A FÁBRICA

Novembro 26 2007
O sociólogo e cronista português António Barreto, tem uma crónica semanal no jornal PÚBLICO, intitulada o "Retrato da Semana". Esta é a crónica dele no Público de 25 de Novembro. Pela sua importância para o dia a dia de milhares de portugueses, fica aqui reproduzida na íntegra.
A meia dúzia de lavradores que comercializam directamente os seus produtos e que sobreviveram aos centros comerciais ou às grandes superfícies vai agora ser eliminada sumariamente. Os proprietários de restaurantes caseiros que sobram, e vivem no mesmo prédio em que trabalham, preparam-se, depois da chegada da “fast food”, para fechar portas e mudar de vida. Os cozinheiros que faziam a domicílio pratos e “petiscos”, a fim de os vender no café ao lado e que resistiram a toneladas de batatas fritas e de gordura reciclada, podem rezar as últimas orações. Todos os que cozinhavam em casa e forneciam diariamente, aos cafés e restaurantes do bairro, sopas, doces, compotas, rissóis e croquetes, podem sonhar com outros negócios. Os artesãos que comercializam produtos confeccionados à sua maneira vão ser liquidados.
A solução final vem aí. Com a lei, as políticas, as polícias, os inspectores, os fiscais, a imprensa e a televisão. Ninguém, deste velho mundo, sobrará. Quem não quer funcionar como uma empresa, quem não usa os computadores tão generosamente distribuídos pelo país, quem não aceita as receitas harmonizadas, quem recusa fornecer-se de produtos e matérias-primas industriais e quem não quer ser igual a toda a gente está condenado. Estes exércitos de liquidação são poderosíssimos: têm Estado-maior em Bruxelas e regulam-se pelas directivas europeias elaboradas pelos mais qualificados cientistas do mundo; organizam-se no governo nacional, sob tutela carismática do Ministro da Economia e da Inovação, Manuel Pinho; e agem através do pessoal da ASAE, a organização mais falada e odiada do país, mas certamente a mais amada pelas multinacionais da gordura, pelo cartel da ração e pelos impérios do açúcar.
Em frente à faculdade onde dou aulas, há dois ou três cafés onde os estudantes, nos intervalos, bebem uns copos, conversam, namoram e jogam às cartas ou ao dominó. Acabou! É proibido jogar!
Nas esplanadas, a partir de Janeiro, é proibido beber café em chávenas de louça, ou vinho, águas, refrigerantes e cerveja em copos de vidro. Tem de ser em copos de plástico.
Vender, nas praias ou nas romarias, bolas de Berlim ou pastéis de nata que não sejam industriais e embalados? Proibido.
Nas feiras e nos mercados, tanto em Lisboa e Porto, como em Vinhais ou Estremoz, os exércitos dos zeladores da nossa saúde e da nossa virtude fazem razias semanais e levam tudo quanto é artesanal: azeitonas, queijos, compotas, pão e enchidos.
Na província, um restaurante artesanal é gerido por uma família que tem, ao lado, a sua horta, donde retira produtos como alfaces, feijão verde, coentros, galinhas e ovos? Acabou. É proibido.Embrulhar castanhas assadas em papel de jornal? Proibido.
Trazer da terra, na estação, cerejas e morangos? Proibido.
Usar, na mesa do restaurante, um galheteiro para o azeite e o vinagre é proibido. Tem de ser garrafas especialmente preparadas.
Vender, no seu restaurante, produtos da sua quinta, azeite e azeitonas, alfaces e tomate, ovos e queijos, acabou. Está proibido.
Comprar um bolo-rei com fava e brinde porque os miúdos acham graça? Acabou. É proibido.
Ir a casa buscar duas folhas de alface, um prato de sopa e umas fatias de fiambre para servir uma refeição ligeira a um cliente apressado? Proibido.
Vender bolos, empadas, rissóis, merendas e croquetes caseiros é proibido. Só industriais.
É proibido ter pão congelado para uma emergência: só em arcas especiais e com fornos de descongelação especiais, aliás caríssimos.
Servir areias, biscoitos, queijinhos de amêndoa e brigadeiros feitos pela vizinha, uma excelente cozinheira que faz isto há trinta anos? Proibido.
As regras, cujo não cumprimento leva a multas pesadas e ao encerramento do estabelecimento, são tantas que centenas de páginas não chegam para as descrever.
Nas prateleiras, diante das garrafas de Coca-Cola e de vinho tinto tem de haver etiquetas a dizer Coca-Cola e vinho tinto.
Na cozinha, tem de haver uma faca de cor diferente para cada género.
Não pode haver cruzamento de circuitos e de géneros: não se pode cortar cebola na mesma mesa em que se fazem tostas mistas.
No frigorífico, tem de haver sempre uma caixa com uma etiqueta “produto não válido”, mesmo que esteja vazia.
Cada vez que se corta uma fatia de fiambre ou de queijo para uma sanduíche, tem de se colar uma etiqueta e inscrever a data e a hora dessa operação.
Não se pode guardar pão para, ao fim de vários dias, fazer torradas ou açorda.
Aproveitar outras sobras para confeccionar rissóis ou croquetes? Proibido.
Flores naturais nas mesas ou no balcão? Proibido. Têm de ser de plástico, papel ou tecido.
Torneiras de abrir e fechar à mão, como sempre se fizeram? Proibido. As torneiras nas cozinhas devem ser de abrir ao pé, ao cotovelo ou com célula fotoeléctrica.
As temperaturas do ambiente, no café, têm de ser medidas duas vezes por dia e devidamente registadas.
As temperaturas dos frigoríficos e das arcas têm de ser medidas três vezes por dia, registadas em folhas especiais e assinadas pelo funcionário certificado.
Usar colheres de pau para cozinhar, tratar da sopa ou dos fritos? Proibido. Tem de ser de plástico ou de aço.
Cortar tomate, couve, batata e outros legumes? Sim, pode ser. Desde que seja com facas de cores diferentes, em locais apropriados das mesas e das bancas, tendo o cuidado de fazer sempre uma etiqueta com a data e a hora do corte.
O dono do restaurante vai de vez em quando abastecer-se aos mercados e leva o seu próprio carro para transportar uns queijos, uns pacotes de leite e uns ovos? Proibido. Tem de ser em carros refrigerados.
Tudo isto, como é evidente, para nosso bem. Para proteger a nossa saúde. Para modernizar a economia. Para apostar no futuro. Para estarmos na linha da frente. E não tenhamos dúvidas: um dia destes, as brigadas vêm, com estas regras, fiscalizar e ordenar as nossas casas. Para nosso bem, pois claro.
publicado por armando ésse às 14:39

Novembro 26 2007
O sociólogo e cronista português António Barreto, tem uma crónica semanal no jornal PÚBLICO, intitulada o "Retrato da Semana". Esta é a crónica dele no Público de 25 de Novembro. Pela sua importância para o dia a dia de milhares de portugueses, fica aqui reproduzida na íntegra.
A meia dúzia de lavradores que comercializam directamente os seus produtos e que sobreviveram aos centros comerciais ou às grandes superfícies vai agora ser eliminada sumariamente. Os proprietários de restaurantes caseiros que sobram, e vivem no mesmo prédio em que trabalham, preparam-se, depois da chegada da “fast food”, para fechar portas e mudar de vida. Os cozinheiros que faziam a domicílio pratos e “petiscos”, a fim de os vender no café ao lado e que resistiram a toneladas de batatas fritas e de gordura reciclada, podem rezar as últimas orações. Todos os que cozinhavam em casa e forneciam diariamente, aos cafés e restaurantes do bairro, sopas, doces, compotas, rissóis e croquetes, podem sonhar com outros negócios. Os artesãos que comercializam produtos confeccionados à sua maneira vão ser liquidados.
A solução final vem aí. Com a lei, as políticas, as polícias, os inspectores, os fiscais, a imprensa e a televisão. Ninguém, deste velho mundo, sobrará. Quem não quer funcionar como uma empresa, quem não usa os computadores tão generosamente distribuídos pelo país, quem não aceita as receitas harmonizadas, quem recusa fornecer-se de produtos e matérias-primas industriais e quem não quer ser igual a toda a gente está condenado. Estes exércitos de liquidação são poderosíssimos: têm Estado-maior em Bruxelas e regulam-se pelas directivas europeias elaboradas pelos mais qualificados cientistas do mundo; organizam-se no governo nacional, sob tutela carismática do Ministro da Economia e da Inovação, Manuel Pinho; e agem através do pessoal da ASAE, a organização mais falada e odiada do país, mas certamente a mais amada pelas multinacionais da gordura, pelo cartel da ração e pelos impérios do açúcar.
Em frente à faculdade onde dou aulas, há dois ou três cafés onde os estudantes, nos intervalos, bebem uns copos, conversam, namoram e jogam às cartas ou ao dominó. Acabou! É proibido jogar!
Nas esplanadas, a partir de Janeiro, é proibido beber café em chávenas de louça, ou vinho, águas, refrigerantes e cerveja em copos de vidro. Tem de ser em copos de plástico.
Vender, nas praias ou nas romarias, bolas de Berlim ou pastéis de nata que não sejam industriais e embalados? Proibido.
Nas feiras e nos mercados, tanto em Lisboa e Porto, como em Vinhais ou Estremoz, os exércitos dos zeladores da nossa saúde e da nossa virtude fazem razias semanais e levam tudo quanto é artesanal: azeitonas, queijos, compotas, pão e enchidos.
Na província, um restaurante artesanal é gerido por uma família que tem, ao lado, a sua horta, donde retira produtos como alfaces, feijão verde, coentros, galinhas e ovos? Acabou. É proibido.Embrulhar castanhas assadas em papel de jornal? Proibido.
Trazer da terra, na estação, cerejas e morangos? Proibido.
Usar, na mesa do restaurante, um galheteiro para o azeite e o vinagre é proibido. Tem de ser garrafas especialmente preparadas.
Vender, no seu restaurante, produtos da sua quinta, azeite e azeitonas, alfaces e tomate, ovos e queijos, acabou. Está proibido.
Comprar um bolo-rei com fava e brinde porque os miúdos acham graça? Acabou. É proibido.
Ir a casa buscar duas folhas de alface, um prato de sopa e umas fatias de fiambre para servir uma refeição ligeira a um cliente apressado? Proibido.
Vender bolos, empadas, rissóis, merendas e croquetes caseiros é proibido. Só industriais.
É proibido ter pão congelado para uma emergência: só em arcas especiais e com fornos de descongelação especiais, aliás caríssimos.
Servir areias, biscoitos, queijinhos de amêndoa e brigadeiros feitos pela vizinha, uma excelente cozinheira que faz isto há trinta anos? Proibido.
As regras, cujo não cumprimento leva a multas pesadas e ao encerramento do estabelecimento, são tantas que centenas de páginas não chegam para as descrever.
Nas prateleiras, diante das garrafas de Coca-Cola e de vinho tinto tem de haver etiquetas a dizer Coca-Cola e vinho tinto.
Na cozinha, tem de haver uma faca de cor diferente para cada género.
Não pode haver cruzamento de circuitos e de géneros: não se pode cortar cebola na mesma mesa em que se fazem tostas mistas.
No frigorífico, tem de haver sempre uma caixa com uma etiqueta “produto não válido”, mesmo que esteja vazia.
Cada vez que se corta uma fatia de fiambre ou de queijo para uma sanduíche, tem de se colar uma etiqueta e inscrever a data e a hora dessa operação.
Não se pode guardar pão para, ao fim de vários dias, fazer torradas ou açorda.
Aproveitar outras sobras para confeccionar rissóis ou croquetes? Proibido.
Flores naturais nas mesas ou no balcão? Proibido. Têm de ser de plástico, papel ou tecido.
Torneiras de abrir e fechar à mão, como sempre se fizeram? Proibido. As torneiras nas cozinhas devem ser de abrir ao pé, ao cotovelo ou com célula fotoeléctrica.
As temperaturas do ambiente, no café, têm de ser medidas duas vezes por dia e devidamente registadas.
As temperaturas dos frigoríficos e das arcas têm de ser medidas três vezes por dia, registadas em folhas especiais e assinadas pelo funcionário certificado.
Usar colheres de pau para cozinhar, tratar da sopa ou dos fritos? Proibido. Tem de ser de plástico ou de aço.
Cortar tomate, couve, batata e outros legumes? Sim, pode ser. Desde que seja com facas de cores diferentes, em locais apropriados das mesas e das bancas, tendo o cuidado de fazer sempre uma etiqueta com a data e a hora do corte.
O dono do restaurante vai de vez em quando abastecer-se aos mercados e leva o seu próprio carro para transportar uns queijos, uns pacotes de leite e uns ovos? Proibido. Tem de ser em carros refrigerados.
Tudo isto, como é evidente, para nosso bem. Para proteger a nossa saúde. Para modernizar a economia. Para apostar no futuro. Para estarmos na linha da frente. E não tenhamos dúvidas: um dia destes, as brigadas vêm, com estas regras, fiscalizar e ordenar as nossas casas. Para nosso bem, pois claro.
publicado por armando ésse às 14:39

Novembro 25 2007

António dos Santos Ramalho Eanes, filho de Manuel dos Santos Eanes e Maria do Rosário Ramalho, nasceu em Alcains, concelho de Castelo Branco a 25 de Janeiro de 1935, no seio de uma família modesta, mas desafogada. A formação académica teve início em 1942, quando entra para o Liceu de Castelo Branco.
Após completar os estudos liceais, abandona o sonho de ser médico e segue a carreira militar entrando para o exército em 1952, onde concluiu, em 1956, o curso da Escola do Exército, sendo promovido a alferes no ano seguinte. Militar de carreira, foi sucessivamente promovido a: tenente (1959); capitão (1961); graduado a major (1970); major (1973); tenente-coronel (1974); coronel (1976); graduado general (1975) e general (1976).
Durante a guerra colonial prestou serviço no Estado Português da Índia (1958-1960) e em Macau (1962). Esteve também em Moçambique (1964 e 1966-1968), na Guiné (1969-1971) e em Angola (1971 até Abril de 1974).
Nomeado para a Comissão Ad-hoc para os Meios de Comunicação Social, foi director de programas e presidente do conselho de administração da RTP entre 1974 e 1975.No período conturbado que se seguiu à revolução de 25 de Abril de 1974, Ramalho Eanes comandou as operações militares de 25 de Novembro de 1975.
Ao longo de todo o Verão e começo do Outono de 1975, confrontaram-se duas concepções de modelo de sociedade para Portugal. Uma, de matriz europeia, sustentada numa democracia representativa; e uma segunda, importada da União Soviética, para a “sovietização” do país.
Os militares, no poder desde o 25 de Abril de 1974, dividiram-se entre os dois apelos e tornaram-se nos principais protagonistas de uma disputa que terminou com a vitória das forças moderadas, precisamente no dia 25 de Novembro de 1975, quando uma revolta iniciada por tropas pára-quedistas, que contariam, numa segunda fase, com o apoio de unidades do Exército e da Armada, foi sustida e derrotada. O detonador involuntário do 25 de Novembro foi Vasco Lourenço.
No dia 20 de Novembro tinha sido nomeado pelo Conselho da Revolução para comandante da Região Militar de Lisboa. A sua nomeação foi prontamente contestada pelos sectores político-militares influenciados quer pelo PCP quer pela extrema-esquerda. Posto em causa, o então capitão, exigiu ser reconfirmado, o que sucedeu na reunião de 24 de Novembro do Conselho da Revolução. Sem demora e sem formalidades, Vasco Lourenço tomou posse do cargo na manhã de 25 e instalou-se no Palácio de Belém.
Nesta altura, durante a madrugada, já os pára-quedistas da Base Escola de Tancos, tinham ocupado o Comando da Região Aérea de Monsanto e seis bases aéreas, na sequência de uma decisão do General Morais da Silva, CEMFA, que dias antes tinha mandado passar à disponibilidade cerca de 1000 pára-quedistas de Tancos. Detêm o general Pinho Freire e exigem a demissão de Morais da Silva.
O golpe estava na rua, logo de seguida o contra-golpe estaria em marcha.Este acto é considerado pelos militares ligados ao Grupo dos Nove, (grupo militar liderado por Ramalho Eanes e composto por Garcia dos Santos, Gabriel Teixeira, Rocha Vieira, Loureiro dos Santos, Aurélio Trindade, Tomé Pinto, José Pimentel e José Manuel Barroco), como o indício de um golpe de estado vindo de sectores mais radicais, da esquerda.
Esses militares apoiados pelos partidos políticos moderados PS e PPD, depois do Presidente da República, General Francisco da Costa Gomes ter obtido por parte do PCP a confirmação de que não convocaria os seus militantes e apoiantes para qualquer acção de rua, decidem então intervir militarmente para controlar inequivocamente o destino político do país, recorrendo às poucas forças verdadeiramente operacionais de que o país dispunha, ou seja, o Regimento de Comandos da Amadora, comandado pelo então coronel Jaime Neves; a Força Aérea, que deslocou para a Base de Cortegaça os principais meios, a Região Militar do Norte, comandada pelo então brigadeiro Pires Veloso, que enviou para Lisboa três companhias.
Os focos de resistência foram sendo neutralizados ao longo do dia sem grande oposição dos revoltosos, verificando-se um confronto armado apenas na calçada de acesso ao Regimento de Polícia Militar, em Lisboa, em que morreram dois militares do Regimento de Comandos - o tenente José Coimbra e o aspirante José Ascenso. Testemunhos da época garantem que foram baleados pelas costas por civis armados. Na troca de tiros, foi também atingido mortalmente o furriel Joaquim Pires.
Numa mensagem ao país, feita pelo telefone e transmitida através dos estúdios do Porto da Emissora Nacional, cerca das 22 horas, o presidente da República decretou estado de sítio parcial na região de Lisboa, uma medida que restringia o direito de liberdade de reunião. Os bancos encerraram e os jornais de Lisboa não se publicaram. No resto do país, a situação foi sempre menos tensa. A emissão da RTP passou igualmente a ser assegurada do Porto, depois de uma tentativa de um dos revoltosos em falar ao país, a pedir apoio para os revoltosos.
O clima de radicalização inerente ao PREC , chegou ao fim com o 25 de Novembro de 1975, o dia em que o país esteve a um pequeno passo da guerra civil.
O 25 de Novembro trouxe a Ramalho Eanes um grande prestígio. Nomeado Chefe do Estado-Maior do Exército nesse mesmo mês, manteve-se no cargo até 1976, para logo de seguida ocupar o de chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas até 1981.
Devido ao seu desempenho, Ramalho Eanes facilmente reuniu em torno da sua candidatura a presidente da República, em 1976, o apoio de três dos quatro partidos principais de então: o Partido Socialista (PS), o Partido Social Democrata (PSD) e o Centro Democrático Social (CDS).
Sá Carneiro e o PPD anunciaram o apoio a 28 de Abril e o PS a 12 de Maio, dois dias antes da apresentação da candidatura. Ramalho Eanes era o candidato presidencial dos que defendiam o fim do PREC (processo revolucionário em curso), batendo-se, sobretudo, contra Otelo Saraiva de Carvalho e Octávio Pato.
A garantia de estabilidade e segurança que representava, depois de momentos tão agitados na história política portuguesa, garantiu-lhe a vitória, com 61,6% dos votos. Após a vitória, fez a declaração que os seus sucessores adoptaram, no discurso de vitória: "Sou Presidente de todos os portugueses".
Ao longo do primeiro mandato, empossou um governo minoritário do PS, outro de coligação do PS com o CDS e três de iniciativa presidencial. Acusando-o de deriva esquerdista, Sá Carneiro cria a AD e proclama a máxima "uma maioria, um Governo, um Presidente".
Entretanto, na conferência de Imprensa da apresentação da sua recandidatura, Eanes tenta "namorar" o eleitorado da AD, quando já tinha o apoio expresso do PS e tácito do PCP. No entanto a AD, apresenta o seu candidato, o General Soares Carneiro. Mário Soares, abrindo a crise com o Secretariado, que iria repercutir-se na história do partido, ao não conseguir convencer o PS, retira-lhe o seu apoio pessoal.
Ramalho Eanes venceria as eleições presidenciais de 1980, à primeira volta, com 56,44% do eleitorado, derrotando o General Soares Carneiro, que recebeu 40,23% dos votos.
Em 1985, impulsionou a criação de um novo partido, o PRD (Partido Renovador Democrático), chefiado a princípio por Hermínio Martinho, mas do qual ele próprio veio a assumir a liderança, entre 1986 e 1987. O PRD alcançou 17,9% dos votos nas eleições legislativas de 1985, a primeira vez que participou nas eleições para a Assembleia, tornando-se o terceiro partido a seguir ao PSD e ao PS.
Em 1987, a aprovação de uma moção de censura, apresentada pelo PRD na Assembleia, provocou a queda do governo minoritário do PSD. O presidente Mário Soares convocou eleições em que o PRD não passou dos 4,9%. Mais tarde, nas eleições de 1991, já dirigido por Pedro Canavarro, o PRD perdeu a representação parlamentar.
Ramalho Eanes é General de quatro estrelas desde 1978 e passou à reserva em Maio de 1986.
Recebeu vários louvores e condecorações militares, entre os quais a Cruz de Guerra e a Medalha de Prata de Serviços Distintos com Palma. Detém ainda a Ordem da Torre e Espada. Actualmente, é por inerência (como todos os Presidentes, que tenham já cumprido os seus mandatos, e tenham sido eleitos na vigência da actual Constituição) conselheiro de Estado vitalício (desde 18.3.1986). Em 2000, Ramalho Eanes recusou, por razões ético-políticas, a promoção a Marechal.
No dia 15 de Novembro de 2006, o General António Ramalho Eanes, defendeu a sua tese de Doutoramento em Ciência Política, intitulada Sociedade Civil e Poder Político em Portugal, na Universidade de Navarra, em Pamplona. O ex-presidente da República foi aprovado por unanimidade e com nota máxima ‘Suma cum laude’ nesta prova de doutoramento. Fonte principal, página oficial da Presidência da República e DN.
publicado por armando ésse às 10:19
Tags:

Novembro 25 2007

António dos Santos Ramalho Eanes, filho de Manuel dos Santos Eanes e Maria do Rosário Ramalho, nasceu em Alcains, concelho de Castelo Branco a 25 de Janeiro de 1935, no seio de uma família modesta, mas desafogada. A formação académica teve início em 1942, quando entra para o Liceu de Castelo Branco.
Após completar os estudos liceais, abandona o sonho de ser médico e segue a carreira militar entrando para o exército em 1952, onde concluiu, em 1956, o curso da Escola do Exército, sendo promovido a alferes no ano seguinte. Militar de carreira, foi sucessivamente promovido a: tenente (1959); capitão (1961); graduado a major (1970); major (1973); tenente-coronel (1974); coronel (1976); graduado general (1975) e general (1976).
Durante a guerra colonial prestou serviço no Estado Português da Índia (1958-1960) e em Macau (1962). Esteve também em Moçambique (1964 e 1966-1968), na Guiné (1969-1971) e em Angola (1971 até Abril de 1974).
Nomeado para a Comissão Ad-hoc para os Meios de Comunicação Social, foi director de programas e presidente do conselho de administração da RTP entre 1974 e 1975.No período conturbado que se seguiu à revolução de 25 de Abril de 1974, Ramalho Eanes comandou as operações militares de 25 de Novembro de 1975.
Ao longo de todo o Verão e começo do Outono de 1975, confrontaram-se duas concepções de modelo de sociedade para Portugal. Uma, de matriz europeia, sustentada numa democracia representativa; e uma segunda, importada da União Soviética, para a “sovietização” do país.
Os militares, no poder desde o 25 de Abril de 1974, dividiram-se entre os dois apelos e tornaram-se nos principais protagonistas de uma disputa que terminou com a vitória das forças moderadas, precisamente no dia 25 de Novembro de 1975, quando uma revolta iniciada por tropas pára-quedistas, que contariam, numa segunda fase, com o apoio de unidades do Exército e da Armada, foi sustida e derrotada. O detonador involuntário do 25 de Novembro foi Vasco Lourenço.
No dia 20 de Novembro tinha sido nomeado pelo Conselho da Revolução para comandante da Região Militar de Lisboa. A sua nomeação foi prontamente contestada pelos sectores político-militares influenciados quer pelo PCP quer pela extrema-esquerda. Posto em causa, o então capitão, exigiu ser reconfirmado, o que sucedeu na reunião de 24 de Novembro do Conselho da Revolução. Sem demora e sem formalidades, Vasco Lourenço tomou posse do cargo na manhã de 25 e instalou-se no Palácio de Belém.
Nesta altura, durante a madrugada, já os pára-quedistas da Base Escola de Tancos, tinham ocupado o Comando da Região Aérea de Monsanto e seis bases aéreas, na sequência de uma decisão do General Morais da Silva, CEMFA, que dias antes tinha mandado passar à disponibilidade cerca de 1000 pára-quedistas de Tancos. Detêm o general Pinho Freire e exigem a demissão de Morais da Silva.
O golpe estava na rua, logo de seguida o contra-golpe estaria em marcha.Este acto é considerado pelos militares ligados ao Grupo dos Nove, (grupo militar liderado por Ramalho Eanes e composto por Garcia dos Santos, Gabriel Teixeira, Rocha Vieira, Loureiro dos Santos, Aurélio Trindade, Tomé Pinto, José Pimentel e José Manuel Barroco), como o indício de um golpe de estado vindo de sectores mais radicais, da esquerda.
Esses militares apoiados pelos partidos políticos moderados PS e PPD, depois do Presidente da República, General Francisco da Costa Gomes ter obtido por parte do PCP a confirmação de que não convocaria os seus militantes e apoiantes para qualquer acção de rua, decidem então intervir militarmente para controlar inequivocamente o destino político do país, recorrendo às poucas forças verdadeiramente operacionais de que o país dispunha, ou seja, o Regimento de Comandos da Amadora, comandado pelo então coronel Jaime Neves; a Força Aérea, que deslocou para a Base de Cortegaça os principais meios, a Região Militar do Norte, comandada pelo então brigadeiro Pires Veloso, que enviou para Lisboa três companhias.
Os focos de resistência foram sendo neutralizados ao longo do dia sem grande oposição dos revoltosos, verificando-se um confronto armado apenas na calçada de acesso ao Regimento de Polícia Militar, em Lisboa, em que morreram dois militares do Regimento de Comandos - o tenente José Coimbra e o aspirante José Ascenso. Testemunhos da época garantem que foram baleados pelas costas por civis armados. Na troca de tiros, foi também atingido mortalmente o furriel Joaquim Pires.
Numa mensagem ao país, feita pelo telefone e transmitida através dos estúdios do Porto da Emissora Nacional, cerca das 22 horas, o presidente da República decretou estado de sítio parcial na região de Lisboa, uma medida que restringia o direito de liberdade de reunião. Os bancos encerraram e os jornais de Lisboa não se publicaram. No resto do país, a situação foi sempre menos tensa. A emissão da RTP passou igualmente a ser assegurada do Porto, depois de uma tentativa de um dos revoltosos em falar ao país, a pedir apoio para os revoltosos.
O clima de radicalização inerente ao PREC , chegou ao fim com o 25 de Novembro de 1975, o dia em que o país esteve a um pequeno passo da guerra civil.
O 25 de Novembro trouxe a Ramalho Eanes um grande prestígio. Nomeado Chefe do Estado-Maior do Exército nesse mesmo mês, manteve-se no cargo até 1976, para logo de seguida ocupar o de chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas até 1981.
Devido ao seu desempenho, Ramalho Eanes facilmente reuniu em torno da sua candidatura a presidente da República, em 1976, o apoio de três dos quatro partidos principais de então: o Partido Socialista (PS), o Partido Social Democrata (PSD) e o Centro Democrático Social (CDS).
Sá Carneiro e o PPD anunciaram o apoio a 28 de Abril e o PS a 12 de Maio, dois dias antes da apresentação da candidatura. Ramalho Eanes era o candidato presidencial dos que defendiam o fim do PREC (processo revolucionário em curso), batendo-se, sobretudo, contra Otelo Saraiva de Carvalho e Octávio Pato.
A garantia de estabilidade e segurança que representava, depois de momentos tão agitados na história política portuguesa, garantiu-lhe a vitória, com 61,6% dos votos. Após a vitória, fez a declaração que os seus sucessores adoptaram, no discurso de vitória: "Sou Presidente de todos os portugueses".
Ao longo do primeiro mandato, empossou um governo minoritário do PS, outro de coligação do PS com o CDS e três de iniciativa presidencial. Acusando-o de deriva esquerdista, Sá Carneiro cria a AD e proclama a máxima "uma maioria, um Governo, um Presidente".
Entretanto, na conferência de Imprensa da apresentação da sua recandidatura, Eanes tenta "namorar" o eleitorado da AD, quando já tinha o apoio expresso do PS e tácito do PCP. No entanto a AD, apresenta o seu candidato, o General Soares Carneiro. Mário Soares, abrindo a crise com o Secretariado, que iria repercutir-se na história do partido, ao não conseguir convencer o PS, retira-lhe o seu apoio pessoal.
Ramalho Eanes venceria as eleições presidenciais de 1980, à primeira volta, com 56,44% do eleitorado, derrotando o General Soares Carneiro, que recebeu 40,23% dos votos.
Em 1985, impulsionou a criação de um novo partido, o PRD (Partido Renovador Democrático), chefiado a princípio por Hermínio Martinho, mas do qual ele próprio veio a assumir a liderança, entre 1986 e 1987. O PRD alcançou 17,9% dos votos nas eleições legislativas de 1985, a primeira vez que participou nas eleições para a Assembleia, tornando-se o terceiro partido a seguir ao PSD e ao PS.
Em 1987, a aprovação de uma moção de censura, apresentada pelo PRD na Assembleia, provocou a queda do governo minoritário do PSD. O presidente Mário Soares convocou eleições em que o PRD não passou dos 4,9%. Mais tarde, nas eleições de 1991, já dirigido por Pedro Canavarro, o PRD perdeu a representação parlamentar.
Ramalho Eanes é General de quatro estrelas desde 1978 e passou à reserva em Maio de 1986.
Recebeu vários louvores e condecorações militares, entre os quais a Cruz de Guerra e a Medalha de Prata de Serviços Distintos com Palma. Detém ainda a Ordem da Torre e Espada. Actualmente, é por inerência (como todos os Presidentes, que tenham já cumprido os seus mandatos, e tenham sido eleitos na vigência da actual Constituição) conselheiro de Estado vitalício (desde 18.3.1986). Em 2000, Ramalho Eanes recusou, por razões ético-políticas, a promoção a Marechal.
No dia 15 de Novembro de 2006, o General António Ramalho Eanes, defendeu a sua tese de Doutoramento em Ciência Política, intitulada Sociedade Civil e Poder Político em Portugal, na Universidade de Navarra, em Pamplona. O ex-presidente da República foi aprovado por unanimidade e com nota máxima ‘Suma cum laude’ nesta prova de doutoramento. Fonte principal, página oficial da Presidência da República e DN.
publicado por armando ésse às 10:19
Tags:

Novembro 22 2007

Luiz Felipe Scolari nasceu a 9 de Novembro de 1948, em Passo Fundo, no Estado brasileiro do Rio Grande do Sul. Apelidado de “Felipão” pelos seus compatriotas, Scolari iniciou a sua carreira desportiva aos 19 anos, como defesa central da equipa Aymoré, de São Leopoldo, seguindo os passos do seu pai, Benjamim Scolari, um dos melhores defesas centrais brasileiros da época.
A carreira de Scolari enquanto jogador foi marcada pela sua forte presença, distinguindo-se pelo espírito de liderança, nunca sendo um jogador tecnicamente muito dotado, foi, no entanto, consistentemente titular e capitão das equipas em que jogou.
Após a sua estreia no Aymoré, Scolari, transferiu-se em 1973 para o Caxias, clube de maior importância, em que haveria de permanecer durante sete anos. Passou, ainda, pelos clubes Juventude, Novo Hamburgo e, finalmente, CSA, de Alagoas, clube que assistiu ao fim da sua carreira enquanto jogador, em 1982, e que o acolheu na sua primeira experiência enquanto treinador. Entretanto formou-se em Educação Física na Universidade de Porto Alegre, com especialização em futebol e voleibol.
No início da sua carreira como treinador, conseguiu alguma notoriedade à frente do Grêmio Esportivo Brasil, conseguindo o título de Campeão do Interior do Rio Grande do Sul e o segundo lugar no Campeonato Gaúcho. Após passar pelo Al Sabbab, na Arábia Saudita, Scolari treinou o Criciúma, clube com o qual conquistou o seu primeiro título nacional, a Copa do Brasil de 1991.
Em 1993, iniciou um percurso triunfante de quatro anos durante os quais alcançou Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, Taça dos Libertadores, Recopa Sul Americana, Taça Mercosul à frente do plantel do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.
Em 1997, foi convidado para treinar o Palmeiras e, durante a sua permanência neste clube, conquistou, novamente, tanto o título nacional como a Copa dos Libertadores da América. Após uma breve passagem pelo Cruzeiro, Luiz Felipe Soclari tornou-se o treinador da selecção brasileira em 2001, pegando no «escrete» numa fase difícil na qual até o apuramento para o Mundial da Coreia e do Japão parecia posto em causa. O seu carisma impôs-se e Luiz Filipe Scolari tornou o Brasil Penta Campeão Mundial, em 2002.
Luiz Felipe Scolari foi por duas vezes considerado o melhor treinador da América do Sul, em 1999 e 2002, e nesse mesmo ano, recebeu o Prémio de Melhor Treinador do Mundo.
Luiz Felipe Scolari foi o seleccionador escolhido para assumir o comando técnico da equipa portuguesa depois do desaire lusitano no Mundial de 2002, na Coreia. "Felipão" chegou a Portugal em fins de 2002 com o título mundial como maior trunfo do seu currículo e conseguiu que a selecção portuguesa se sagrasse vice-campeã no Euro 2004, do qual Portugal foi o país anfitrião.
Neste Campeonato Europeu, Portugal conseguiu a sua melhor classificação de sempre, tendo chegado à final, onde perdeu contra a Grécia, a única equipa que venceu, por duas vezes, a selecção nacional.
Em 2006, após uma magnífica fase de apuramento, Luiz Felipe Scolari, leva a Selecção Portuguesa às meias-finais do Mundial, onde Portugal acabou por ser afastado da final pela França. Na disputa do terceiro e quarto classificados, Portugal voltou a perder, desta vez com Alemanha, o que não invalidou, de ter sido considerada uma excelente classificação, o meritório quarto lugar.
Neste Campeonato do Mundo, Luiz Felipe Scolari tornou-se o primeiro treinador da história dos Mundiais a obter 11 vitórias consecutivas: sete pelo “Escrete” durante o Mundial da Coreia - Japão, em 2002, e quatro “pela Selecção das Quinas” no Mundial da Alemanha.
No decorrer da fase de apuramento para o Euro 2008, Luiz Felipe Scolari, esteve momentaneamente ausente do banco da selecção portuguesa. Em 12 de Setembro de 2007, no fim do jogo Portugal - Sérvia, para a fase de apuramento do Euro 2008, a realizar-se na Aústria e Suiça, na sequência de um incidente com o defesa sérvio Dragutinovic, uma tentativa de agressão de Scolari, a Comissão de Controlo e Disciplina da UEFA puniu o treinador da selecçaõ nacional com três jogos de suspensão e 12.000 euros de multa.
Este castigo impediu Felipe Scolari de se sentar no banco em três importantes jogos de apuramento para o Euro 2008 – visitas ao Azerbaijão e Cazaquistão (13 e 17 de Outubro 2007) e na recepção à Arménia (17 de Novembro 2007).
No último jogo da fase de apuramento, entre a Selecçaõ Portuguesa e a Finlândia, realizado em 21 de Novembro de 2007, no Estádio do Dragão, no Porto, Luiz Felipe Scolari, comandou a Selecção das Quinas, a mais um apuramento para a fase final do Campeonato da Europa de Futebol. Portugal terminou em segundo lugar no seu grupo atrás da Polónia, somando vinte sete pontos, menos dois que o primeiro classificado. Este apuramento, foi a quarta classificação consecutiva de Portugal para Europeu e a quinta em todo o seu historial.
Depois de uma carreira inteiramente ligada ao desporto-rei, Luiz Felipe Scolari tornou-se um treinador de topo a nível internacional. Excelente condutor de homens e metódico, Luiz Felipe Scolari, deixa trabalho feito por onde passa. Com fama de duro e disciplinador dentro do grupo de trabalho, é paradoxalmente, idolatrado por jogadores, colaboradores e mesmos dirigentes. Primeiro defensor dos jogadores, não se coíbe a ter querelas públicas com jornalistas ou dirigentes de clubes, se para tal for necessário. Figura polémica para uns e incontestada para outros, "Felipão" é, na realidade, um dos melhores treinadores do mundo.
publicado por armando ésse às 11:41
Tags:

Novembro 22 2007

Luiz Felipe Scolari nasceu a 9 de Novembro de 1948, em Passo Fundo, no Estado brasileiro do Rio Grande do Sul. Apelidado de “Felipão” pelos seus compatriotas, Scolari iniciou a sua carreira desportiva aos 19 anos, como defesa central da equipa Aymoré, de São Leopoldo, seguindo os passos do seu pai, Benjamim Scolari, um dos melhores defesas centrais brasileiros da época.
A carreira de Scolari enquanto jogador foi marcada pela sua forte presença, distinguindo-se pelo espírito de liderança, nunca sendo um jogador tecnicamente muito dotado, foi, no entanto, consistentemente titular e capitão das equipas em que jogou.
Após a sua estreia no Aymoré, Scolari, transferiu-se em 1973 para o Caxias, clube de maior importância, em que haveria de permanecer durante sete anos. Passou, ainda, pelos clubes Juventude, Novo Hamburgo e, finalmente, CSA, de Alagoas, clube que assistiu ao fim da sua carreira enquanto jogador, em 1982, e que o acolheu na sua primeira experiência enquanto treinador. Entretanto formou-se em Educação Física na Universidade de Porto Alegre, com especialização em futebol e voleibol.
No início da sua carreira como treinador, conseguiu alguma notoriedade à frente do Grêmio Esportivo Brasil, conseguindo o título de Campeão do Interior do Rio Grande do Sul e o segundo lugar no Campeonato Gaúcho. Após passar pelo Al Sabbab, na Arábia Saudita, Scolari treinou o Criciúma, clube com o qual conquistou o seu primeiro título nacional, a Copa do Brasil de 1991.
Em 1993, iniciou um percurso triunfante de quatro anos durante os quais alcançou Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, Taça dos Libertadores, Recopa Sul Americana, Taça Mercosul à frente do plantel do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.
Em 1997, foi convidado para treinar o Palmeiras e, durante a sua permanência neste clube, conquistou, novamente, tanto o título nacional como a Copa dos Libertadores da América. Após uma breve passagem pelo Cruzeiro, Luiz Felipe Soclari tornou-se o treinador da selecção brasileira em 2001, pegando no «escrete» numa fase difícil na qual até o apuramento para o Mundial da Coreia e do Japão parecia posto em causa. O seu carisma impôs-se e Luiz Filipe Scolari tornou o Brasil Penta Campeão Mundial, em 2002.
Luiz Felipe Scolari foi por duas vezes considerado o melhor treinador da América do Sul, em 1999 e 2002, e nesse mesmo ano, recebeu o Prémio de Melhor Treinador do Mundo.
Luiz Felipe Scolari foi o seleccionador escolhido para assumir o comando técnico da equipa portuguesa depois do desaire lusitano no Mundial de 2002, na Coreia. "Felipão" chegou a Portugal em fins de 2002 com o título mundial como maior trunfo do seu currículo e conseguiu que a selecção portuguesa se sagrasse vice-campeã no Euro 2004, do qual Portugal foi o país anfitrião.
Neste Campeonato Europeu, Portugal conseguiu a sua melhor classificação de sempre, tendo chegado à final, onde perdeu contra a Grécia, a única equipa que venceu, por duas vezes, a selecção nacional.
Em 2006, após uma magnífica fase de apuramento, Luiz Felipe Scolari, leva a Selecção Portuguesa às meias-finais do Mundial, onde Portugal acabou por ser afastado da final pela França. Na disputa do terceiro e quarto classificados, Portugal voltou a perder, desta vez com Alemanha, o que não invalidou, de ter sido considerada uma excelente classificação, o meritório quarto lugar.
Neste Campeonato do Mundo, Luiz Felipe Scolari tornou-se o primeiro treinador da história dos Mundiais a obter 11 vitórias consecutivas: sete pelo “Escrete” durante o Mundial da Coreia - Japão, em 2002, e quatro “pela Selecção das Quinas” no Mundial da Alemanha.
No decorrer da fase de apuramento para o Euro 2008, Luiz Felipe Scolari, esteve momentaneamente ausente do banco da selecção portuguesa. Em 12 de Setembro de 2007, no fim do jogo Portugal - Sérvia, para a fase de apuramento do Euro 2008, a realizar-se na Aústria e Suiça, na sequência de um incidente com o defesa sérvio Dragutinovic, uma tentativa de agressão de Scolari, a Comissão de Controlo e Disciplina da UEFA puniu o treinador da selecçaõ nacional com três jogos de suspensão e 12.000 euros de multa.
Este castigo impediu Felipe Scolari de se sentar no banco em três importantes jogos de apuramento para o Euro 2008 – visitas ao Azerbaijão e Cazaquistão (13 e 17 de Outubro 2007) e na recepção à Arménia (17 de Novembro 2007).
No último jogo da fase de apuramento, entre a Selecçaõ Portuguesa e a Finlândia, realizado em 21 de Novembro de 2007, no Estádio do Dragão, no Porto, Luiz Felipe Scolari, comandou a Selecção das Quinas, a mais um apuramento para a fase final do Campeonato da Europa de Futebol. Portugal terminou em segundo lugar no seu grupo atrás da Polónia, somando vinte sete pontos, menos dois que o primeiro classificado. Este apuramento, foi a quarta classificação consecutiva de Portugal para Europeu e a quinta em todo o seu historial.
Depois de uma carreira inteiramente ligada ao desporto-rei, Luiz Felipe Scolari tornou-se um treinador de topo a nível internacional. Excelente condutor de homens e metódico, Luiz Felipe Scolari, deixa trabalho feito por onde passa. Com fama de duro e disciplinador dentro do grupo de trabalho, é paradoxalmente, idolatrado por jogadores, colaboradores e mesmos dirigentes. Primeiro defensor dos jogadores, não se coíbe a ter querelas públicas com jornalistas ou dirigentes de clubes, se para tal for necessário. Figura polémica para uns e incontestada para outros, "Felipão" é, na realidade, um dos melhores treinadores do mundo.
publicado por armando ésse às 11:41
Tags:

Novembro 22 2007
O seleccionador português de futebol abandonou ontem energicamente a sala de imprensa do estádio do Dragão, depois de ter conseguido a qualificação para o Euro2008, e repudiou todas as críticas feitas pela comunicação social nos últimos jogos. “Portugal consegue a qualificação e o burro sou eu? O ruim sou eu? E Portugal qualificou onde? Na baía das almas? Ou vocês estão mal acostumados ou então não sei”, atirou Luiz Felipe Scolari, visivelmente irritado com as perguntas dos jornalistas.
O seleccionador explicou que Portugal esteve 11 jogos sem perder, conseguiu nova qualificação num “grupo complicado” e fez hoje, no empate com a Finlândia, uma “exibição boa” dentro daquilo que tinham planeado. “Porque não fizemos nenhum golo? Se não estivesse lá o guarda-redes, se calhar teríamos feito. Não percebo como vocês dizem que a Finlândia é ruim, a Sérvia é ruim, a Polónia é ruim ou a Bélgica é ruim. Mas pronto, acho que fomos maus. Se querem, fomos maus. Peço desculpa, mas não preciso de estar aqui”, voltou a responder Scolari.
O seleccionador, que conseguiu estar presente na final do Europeu de 2004 e atingiu o quarto lugar no Mundial da Alemanha em 2006 ao serviço de Portugal explicou que é sempre “preciso sofrer para atingir qualquer qualificação” e aplaudiu o comportamento dos jogadores e também do público que lotou o Dragão.
“Pelo amor de Deus, vou-me sentir desiludido por me qualificar? Eu estou é muito feliz. Alguns entendiam que a torcida do Porto não nos apoiava, mas hoje deram um grande exemplo. Foram espectaculares, como são sempre. Este foi o melhor estádio, pelo público, que jogámos nos últimos três anos. Será que vocês não conseguem ver nada de bom naquilo que nós fazemos?”.
Luiz Felipe Scolari questionou ainda os jornalistas: “Será que só tem porcaria e ruindade no nosso trabalho?”. Sobre o jogo, o treinador brasileiro explicou que Portugal conseguiu uma “exibição muito boa” dentro daquilo que estava planeado e lembrou que não poderia atacar-se muito, já que um “erro poderia ser fatal”. “Tivemos algumas precauções, é certo. Mas criámos muitas oportunidades de golo, ainda que não tantas como em outras ocasiões. Mas sabíamos que seria preciso sofrer. Agora, Portugal tem-se qualificado desde 1996, mas temos de perceber que a selecção sofreu uma reformulação e tivemos muitas lesões”, explicou também.
Luiz Felipe Scolari saudou ainda o primeiro jogo de Pepe – “óptima estreia, com óptima personalidade” - e justificou algumas alterações feitas no “onze” base.
“Estava a chover e o campo estava pesado. Depois, a Finlândia tem oito jogadores muito altos e que batalham muito. Contra a Arménia abrimos o meio-campo e foi por isso que o seleccionador da Finlândia mudou a equipa. Mas porque me massacram a mim e não ao treinador finlandês. Eles fizeram alguma coisa?”.
Antes de abandonar a sala, Luiz Felipe Scolari afirmou ainda que faz “mais por Portugal do que alguma vez” fez pelo Brasil, seu país Natal. “Ninguém me defendeu. Eu faço mais por Portugal do que alguma vez fiz pelo Brasil. Não compreendo”, concluiu.
publicado por armando ésse às 09:48
Tags:

Novembro 22 2007
O seleccionador português de futebol abandonou ontem energicamente a sala de imprensa do estádio do Dragão, depois de ter conseguido a qualificação para o Euro2008, e repudiou todas as críticas feitas pela comunicação social nos últimos jogos. “Portugal consegue a qualificação e o burro sou eu? O ruim sou eu? E Portugal qualificou onde? Na baía das almas? Ou vocês estão mal acostumados ou então não sei”, atirou Luiz Felipe Scolari, visivelmente irritado com as perguntas dos jornalistas.
O seleccionador explicou que Portugal esteve 11 jogos sem perder, conseguiu nova qualificação num “grupo complicado” e fez hoje, no empate com a Finlândia, uma “exibição boa” dentro daquilo que tinham planeado. “Porque não fizemos nenhum golo? Se não estivesse lá o guarda-redes, se calhar teríamos feito. Não percebo como vocês dizem que a Finlândia é ruim, a Sérvia é ruim, a Polónia é ruim ou a Bélgica é ruim. Mas pronto, acho que fomos maus. Se querem, fomos maus. Peço desculpa, mas não preciso de estar aqui”, voltou a responder Scolari.
O seleccionador, que conseguiu estar presente na final do Europeu de 2004 e atingiu o quarto lugar no Mundial da Alemanha em 2006 ao serviço de Portugal explicou que é sempre “preciso sofrer para atingir qualquer qualificação” e aplaudiu o comportamento dos jogadores e também do público que lotou o Dragão.
“Pelo amor de Deus, vou-me sentir desiludido por me qualificar? Eu estou é muito feliz. Alguns entendiam que a torcida do Porto não nos apoiava, mas hoje deram um grande exemplo. Foram espectaculares, como são sempre. Este foi o melhor estádio, pelo público, que jogámos nos últimos três anos. Será que vocês não conseguem ver nada de bom naquilo que nós fazemos?”.
Luiz Felipe Scolari questionou ainda os jornalistas: “Será que só tem porcaria e ruindade no nosso trabalho?”. Sobre o jogo, o treinador brasileiro explicou que Portugal conseguiu uma “exibição muito boa” dentro daquilo que estava planeado e lembrou que não poderia atacar-se muito, já que um “erro poderia ser fatal”. “Tivemos algumas precauções, é certo. Mas criámos muitas oportunidades de golo, ainda que não tantas como em outras ocasiões. Mas sabíamos que seria preciso sofrer. Agora, Portugal tem-se qualificado desde 1996, mas temos de perceber que a selecção sofreu uma reformulação e tivemos muitas lesões”, explicou também.
Luiz Felipe Scolari saudou ainda o primeiro jogo de Pepe – “óptima estreia, com óptima personalidade” - e justificou algumas alterações feitas no “onze” base.
“Estava a chover e o campo estava pesado. Depois, a Finlândia tem oito jogadores muito altos e que batalham muito. Contra a Arménia abrimos o meio-campo e foi por isso que o seleccionador da Finlândia mudou a equipa. Mas porque me massacram a mim e não ao treinador finlandês. Eles fizeram alguma coisa?”.
Antes de abandonar a sala, Luiz Felipe Scolari afirmou ainda que faz “mais por Portugal do que alguma vez” fez pelo Brasil, seu país Natal. “Ninguém me defendeu. Eu faço mais por Portugal do que alguma vez fiz pelo Brasil. Não compreendo”, concluiu.
publicado por armando ésse às 09:48
Tags:

Novembro 22 2007

A Selecção portuguesa empatou, sem golos, com a Finlândia e garantiu o apuramento para o Europeu de 2008, organizado pela Áustria e Suíça, em jogo disputado no Estádio do Dragão, no Porto.
Portugal necessitava apenas de um empate, e para sofrimento dos portugueses foi exactamente isso que aconteceu. Noventa minutos de sofrimento, mas valeu a pena sofrer. Com este apuramento, a Selecção Nacional vai estar pela quinta vez na fase final de um Campeonato da Europa, a quarta consecutiva.
Dia: 21 de Novembro 2007
Estádio do Dragão, no Porto
Árbitros: Lubos Michel (Eslováquia), Roman Slysko e Roman Csabay.
Treinador: Luiz Felipe Scolari
PORTUGAL – Ricardo; Bosingwa, Pepe, Bruno Alves e Caneira; Fernando Meira, Maniche (Raul Meireles, 72 m) e Miguel Veloso; Ricardo Quaresma (Nani, 84 m), Nuno Gomes (Makukula, 76 m) e Cristiano Ronaldo.
Treinador: Roy Hodgson
FINLÂNDIA – Jasaslelainen; Pasanen, Hyypia, Tihinen e Kallio; Kolkka (Johansson, 74 m), Tainio (Yeremenko, 68 m) Heikkinen e Sjolund; Forssell e Litmanen (Vavrynen, 67 m).
Resultado final: 0-0
Cartão amarelo a Sjolund, Hyypia, Forssell, Caneira, Pasanen e Makukula.
publicado por armando ésse às 09:37
Tags:

Novembro 22 2007

A Selecção portuguesa empatou, sem golos, com a Finlândia e garantiu o apuramento para o Europeu de 2008, organizado pela Áustria e Suíça, em jogo disputado no Estádio do Dragão, no Porto.
Portugal necessitava apenas de um empate, e para sofrimento dos portugueses foi exactamente isso que aconteceu. Noventa minutos de sofrimento, mas valeu a pena sofrer. Com este apuramento, a Selecção Nacional vai estar pela quinta vez na fase final de um Campeonato da Europa, a quarta consecutiva.
Dia: 21 de Novembro 2007
Estádio do Dragão, no Porto
Árbitros: Lubos Michel (Eslováquia), Roman Slysko e Roman Csabay.
Treinador: Luiz Felipe Scolari
PORTUGAL – Ricardo; Bosingwa, Pepe, Bruno Alves e Caneira; Fernando Meira, Maniche (Raul Meireles, 72 m) e Miguel Veloso; Ricardo Quaresma (Nani, 84 m), Nuno Gomes (Makukula, 76 m) e Cristiano Ronaldo.
Treinador: Roy Hodgson
FINLÂNDIA – Jasaslelainen; Pasanen, Hyypia, Tihinen e Kallio; Kolkka (Johansson, 74 m), Tainio (Yeremenko, 68 m) Heikkinen e Sjolund; Forssell e Litmanen (Vavrynen, 67 m).
Resultado final: 0-0
Cartão amarelo a Sjolund, Hyypia, Forssell, Caneira, Pasanen e Makukula.
publicado por armando ésse às 09:37
Tags:

mais sobre mim
Novembro 2007
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

12
15
17

18
19
23
24



pesquisar
 
subscrever feeds
blogs SAPO