A FÁBRICA

Abril 03 2006

Wangari Muta Maathai nasceu a 1 de Abril de 1940 em Nyeri, no Quénia. Licenciou-se em Biologia no Kansas, um feito raro para as raparigas oriundas das áreas rurais do Quénia. De regresso ao seu país trabalhou em investigação na medicina veterinária na Universidade de Nairobi. Apesar de todo o cepticismo e oposição alcançou a direcção da faculdade de veterinária. Em 1970, o seu marido concorreu ao Parlamento e Maathai envolveu-se num projecto de apoio aos pobres, tornando-se mais tarde numa organização de apoio ao ambiente. Este projecto tornou-se num significante avanço contra a desflorestação no Quénia.
Em 1989, fundou o Movimento Cinto Verde, com o qual mobilizou mulheres pobres a plantar 30 milhões de árvores. Esta campanha, viria a ser copiada por outros países, , tais como a Tanzânia, Uganda, Malawi, Lesoto, Etiópia, Zimbabwe, etc. O objectivo de Wangari era produzir, de forma sustentável, madeira para combustível e combater a erosão do solo. Em entrevista à BBC, a queniana disse que a campanha não contou com apoio popular quando foi lançada. “Levei muitos dias e noites para convencer as pessoas de que as mulheres poderiam melhorar o meio ambiente, mesmo sem muita tecnologia ou recursos financeiros”, disse.

O Movimento do Cinto Verde lutou (luta) também pela educação, contra a fome e outros assuntos importantes para as mulheres e para a sociedade no geral. No final da década de 80, tornou-se uma opositora famosa da construção de um arranha-céus planeado para ser erguido no meio do principal parque da capital do Quénia. Wangari tornou-se uma vilã para o governo queniano da época, mas a campanha foi bem-sucedida e o projecto, abandonado.
Em 1991, foi presa tendo sido libertada com a ajuda da Amnistia Internacional. Posteriormente foi novamente presa por diversas vezes pelo governo do presidente queniano Daniel Moi. Em 1997, concorreu às presidenciais do Quénia, apesar do seu partido ter retirado a sua candidatura alguns dias antes das eleições, sem o seu conhecimento. Em Dezembro de 2002, Mwai Kibaki, o principal candidato da oposição, ganhou as presidenciais no Quénia, pondo fim a 24 anos de liderança do presidente Daniel Arap Moi, permitindo a entrada de Maathai no Parlamento.
Em Dezembro de 2003, Kibaki nomeou-a assistente do ministro do Ambiente. Maathai permaneceu corajosamente contra o antigo regime opressivo no Quénia e serviu de inspiração a muitas pessoas na luta pelos direitos democráticos.
Em 2004 o Comité Nobel da Noruega decidiu atribuir o Prémio Nobel da Paz a Wangari Maathai pelo seu contributo para o desenvolvimento sustentável, a democracia e a paz. “A paz na terra depende da nossa habilidade em defender o nosso ambiente vivo. Maathai ergue-se na frente da luta para promover o desenvolvimento social, económico e cultural ecologicamente viáveis no Quénia e na África. Ela fez uma abordagem ao desenvolvimento sustentável que abraça a democracia, os direitos do homem e os direitos da mulher em particular. Pensa globalmente e age localmente”, lê-se na decisão do Comité Nobel da Noruega.
Maathai causou controvérsia na comunicação social internacional, quando numa conferência de imprensa, após o anúncio da conquista do Prémio Nobel da Paz, disse que o " vírus HIV era um produto criado pelo homem através de bio-engenharia, e foi introduzido em África por cientistas ocidentais não-identificados como uma arma de destruição em massa para “punir os negros”. Desde então tem fugido a tomar uma posição definitiva, alegando que “Eu não sei qual é a origem do vírus da SIDA, mas espero que um dia saibamos, porque isso é algo que obviamente todos queremos saber, de onde vem a doença”.
Wangari Maathai foi a primeira mulher africana a ser laureada com um Prémio Nobel.
publicado por armando ésse às 07:56
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