional, (com competência para julgar crimes de guerra, genocídios e crimes contra a humanidade), de modo a evitar que seus soldados viessem a ser julgados por esse tribunal, ao mesmo tempo que tratam (à sua maneira) os prisioneiros suspeitos de terrorismo, em total desrespeito pelos direitos humanos.
O exemplo disso são as detenções em Guantánamo (Cuba), em que centenas de pessoas estão há 5 anos presas, sem acusação nem julgamento, vendo os seus direitos mais elementares serem-lhes negados, sujeitos a torturas e maus-tratos. Os prisioneiros não têm acesso ao tribunal, aconselhamento jurídico ou a visitas dos seus familiares.
Têm sido reveladas tentativas de suicídio e greves de fome (segundo o Jornal The New York Times, para não morrerem, são amarrados em cadeiras e obrigados a alimentarem-se por um tubo).
Veja-se a propósito, o filme estreado este ano, de Michael Winterbottom, “Caminho para Guantánamo”, e que ganhou o “Urso de Prata” no Festival de Berlim. O filme mostra as condições degradantes em que se encontram os detidos e suscita questões sobre a eventual inocência de muitos deles.
Por sua vez, o Comité da ONU contra a Tortura, recomendou aos Estados Unidos que encerre o centro de detenção na baía de Guantánamo. O Comité concluiu que se deve permitir aos detidos acesso à justiça ou então libertá-los o quanto antes e que não devem ser enviados para países onde praticam a tortura (uma prática corrente).
3. Ainda em nome da luta contra o terrorismo, os EUA invadem países, ao bom modo das cruzadas religiosas da idade média, e sob o desígnio de um deus justiceiro, (na luta do bem contra o mal), matam centenas de milhares de inocentes, destroem as infra-estruturas, saqueiam, tomam conta, mandam matar os seus dirigentes, impõem as suas leis e deixam por onde passam um rastro de sangue, miséria e destruição.
A propósito dos métodos utilizados na guerra “preventiva” contra o Iraque, a rede de televisão italiana, RAI exibiu, em 2004, um documentário intitulado Fallujah onde se comprova o uso de armas químicas por militares americanos, designadamente o uso de fósforo branco, queimando “as carnes até aos ossos”, queima indiscriminadamente, as mulheres e as crianças são as principais vítimas.
Sempre se soube que no Iraque não havia armas de destruição maciça, nem que apoiava o terrorismo e, quanto a ser uma ditadura sanguinária, sempre se pode perguntar quantas ditaduras sanguinárias são amigas e apoiadas pelos americanos. Mas essas não pesam na consciência. O Paquistão, A Arábia Saudita, Israel, algumas ditaduras da América Latina, entre outras, representam o “Bem” nessa cruzada.
4. As garras do “Tio Sam” também se viram contra aqueles que ousam criticar a politica do Sr. Bush, e sobre isso é elucidativo um artigo ontem publicado no jornal espanhol “ El País” subscrito por Javier del Pino “…Natalie Maines, vocalista do grupo country Dixie Chicks, disse há três anos, num espectáculo em Londres que estava envergonhada por o Presidente dos Estados Unidos ser do Texas como ela. Foi o fim da sua carreira. As emissoras de rádio deixaram de emitir a sua música e as várias cadeias de televisão recusaram emitir o anúncio de um documentário que narra este incidente. O documentário “Shut up and sing” (cala-te e canta) mostra o declive imediato do que era até esse momento, o grupo country mais famoso e rentável dos Estados Unidos, As Dixies Chicks…”.
“Tristemente isto diz muito sobre o nível do medo que há nessa sociedade. Põe na lista negra um filme sobre um grupo de artistas que foram postos numa lista negra por exercerem o seu direito à liberdade de expressão”.
Sr. Primeiro Ministro (depois desta pequena espreitadela à “realpolitik” ou à “Ideological Politics”-fica ao critério de quem lê), parece-me que a frase que V Ex.ª proferiu fica muito melhor se sofrer “pequenas” alterações, podendo ficar assim: “Em matéria de visão humanista e respeito pelos direitos humanos, não encontro, no chamado mundo civilizado, pior exemplo do que os EUA, a politica externa (Norte Americana) valoriza estes pontos”.
Mas, lapsus linguae, cada um pode ter.


Jorge Gaspar
publicado por armando ésse às 21:15

Novembro 08 2006
O Primeiro Ministro, Eng.º José Sócrates, afirmou em conferência de imprensa, no final da XVI Cimeira Ibero-americana, realizada no passado fim-de-semana em Montevideu, que “Em matéria de visão humanista e respeito pelos direitos humanos, não encontra melhor exemplo do que os EUA, a política externa (Norte Americana) valoriza estes pontos”.
Como já estamos habituados a que o Sr. Primeiro Ministro diga o contrário daquilo que pensa, é muito possível que quando diz “não encontro melhor exemplo”, esteja a pensar “não encontro pior exemplo” e se assim for, pensa muito bem.
Destacamos quatro paradigmas da visão humanista daquele País, designadamente: a aplicação da pena de morte, a base naval de Guantánamo, a invasão do Iraque e a liberdade de expressão.

1. Hoje, os EUA fazem parte de um grupo de países resistentes, onde a pena de morte é ainda oficialmente permitida, sendo o segundo País, depois da China, onde mais pessoas são executadas anualmente.
A Amnistia Internacional, revelou que pelo menos 2.148 pessoas foram executadas em 2005 – 94% dos quais nos EUA, Irão, Arábia Saudita e China. 20.000 pessoas estão no corredor da morte.
Apesar dos esforços desenvolvidos por inúmeras organizações não governamentais bem como dos acórdãos e tratados internacionais com vista à abolição da pena de morte, os EUA, não se limitam a mantê-la, como ainda violam sistematicamente a Convenção de Viena, não informando os demais países das detenções e condenações de cidadãos estrangeiros, ao ponto de terem sido condenados (em 1999) pelo Tribunal Internacional de Justiça, por ignorarem os direitos de (Walter e Karl LaGrand), dois irmãos de origem alemã executados.
2. Ainda em matéria humanista, os Estados Unidos na sua caminhada imperial do “quero posso e mando” votaram contra o projecto da criação do Tribunal Penal Internacional, (com competência para julgar crimes de guerra, genocídios e crimes contra a humanidade), de modo a evitar que seus soldados viessem a ser julgados por esse tribunal, ao mesmo tempo que tratam (à sua maneira) os prisioneiros suspeitos de terrorismo, em total desrespeito pelos direitos humanos.
O exemplo disso são as detenções em Guantánamo (Cuba), em que centenas de pessoas estão há 5 anos presas, sem acusação nem julgamento, vendo os seus direitos mais elementares serem-lhes negados, sujeitos a torturas e maus-tratos. Os prisioneiros não têm acesso ao tribunal, aconselhamento jurídico ou a visitas dos seus familiares.
Têm sido reveladas tentativas de suicídio e greves de fome (segundo o Jornal The New York Times, para não morrerem, são amarrados em cadeiras e obrigados a alimentarem-se por um tubo).
Veja-se a propósito, o filme estreado este ano, de Michael Winterbottom, “Caminho para Guantánamo”, e que ganhou o “Urso de Prata” no Festival de Berlim. O filme mostra as condições degradantes em que se encontram os detidos e suscita questões sobre a eventual inocência de muitos deles.
Por sua vez, o Comité da ONU contra a Tortura, recomendou aos Estados Unidos que encerre o centro de detenção na baía de Guantánamo. O Comité concluiu que se deve permitir aos detidos acesso à justiça ou então libertá-los o quanto antes e que não devem ser enviados para países onde praticam a tortura (uma prática corrente).
3. Ainda em nome da luta contra o terrorismo, os EUA invadem países, ao bom modo das cruzadas religiosas da idade média, e sob o desígnio de um deus justiceiro, (na luta do bem contra o mal), matam centenas de milhares de inocentes, destroem as infra-estruturas, saqueiam, tomam conta, mandam matar os seus dirigentes, impõem as suas leis e deixam por onde passam um rastro de sangue, miséria e destruição.
A propósito dos métodos utilizados na guerra “preventiva” contra o Iraque, a rede de televisão italiana, RAI exibiu, em 2004, um documentário intitulado Fallujah onde se comprova o uso de armas químicas por militares americanos, designadamente o uso de fósforo branco, queimando “as carnes até aos ossos”, queima indiscriminadamente, as mulheres e as crianças são as principais vítimas.
Sempre se soube que no Iraque não havia armas de destruição maciça, nem que apoiava o terrorismo e, quanto a ser uma ditadura sanguinária, sempre se pode perguntar quantas ditaduras sanguinárias são amigas e apoiadas pelos americanos. Mas essas não pesam na consciência. O Paquistão, A Arábia Saudita, Israel, algumas ditaduras da América Latina, entre outras, representam o “Bem” nessa cruzada.
4. As garras do “Tio Sam” também se viram contra aqueles que ousam criticar a politica do Sr. Bush, e sobre isso é elucidativo um artigo ontem publicado no jornal espanhol “ El País” subscrito por Javier del Pino “…Natalie Maines, vocalista do grupo country Dixie Chicks, disse há três anos, num espectáculo em Londres que estava envergonhada por o Presidente dos Estados Unidos ser do Texas como ela. Foi o fim da sua carreira. As emissoras de rádio deixaram de emitir a sua música e as várias cadeias de televisão recusaram emitir o anúncio de um documentário que narra este incidente. O documentário “Shut up and sing” (cala-te e canta) mostra o declive imediato do que era até esse momento, o grupo country mais famoso e rentável dos Estados Unidos, As Dixies Chicks…”.
“Tristemente isto diz muito sobre o nível do medo que há nessa sociedade. Põe na lista negra um filme sobre um grupo de artistas que foram postos numa lista negra por exercerem o seu direito à liberdade de expressão”.
Sr. Primeiro Ministro (depois desta pequena espreitadela à “realpolitik” ou à “Ideological Politics”-fica ao critério de quem lê), parece-me que a frase que V Ex.ª proferiu fica muito melhor se sofrer “pequenas” alterações, podendo ficar assim: “Em matéria de visão humanista e respeito pelos direitos humanos, não encontro, no chamado mundo civilizado, pior exemplo do que os EUA, a politica externa (Norte Americana) valoriza estes pontos”.
Mas, lapsus linguae, cada um pode ter.


Jorge Gaspar
publicado por armando ésse às 21:15

Novembro 07 2006

A condenação “medieval” de Saddam Hussein à morte por enforcamento, no primeiro de vários processos por atrocidades cometidas durante o seu regime, terminou da pior maneira para haver a possibilidade da Justiça triunfar.
Quero deixar bem claro, que a minha posição em relação à pena de morte, é a mesma que a da Amnistia Internacional: a pena de morte é a punição mais cruel, desumana e degradante e, acima de tudo é, uma violação clara do direito à vida.
Ao ser condenado à morte por este caso, relativo à execução de 148 aldeões, o sequestro de 399 famílias e a destruição das suas casas e terras agrícolas na aldeia de Dujail, em 1982, muitos dos mais terríveis crimes cometidos por Saddam, poderão ficar por desvendar.

Saddam Hussein é suspeito por crimes contra a humanidade e crimes de guerra em vários casos, de entre eles contam-se: a operação de Al-Anfal contra os curdos, em 1988, que fez 180.000 mortos; o gaseamento de cerca de 5.000 curdos em Halabja, no mesmo ano; a repressão dos xiitas, em 1991, com milhares de mortos; a invasão do Kuwait, um ano antes; o massacre de 8000 membros da tribo dos Barzani (um clã curdo), em 1983, e o assassínio de líderes de partidos políticos e de dignitários religiosos xiitas entre 1980 e 1999.
Com uma tão extensa lista de crimes gravíssimos a condenação à morte logo no primeiro julgamento não tem algum sentido e obrigatoriamente impõe a formulação algumas perguntas:

A sentença será executada, ou Saddam Hussein será julgado por todos os outros crimes que é acusado?
Pararão o corrente julgamento, do caso Al-Anfal, para o executar?
Foi esta sentença uma benesse aos republicanos, numa tentativa desesperada de estes vencerem as eleições de hoje nos EUA?
De momento não há respostas a estas perguntas e Saddam Hussein, como todos os humanos, tem apenas uma vida.
Após o anúncio da sentença, devemos reflectir sobre o significado deste julgamento. O julgamento de crimes de guerra normalmente ocorrem no fim de um período de trauma quando a sociedade está pronta a enfrentar os seus fantasmas, após um período de ausência de violência e de retribuição extrajudicial.

O julgamento de Saddam Hussein não cumpriu nenhum destes requisitos.
O Tribunal Especial Iraquiano também não ajudou em coisa alguma, para dar credibilidade ao julgamento, com a mudança sucessiva de Juízes e o assassinato de três advogados de defesa de Saddam Hussein.
O sistema judicial iraquiano ou o que quer que isso seja, sem qualquer tipo de contemplações transpôs o rubicão, espera-se agora pressão da comunidade internacional, especialmente por parte da União Europeia, que é a única região do Mundo, livre desta prática hedionda, para que haja uma moratória na execução da ignóbil sentença, porque sem a força legitimadora das instâncias internacionais, este julgamento, é o que é: uma fantochada.
O julgamento de Saddan Hussein, tem fortes possibilidades de ser recordado historicamente, como um fraco espectáculo que desacreditou as novas autoridades iraquianas e toda a Administração Americana, especialmente o Presidente George W. Bush.

Se havia esperança de se alicerçar um Estado de Direito no Iraque, a violência quotidiana e esta condenação à morte por enforcamento, bem provar que o Iraque tem um muitíssimo longo caminho a percorrer, para alcançar esse tal Estado de Direito. Se conseguir.
publicado por armando ésse às 15:19

Novembro 07 2006

A condenação “medieval” de Saddam Hussein à morte por enforcamento, no primeiro de vários processos por atrocidades cometidas durante o seu regime, terminou da pior maneira para haver a possibilidade da Justiça triunfar.
Quero deixar bem claro, que a minha posição em relação à pena de morte, é a mesma que a da Amnistia Internacional: a pena de morte é a punição mais cruel, desumana e degradante e, acima de tudo é, uma violação clara do direito à vida.
Ao ser condenado à morte por este caso, relativo à execução de 148 aldeões, o sequestro de 399 famílias e a destruição das suas casas e terras agrícolas na aldeia de Dujail, em 1982, muitos dos mais terríveis crimes cometidos por Saddam, poderão ficar por desvendar.

Saddam Hussein é suspeito por crimes contra a humanidade e crimes de guerra em vários casos, de entre eles contam-se: a operação de Al-Anfal contra os curdos, em 1988, que fez 180.000 mortos; o gaseamento de cerca de 5.000 curdos em Halabja, no mesmo ano; a repressão dos xiitas, em 1991, com milhares de mortos; a invasão do Kuwait, um ano antes; o massacre de 8000 membros da tribo dos Barzani (um clã curdo), em 1983, e o assassínio de líderes de partidos políticos e de dignitários religiosos xiitas entre 1980 e 1999.
Com uma tão extensa lista de crimes gravíssimos a condenação à morte logo no primeiro julgamento não tem algum sentido e obrigatoriamente impõe a formulação algumas perguntas:

A sentença será executada, ou Saddam Hussein será julgado por todos os outros crimes que é acusado?
Pararão o corrente julgamento, do caso Al-Anfal, para o executar?
Foi esta sentença uma benesse aos republicanos, numa tentativa desesperada de estes vencerem as eleições de hoje nos EUA?
De momento não há respostas a estas perguntas e Saddam Hussein, como todos os humanos, tem apenas uma vida.
Após o anúncio da sentença, devemos reflectir sobre o significado deste julgamento. O julgamento de crimes de guerra normalmente ocorrem no fim de um período de trauma quando a sociedade está pronta a enfrentar os seus fantasmas, após um período de ausência de violência e de retribuição extrajudicial.

O julgamento de Saddam Hussein não cumpriu nenhum destes requisitos.
O Tribunal Especial Iraquiano também não ajudou em coisa alguma, para dar credibilidade ao julgamento, com a mudança sucessiva de Juízes e o assassinato de três advogados de defesa de Saddam Hussein.
O sistema judicial iraquiano ou o que quer que isso seja, sem qualquer tipo de contemplações transpôs o rubicão, espera-se agora pressão da comunidade internacional, especialmente por parte da União Europeia, que é a única região do Mundo, livre desta prática hedionda, para que haja uma moratória na execução da ignóbil sentença, porque sem a força legitimadora das instâncias internacionais, este julgamento, é o que é: uma fantochada.
O julgamento de Saddan Hussein, tem fortes possibilidades de ser recordado historicamente, como um fraco espectáculo que desacreditou as novas autoridades iraquianas e toda a Administração Americana, especialmente o Presidente George W. Bush.

Se havia esperança de se alicerçar um Estado de Direito no Iraque, a violência quotidiana e esta condenação à morte por enforcamento, bem provar que o Iraque tem um muitíssimo longo caminho a percorrer, para alcançar esse tal Estado de Direito. Se conseguir.
publicado por armando ésse às 15:19

Novembro 03 2006

“Politica é a arte de mentir a propósito”
Voltaire

Sr. 1º Ministro,
Parece que a palavra de ordem do momento é – Liberalizar, Liberalizar, Liberalizar – mas, enquanto a direita económica se regozija, a direita política anda completamente à deriva.
V. Ex.ª usurpou-lhe o programa, as ideias e os métodos, de tal modo que, os coitados, para se afirmarem como alternativa de poder, apenas reivindicam a alteração da cor do papel em que são dados os despachos ministeriais.
Consideram que o rosa é uma cor velha, esbatida e gasta e que não se coaduna com as novas exigências de modernidade, pelo que propõem em sua substituição um laranja shock, mais em consonância com o choque tecnológico que V. Ex.ª prometeu, com o choque fiscal que V. Ex.ª ofereceu e com choque emocional que V. Ex.ª provocou nos portugueses que acreditaram em si.
Tenho de concordar que a cor laranja fica melhor como pano de fundo ao ataque ao Sector Público, ao desmantelamento das funções sociais do Estado, à privatização dos serviços públicos, bem como à coragem demonstrada na grande ofensiva contra os privilégios dos reformados, pensionistas, idosos, doentes e toda essa gentinha que representa um encargo insuportável e que em nada contribui para o saneamento das contas públicas.
Mas V. Ex.ª esteve muito bem, quando em sessão plenária, na Assembleia da República, a propósito da discussão sobre o “estado da Nação”, dirigindo-se à bancada Social-Democrata disse: “ V. Exas. estão zangados porque gostariam de ter feito o que nós estamos a fazer e não o fizeram”, foi muito bem dito sim senhor! Nem imagina como me ri ao ouvir V. Ex.ª.
Também concordo com V. Ex.ª quando diz que todos estão de acordo que é necessário fazer sacrifícios, desde que sejam os outros a fazer e, como prova disso, os deputados, que apoiam incondicionalmente as medidas restritivas do seu governo, apenas protestaram, quando V. Ex.ª tentou acabar com alguns dos seus privilégios, obrigando-o, num verdadeiro golpe de rins, a um estratégico e sensato recuo
Mas, deixe que lhe diga que os portugueses são uns ingratos, então não é que quando V. Ex.ª vem anunciar, com pompa e circunstância, como o caso merece, um forte investimento na Ciência e na Investigação, assistimos a uma manifestação de investigadores que vêm protestar contra a precariedade do emprego e contra as más condições de trabalho? Não bastavam já os funcionários públicos, os professores, os trabalhadores dos transportes e todos esses desordeiros que andam por aí?
Mas enfim, nem tudo são más notícias, os portugueses sempre se podem animar com o espectáculo das opas, fusões, transacções e isenções, bem como, com os paraísos fiscais e a revista Forbes que nos mostra que num país de pobres, existem uns quantos que têm fortunas dignas de destaque internacional.
Não posso deixar de mencionar que no ano de 1928, numa conjuntura político/económica difícil e complexa, um Senhor, ministro das finanças, de nome Oliveira Salazar, publicou a reforma orçamental e, no período de 1928/29, registou um saldo positivo que lhe granjeou grande prestígio. Também ele exigiu o controlo sobre as despesas de todos os ministérios e impôs forte austeridade e rigoroso controlo das Contas do Estado, conseguindo um superavit nas finanças públicas e… foi o que foi…
Sr. 1º Ministro, os portugueses não têm dúvidas que V. Ex.ª vai controlar o deficit e vai ter sucesso nesse desígnio nacional de cumprimento do Programa de Estabilidade e Crescimento com que o País está comprometido. O que não querem, seguramente, é serem espectadores de mais uma página menos honrosa da História de Portugal, e muito menos que ela seja protagonizada por um partido de esquerda.


Jorge Gaspar.
publicado por armando ésse às 21:20

Novembro 03 2006

“Politica é a arte de mentir a propósito”
Voltaire

Sr. 1º Ministro,
Parece que a palavra de ordem do momento é – Liberalizar, Liberalizar, Liberalizar – mas, enquanto a direita económica se regozija, a direita política anda completamente à deriva.
V. Ex.ª usurpou-lhe o programa, as ideias e os métodos, de tal modo que, os coitados, para se afirmarem como alternativa de poder, apenas reivindicam a alteração da cor do papel em que são dados os despachos ministeriais.
Consideram que o rosa é uma cor velha, esbatida e gasta e que não se coaduna com as novas exigências de modernidade, pelo que propõem em sua substituição um laranja shock, mais em consonância com o choque tecnológico que V. Ex.ª prometeu, com o choque fiscal que V. Ex.ª ofereceu e com choque emocional que V. Ex.ª provocou nos portugueses que acreditaram em si.
Tenho de concordar que a cor laranja fica melhor como pano de fundo ao ataque ao Sector Público, ao desmantelamento das funções sociais do Estado, à privatização dos serviços públicos, bem como à coragem demonstrada na grande ofensiva contra os privilégios dos reformados, pensionistas, idosos, doentes e toda essa gentinha que representa um encargo insuportável e que em nada contribui para o saneamento das contas públicas.
Mas V. Ex.ª esteve muito bem, quando em sessão plenária, na Assembleia da República, a propósito da discussão sobre o “estado da Nação”, dirigindo-se à bancada Social-Democrata disse: “ V. Exas. estão zangados porque gostariam de ter feito o que nós estamos a fazer e não o fizeram”, foi muito bem dito sim senhor! Nem imagina como me ri ao ouvir V. Ex.ª.
Também concordo com V. Ex.ª quando diz que todos estão de acordo que é necessário fazer sacrifícios, desde que sejam os outros a fazer e, como prova disso, os deputados, que apoiam incondicionalmente as medidas restritivas do seu governo, apenas protestaram, quando V. Ex.ª tentou acabar com alguns dos seus privilégios, obrigando-o, num verdadeiro golpe de rins, a um estratégico e sensato recuo
Mas, deixe que lhe diga que os portugueses são uns ingratos, então não é que quando V. Ex.ª vem anunciar, com pompa e circunstância, como o caso merece, um forte investimento na Ciência e na Investigação, assistimos a uma manifestação de investigadores que vêm protestar contra a precariedade do emprego e contra as más condições de trabalho? Não bastavam já os funcionários públicos, os professores, os trabalhadores dos transportes e todos esses desordeiros que andam por aí?
Mas enfim, nem tudo são más notícias, os portugueses sempre se podem animar com o espectáculo das opas, fusões, transacções e isenções, bem como, com os paraísos fiscais e a revista Forbes que nos mostra que num país de pobres, existem uns quantos que têm fortunas dignas de destaque internacional.
Não posso deixar de mencionar que no ano de 1928, numa conjuntura político/económica difícil e complexa, um Senhor, ministro das finanças, de nome Oliveira Salazar, publicou a reforma orçamental e, no período de 1928/29, registou um saldo positivo que lhe granjeou grande prestígio. Também ele exigiu o controlo sobre as despesas de todos os ministérios e impôs forte austeridade e rigoroso controlo das Contas do Estado, conseguindo um superavit nas finanças públicas e… foi o que foi…
Sr. 1º Ministro, os portugueses não têm dúvidas que V. Ex.ª vai controlar o deficit e vai ter sucesso nesse desígnio nacional de cumprimento do Programa de Estabilidade e Crescimento com que o País está comprometido. O que não querem, seguramente, é serem espectadores de mais uma página menos honrosa da História de Portugal, e muito menos que ela seja protagonizada por um partido de esquerda.


Jorge Gaspar.
publicado por armando ésse às 21:20

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