A FÁBRICA

Maio 28 2005

O nascimento de Tenzing Norgay talvez tenha sido humilde mas estava imbuído de bons presságios. Os pais viviam numa aldeia de alta montanha, Thame de seu nome, no Nepal, mas à data do seu nascimento, corria o ano de 1914, os seus pais estavam em peregrinação a um lugar sagrado, chamado Ghang Lha no leste Nepal.O pequeno Namgyal, foi este o nome que os pais lhe deram, Namgyal Wangdi, acabou por nascer neste lugar sagrado para os budistas. Mais tarde um Lama mudou-lhe o nome para Tenzing Norgay (Norgay quer dizer afortunado) e o jovem Tenzing sempre pensou que tinha sido bafejado pela sorte e tinha uma Graça especial. O seu destino estava traçado desde de muito novo, ser guardador de iaques na alta montanha, no sopé do Monte Evereste. Tenzing Norgay, acreditava quando era criança que nessa montanha viviam os deuses e observava-a fascinado, enquanto cuidava dos iaques de seu pai. “Não sei por quê, mas desde criança sentia que precisava de chegar ao cume dessa montanha”, comentou em 1953, poucas semanas depois de sua façanha. Por volta dos treze anos, fez uma viagem secreta, sem autorização dos pais, a Kathmandu, a capital do Nepal, no regresso decidiu que teria fazer tudo para poder chegar ao cimo do monte Evereste. Assim, cinco anos mais tarde, outra vez sem a permissão dos pais, mudou-se para Darjeeling na Índia, com a esperança de se juntar a uma Expedição Britânica ao Monte Evereste que se estava a organizar aí. Por um golpe de sorte, Tenzing entra na equipa de Eric Shipton´s, na Expedição Britânica ao Evereste de 1935. Tinha 19 anos e era recém-casado, com Dawa Phuti, uma rapariga Sherpa que vivia em Darjeeling. A sua performance foi tão boa que firmou uma reputação lendária de tenacidade, que fez com que não tivesse mais dificuldades em ser contratado nas expedições seguintes, nomeadamente as expedições de 1936 e 1938.Com a chegada da Segunda Guerra Mundial, as grandes expedições ao Evereste ficaram paradas, mas Tenzing não deixou de escalar. Apesar do seu nome estar ligado ao Evereste, também participou em expedições ao, Nanda Devi, na Índia, Tirich Mir e Nanga Parbat no Paquistão, Chomo-Langma no Nepal, e Garwhal, na Índia, sendo estes dois últimos escalados pela primeira vez, por Tenzing Norgay e companheiros de escalada. Entretanto a sua primeira mulher, Dawa Phuti morreu em 1944, e Tenzing volta a casar um ano mais tarde, com Ang Lhamu, outra Sherpa. Em 1947 acompanhou Earl Denman, quando este tentou a subida solitária ao topo do Evereste. No ano seguinte, acompanhou o famoso tibetologista Giuseppe Tucci, numas escavações arqueológicas no Tibete, e contra tudo o que se podia pensar, foi uma das poucas pessoas que teve a possibilidade de privar com o excêntrico e irascível Professor. Mas o seu objectivo de sempre era o cume do Monte Evereste. Num mundo em mudança com a chegada ao fim da Segunda Guerra Mundial, o Nepal abriu as suas fronteiras aos estrangeiros ao mesmo tempo que os chineses invadiram e ocuparam o Tibete, fechando a rota Norte. Outros países interessaram-se por ser os primeiros a por os seus homens no cume do Monte Evereste, o monopólio das Expedições Britânicas nas tentativas de conquistar o Evereste estavam a chegar ao fim. Em 1952 Tenzing Norgay foi convidado a juntar-se à expedição Suiça, não como carregador Sherpa mas como companheiro de escalada, nas duas tentativas protagonizadas para alcançar o cume. Foi na primeira destas duas tentativas que Tenzing Norgay chegou a mais de 8600 metros – um recorde até então – com o companheiro de escalada Raymond Lambert. A segunda tentativa, no Inverno, falhou devido ás más condições atmosféricas. Durante um período aproximado de vinte anos, Tenzing Norgay fez parte de todas as expedições que tentavam por um homem no topo do Monte Evereste. Nesta época, apesar dos companheiros Sherpas, fazerem as escaladas por dinheiro, era uma questão de sobrevivência, Tenzing Norgay queria desesperadamente chegar ao cume do Monte Evereste. Tinha devotado uma boa parte da sua vida a este objectivo. “ Pelo meu coração” disse uma vez “ tinha que ir... o pulsar do Evereste era mais forte do que qualquer outra força da Terra”
Se houvesse alguém que merecia ser o primeiro a pisar o cume do Monte Evereste, esse alguém era indiscutivelmente Tenzing Norgay. Os britânicos sentiam que a expedição de 1953, seria a última chance de serem os primeiros a chegarem ao topo do Evereste e planearam a expedição como tal. Em 1953, Tenzing, realizava a sua sétima tentativa de conquistar o “tecto do mundo”. “Ninguém fez mais tentativas de escalar o Evereste do que eu” comentava. “Pequeno e concentrado”, como costumava-se definir, Norgay demonstrava força, resistência e uma agilidade que lhe valeram o apelido de “Tigre das neves”.
Ao chegar ao topo do Evereste no dia 29 de Maio de 1953, Tenzing Norgay, budista fervoroso, ergueu um pequeno altar, a Sagarmatha, (nome em nepalês do Monte Evereste, e que quer dizer, a deusa mãe da Terra) onde deixou chocolate, uma lapiseira, que tinha recebido de presente da sua filha, além de outras oferendas. “Nunca estive ante semelhante vista e nunca voltarei a estar: selvagem, maravilhosa e terrível. Mas não senti nenhum medo: tinha muito carinho pelo Evereste. Havia esperado por este momento durante toda minha vida. Minha montanha não me pareceu uma coisa morta de rocha e gelo, mas quente, amiga e viva”, contou Norgay. Tenzing Norgay converteu-se rapidamente numa celebridade, distinguido pela coroa britânica e recebido pelo Papa. Recebeu a mais alta condecoração do Nepal a “Nepal Tara”. O governo indiano colocou-o à frente de uma escola de sherpas, Hymalayan Mountaineering Institute, posto que ocupou durante 22 anos e a sua popularidade serviu-lhe para defender a causa do seu povo, identificado desde então com as expedições nos Himalaias. Depois do Evereste, Norgay lançou-se noutras aventuras. Em 1963, escalou o monte Elbruz (5.642 metros) no Cáucaso, junto com sete montanhistas soviéticos. Também organizou expedições no Nepal para clientes endinheirados, mesmo sem deixar de lamentar a mercantilização dos Himalaias. Passou os seus últimos anos junto da sua terceira esposa, Daku de seu nome, a sua segunda mulher Ang Lahamu tinha morrido em 1964, numa aldeia indiana, Darjeeling, entre Nepal e Butão. Morreu no dia 9 de Maio de 1986, aos 72 anos. A procissão formada para seguir o funeral tinha mais de um quilómetro de comprimento. Edmund Hillary, seu companheiro na conquista do Evereste, disse “sentir-se profundamente traumatizado” com o desaparecimento do mais extraordinário montanhistas de todos os tempos.
Um dos seus três filhos, Jamling, seguiu as pisadas do pai e chegou ao cume do Monte Evereste em 1996.
publicado por armando ésse às 14:09

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