A FÁBRICA

Abril 20 2009

O que procuramos na literatura é um estremecimento na espinha dorsal.
Vladimir Nabokov
publicado por armando ésse às 13:17
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Abril 20 2009

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e 32 instituições parceiras lançam na terça-feira (21/04) a Biblioteca Digital Mundial, uma página na internet que oferece gratuitamente materiais culturais únicos de bibliotecas e arquivos de todo o mundo. A página será apresentada nas sete línguas da ONU, incluindo o português, graças à participação do Brasil como parceiro fundador.
O projecto da Biblioteca Digital Mundial, vai permitir que fiquem disponíveis na Internet, gratuitamente e em várias línguas, conteúdos essenciais de várias culturas mundiais como manuscritos, mapas, livros raros, partituras, gravações, filmes, fotografias, desenhos arquitectónicos, etc.
Um dos objectivos é aumentar os conteúdos de outras línguas na Internet (além da inglesa) e de outras culturas que não a ocidental e contribuir para a investigação académica. Lado a lado, poder-se-ão ali encontrar antigos manuscritos chineses e postais de Sarah Bernhardt, originais de Rabelais ao lado de uma gravação áudio da voz de Fountain Hughes, antigo escravo norte-americano de 101 anos. A página da Internet vai ser uma montra digital através da qual os utilizadores podem consultar e estudar dezenas de milhares de tesouros culturais de diversos países, como Suécia, Arábia Saudita e África do Sul, explica o jornal "The Guardian".
Tudo começou há quatro anos quando James Billington, bibliotecário da Biblioteca do Congresso em Washington, deu a ideia de se fazer esta biblioteca digital, com todo o conteúdo livre de direitos num sítio traduzido em sete línguas diferentes. O director do projecto é John Van Oudenaren, que disse ao "The Guardian" que espera que a Biblioteca Digital Mundial aproxime as culturas e que sirva de base para educadores em qualquer parte do mundo. Neste momento, já têm 32 parceiros (a Biblioteca Nacional do Brasil é uma delas e a Biblioteca de Alexandria também) e o Médio Oriente tem um grande peso. Por exemplo, diz o "The Guardian", a Biblioteca Nacional e os Arquivos do Iraque contribuíram com uma selecção de jornais do século XIX e XX escritos em árabe, inglês, curdo e turco otomano. A Biblioteca Nacional Francesa contribuiu, por exemplo, com filmes dos irmãos Lumière (Com Ípsil
on).
Link: AQUI.
publicado por armando ésse às 07:54

Abril 20 2009

O escrito J. G. Ballard morreu ontem, aos 78 anos (15 November 1930 – 19 April 2009) , vítima de doença prolongada. A notícia foi dada pela agente Margaret Hanbury, que disse que o autor de “Crash” e “Império do Sol” estava doente há já “vários anos”, adiantou a BBC.
Filho de um executivo britânico, James Graham Ballard nasceu em Xangai, na China, e cresceu na comunidade de expatriados da cidade.
Ballard era apresentado como escritor de ficção científica, mas costumava dizer que os seus livros eram “uma imagem da psicologia do futuro”. “Império do Sol”, o seu livro mais aclamado, baseava-se na sua infância passada num campo de prisioneiros japoneses, na China, durante a II Guerra Mundial. Publicado pela primeira vez em 1984, “Império do Sol” ganhou o Guardian Fiction Prize e o James Tait Black Memorial Prize, tendo sido finalista do Booker Prize; foi adaptada a cinema pelo realizado Steven Spielberg.
Também “Miracles of Life” começa e termina em Xangai, a cidade onde nasceu e onde passou a maior parte da guerra. Nele faz um relato de como passou do campo de Lunghua para uma Inglaterra traumatizada pela guerra, e como este país se transformou ao longo das décadas seguintes.
Entre os seus 15 romances, está o polémico "Crash", que conta a história de um grupo de pessoas com fascínio sexual por acidentes de carro, e que foi levado ao cinema pelo também controverso realizador David Cronenberg em 1996.
Ballard tirou o curso de Medicina em Cambridge e foi porteiro do Covent Garden, antes de partir para o Canadá. Publicou o seu primeiro romance em 1961, “The Drowned World”. Continuou a escrever artigos científicos a acompanhar a sua carreira literária. (Com o Público)
publicado por armando ésse às 07:29

Abril 17 2009

Pré-publicação: A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao, de Junot Díaz, vencedor do Pulitzer Prize for Fiction 2008.
O nosso herói não era um daqueles gatos dominicanos de quem toda a gente passa a vida a falar – não era nenhum jogador capaz de fazer um home-run, nem um dançarino de bachata, todo produzido, nem um playboy com um milhão de gajas no papo.
E, excepto durante um período muito inicial da sua vida, o tipo nunca tinha tido muita sorte com mulheres (uma coisa tão pouco dominicana).
Tinha sete anos, nessa altura.
Naqueles dias abençoados da sua juventude, o Oscar era qualquer coisa como um Casanova. Um daqueles namoradinhos do jardim-escola, sempre a tentar beijar as miúdas, sempre a aparecer-lhes por detrás durante um merengue e a dar-lhes aquela bombada com a pélvis; o primeiro negro a aprender o perrito, e aquele que o bailava em cada oportunidade que lhe aparecia. Como naquele tempo ele era (ainda) um miúdo dominicano «normal», criado numa família dominicana «típica», a sua mulherenguice nascente foi encorajada pela família e pelos amigos, de maneira igual. Durante as festas – e havia muitas, muitas festas, naqueles já tão longínquos dias dos anos setenta, antes de Washington Heights se tornar Washington Heights, antes de Bergenline se ter tornado um tiro e queda para os Espanhóis, em quase cem blocos de habitações – algum seu parente já com os copos empurrava inevitavelmente o Oscar na direcção de uma rapariguinha e, então, toda a gente se punha a berrar enquanto o miúdo e a miúda imitavam o movimento de ancas dos adultos.
Deviam tê-lo visto, suspirava a mãe nos seus Últimos Dias. Ele era o nosso pequeno Porfirio Rubirosa .
Todos os outros miúdos da sua idade evitavam as miúdas como se elas fossem uma daquelas formas horríveis em que o Captain Trips se transformava. O Oscar, não. Aquele homenzinho gostava de fêmeas, tinha «namoradas» à brava. (Era um miúdo forte, a caminhar rapidamente para o gordo, mas a mãe arranjava-lhe sempre uns cortes de cabelo e umas roupas catitas, e antes de as proporções da sua cabeça mudarem, ele tinha aqueles olhos que cintilavam adoravelmente e aquelas bochechas firmes, visíveis em todas as suas fotografias). As miúdas – as amigas da sua irmã, a Lola, as amigas da mãe, até a vizinha, a Mari Colón, uma funcionária dos Correios, de uns trinta e tais, que pintava os lábios de encarnado e caminhava como se tivesse um sino de bronze em vez de um cu –, todas se apaixonaram por ele, supostamente. Ese muchacho está bueno! (Fazia alguma coisa ao caso que ele fosse um miúdo sério e tivesse dificuldades de concentração? Nenhuma!) Na República Dominicana, durante as visitas de Verão à residência da família em Baní, ele era do piorio, plantava-se em frente à casa da Nena Inca e gritava para as mulheres que passavam – Tú eres guapa! Tú eres guapa! – até que um Adventista do Sétimo Dia fez queixa à avó, que fez calar aquela cantilena de sucesso a grande velocidade. Muchacho del diablo! Isto não é nenhum cabaré!
Para o Oscar, aquela foi, na verdade, uma Era Dourada, uma era que atingiu a sua apoteose no Outono do seu sétimo ano, quando ele teve duas namoradinhas ao mesmo tempo, o seu primeiro e único ménage à trois de sempre. Com a Maritza Chacón e a Olga Polanco.
A Maritza era uma amiga da Lola. De cabelo longo e nojentinha, e tão bonita que poderia ter desempenhado o papel da Dejah ThorisII. A Olga, por outro lado, não era amiga da família. Vivia na casa ao fundo do bloco, aquela da qual a mãe do Oscar se queixava de estar cheia de porto -riquenhos que estavam sempre por ali, pela entrada do bloco, a beber cerveja. (Olha que isto, não poderiam ter feito isso lá em Cuamo?, perguntava a mãe do Oscar, de mau humor.) A Olga tinha assim como que noventa primos, os quais pareciam chamar-se todos Hector, ou Luis, ou Wanda. E como a mãe dela era uma maldita borrachona (para usar as palavras da mãe do Oscar), nalguns dias, a Olga tinha um cheiro a cu, motivo pelo qual os miúdos lhe começaram a chamar Dona Porcalhota.
Dona Porcalhota ou não, o Oscar gostava da sua maneira de ser, calada, de como ela o deixava atirá-la ao chão e andar à bulha com ela, do interesse que ela demonstrava pelos seus bonecos do Star Trek. A Maritza era bela, só isso, sem qualquer outro tipo de atracção, também sempre por ali, e foi mesmo um golpe de puro génio que o convenceu a atirar-se a ambas, ao mesmo tempo. Primeiro, fingiu que se tratava do seu herói número um, Shazam, quem queria namorar com elas. Mas, depois de elas o aceitarem, deixou cair todos os fingimentos. Não era o Shazam, era o Oscar.
Eram dias bem inocentes, aqueles, e, por isso, a relação deles equivalia a ficar juntinho a cada uma delas, na paragem de autocarro, a um dar as mãos, às escondidas, e a uma dupla de beijos nas faces, muito a sério, primeiro, à Maritza, e, depois, à Olga, lá onde uns arbustos impediam que fossem vistos da rua. (Olhem para aquele pequeno macho, diziam os amigos da mãe. Que hombre.)
Aquele arranjinho a três durou apenas uma única e bela semana. Um dia, depois da escola, a Maritza encostou-o atrás do baloiço e ditou as regras, Ou ela ou eu! O Oscar segurou a mão da Maritza e falou de um modo grave, e bastante, sobre o seu amor por ela, recordando-lhe que eles tinham concordado em partilhar, mas a Maritza não quis ouvir nada daquilo. Tinha três irmãs mais velhas, sabia tudo o que necessitava saber acerca do que era partilhar. Não me voltes a dirigir a palavra a não ser que te vejas livre dela! Com a sua pele cor de chocolate e os seus olhos estreitinhos, a Maritza expressava já a energia Ogún com que enfrentaria toda a gente durante o resto da sua vida. Taciturno, o Oscar dirigiu-se para casa, para as suas bandas desenhadas da era anterior às fábricas clandestinas coreanas – para os Herculoids e o Space Ghost. O que é que se passa contigo?, perguntou a mãe. Estava a arranjar-se para ir para o seu segundo emprego, o eczema nas suas mãos a fazer lembrar um qualquer prato de comida mal amanhado que já tivesse assentado. Quando o Oscar se lamentou, As raparigas, a Mãe De León quase explodiu. Tu ta llorando por una muchacha? Levantou-o do chão por uma orelha.
Mami, pára com isso, gritou a irmã dele, pára!
Ela atirou-o para o chão. Dale un galletazo, disse, ofegante, e logo vais ver como essa putinha passa a respeitar-te.
Se ele fosse um gajo diferente, talvez tivesse considerado aquela hipótese do galletazo. Não era apenas o facto de ele não ter um pai qualquer para lhe mostrar as regras dos homens, faltavam-lhe, simplesmente, quaisquer tendências agressivas e marciais. (Ao contrário da irmã, que bulhava com rapazes e com bandos de morenas que odiavam o seu nariz fino e o cabelo assim para o liso.) Numa avaliação de combate, o Oscar teria assim como que um zero; até a Olga, com os seus braços como palitos, era capaz de lhe bater os pés. Agressão e intimidação estavam fora de questão. Por isso, reflectiu sobre o assunto. Não demorou muito a decidir. Ao fim e ao cabo, a Maritza era bela, e a Olga, não; às vezes, a Olga cheirava a mijo, e a Maritza, não. A Maritza tinha permissão para ir a casa deles, e a Olga, não. (Uma porto-riquenha aqui em casa?, dizia a mãe, com escárnio. Jamás!) Assim, o seu raciocínio lógico aproximou-se tanto da matemática do sim ou não dos insectos quanto um gajo lá podia chegar. Terminou tudo com a Olga, no dia seguinte, no recreio, com a Maritza a seu lado, e como a Olga tinha chorado! A tremer como um farrapo, naquela sua roupa herdada e naqueles sapatos quatro tamanhos acima dos dela! O ranho a sair-lhe do nariz e tudo! (Público).
Ficha do livro
Código: 04148
Editora: Porto Editora
ISBN-13: 978-972-0-04148-7
Última Edição: Setembro de 2008
N.º de Páginas: 296
Preço de Capa: EUR 16,50
Encadernação: Capa mole
Dimensões: 15 x 23,5 cm
publicado por armando ésse às 15:54
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Abril 17 2009

A sabedoria suprema é ter sonhos bastante grandes para não se perderem de vista enquanto os perseguimos.
William Faulkner.
publicado por armando ésse às 15:49
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Abril 16 2009

Cinco anos depois dos ataques terroristas de 11 de Março, em Madrid, recordam-se os factos: Às 07h37 (06h37 em Lisboa), uma bomba explodiu num comboio junto à estação de Atocha, um minuto depois ouvem-se outras explosões na mesma composição. No interior da estação de Atocha instala-se o caos e as centenas de passageiros tentam abandonar o terminal ferroviário. Às 07h38, mais duas bombas explodem nas estações de El Pozo e Santa Eugenia. Um minuto depois, às 07h39, quatro explosões destroem um comboio a 500 metros da estação de Atocha. A explosão de dez bombas, em apenas três minutos, provocou 191 mortos e mais de 1.500 feridos, naquele que é considerado o maior atentado terrorista de sempre na Europa.
Em Outubro de 2007, foi conhecida a sentença do julgamento dos atentados de 11 de Março. Dos 28 réus presentes a julgamento, 21 foram condenados a cumprir pena, mas 7 foram absolvidos. Nalguns casos, a acumulação de delitos levou a penas de 40.000 anos de prisão.
Em Julho de 2008, o Tribunal Supremo analisou um total de 31 recursos da sentença, apresentados pelo Ministério Público, por associações de vítimas e pela maioria dos condenados.
Acabou por absolver quatro dos 21 condenados por responsabilidade nos atentados de 11 de Março, condenando um outro arguido que tinha sido absolvido e mantendo a absolvição de um dos suspeitos de autoria intelectual do massacre.
O quinto aniversário dos atentados será o primeiro com os responsáveis na cadeia. O dia de hoje é marcado pela realização de homenagens e debates com especialistas e vítimas de terrorismo, numa altura em que as vítimas começam a ser esquecidas, pelas entidades governamentais. As iniciativas, organizadas pelas autoridades espanholas e pela Rede Europeia de Vítimas de Terrorismo, decorrerão em vários pontos de Madrid. (Público e RTP).

publicado por armando ésse às 07:46

Abril 13 2009


Considerado um dos maiores escritores e dramaturgos do século XX, o irlandês Samuel Beckett nasceu a 13 de Abril de 1906, na localidade de Foxrock, perto de Dublin. Nascido no seio de uma abastada família protestante, não teve uma infância muito feliz e depressa se tornou num jovem infeliz. Inadaptado às regras de uma sociedade que considerava repulsiva, refugia-se na solidão, que faz transparecer em toda a sua obra. Em 1923 ingressa no Trinity College, de Dublin para fazer a sua formação académica, onde em 1927, se licenciou em línguas modernas, francês e italiano, com uma excelente classificação. Em 1928, Beckett mudou-se para Paris, onde conheceu James Joyce, e depressa se tornou um seguidor do escritor. Esta amizade será decisiva para a sua carreira literária.
Aos 23 anos, escreveu um ensaio em defesa de "Ulisses", a obra-prima de James Joyce, que tinha sido proibida na sua Irlanda natal. Depois de um estudo sobre Proust, Samuel Beckett, chegou à conclusão que o hábito e a rotina eram o “cancro do tempo”: o tempo, inexorável, ao qual estamos presos. Samuel Beckett, faz questão de nos lembrar, que a cada momento, o fim se aproxima, que a morte espreita, que o jogo irá acabar e nós irremediavelmente, perderemos.
Se temos conhecimento disso, então por que continua-mos à espera? Porquê? Porque devemos saber que enquanto se espera a vida continua e devemos vive-la da melhor forma possível, a cada segundo, compreendendo-a pequena e grandiosa ao mesmo tempo. Por causa destas conclusões, abandonou o seu cargo no Trinity College e iniciou uma viagem pela Europa, visitando a França, Inglaterra e a Alemanha, onde viveu as mais diversas experiências que depois se traduziram em personagens.
Em 1938 fixou residência em Paris, onde dois acontecimentos o vão marcar para o resto da vida: é gravemente ferido ao ser agredido por um estranho, que lhe desferiu uma facada no peito, e conhece Suzanne Deschevaux-Dusmenoil, o amor da sua vida e com quem se casaria em 1961.
Durante a Segunda Guerra Mundial, Beckett permaneceu em Paris, onde lutou pela Resistência, até que alguns membros o seu grupo foram presos e Beckett foi forçado a refugiar-se, com a sua mulher na zona conhecida como "França Livre", a parte da França que não tinha sido ocupada, pelas tropas nazistas.
Em 1945, regressou a Paris e iniciou o seu período mais prolífico enquanto escritor. No período cinco anos, entre 1948 e 1953, produziu a sua obra mais significativa.
Escreveu "Eleutheria" (1948), "À espera de Godot" (1952), e a trilogia, universalmente aclamada como essencial à compreensão da experiência humana, “Molloy” (1951), “Malone está a Morrer” (1951) e “O Inominável” (1953).O seu primeiro sucesso, chegou, em 1952 com "À Espera de Godot". Apesar das especulações, a pequena peça onde nada acontece, tornou-se num sucesso repentino e um marco no teatro do absurdo.
As personagens desta peça, exemplificam a situação do homem encurralado num mundo de rotina: dois vagabundos, Vladimir e Estrabon, indecisos e inertes, esperam em vão a chegada de um personagem enigmático e misterioso, Godot, símbolo do inalcançável, que de um modo inexplicável, melhorará as suas vidas.Depois do sucesso de "À Espera de Godot", Samuel Beckett dedica-se a traduzir os seus textos para inglês e volta a escrever nesta língua, construindo, um caso raro na Literatura moderna, uma obra bilingue.
As obras de Beckett traduzem com um grande poder de síntese, toda a condição humana. As questões que são necessárias esclarecer dessa condição são amplamente trabalhadas e poeticamente materializadas. Os personagens das suas obras, reflectem a posição do autor em relação à vida, à morte, aos desejos, aos fracassos e à impossibilidade da felicidade.
O reconhecimento crescente do seu trabalho culminaria com o Prémio Nobel da Literatura, em 1969. Depois disso e apesar de ser aclamado a nível mundial, continuou a escrever até à sua morte, que ocorreu em Paris, a 22 de Dezembro de 1989, vitima de enfisema, contra o qual lutou nos últimos três anos, da sua vida .
publicado por armando ésse às 15:16
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Abril 13 2009

Tenta. Fracassa. Não importa. Tenta outra vez. Fracassa de novo. Fracassa melhor.
Samuel Beckett
publicado por armando ésse às 14:31
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Abril 11 2009

Corín Tellado viveu a sua carreira à sombra numérica de um homem: Miguel de Cervantes, o único autor de língua castelhana que vendia mais do que ela. Mas a escritora, que morreu hoje em Gijón aos 82 anos, bateu o autor de Dom Quixote noutros números: Corín Tellado publicou mais de quatro mil obras, novelas e romances de cordel que marcaram várias gerações, e entrou no Guiness por ter vendido mais de 400 milhões de exemplares dos seus escritos.
“A vasta produção de Corín Tellado ficará como exemplo de um fenómeno sociocultural”, comentou um dia o escritor Mario Vargas Llosa. Ontem, a conselheira asturiana da Cultura e Turismo, Mercedes Alvarez, elogiou os “rasgos de modernidade” da obra de Tellado, “uma mulher muito avançada em relação ao seu tempo”.
Mas Corín, de seu nome María del Socorro Tellado López, não se considerava tão progressista. “Um dia a mulher terá o mesmo peso que o homem, mas ainda lhe falta andar muito”, disse numa entrevista publicada no seu site. Nascida em 1926 em Viavélez, na costa asturiana, viveu, casou e teve os dois filhos em Gijón. Mas o casamento da autora de novelas românticas mais lida do mundo castelhano não durou mais do que três anos. Em 1962, quando se divorciou, assinou contrato exclusivo com a editora Bruguera, a mesma em que publicou a seu primeira novela, Atrevida Apuesta (1946), pouco antes de fazer 20 anos.
A sua carreira fez-se então de novelas de cordel, fotonovelas e romances mais extensos, como Lucha Oculta (1991), que disse ser a sua obra favorita. Muitos foram publicados em Portugal, nomeadamente pela Agência Portuguesa de Revistas, tanto em pequeno formato como no de fotonovela, indica a Lusa.
Defensora do asturiano como língua co-oficial das Astúrias e distinguida pela UNESCO pela quantidade de leitores conseguidos em vida, não gostava de livros que não fossem de fácil compreensão. Defendia as suas obras como “entretenimento” e preferia as ideias que tinha à noite. Considerava ter “muita sorte” com a sua imaginação — “Alinhavo um argumento em cinco minutos”. Inspirava-se na vida quotidiana e juntava-lhe os ingredientes base: amor, ciúme e infidelidade.
As histórias de Corín Tellado atravessaram meios: foram adaptadas para a rádio (Lorena, em 1977), para o cinema (Tengo Que Abandonarte, 1970) e para a televisão de vários países. Em 2000 publicou a sua primeira obra na Internet, Milagro en el Camino. Paralelamente, e de acordo com o diário asturiano La Nueva España, também escreveu contos infantis e juvenis e assinou, sob o pseudónimo Ada Miller, uma colecção de novelas eróticas.
A sua última história, ditada à nora (já não usava a máquina de escrever), foi terminada quarta-feira. O seu destino é a revista cubana Variedades, com a qual colaborava desde 1951, altura em que, graças à presença dos seus escritos, aumentou a tiragem de 16 mil para 68 mil exemplares, como recorda o diário ABC. Corín Tellado, que terá morrido na sequência de um acidente vascular cerebral, será sepultada segunda em Gijón, onde há uma rua com o seu nome.(Público)
publicado por armando ésse às 07:47

Abril 10 2009

As manifestações culturais surgidas nos Estados Unidos e na Europa na década de 1960, feitas por jovens da classe média na sua maioria, que tiveram contacto com teorias de cientistas sociais e estudiosos do comportamento humano nas universidades, expandiram-se graças à imprensa. A imprensa norte-americana criou o termo Contracultura, para designar este conjunto de manifestações de carácter intelectual e estético que se opunha ou se diferenciava das instituições e dos valores dominantes na sociedade. Surgida nos anos 50, a Geração Beat - “Beat Generation”- foi o primeiro movimento de contracultura com forte importância histórica e cultural a acontecer nos EUA. Os seus membros eram conhecidos como beatniks (rótulo que Jack Kerouac reivindica como seu): uma corrupção do nome do satélite russo Sputnik com o termo inglês beat, de vários significados, entre eles o ritmo e o aspecto depressivo, que torna essa uma geração maldita.
Os beatniks eram jovens que se conheceram dentro e fora da universidade, interessados em escritos não ortodoxos como Rimbaud, Willian Blake, Melville, Withman, Kafka, Nietzsche, alguns dos quais vieram depois a ser adoptados nas universidades, sendo inclusive os professores acusados de transmitirem valores subversivos aos estudantes. Inquietos, marginais, pretendiam mostrar o seu desgosto com o status quo do consumismo e da tecnocracia, contrapondo propostas alternativas de vida. Não queriam mudar o mundo, nem fazer a revolução, mas lutar pelo direito de ser diferente. Não tinham soluções para os males do mundo. Nem para os próprios. Apesar das principais contribuições desta geração terem se dado na literatura, não é difícil identificar traços seus noutras formas de arte.
A Beat Generation na literatura compreendia um número pequeno de escritores, dos quais Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William S. Burroughs são os mais conhecidos. Os três conheceram-se na Universidade Columbia, em Nova Iorque, no meio da década de 40, e tornaram-se grandes amigos, cada um encorajando o outro a escrever, até que as editoras começaram a levar o seu trabalho a sério no fim dos anos 50.
Allen Ginsberg é considerado o principal poeta da “Beat Generation”. Nascido a 3 de Junho de 1926, em New Jersey, Allen Ginsberg foi uma criança complicada e tímida, dominada pelos estranhos e assustadores episódios de sua mãe, uma mulher completamente paranóica, que acreditava que o mundo conspirava contra ela. Ao mesmo tempo, Allen teve que lutar para compreender o que estava acontecendo dentro dele, já que era consumido pela luxúria de outros meninos de sua idade. Na escola secundária, descobriu a poesia, mas logo ao ingressar na Universidade de Columbia, fez amizade com um grupo de jovens delinquentes, pensadores de almas selvagens, obcecados igualmente por drogas, sexo e literatura. Ao mesmo tempo em que ajudava os amigos a desenvolverem os seus talentos literários, Allen perdia de vez a sua ingenuidade, experimentando drogas e frequentando bares gays em Greenwich Village. Assumindo um estilo de vida bizarro, como se procurasse em si mesmo a face da loucura de sua mãe, Ginsberg acabou por se submeter a tratamento psiquiátrico. Aos 29 anos, já tinha escrito muita poesia, mas quase nada publicado. Allen Ginsberg ganhou popularidade a partir de 1956, com o seu poema/livro “Uivo”.
Lançado no Outono de 1956, o longo "Uivo" foi apreendido pela polícia de San Francisco, sob a acusação de se tratar de uma obra obscena. Depois de um tumultuoso julgamento, semelhante ao que foi submetida a novela de William Burroughs, Naked Lunch, o Supremo Tribunal autorizou a publicação e vendeu milhões de exemplares. Por esse período, Ginsberg viaja pelo mundo, descobre o budismo e apaixona-se por Peter Orlovsky, que seria seu companheiro durante 30 anos, embora a sua relação não fosse monógama. No início dos anos 60, enquanto já era famoso, lança-se na cultura hippie, ajudando Thimoty Leary a divulgar o psicadélico LSD e participa num grande número de eventos, como o Human Be-In, em 1967, em San Francisco, onde é um dos que conduzem a multidão cantando o mantra OM.
Ginsberg é também figura-chave nos protestos contra a guerra do Vietname na Convenção do Partido Democrático de Chicago, em 1968. Após conhecer o guru tibetano Rinpoche, Ginsberg aceita-o como seu guru pessoal. Depois, juntamente com a poeta Anne Waldman, cria uma escola de poesia. Sempre participando de eventos multiculturais, Ginsberg manteve a sua agenda social activa até a sua morte, em 5 de Abril de 1997, em Nova Iorque. As suas últimas palavras, foram “pensei que iria ter medo mas estou animado”.
publicado por armando ésse às 15:22
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