A FÁBRICA

Novembro 21 2007

O “pai” das independências da Guiné-Bissau e Cabo Verde, Amílcar Cabral, foi “um fazedor de utopias”, que enfrentou muitas contradições pessoais e no movimento de libertação que liderou, acabando por morrer precisamente por causa delas.
A convicção é do antropólogo e antigo jornalista angolano António Tomás, ao comentar à Agência Lusa a figura de Amílcar Cabral, dias antes de lançar, em Lisboa, a biografia que escreveu sobre o nacionalista cabo-verdiano nascido na Guiné-Bissau, intitulada “O Fazedor de Utopias”. Recusando o “politicamente correcto” – “por uma questão de rigor e de factualidade” –, o autor do livro, a lançar hoje na Casa Fernando Pessoa, apontou, “entre muitas”, quatro contradições na vida e obra de Amílcar Cabral, geralmente caracterizado como um dos idealistas mais importantes da história recente do continente africano.
“Não se pode falar em erros, mas em contradições. Há muitas mas a mais importante talvez seja a relacionada com a sua própria identidade, pois formou-se profissional e culturalmente em Portugal e pensava como português”, sublinhou.
No entender de António Tomás, a ideia de Cabral, assassinado em Janeiro de 1973 (um crime que nunca foi totalmente esclarecido), oito meses antes da declaração unilateral da independência da Guiné-Bissau, a ideia da “reafricanização dos espíritos” esbarrou na “verdadeira cultura africana”. “Da teoria à prática foi muito duro, pois sempre pensou que a mística africana fora apagada pela colonização, o que não se verificou”, sustentou o antropólogo, dando como exemplos os casos, ainda hoje actuais, da “excisão feminina” e da “dominação masculina”.
A lógica da “guerra anti-colonial”, por si só, é, segundo os valores defendidos por Cabral, outra das contradições importantes entre a teoria e a prática de um homem que “tentou um meio termo entre o ideal comunista de Mao Tsé Tung - o poder da classe camponesa - e de Ernesto Che Guevara - o poder da revolução de quadros”.
“Errou, aí sim, ao tentar expandir a guerra para Cabo Verde, embora não o tenha conseguido, apesar do sonho irrealista de defender a unidade entre guineenses e cabo-verdianos”, sustentou António Tomás, natural de Luanda, onde nasceu a 11 de Abril de 1973.
Outra “contradição” é de “cariz mais pessoal”, apontou, dando como exemplo, “um humanista que acabou por defender a guerra (1963/74) como meio para alcançar a independência”, em que foi “obrigado a tomar medidas drásticas e contrárias” aos seus próprios ideais.
“Amílcar Cabral tinha um lado ingénuo muito grande. Entregou-se generosamente à causa da independência, na qual depositava uma grande esperança. Acreditou até ao fim, mesmo quando começaram algumas traições dentro do próprio PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde)”, defende o autor do livro que, apesar de tudo, o considera como “um grande pensador e nacionalista”.
Os elogios a Amílcar Cabral feitos por António Tomás, actual doutorando em Antropologia pela Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, onde reside desde 2004, sobem de tom quando fala sobre o seu lado prático. “Era um homem muito prático, embora agarrado à teoria. Tentou resolver as contradições mas não conseguiu. A guerra não se faz com um homem só. Tentou tudo, mas era o único que pensava e esqueceu-se do resto: que há outros que também pensam”, sublinhou o autor, licenciado em Comunicação Social, pela Universidade Católica de Lisboa e colaborador do Jornal de Angola e Angolense.
“Tentou sobretudo conciliar as revoluções campesinas (de Mao Tsé Tung) com as de quadros (de Che Guevara). Foi o primeiro a colocar grande parte do esforço de guerra ao serviço da organização das zonas libertadas e, paralelamente, a travar o conflito com Portugal nas frentes interna e diplomática”, advogou o autor. No primeiro caso, promoveu a educação, saúde e os armazéns do povo nas zonas libertadas e, no segundo, privilegiou os contactos internacionais, sustentou António Tomás, deixando no ar a questão sobre se havia mesmo a necessidade de se partir para o conflito com o regime colonial de Lisboa.
Quanto à morte de Amílcar Cabral, abatido em Conacri a 20 de Janeiro de 1973, afirmou que as dúvidas sobre os mandantes e executantes “são muitas”, mas defendeu que o assassinio foi “consequência” de não ter conseguido resolver as contradições do movimento de libertação que liderou durante mais de década e meia.
“A história do homem que liderou a independência das colónias portuguesas em África”, tal como o autor definiu no livro, é considerada pelo escritor angolano José Eduardo Agualusa uma obra importante.
“Tenta devolver ao grande público essa figura maior de África. Fá-lo numa linguagem jornalística, apoiada numa investigação rigorosa. O facto de o seu autor ser angolano não me parece irrelevante. Trata-se de dar a ver um pensador e combatente africano numa perspectiva africana. Algo que teria certamente agradado a Amílcar Cabral”, sustenta Agualusa num pequeno texto publicado no livro. Lusa.
publicado por armando ésse às 13:22
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Novembro 21 2007

O “pai” das independências da Guiné-Bissau e Cabo Verde, Amílcar Cabral, foi “um fazedor de utopias”, que enfrentou muitas contradições pessoais e no movimento de libertação que liderou, acabando por morrer precisamente por causa delas.
A convicção é do antropólogo e antigo jornalista angolano António Tomás, ao comentar à Agência Lusa a figura de Amílcar Cabral, dias antes de lançar, em Lisboa, a biografia que escreveu sobre o nacionalista cabo-verdiano nascido na Guiné-Bissau, intitulada “O Fazedor de Utopias”. Recusando o “politicamente correcto” – “por uma questão de rigor e de factualidade” –, o autor do livro, a lançar hoje na Casa Fernando Pessoa, apontou, “entre muitas”, quatro contradições na vida e obra de Amílcar Cabral, geralmente caracterizado como um dos idealistas mais importantes da história recente do continente africano.
“Não se pode falar em erros, mas em contradições. Há muitas mas a mais importante talvez seja a relacionada com a sua própria identidade, pois formou-se profissional e culturalmente em Portugal e pensava como português”, sublinhou.
No entender de António Tomás, a ideia de Cabral, assassinado em Janeiro de 1973 (um crime que nunca foi totalmente esclarecido), oito meses antes da declaração unilateral da independência da Guiné-Bissau, a ideia da “reafricanização dos espíritos” esbarrou na “verdadeira cultura africana”. “Da teoria à prática foi muito duro, pois sempre pensou que a mística africana fora apagada pela colonização, o que não se verificou”, sustentou o antropólogo, dando como exemplos os casos, ainda hoje actuais, da “excisão feminina” e da “dominação masculina”.
A lógica da “guerra anti-colonial”, por si só, é, segundo os valores defendidos por Cabral, outra das contradições importantes entre a teoria e a prática de um homem que “tentou um meio termo entre o ideal comunista de Mao Tsé Tung - o poder da classe camponesa - e de Ernesto Che Guevara - o poder da revolução de quadros”.
“Errou, aí sim, ao tentar expandir a guerra para Cabo Verde, embora não o tenha conseguido, apesar do sonho irrealista de defender a unidade entre guineenses e cabo-verdianos”, sustentou António Tomás, natural de Luanda, onde nasceu a 11 de Abril de 1973.
Outra “contradição” é de “cariz mais pessoal”, apontou, dando como exemplo, “um humanista que acabou por defender a guerra (1963/74) como meio para alcançar a independência”, em que foi “obrigado a tomar medidas drásticas e contrárias” aos seus próprios ideais.
“Amílcar Cabral tinha um lado ingénuo muito grande. Entregou-se generosamente à causa da independência, na qual depositava uma grande esperança. Acreditou até ao fim, mesmo quando começaram algumas traições dentro do próprio PAIGC (Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde)”, defende o autor do livro que, apesar de tudo, o considera como “um grande pensador e nacionalista”.
Os elogios a Amílcar Cabral feitos por António Tomás, actual doutorando em Antropologia pela Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, onde reside desde 2004, sobem de tom quando fala sobre o seu lado prático. “Era um homem muito prático, embora agarrado à teoria. Tentou resolver as contradições mas não conseguiu. A guerra não se faz com um homem só. Tentou tudo, mas era o único que pensava e esqueceu-se do resto: que há outros que também pensam”, sublinhou o autor, licenciado em Comunicação Social, pela Universidade Católica de Lisboa e colaborador do Jornal de Angola e Angolense.
“Tentou sobretudo conciliar as revoluções campesinas (de Mao Tsé Tung) com as de quadros (de Che Guevara). Foi o primeiro a colocar grande parte do esforço de guerra ao serviço da organização das zonas libertadas e, paralelamente, a travar o conflito com Portugal nas frentes interna e diplomática”, advogou o autor. No primeiro caso, promoveu a educação, saúde e os armazéns do povo nas zonas libertadas e, no segundo, privilegiou os contactos internacionais, sustentou António Tomás, deixando no ar a questão sobre se havia mesmo a necessidade de se partir para o conflito com o regime colonial de Lisboa.
Quanto à morte de Amílcar Cabral, abatido em Conacri a 20 de Janeiro de 1973, afirmou que as dúvidas sobre os mandantes e executantes “são muitas”, mas defendeu que o assassinio foi “consequência” de não ter conseguido resolver as contradições do movimento de libertação que liderou durante mais de década e meia.
“A história do homem que liderou a independência das colónias portuguesas em África”, tal como o autor definiu no livro, é considerada pelo escritor angolano José Eduardo Agualusa uma obra importante.
“Tenta devolver ao grande público essa figura maior de África. Fá-lo numa linguagem jornalística, apoiada numa investigação rigorosa. O facto de o seu autor ser angolano não me parece irrelevante. Trata-se de dar a ver um pensador e combatente africano numa perspectiva africana. Algo que teria certamente agradado a Amílcar Cabral”, sustenta Agualusa num pequeno texto publicado no livro. Lusa.
publicado por armando ésse às 13:22
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Novembro 20 2007

Nadine Gordimer nasceu na cidade de Springs, uma pequena cidade mineira situada na periferia de Joanesburgo, em 20 Novembro de 1923. Os pais, Isidore e Nan Gordimer, eram emigrantes judeus. O pai era joalheiro, proveniente da Lituânia, e a mãe originária da Inglaterra. A mãe de Nadine impressionada com o modo como eram tratadas as crianças negras, abriu uma creche, para dar apoio gratuito a essas crianças. Apesar da origem judaica da família, Nadime Gordimer, estudou numa escola de orientação cristã. Começou a escrever com 9 anos e a sua primeira história, Come Again Tomorrow, foi publicada na secção infantil da revista sul-africana Forum quando Nadine tinha apenas 14 anos.
Passou pela Universidade de Witwaterstrand de Joanesburgo, onde estudou apenas um ano, desistindo de tirar um curso superior. A sua escrita caracteriza-se pelas belas evocações da ruralidade do Transvaal, pelas eficazes interpretações da sexualidade e pela interacção de personagens de origens raciais diferentes, onde é possível imaginar, o que poderia ser a vida na África do Sul, se não existisse o apartheid.
O primeiro romance da autora, The Lying Days, surgiu em 1953, e teve como cenário a cidade mineira onde nasceu.
Toda a sua obra, assume uma frontal oposição e denúncia do apartheid e à censura, o que levou que alguns dos seus livros, fossem banidos da África do Sul, até à queda do regime. Ficou conhecida, apesar das suas posições anti-apartheid, por nunca ter querido deixar o seu país, nem durante os anos de violenta repressão política.
Em 1974 recebeu o Booker Prize, pelo seu livro O Conservador e no ano seguinte, o prémio francês Grand Aigle d'Or. Em 2002 ganhou o Commonwealth Writer's Prize para África, com o seu livro O Engate.
Foi fundadora do Congresso dos Escritores Sul-Africanos e é vice-presidente do PEN Club Internacional.
Em 1991 a Real Academia Sueca, ao atribuir-lhe o Prémio Nobel da Literatura, explicou que este Prémio foi '' Atribuído a alguém que, através da sua obra épica, trouxe um grande benefício à humanidade.”
Entre as suas obras, que incluem contos e romances, destacam-se Face to Face (1949), The Soft Voices of the Serpent (1952), The Lying Days (1953), Six Feet of the Country (1956), Um Mundo de Estranhos (1958), Friday’s Footprint and Other Sttories (1960), Occasion for Loving (1963), Not for publication (1965), O Fim dos Anos Burgueses (1966), South African Writing Today (1967), Guest of Honour (1970), Livingstone’s Companions (1971), The Black Interpreters (1973), O Conservador (1974), Some Monday For Sure (1976), A Filha de Burger (1979), No place Like (1979), A Soldier’s Embrace (1980), Town and Country Lovers (1980), A Gente de July (1981), Something Out There (1984), Lifetimes: Under Apartheid (1986), Um Capricho da Natureza (1987), The Essential Gesture (1988), A História de Meu Filho (1990), Crimes of Conscience (1991), Jumps and Other Stories (1991), Why Haven’t you Written? (1992), Ninguém me Seguirá (1994), Writing and Being (1995), In The House Gun (1998) e The O Engate (2001) e Loot and Other Stories (2003), Get a Life (2005).
Está traduzida em mais de trinta línguas e recebeu numerosos doutoramentos Honoris Causa, entre os quais se destacam: Universidades de, Yale, Harvard, Columbia e New School for Social Research, (EUA); Universidade de Leuven, Bélgica, Universidade de York (Inglaterra), Universidades da Cidade do Cabo e de Witwatersrand de Joanesburgo (África do Sul) e a Universidade de Cambridge (Inglaterra).
publicado por armando ésse às 11:24
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Novembro 20 2007

Nadine Gordimer nasceu na cidade de Springs, uma pequena cidade mineira situada na periferia de Joanesburgo, em 20 Novembro de 1923. Os pais, Isidore e Nan Gordimer, eram emigrantes judeus. O pai era joalheiro, proveniente da Lituânia, e a mãe originária da Inglaterra. A mãe de Nadine impressionada com o modo como eram tratadas as crianças negras, abriu uma creche, para dar apoio gratuito a essas crianças. Apesar da origem judaica da família, Nadime Gordimer, estudou numa escola de orientação cristã. Começou a escrever com 9 anos e a sua primeira história, Come Again Tomorrow, foi publicada na secção infantil da revista sul-africana Forum quando Nadine tinha apenas 14 anos.
Passou pela Universidade de Witwaterstrand de Joanesburgo, onde estudou apenas um ano, desistindo de tirar um curso superior. A sua escrita caracteriza-se pelas belas evocações da ruralidade do Transvaal, pelas eficazes interpretações da sexualidade e pela interacção de personagens de origens raciais diferentes, onde é possível imaginar, o que poderia ser a vida na África do Sul, se não existisse o apartheid.
O primeiro romance da autora, The Lying Days, surgiu em 1953, e teve como cenário a cidade mineira onde nasceu.
Toda a sua obra, assume uma frontal oposição e denúncia do apartheid e à censura, o que levou que alguns dos seus livros, fossem banidos da África do Sul, até à queda do regime. Ficou conhecida, apesar das suas posições anti-apartheid, por nunca ter querido deixar o seu país, nem durante os anos de violenta repressão política.
Em 1974 recebeu o Booker Prize, pelo seu livro O Conservador e no ano seguinte, o prémio francês Grand Aigle d'Or. Em 2002 ganhou o Commonwealth Writer's Prize para África, com o seu livro O Engate.
Foi fundadora do Congresso dos Escritores Sul-Africanos e é vice-presidente do PEN Club Internacional.
Em 1991 a Real Academia Sueca, ao atribuir-lhe o Prémio Nobel da Literatura, explicou que este Prémio foi '' Atribuído a alguém que, através da sua obra épica, trouxe um grande benefício à humanidade.”
Entre as suas obras, que incluem contos e romances, destacam-se Face to Face (1949), The Soft Voices of the Serpent (1952), The Lying Days (1953), Six Feet of the Country (1956), Um Mundo de Estranhos (1958), Friday’s Footprint and Other Sttories (1960), Occasion for Loving (1963), Not for publication (1965), O Fim dos Anos Burgueses (1966), South African Writing Today (1967), Guest of Honour (1970), Livingstone’s Companions (1971), The Black Interpreters (1973), O Conservador (1974), Some Monday For Sure (1976), A Filha de Burger (1979), No place Like (1979), A Soldier’s Embrace (1980), Town and Country Lovers (1980), A Gente de July (1981), Something Out There (1984), Lifetimes: Under Apartheid (1986), Um Capricho da Natureza (1987), The Essential Gesture (1988), A História de Meu Filho (1990), Crimes of Conscience (1991), Jumps and Other Stories (1991), Why Haven’t you Written? (1992), Ninguém me Seguirá (1994), Writing and Being (1995), In The House Gun (1998) e The O Engate (2001) e Loot and Other Stories (2003), Get a Life (2005).
Está traduzida em mais de trinta línguas e recebeu numerosos doutoramentos Honoris Causa, entre os quais se destacam: Universidades de, Yale, Harvard, Columbia e New School for Social Research, (EUA); Universidade de Leuven, Bélgica, Universidade de York (Inglaterra), Universidades da Cidade do Cabo e de Witwatersrand de Joanesburgo (África do Sul) e a Universidade de Cambridge (Inglaterra).
publicado por armando ésse às 11:24
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Novembro 20 2007

A escritora húngara Magda Szabo faleceu ontem, aos 90 anos, quando lia um livro em sua casa, informou hoje fonte editorial.
Romancista, dramaturga, ensaísta e poetisa, Magda Szabo, nascida em 5 de Outubro de 1917 em Debrecen no seio de uma família burguesa, começou a publicar antes da II Grande Guerra.
A escritora estava actualmente a trabalhar no segundo volume da sua autobiografia "Für Elise".
Licenciou-se em Latim e Húngaro pela Universidade de Debrecen, em 1940, onde começou a leccionar, e casou-se em 1947 com o também escritor Tibor Szobotka, falecido em 1982.
Mais tarde funcionária do Ministério da Educação e Religião, vê as suas obras proibidas pelas autoridades comunistas depois de 1948, chegando os seus títulos às livrarias só em finais da década de 1950.
Magda Szabó tornou-se uma figura maior da literatura húngara e recebeu vários prémios literários, entre eles, os prémios Baumgarten (1949) e Lajos Kossuth (1978), tendo as suas obras sido publicadas em várias línguas.
A Porta, publicado em 1987, (que as Publicações D. Quixote editaram no ano passado em Portugal), alcançou grande sucesso internacional, tendo-lhe sido atribuído o Prix Betz Corporation, nos Estados Unidos e o Prix Femina Étranger, em França.
Em comunicado, o primeiro-ministro húngaro, Ferenc Gyurcsany, sublinhou que o país "perdeu não só uma pessoa reconhecida em toda a Hungria, mas, mais importante do que isso, sobretudo amada por todos".Com a agência Lusa.
publicado por armando ésse às 07:20
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Novembro 20 2007

A escritora húngara Magda Szabo faleceu ontem, aos 90 anos, quando lia um livro em sua casa, informou hoje fonte editorial.
Romancista, dramaturga, ensaísta e poetisa, Magda Szabo, nascida em 5 de Outubro de 1917 em Debrecen no seio de uma família burguesa, começou a publicar antes da II Grande Guerra.
A escritora estava actualmente a trabalhar no segundo volume da sua autobiografia "Für Elise".
Licenciou-se em Latim e Húngaro pela Universidade de Debrecen, em 1940, onde começou a leccionar, e casou-se em 1947 com o também escritor Tibor Szobotka, falecido em 1982.
Mais tarde funcionária do Ministério da Educação e Religião, vê as suas obras proibidas pelas autoridades comunistas depois de 1948, chegando os seus títulos às livrarias só em finais da década de 1950.
Magda Szabó tornou-se uma figura maior da literatura húngara e recebeu vários prémios literários, entre eles, os prémios Baumgarten (1949) e Lajos Kossuth (1978), tendo as suas obras sido publicadas em várias línguas.
A Porta, publicado em 1987, (que as Publicações D. Quixote editaram no ano passado em Portugal), alcançou grande sucesso internacional, tendo-lhe sido atribuído o Prix Betz Corporation, nos Estados Unidos e o Prix Femina Étranger, em França.
Em comunicado, o primeiro-ministro húngaro, Ferenc Gyurcsany, sublinhou que o país "perdeu não só uma pessoa reconhecida em toda a Hungria, mas, mais importante do que isso, sobretudo amada por todos".Com a agência Lusa.
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Novembro 15 2007

A vida de José Sousa começa às duas horas da tarde de 16 de Novembro de 1922, na pequena aldeia de Azinhaga, concelho da Golegã. A vida de José Saramago, começará dois dias mais tarde no Registo Civil da Golegã, “…indo o meu pai declarar no Registo Civil da Golegã o nascimento do seu segundo filho, sucedeu que o funcionário (chamava-se ele Silvino) estava bêbado (por despeito, disso o acusaria sempre meu pai), e que, sob os efeitos do álcool e sem que ninguém se tivesse apercebido da onomástica fraude, decidiu, por sua conta e risco, acrescentar Saramago ao lacónico José de Sousa que meu pai pretendia que eu fosse. E que, desta maneira, finalmente, graças uma intervenção por todas as mostras divina, refiro-me, claro está, a Baco, deus do vinho e daqueles que se excedem a bebê-lo, não precisei de inventar um pseudónimo para, futuro havendo, assinar os meus livros.” (As Pequenas Memórias).
Filho de José de Sousa e de Maria da Piedade, ambos camponeses (o seu pai seria anos mais tarde polícia), viveria os primeiros tempos na aldeia ribatejana que o viu nascer. Seus pais emigraram para Lisboa quando ele ainda não tinha dois anos de idade. A maior parte da sua vida decorreu em Lisboa, embora até ao princípio da idade adulta, passase prolongadas estadias na sua aldeia natal, superiormente contadas no livro, As Pequenas Memórias.
Em 1929 iniciou a escola primária, na escola Morais Soares. Em 1933, matricula-se no Liceu Gil Vicente, onde estudaria dois anos. Vem-lhe dessa altura o gosto pela leitura: sem acesso a livros, passava a pente fino as páginas do “Diário de Notícias”, que o pai levava todos os dias para casa, oferecido por "algum amigo ardina". Em 1934 as dificuldades económicas fazem-se sentir e José transita para a Escola Industrial Afonso Domingues, concluindo o curso de Serralharia Mecânica em 1939.
No seu primeiro emprego foi serralheiro mecânico, passando de seguida a desenhador, logo de seguida, obtém emprego nos Hospitais Civis de Lisboa. Por meio da leitura, procura melhorar a sua formação intelectual, frequentando a biblioteca do palácio das Galveias. É aí que inicia o seu contacto com a literatura.
Em 1942 é transferido para os serviços administrativos do Hospital Civil de Lisboa e no ano seguinte passa a trabalhar na Caixa de Abono de Família da Indústria da Cerâmica.
Em 1944 casou-se com a pintora Ilda Reis, de quem se divorciaria em 1970.
Em 1947, nasce a filha Violante e, a Minerva publica um romance seu, intitulado A Viúva, pelo autor e transformado em Terra de Pecado, pela editora.
Depois dessa primeira experiência, Saramago interrompe a escrita, que só retomará em 1966, ao publicar Os Poemas Possíveis. Em 1949, o apoio à campanha de Norton de Matos à Presidência da República leva-o a perder o emprego na caixa de Abono de Família da Indústria da Cerâmica. No ano seguinte conseguiu ingressar na Caixa de Previdência da Companhia Indústrias Metálicas Previdente, onde permanecerá até 1959. Em 1955 começou a colaborar com a Editorial Estúdios Cor, à qual se dedicou em exclusivo desde 1959 até 1971, como editor literário.
Em 1966 retomou a actividade literária, publicando o seu primeiro livro de poesia, Os poemas possíveis. Daí em diante a escrita tornou-se uma actividade permanente. Em 1968 iniciou a actividade jornalística, publicando textos de crítica literária na revista “Seara Nova” e, em 1972, começou a trabalhar no “Diário de Lisboa”, passando, no ano seguinte, a dirigir o suplemento literário do jornal.
Colaborou também com a revista Arquitectura (1974). Entretanto, em 1969, aderiu ao Partido Comunista Português, ao qual permaneceu fiel até hoje. No entanto, em 1988 foi um dos subscritores do “documento da terceira via”.
Após o 25 de Abril chegou a trabalhar no Ministério da Comunicação Social, como assessor. Também nessa altura chegou a coordenar uma equipa de dinamização cultural no Fundo de Apoio aos organismos Juvenis (FAOJ).
Em 1975 é nomeado director-adjunto do “Diário de Notícias”, mas é dispensado após o 25 de Novembro. Que o levaria a dizer que como escritor, é um produto do 25 de Novembro: “Como escritor, sou um produto do 25 de Novembro. Com o 25 de Novembro, fiquei sem trabalho e com pouca esperança de conseguir um sítio onde o encontrar. Eu estava muito marcado. Decidi, aos 53 anos, que seria “agora ou nunca”. Se as circunstâncias me retiraram a possibilidade de trabalhar, iria escrever. Não foi fácil. Durante uns anos vivi de traduções. Eu já não estava no circuito, ninguém pensou mais em mim e ainda bem. Fechei-me em casa a traduzir para ganhar a vida e para escrever”. (Diário de Notícias, 2005-11-09).
A partir de 1976 passou a viver exclusivamente do seu trabalho literário, primeiro como tradutor, depois como autor.
Em 1982 edita a sua obra mais emblemática, O Memorial do Convento. O livro apresenta duas histórias paralelas: reescreve a história de Portugal através da construção do Convento de Mafra por D. João V; e paralelamente conta a história de amor entre Baltazar Mateus, o Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas.
A primeira história, irónica e crítica, revela episódios da história portuguesa no tempo da construção do Convento de Mafra. D. João V, persuadido pelo clero, oferece a obra a Deus para que a rainha engravide e lhe dê um herdeiro. Saramago satiriza e ridiculariza os hábitos da realeza, desnudando o poder exercido pela elite e pelo clero sobre o povo oprimido.
A segunda história, com a qual a primeira se entremeia, é a história de amor, entre Blimunda e Baltazar; ambos pessoas humildes do povo, que se unem ao Padre Bartolomeu Lourenço no seu sonho de voar, através da construção de uma máquina, a qual chamam de Passarola.
Blimunda tem poderes especiais, consegue ver as pessoas por dentro e torna-se a responsável por captar as vontades das pessoas moribundas. As vontades são recolhidas e servem de combustível para a passarola, uma espécie de metáfora de liberdade. O Padre Bartolomeu, Baltazar e Blimunda conseguem fazer com que a máquina voe, porém, o padre passa a ser perseguido pela Inquisição, e foge para Toledo, onde acaba por morrer.
Baltazar e Blimunda cuidam da passarola que foi escondida. Baltazar durante a manutenção da máquina acaba por voar nela e nunca mais volta. Blimunda procura-o durante nove anos por todas as partes do país, até que em Lisboa, durante um auto de fé, reconhece Baltazar a caminho da fogueira. Quando Baltazar está para morrer, desprendeu-se a sua vontade e é recolhida dentro do peito de sua amada Blimunda.”
Fez parte da primeira direcção da Associação Portuguesa de Escritores (APE) e, entre 1985 e 1994, foi presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA). Em 1988 casou com a jornalista espanhola Pilar del Rio.
Em 1991 publicou a sua obra mais polémica o Evangelho Segundo Jesus Cristo, obra incómoda para os sectores mais tradicionais da sociedade portuguesa, tendo o Subsecretário de Estado da Cultura, Sousa Lara, vetado em 1992 a sua candidatura ao Prémio Literário Europeu. Quando perguntaram a Sousa Lara porque é que o romance de José Saramago foi cortado da lista dos concorrentes ao Prémio Literário Europeu, Sousa Lara afirmou, “Porque não representa Portugal. Esta minha atitude nada tem a ver com estratégias de venda, nem sequer com opções literárias. E muito menos com as escolhas políticas de Saramago. Não entrou em linha de conta o facto de ele ser comunista ou pertencer à Frente Nacional para a Defesa da Cultura”.(Público, 25 de Abril de 1992). Reafirmando dias mais tarde, em plena Assembleia da República que, “A obra atacou princípios que têm a ver com o património religioso dos portugueses. Longe de os unir, dividiu-os.” Esta polémica, levou o escritor a ir viver definitivamente para Lanzarote, nas ilhas Canárias, corria o ano de 1993.
O romance “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” foi mal recebido pelos círculos religiosos, em quase todos os países católicos, mas na Rússia, foi alvo de um apelo especial. A 11 de Dezembro de 1998, os participantes da conferência “Segurança Espiritual da Rússia”, realizada em Moscovo, lançaram um apelo ao Presidente, Governo, Parlamento e Procuradoria-Geral da Rússia, no qual, entre outras coisas, se afirmava: “Consideramos absolutamente inadmissível a publicação na Rússia do livro “Versículos Satânicos” de Salman Rushdie, que ofende até ao fundo da alma os sentimentos religiosos dos muçulmanos, do filme de Scorsese “A Última Tentação de Cristo” e do livro de José Saramago “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, que é um insulto aos sentimentos de todos os cristãos da Rússia”. Foi publicado à mesma, com um relativo sucesso.
Em 9 de Outubro de 1998, a Real Academia Sueca comunicou a atribuição do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago “que, com parábolas portadoras de imaginação, compaixão e ironia, torna constantemente compreensível uma realidade fugidia”.Com esta justificação, a referida Academia destacava pela primeira vez, não só um escritor português, mas também a Língua Portuguesa.
José Saramago reagiu com humildade quando soube da atribuição do Prémio Nobel da Literatura: “Sou português, não quero nem posso ser outra coisa, mas por circunstâncias várias a minha Pátria cresceu, que é o que mais podemos desejar. ... Não nasci para isto... O facto de ser Prémio Nobel não significa que seja o único que o merecia em Portugal. Fernando Pessoa merecia mil prémios Nobel.”
A 3 de Dezembro de 1998, o Presidente da República, Jorge Sampaio, concedeu-lhe, a título excepcional, o Grande Colar da Ordem de Santiago da Espada, distinção reservada tradicionalmente a chefes de estado.
Depois de José Saramago receber o Nobel da Literatura, a Fundação Círculo de Leitores, decidiu criar em sua homenagem o “Prémio Literário José Saramago” destinado a promover a divulgação da cultura e do património literário em língua portuguesa, através do estímulo à criação e dedicação à escrita por jovens autores de grande qualidade. O Prémio com periodicidade bienal e no valor de €25 000,00, distingue uma obra literária no domínio da ficção, romance ou novela, escrita em língua portuguesa, por escritor com idade não superior a 35 anos, cuja primeira edição tenha sido publicada em qualquer país lusófono, excluindo as obras póstumas.
Em 29 de Junho de 2007, José Saramago criou uma fundação com o seu nome que irá preservar e estudar a sua obra literária e espólio e ainda tomar partido, “por grandes e pequenas causas”. Na declaração de princípios escrita pelo autor, determina este, que a fundação deve assumir nas suas actividades, como norma de conduta, “tanto na letra como no espírito”, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e que mereçam particular atenção os problemas do meio ambiente e do aquecimento global do planeta, “os quais atingiram níveis de tal gravidade que já ameaçam escapar às intervenções correctivas que começam a esboçar-se no mundo”. (Lusa/JL).
O percurso literário de sucesso de José Saramago, é acompanhado e recheado com diversas polémicas, de entre as quais se destaca a posição crítica em relação a Israel, no conflito eterno com os palestinianos. Numa entrevista ao jornal Globo, afirmou “que os Judeus não merecem a simpatia pelo sofrimento por que passaram durante o Holocausto... Vivendo sob as trevas do Holocausto e esperando ser perdoados por tudo o que fazem em nome do que eles sofreram parece-me ser abusivo. Eles não aprenderam nada com o sofrimento dos seus pais e avós. (Wikipédia).
A sua mais recente polémica foi espoletada, por uma entrevista ao jornal Diário de Notícias em 15 de Julho de 2007, o Nobel português defendeu, que Portugal deveria tornar-se uma província de Espanha e integrar um país que passaria a chamar-se Ibéria para não ofender as susceptibilidades dos portugueses. O escritor considera que Portugal, "com dez milhões de habitantes", teria "tudo a ganhar em desenvolvimento" se houvesse uma "integração territorial, administrativa e estrutural" com Espanha. Portugal tornar-se ia assim, mais uma província de Espanha: "Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla La Mancha e tínhamos Portugal. Provavelmente (a Espanha) teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria. Se Espanha ofende os nossos brios, seria uma questão a negociar" disse o escritor.(Lusa).
José Saramago tem uma extensa obra publicada, desde de poesia, Os Poemas Possíveis, 1966, Provavelmente Alegria, 1970, O Ano de 1993, 1975, também tem editado livros de Crónicas, e Memórias, Deste Mundo e do Outro, 1971, A Bagagem do Viajante, 1973, As Opiniões que o DL teve, 1974, Os Apontamentos, 1976, A Estátua e a Pedra, 1966, Folhas Políticas (1976-1998), 1999, Saramago na Universidade, 1999, Aquí soy Zapatista, 2000, Andrea Mantegna. Un’etica, un’estetica, 2002, El Nombre y la Cosa, 2006, As Pequenas Memórias, 2006, passando por livros de viagens, Viagem a Portugal, 1981, continuando com o Teatro, A Noite, 1979, Que Farei com Este Livro?, 1980, A Segunda Vida de Francisco de Assis, 1987, In Nomine Dei, 1993, Don Giovanni, ou o Dissoluto Absolvido, 2005.
Escreveu também um diário em 5 partes, Cadernos de Lanzarote - I, 1994, Cadernos de Lanzarote - II, 1995, Cadernos de Lanzarote - III, 1996, Cadernos de Lanzarote - IV, 1997, Cadernos de Lanzarote - V, 1998, alguns contos, Objecto Quase, 1978, Poética dos Cinco Sentidos – O Ouvido, 1979, O Conto da Ilha Desconhecida, 1997, A Maior Flor do Mundo, 2001.
No entanto é a sua obra romanesca a mais importante. José Saramago tem editado uma extensa lista de romances:Terra do Pecado, 1947, Manual de Pintura e Caligrafia, 1977, Levantado do Chão, 1980, Memorial do Convento, 1982, O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984, A Jangada de Pedra, 1986, História do Cerco de Lisboa, 1989, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991, Ensaio sobre a Cegueira, 1995, Todos os Nomes, 1997, A Caverna, 2000, O Homem Duplicado, 2002, Ensaio Sobre a Lucidez, 2004, As Intermitências da Morte, 2005. (Editorial Caminho).
Os livros de José Saramago encontram-se publicados em 53 países e em 42 idiomas.
O seu romance Memorial do Convento foi adaptado a ópera pelo compositor italiano Azio Corghi, com o título Blimunda. A estreia mundial, com encenação de Jerôme Savary, realizou-se no Teatro alla Scala, Milão, em 20 de Maio de 1990. Também da peça In Nomine Dei foi extraído um libreto, o da ópera Divara, estreada em Munster (Alemanha), em 31 de Outubro de 1993, com música de Azio Corghi e encenação de Dietrich Hilsdorf. Igualmente de Azio Corghi é a música da cantata A Morte de Lázaro sobre textos de Memorial do Convento, O Evangelho Segundo Jesus Cristo e In Nomine Dei, interpretada pela primeira vez em Milão, na igreja de San Marco, em 12 de Abril de 1995. Ainda de Azio Corghi é a música da cantata sobre O Ano de 1993, interpretada pela primeira vez em Florença, em 8 de Junho de 1999. Da sua obra teatral Don Giovanni, ou o Dissoluto Absolvido foi extraído o libreto da ópera de Azio Corghi Il Dissoluto Assolto, estreada em Lisboa, em 18 de Março de 2006, no Teatro Nacional de São Carlos. O seu romance A Jangada de Pedra foi adaptado ao cinema pelo realizador holandês George Sluizer em 2002, com o título de Het Stenen Vlot Spoorloos (Caminho).
Obras de José Saramago recebeu ao longo da sua carreira muitos prémios, de entre os quais se destacam:
Prémio da Associação de Críticos Portugueses “A Noite”, 1979, Prémio Cidade de Lisboa “Levantado do Chão”, 1980, Prémio PEN Clube Português “Memorial do Convento”, 1982, “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, 1984, Prémio Literário Município de Lisboa “Memorial do Convento”, 1982, Prémio da Crítica (Associação Portuguesa de Críticos) “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, Prémio Dom Dinis “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, 1986, Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, 1992, Prémio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), 1995, Prémio Camões, 1995, Prémio Grinzane-Cavour “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, 1987, Prémio Internacional Ennio Flaiano (Levantado do Chão), 1992, Prémio do jornal The Independent “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, 1993, Prémio Internacional Literário Mondello (Palermo), 1992 (Conjunto da Obra), Prémio Literário Brancatti (Zafferana/Sicília), 1992 ( pelo conjunto da obra), Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (APE), 1993, Prémio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), 1995, Prémio Nobel da Literatura, 1998, Prémio Europeu de Comunicação Jordi Xifra Heras (Girona) 1998, Prémio Nacional de Narrativa Città di Pienne (Itália) 1998, Prémio Canárias Internacional, 2001).
Em reconhecimento do seu trabalho literário foram atribuídas a José Saramago as seguintes distinções honoríficas: Comendador da Ordem Militar de Santiago de Espada 1985); Grande Colar da Ordem Militar de Santiago de Espada (1998). Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras ( França 1991); Oficial da Legião de Honra (França), Grã-Cruz da Ordem «Ilhas Canárias» (Espanha), Medalha Guayasamin-UNESCO; Medalha Rumiñahui (Equador) ; Grã-Cruz ao Mérito Cultural e Literário do Congresso Nacional (Equador) ; Grã-Cruz ao Mérito Educativo e Cultural «Juan Montalvo» (Equador), Medalha Isidro Fabela da Faculdade de Direito da UNAM (México).
José Saramago é Doutor «Honoris Causa» pelas Universidades de Turim (Itália), Sevilha (Espanha), de Manchester (Reino Unido), de Castilla -La Mancha (Espanha), de Brasília (Brasil), de Évora (Portugal), de Rio Grande do Sul (Brasil), de Minas Gerais (Brasil), de Las Palmas de Gran Canaria (Espanha), Politécnica de Valência (Espanha), Fluminense (Brasil), de Nottingham (Reino Unido), de Santa Catarina (Brasil), Michel de Montaigne – Bordéus (França), de Massachussets, Dartmouth (Estados Unidos da América), de Salamanca (Espanha), de Santiago (Chile), de la República del Uruguay (Uruguai), de Roma Tre (Itália), de Granada (Espanha), Carlos III (Espanha), Universitá per Stranieri di Siena (Itália), de Alberta (Canadá), Autónoma do Estado de México Toluca (México), de Tabasco (México), de Buenos Aires (Argentina), Charles-de-Gaulle – Lille 3 (França), de Alicante (Espanha), de Coimbra (Portugal), Autónoma de Madrid (Espanha), de El Salvador (São Salvador), Nacional (Heredia - Costa Rica), de Estocolmo (Suécia), Nacional de Irlanda (Dublin).
Membro «Honoris Causa» do Conselho do Instituto de Filosofia do Direito e de Estudos Histórico-Políticos da Universidade de Pisa (Itália); Membro correspondente da Academia Argentina de Letras; Membro do Patronato de Honra da Fundação César Manrique, Lanzarote (Canárias); Membro da Academia Europeia de Yuste (Espanha); «Beca de Honor» da Residência de Estudantes da Universidade Carlos III (Espanha); Sócio Honorário da Academia de Ciências de Lisboa; Membro da Academia Internacional de Humanismo (Amherst, Estados Unidos da América); Membro Honorário do Instituto Caro Y Cuervo, de Bogotá (Colômbia); Membro titular da Academia Europeia das Ciências, das Artes e das Letras, de Paris (França); Membro do Conselho do Futuro (UNESCO), Paris; Membro da Academia da Latinidade; Membro da Academia do Mediterrâneo; Sócio Honorário da Associação Provincial de Sevilha de Amizade com o Povo Sahauri (Espanha); Professor Coordenador Honorário do Instituto Politécnico de Leiria (Portugal); Presidente Honorário de Son Latinos (Espanha); Presidente Honorário da Fundación Alonso Quijano (Málaga); Académico Honorário da Academia Canaria de la Lengua (Canárias); Presidente Honorário da Fundação Centro José Saramago (Castril – Espanha); Membro do Comité de Honor da Fundação Rafael Alberti; Membro do Conselho Supremo das Academias de Colômbia; Membro Honorário do Centro Nacional de Cultura (Lisboa); Membro Honorário do Conselho Consultivo do Brussels Tribunal.
publicado por armando ésse às 23:02
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Novembro 15 2007

A vida de José Sousa começa às duas horas da tarde de 16 de Novembro de 1922, na pequena aldeia de Azinhaga, concelho da Golegã. A vida de José Saramago, começará dois dias mais tarde no Registo Civil da Golegã, “…indo o meu pai declarar no Registo Civil da Golegã o nascimento do seu segundo filho, sucedeu que o funcionário (chamava-se ele Silvino) estava bêbado (por despeito, disso o acusaria sempre meu pai), e que, sob os efeitos do álcool e sem que ninguém se tivesse apercebido da onomástica fraude, decidiu, por sua conta e risco, acrescentar Saramago ao lacónico José de Sousa que meu pai pretendia que eu fosse. E que, desta maneira, finalmente, graças uma intervenção por todas as mostras divina, refiro-me, claro está, a Baco, deus do vinho e daqueles que se excedem a bebê-lo, não precisei de inventar um pseudónimo para, futuro havendo, assinar os meus livros.” (As Pequenas Memórias).
Filho de José de Sousa e de Maria da Piedade, ambos camponeses (o seu pai seria anos mais tarde polícia), viveria os primeiros tempos na aldeia ribatejana que o viu nascer. Seus pais emigraram para Lisboa quando ele ainda não tinha dois anos de idade. A maior parte da sua vida decorreu em Lisboa, embora até ao princípio da idade adulta, passase prolongadas estadias na sua aldeia natal, superiormente contadas no livro, As Pequenas Memórias.
Em 1929 iniciou a escola primária, na escola Morais Soares. Em 1933, matricula-se no Liceu Gil Vicente, onde estudaria dois anos. Vem-lhe dessa altura o gosto pela leitura: sem acesso a livros, passava a pente fino as páginas do “Diário de Notícias”, que o pai levava todos os dias para casa, oferecido por "algum amigo ardina". Em 1934 as dificuldades económicas fazem-se sentir e José transita para a Escola Industrial Afonso Domingues, concluindo o curso de Serralharia Mecânica em 1939.
No seu primeiro emprego foi serralheiro mecânico, passando de seguida a desenhador, logo de seguida, obtém emprego nos Hospitais Civis de Lisboa. Por meio da leitura, procura melhorar a sua formação intelectual, frequentando a biblioteca do palácio das Galveias. É aí que inicia o seu contacto com a literatura.
Em 1942 é transferido para os serviços administrativos do Hospital Civil de Lisboa e no ano seguinte passa a trabalhar na Caixa de Abono de Família da Indústria da Cerâmica.
Em 1944 casou-se com a pintora Ilda Reis, de quem se divorciaria em 1970.
Em 1947, nasce a filha Violante e, a Minerva publica um romance seu, intitulado A Viúva, pelo autor e transformado em Terra de Pecado, pela editora.
Depois dessa primeira experiência, Saramago interrompe a escrita, que só retomará em 1966, ao publicar Os Poemas Possíveis. Em 1949, o apoio à campanha de Norton de Matos à Presidência da República leva-o a perder o emprego na caixa de Abono de Família da Indústria da Cerâmica. No ano seguinte conseguiu ingressar na Caixa de Previdência da Companhia Indústrias Metálicas Previdente, onde permanecerá até 1959. Em 1955 começou a colaborar com a Editorial Estúdios Cor, à qual se dedicou em exclusivo desde 1959 até 1971, como editor literário.
Em 1966 retomou a actividade literária, publicando o seu primeiro livro de poesia, Os poemas possíveis. Daí em diante a escrita tornou-se uma actividade permanente. Em 1968 iniciou a actividade jornalística, publicando textos de crítica literária na revista “Seara Nova” e, em 1972, começou a trabalhar no “Diário de Lisboa”, passando, no ano seguinte, a dirigir o suplemento literário do jornal.
Colaborou também com a revista Arquitectura (1974). Entretanto, em 1969, aderiu ao Partido Comunista Português, ao qual permaneceu fiel até hoje. No entanto, em 1988 foi um dos subscritores do “documento da terceira via”.
Após o 25 de Abril chegou a trabalhar no Ministério da Comunicação Social, como assessor. Também nessa altura chegou a coordenar uma equipa de dinamização cultural no Fundo de Apoio aos organismos Juvenis (FAOJ).
Em 1975 é nomeado director-adjunto do “Diário de Notícias”, mas é dispensado após o 25 de Novembro. Que o levaria a dizer que como escritor, é um produto do 25 de Novembro: “Como escritor, sou um produto do 25 de Novembro. Com o 25 de Novembro, fiquei sem trabalho e com pouca esperança de conseguir um sítio onde o encontrar. Eu estava muito marcado. Decidi, aos 53 anos, que seria “agora ou nunca”. Se as circunstâncias me retiraram a possibilidade de trabalhar, iria escrever. Não foi fácil. Durante uns anos vivi de traduções. Eu já não estava no circuito, ninguém pensou mais em mim e ainda bem. Fechei-me em casa a traduzir para ganhar a vida e para escrever”. (Diário de Notícias, 2005-11-09).
A partir de 1976 passou a viver exclusivamente do seu trabalho literário, primeiro como tradutor, depois como autor.
Em 1982 edita a sua obra mais emblemática, O Memorial do Convento. O livro apresenta duas histórias paralelas: reescreve a história de Portugal através da construção do Convento de Mafra por D. João V; e paralelamente conta a história de amor entre Baltazar Mateus, o Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas.
A primeira história, irónica e crítica, revela episódios da história portuguesa no tempo da construção do Convento de Mafra. D. João V, persuadido pelo clero, oferece a obra a Deus para que a rainha engravide e lhe dê um herdeiro. Saramago satiriza e ridiculariza os hábitos da realeza, desnudando o poder exercido pela elite e pelo clero sobre o povo oprimido.
A segunda história, com a qual a primeira se entremeia, é a história de amor, entre Blimunda e Baltazar; ambos pessoas humildes do povo, que se unem ao Padre Bartolomeu Lourenço no seu sonho de voar, através da construção de uma máquina, a qual chamam de Passarola.
Blimunda tem poderes especiais, consegue ver as pessoas por dentro e torna-se a responsável por captar as vontades das pessoas moribundas. As vontades são recolhidas e servem de combustível para a passarola, uma espécie de metáfora de liberdade. O Padre Bartolomeu, Baltazar e Blimunda conseguem fazer com que a máquina voe, porém, o padre passa a ser perseguido pela Inquisição, e foge para Toledo, onde acaba por morrer.
Baltazar e Blimunda cuidam da passarola que foi escondida. Baltazar durante a manutenção da máquina acaba por voar nela e nunca mais volta. Blimunda procura-o durante nove anos por todas as partes do país, até que em Lisboa, durante um auto de fé, reconhece Baltazar a caminho da fogueira. Quando Baltazar está para morrer, desprendeu-se a sua vontade e é recolhida dentro do peito de sua amada Blimunda.”
Fez parte da primeira direcção da Associação Portuguesa de Escritores (APE) e, entre 1985 e 1994, foi presidente da Assembleia Geral da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA). Em 1988 casou com a jornalista espanhola Pilar del Rio.
Em 1991 publicou a sua obra mais polémica o Evangelho Segundo Jesus Cristo, obra incómoda para os sectores mais tradicionais da sociedade portuguesa, tendo o Subsecretário de Estado da Cultura, Sousa Lara, vetado em 1992 a sua candidatura ao Prémio Literário Europeu. Quando perguntaram a Sousa Lara porque é que o romance de José Saramago foi cortado da lista dos concorrentes ao Prémio Literário Europeu, Sousa Lara afirmou, “Porque não representa Portugal. Esta minha atitude nada tem a ver com estratégias de venda, nem sequer com opções literárias. E muito menos com as escolhas políticas de Saramago. Não entrou em linha de conta o facto de ele ser comunista ou pertencer à Frente Nacional para a Defesa da Cultura”.(Público, 25 de Abril de 1992). Reafirmando dias mais tarde, em plena Assembleia da República que, “A obra atacou princípios que têm a ver com o património religioso dos portugueses. Longe de os unir, dividiu-os.” Esta polémica, levou o escritor a ir viver definitivamente para Lanzarote, nas ilhas Canárias, corria o ano de 1993.
O romance “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” foi mal recebido pelos círculos religiosos, em quase todos os países católicos, mas na Rússia, foi alvo de um apelo especial. A 11 de Dezembro de 1998, os participantes da conferência “Segurança Espiritual da Rússia”, realizada em Moscovo, lançaram um apelo ao Presidente, Governo, Parlamento e Procuradoria-Geral da Rússia, no qual, entre outras coisas, se afirmava: “Consideramos absolutamente inadmissível a publicação na Rússia do livro “Versículos Satânicos” de Salman Rushdie, que ofende até ao fundo da alma os sentimentos religiosos dos muçulmanos, do filme de Scorsese “A Última Tentação de Cristo” e do livro de José Saramago “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, que é um insulto aos sentimentos de todos os cristãos da Rússia”. Foi publicado à mesma, com um relativo sucesso.
Em 9 de Outubro de 1998, a Real Academia Sueca comunicou a atribuição do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago “que, com parábolas portadoras de imaginação, compaixão e ironia, torna constantemente compreensível uma realidade fugidia”.Com esta justificação, a referida Academia destacava pela primeira vez, não só um escritor português, mas também a Língua Portuguesa.
José Saramago reagiu com humildade quando soube da atribuição do Prémio Nobel da Literatura: “Sou português, não quero nem posso ser outra coisa, mas por circunstâncias várias a minha Pátria cresceu, que é o que mais podemos desejar. ... Não nasci para isto... O facto de ser Prémio Nobel não significa que seja o único que o merecia em Portugal. Fernando Pessoa merecia mil prémios Nobel.”
A 3 de Dezembro de 1998, o Presidente da República, Jorge Sampaio, concedeu-lhe, a título excepcional, o Grande Colar da Ordem de Santiago da Espada, distinção reservada tradicionalmente a chefes de estado.
Depois de José Saramago receber o Nobel da Literatura, a Fundação Círculo de Leitores, decidiu criar em sua homenagem o “Prémio Literário José Saramago” destinado a promover a divulgação da cultura e do património literário em língua portuguesa, através do estímulo à criação e dedicação à escrita por jovens autores de grande qualidade. O Prémio com periodicidade bienal e no valor de €25 000,00, distingue uma obra literária no domínio da ficção, romance ou novela, escrita em língua portuguesa, por escritor com idade não superior a 35 anos, cuja primeira edição tenha sido publicada em qualquer país lusófono, excluindo as obras póstumas.
Em 29 de Junho de 2007, José Saramago criou uma fundação com o seu nome que irá preservar e estudar a sua obra literária e espólio e ainda tomar partido, “por grandes e pequenas causas”. Na declaração de princípios escrita pelo autor, determina este, que a fundação deve assumir nas suas actividades, como norma de conduta, “tanto na letra como no espírito”, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e que mereçam particular atenção os problemas do meio ambiente e do aquecimento global do planeta, “os quais atingiram níveis de tal gravidade que já ameaçam escapar às intervenções correctivas que começam a esboçar-se no mundo”. (Lusa/JL).
O percurso literário de sucesso de José Saramago, é acompanhado e recheado com diversas polémicas, de entre as quais se destaca a posição crítica em relação a Israel, no conflito eterno com os palestinianos. Numa entrevista ao jornal Globo, afirmou “que os Judeus não merecem a simpatia pelo sofrimento por que passaram durante o Holocausto... Vivendo sob as trevas do Holocausto e esperando ser perdoados por tudo o que fazem em nome do que eles sofreram parece-me ser abusivo. Eles não aprenderam nada com o sofrimento dos seus pais e avós. (Wikipédia).
A sua mais recente polémica foi espoletada, por uma entrevista ao jornal Diário de Notícias em 15 de Julho de 2007, o Nobel português defendeu, que Portugal deveria tornar-se uma província de Espanha e integrar um país que passaria a chamar-se Ibéria para não ofender as susceptibilidades dos portugueses. O escritor considera que Portugal, "com dez milhões de habitantes", teria "tudo a ganhar em desenvolvimento" se houvesse uma "integração territorial, administrativa e estrutural" com Espanha. Portugal tornar-se ia assim, mais uma província de Espanha: "Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla La Mancha e tínhamos Portugal. Provavelmente (a Espanha) teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria. Se Espanha ofende os nossos brios, seria uma questão a negociar" disse o escritor.(Lusa).
José Saramago tem uma extensa obra publicada, desde de poesia, Os Poemas Possíveis, 1966, Provavelmente Alegria, 1970, O Ano de 1993, 1975, também tem editado livros de Crónicas, e Memórias, Deste Mundo e do Outro, 1971, A Bagagem do Viajante, 1973, As Opiniões que o DL teve, 1974, Os Apontamentos, 1976, A Estátua e a Pedra, 1966, Folhas Políticas (1976-1998), 1999, Saramago na Universidade, 1999, Aquí soy Zapatista, 2000, Andrea Mantegna. Un’etica, un’estetica, 2002, El Nombre y la Cosa, 2006, As Pequenas Memórias, 2006, passando por livros de viagens, Viagem a Portugal, 1981, continuando com o Teatro, A Noite, 1979, Que Farei com Este Livro?, 1980, A Segunda Vida de Francisco de Assis, 1987, In Nomine Dei, 1993, Don Giovanni, ou o Dissoluto Absolvido, 2005.
Escreveu também um diário em 5 partes, Cadernos de Lanzarote - I, 1994, Cadernos de Lanzarote - II, 1995, Cadernos de Lanzarote - III, 1996, Cadernos de Lanzarote - IV, 1997, Cadernos de Lanzarote - V, 1998, alguns contos, Objecto Quase, 1978, Poética dos Cinco Sentidos – O Ouvido, 1979, O Conto da Ilha Desconhecida, 1997, A Maior Flor do Mundo, 2001.
No entanto é a sua obra romanesca a mais importante. José Saramago tem editado uma extensa lista de romances:Terra do Pecado, 1947, Manual de Pintura e Caligrafia, 1977, Levantado do Chão, 1980, Memorial do Convento, 1982, O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984, A Jangada de Pedra, 1986, História do Cerco de Lisboa, 1989, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991, Ensaio sobre a Cegueira, 1995, Todos os Nomes, 1997, A Caverna, 2000, O Homem Duplicado, 2002, Ensaio Sobre a Lucidez, 2004, As Intermitências da Morte, 2005. (Editorial Caminho).
Os livros de José Saramago encontram-se publicados em 53 países e em 42 idiomas.
O seu romance Memorial do Convento foi adaptado a ópera pelo compositor italiano Azio Corghi, com o título Blimunda. A estreia mundial, com encenação de Jerôme Savary, realizou-se no Teatro alla Scala, Milão, em 20 de Maio de 1990. Também da peça In Nomine Dei foi extraído um libreto, o da ópera Divara, estreada em Munster (Alemanha), em 31 de Outubro de 1993, com música de Azio Corghi e encenação de Dietrich Hilsdorf. Igualmente de Azio Corghi é a música da cantata A Morte de Lázaro sobre textos de Memorial do Convento, O Evangelho Segundo Jesus Cristo e In Nomine Dei, interpretada pela primeira vez em Milão, na igreja de San Marco, em 12 de Abril de 1995. Ainda de Azio Corghi é a música da cantata sobre O Ano de 1993, interpretada pela primeira vez em Florença, em 8 de Junho de 1999. Da sua obra teatral Don Giovanni, ou o Dissoluto Absolvido foi extraído o libreto da ópera de Azio Corghi Il Dissoluto Assolto, estreada em Lisboa, em 18 de Março de 2006, no Teatro Nacional de São Carlos. O seu romance A Jangada de Pedra foi adaptado ao cinema pelo realizador holandês George Sluizer em 2002, com o título de Het Stenen Vlot Spoorloos (Caminho).
Obras de José Saramago recebeu ao longo da sua carreira muitos prémios, de entre os quais se destacam:
Prémio da Associação de Críticos Portugueses “A Noite”, 1979, Prémio Cidade de Lisboa “Levantado do Chão”, 1980, Prémio PEN Clube Português “Memorial do Convento”, 1982, “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, 1984, Prémio Literário Município de Lisboa “Memorial do Convento”, 1982, Prémio da Crítica (Associação Portuguesa de Críticos) “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, Prémio Dom Dinis “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, 1986, Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, 1992, Prémio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), 1995, Prémio Camões, 1995, Prémio Grinzane-Cavour “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, 1987, Prémio Internacional Ennio Flaiano (Levantado do Chão), 1992, Prémio do jornal The Independent “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, 1993, Prémio Internacional Literário Mondello (Palermo), 1992 (Conjunto da Obra), Prémio Literário Brancatti (Zafferana/Sicília), 1992 ( pelo conjunto da obra), Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (APE), 1993, Prémio Consagração SPA (Sociedade Portuguesa de Autores), 1995, Prémio Nobel da Literatura, 1998, Prémio Europeu de Comunicação Jordi Xifra Heras (Girona) 1998, Prémio Nacional de Narrativa Città di Pienne (Itália) 1998, Prémio Canárias Internacional, 2001).
Em reconhecimento do seu trabalho literário foram atribuídas a José Saramago as seguintes distinções honoríficas: Comendador da Ordem Militar de Santiago de Espada 1985); Grande Colar da Ordem Militar de Santiago de Espada (1998). Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras ( França 1991); Oficial da Legião de Honra (França), Grã-Cruz da Ordem «Ilhas Canárias» (Espanha), Medalha Guayasamin-UNESCO; Medalha Rumiñahui (Equador) ; Grã-Cruz ao Mérito Cultural e Literário do Congresso Nacional (Equador) ; Grã-Cruz ao Mérito Educativo e Cultural «Juan Montalvo» (Equador), Medalha Isidro Fabela da Faculdade de Direito da UNAM (México).
José Saramago é Doutor «Honoris Causa» pelas Universidades de Turim (Itália), Sevilha (Espanha), de Manchester (Reino Unido), de Castilla -La Mancha (Espanha), de Brasília (Brasil), de Évora (Portugal), de Rio Grande do Sul (Brasil), de Minas Gerais (Brasil), de Las Palmas de Gran Canaria (Espanha), Politécnica de Valência (Espanha), Fluminense (Brasil), de Nottingham (Reino Unido), de Santa Catarina (Brasil), Michel de Montaigne – Bordéus (França), de Massachussets, Dartmouth (Estados Unidos da América), de Salamanca (Espanha), de Santiago (Chile), de la República del Uruguay (Uruguai), de Roma Tre (Itália), de Granada (Espanha), Carlos III (Espanha), Universitá per Stranieri di Siena (Itália), de Alberta (Canadá), Autónoma do Estado de México Toluca (México), de Tabasco (México), de Buenos Aires (Argentina), Charles-de-Gaulle – Lille 3 (França), de Alicante (Espanha), de Coimbra (Portugal), Autónoma de Madrid (Espanha), de El Salvador (São Salvador), Nacional (Heredia - Costa Rica), de Estocolmo (Suécia), Nacional de Irlanda (Dublin).
Membro «Honoris Causa» do Conselho do Instituto de Filosofia do Direito e de Estudos Histórico-Políticos da Universidade de Pisa (Itália); Membro correspondente da Academia Argentina de Letras; Membro do Patronato de Honra da Fundação César Manrique, Lanzarote (Canárias); Membro da Academia Europeia de Yuste (Espanha); «Beca de Honor» da Residência de Estudantes da Universidade Carlos III (Espanha); Sócio Honorário da Academia de Ciências de Lisboa; Membro da Academia Internacional de Humanismo (Amherst, Estados Unidos da América); Membro Honorário do Instituto Caro Y Cuervo, de Bogotá (Colômbia); Membro titular da Academia Europeia das Ciências, das Artes e das Letras, de Paris (França); Membro do Conselho do Futuro (UNESCO), Paris; Membro da Academia da Latinidade; Membro da Academia do Mediterrâneo; Sócio Honorário da Associação Provincial de Sevilha de Amizade com o Povo Sahauri (Espanha); Professor Coordenador Honorário do Instituto Politécnico de Leiria (Portugal); Presidente Honorário de Son Latinos (Espanha); Presidente Honorário da Fundación Alonso Quijano (Málaga); Académico Honorário da Academia Canaria de la Lengua (Canárias); Presidente Honorário da Fundação Centro José Saramago (Castril – Espanha); Membro do Comité de Honor da Fundação Rafael Alberti; Membro do Conselho Supremo das Academias de Colômbia; Membro Honorário do Centro Nacional de Cultura (Lisboa); Membro Honorário do Conselho Consultivo do Brussels Tribunal.
publicado por armando ésse às 23:02
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Novembro 14 2007

Cumpre-se hoje 100 anos do nascimento de Astrid Lindgren, mundialmente famosa pela criação da personagem Pipi das Meias Altas.
Astrid Anna Emilia Ericsson, depois do casamento Lindgren, nasceu a 14 de Novembro de 1907, em Vimmerby, Smaland, filha de agricultores, pôde crescer em liberdade na quinta dos pais, que mantinham o costume de contar histórias aos quatro filhos, encorajando possíveis esforços literários. Em muitos dos seus livros, a escritora descreve lugares e aventuras que experimentou na sua infância.
Aos dezoito anos de idade engravidou e, face à reacção da família, optou por se mudar para Estocolmo. Fez estudos técnicoprofissionais para poder vir a tornar-se administrativa, tendo conseguido uma colocação no Real Automóvel Clube da Suécia. Em 1931, casou com Sture Lindgren.
Astrid Lindgren tornou-se conhecida internacionalmente como a criadora da Pippilotta Viktualia Rullgardina Krusmunta Efraemsdotter Laangstrump, ou seja, Pipi das Meias Altas, uma rapariga órfã, de sardas irreverentes, meias altas e tranças ruivas que vive sozinha com um macaco e um cavalo, dona de uma árvore que dá chocolates e limonadas e de uma mala cheia de ouro.
Astrid Lindgren começou a criar as suas histórias quando a sua filha Karin ficou doente aos 7 anos e pediu que lhe contasse as histórias de Pipi das Meias Altas. Na época em que foram publicadas (1945), as suas aventuras divertiram os mais novos, mas chocaram alguns críticos que temeram o efeito adverso na educação das crianças. A sua abordagem fantástica, desconcertante para alguns, do universo infantil, nascia, segundo a autora, "de uma tentativa de divertir a criança que havia em si e, através dela, outras crianças".
Apesar de ter sido um grande sucesso, Astrid Lindgren não encontrou receptividade para editar imediatamente as suas histórias. A sua primeira tentativa fracassou pois o editor não queria ter responsabilidade por histórias que mostravam crianças brincando e desarrumando tudo à sua volta. Felizmente, Astrid Lindgren procurou outro editor, que com os contos de Astrid Lindgren se salvou a si mesmo da falência. Graças a ele, o mundo pode conhecer as lindas histórias de Astrid Lindgren.
As aventuras de Pipi das Meias Altas, foram passadas para uma série de televisão nos anos sessenta que obteve um sucesso estrondoso em todo o mundo. A série passou em Portugal nos anos setenta.
Na década de 60 Astrid Lindgren protestou contra a Guerra do Vietname e, em 1976, resolveu empreender uma campanha contra a injustiça nos impostos do governo sueco, quando chegou à conclusão que lhe eram cobrados cento e dois por cento dos seus rendimentos. Foi também a responsável pela aprovação de uma lei em 1988, em favor dos direitos dos animais, que ficou conhecida como Lex Astrid.
Astrid Lindgren escreveu mais de cem obras, entre romances, contos adaptados ao cinema e televisão, livros de canções e poesia - e recebeu importantes distinções, nomeadamente os prémios literários Hans Christian Andersen, em 1958, Lewis Carrol, em 1973, o International Book Award, da Unesco, e o Right Livelihood Award, também conhecido como “Prémio Nobel Alternativo” em 1993 . Astrid Lindgren, foi traduzida para 86 línguas e vendeu mais de 80 milhões de livros.
Os seus livros têm quase sempre como cenário o campo e como personagens principais crianças, reflectindo a sua própria experiência. As suas histórias diferem muito dos clássicos infantis da época. Nos seus artigos de 1939 e 1949, Astrid Lindgren defendia os direitos das crianças a serem tratadas como seres humanos sem serem oprimidos. Na sua época Astrid Lindgren revolucionou a literatura infantil da mesma maneira que antes fizera Lewis Carrol e agora o faz J.K. Rowling.
Astrid Lindgren faleceu em Estocolmo, após doença prolongada, em 28 de Janeiro de 2002.
Para honrar a sua memória, e fomentar a literatura infantil e juvenil a nível mundial, o Governo Sueco estabeleceu um prémio internacional em sua memória: O Prémio de Literatura em Memória de Astrid Lindgren (ALMA – Astrid Lindgren Memorial Award).
O Prémio no valor de cinco milhões de coroas suecas é o maior prémio internacional de literatura infantil e juvenil, e o segundo maior prémio de literatura do mundo. O Prémio é atribuído todos os anos a um ou a mais premiados, independentemente do idioma ou nacionalidade. As obras deverão ser de alta qualidade artística e marcadas pelo humanismo profundo que caracterizava Astrid Lindgren.
publicado por armando ésse às 10:51
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Novembro 14 2007

Cumpre-se hoje 100 anos do nascimento de Astrid Lindgren, mundialmente famosa pela criação da personagem Pipi das Meias Altas.
Astrid Anna Emilia Ericsson, depois do casamento Lindgren, nasceu a 14 de Novembro de 1907, em Vimmerby, Smaland, filha de agricultores, pôde crescer em liberdade na quinta dos pais, que mantinham o costume de contar histórias aos quatro filhos, encorajando possíveis esforços literários. Em muitos dos seus livros, a escritora descreve lugares e aventuras que experimentou na sua infância.
Aos dezoito anos de idade engravidou e, face à reacção da família, optou por se mudar para Estocolmo. Fez estudos técnicoprofissionais para poder vir a tornar-se administrativa, tendo conseguido uma colocação no Real Automóvel Clube da Suécia. Em 1931, casou com Sture Lindgren.
Astrid Lindgren tornou-se conhecida internacionalmente como a criadora da Pippilotta Viktualia Rullgardina Krusmunta Efraemsdotter Laangstrump, ou seja, Pipi das Meias Altas, uma rapariga órfã, de sardas irreverentes, meias altas e tranças ruivas que vive sozinha com um macaco e um cavalo, dona de uma árvore que dá chocolates e limonadas e de uma mala cheia de ouro.
Astrid Lindgren começou a criar as suas histórias quando a sua filha Karin ficou doente aos 7 anos e pediu que lhe contasse as histórias de Pipi das Meias Altas. Na época em que foram publicadas (1945), as suas aventuras divertiram os mais novos, mas chocaram alguns críticos que temeram o efeito adverso na educação das crianças. A sua abordagem fantástica, desconcertante para alguns, do universo infantil, nascia, segundo a autora, "de uma tentativa de divertir a criança que havia em si e, através dela, outras crianças".
Apesar de ter sido um grande sucesso, Astrid Lindgren não encontrou receptividade para editar imediatamente as suas histórias. A sua primeira tentativa fracassou pois o editor não queria ter responsabilidade por histórias que mostravam crianças brincando e desarrumando tudo à sua volta. Felizmente, Astrid Lindgren procurou outro editor, que com os contos de Astrid Lindgren se salvou a si mesmo da falência. Graças a ele, o mundo pode conhecer as lindas histórias de Astrid Lindgren.
As aventuras de Pipi das Meias Altas, foram passadas para uma série de televisão nos anos sessenta que obteve um sucesso estrondoso em todo o mundo. A série passou em Portugal nos anos setenta.
Na década de 60 Astrid Lindgren protestou contra a Guerra do Vietname e, em 1976, resolveu empreender uma campanha contra a injustiça nos impostos do governo sueco, quando chegou à conclusão que lhe eram cobrados cento e dois por cento dos seus rendimentos. Foi também a responsável pela aprovação de uma lei em 1988, em favor dos direitos dos animais, que ficou conhecida como Lex Astrid.
Astrid Lindgren escreveu mais de cem obras, entre romances, contos adaptados ao cinema e televisão, livros de canções e poesia - e recebeu importantes distinções, nomeadamente os prémios literários Hans Christian Andersen, em 1958, Lewis Carrol, em 1973, o International Book Award, da Unesco, e o Right Livelihood Award, também conhecido como “Prémio Nobel Alternativo” em 1993 . Astrid Lindgren, foi traduzida para 86 línguas e vendeu mais de 80 milhões de livros.
Os seus livros têm quase sempre como cenário o campo e como personagens principais crianças, reflectindo a sua própria experiência. As suas histórias diferem muito dos clássicos infantis da época. Nos seus artigos de 1939 e 1949, Astrid Lindgren defendia os direitos das crianças a serem tratadas como seres humanos sem serem oprimidos. Na sua época Astrid Lindgren revolucionou a literatura infantil da mesma maneira que antes fizera Lewis Carrol e agora o faz J.K. Rowling.
Astrid Lindgren faleceu em Estocolmo, após doença prolongada, em 28 de Janeiro de 2002.
Para honrar a sua memória, e fomentar a literatura infantil e juvenil a nível mundial, o Governo Sueco estabeleceu um prémio internacional em sua memória: O Prémio de Literatura em Memória de Astrid Lindgren (ALMA – Astrid Lindgren Memorial Award).
O Prémio no valor de cinco milhões de coroas suecas é o maior prémio internacional de literatura infantil e juvenil, e o segundo maior prémio de literatura do mundo. O Prémio é atribuído todos os anos a um ou a mais premiados, independentemente do idioma ou nacionalidade. As obras deverão ser de alta qualidade artística e marcadas pelo humanismo profundo que caracterizava Astrid Lindgren.
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