A FÁBRICA

Agosto 26 2005

Charles Lindbergh nasceu a 4 de Fevereiro de 1902, em Detroit, Michigan, e cresceu numa pequena cidade, Little Falls, estado de Minnesota. Era filho de Charles A. Lindbergh, congressista de 1907 a 1917, e Evangelyne Lodge. Aos 18 anos, Charles entrou para a Universidade de Wisconsin, para estudar engenharia. Dois anos depois, abandonou a faculdade para se tornar piloto itinerante. Em 1924, alistou-se no exército, foi para o curso de piloto da Reserva do Serviço Aéreo Nacional. Em 1925 graduou-se como melhor piloto da sua classe. Após o serviço militar no Exército, foi contratado pela “Robertson Aircraft Corporation” para fazer voos de correio entre St. Louis e Chicago. Mas, secretamente, Charles acalentava o mesmo sonho de todos os pilotos da época: ganhar os 25.000 dólares, oferecidos pelo dono de um hotel de Nova York, Raymond Orteig, para o primeiro aviador a voar de Nova York a Paris sem escalas. Em 1927, vários pilotos já haviam perdido as suas vidas tentando. Lindbergh estava certo de que poderia vencer, se tivesse o avião adequado. Naquela época, a esmagadora maioria dos pilotos considerava os aviões mono motores muito frágeis para fazer um voo tão longo, e todas as tentativas haviam sido feitas com aviões de dois, três ou quatro motores. Lindbergh pensava diferente, e convenceu alguns homens de negócios de St. Louis a financiar a preparação de um avião mono motor para fazer o voo. A Companhia Aeronáutica Ryan, de San Diego, na Califórnia, foi escolhida para construir um avião especial. Lindbergh apelidou-o de “Spirit of St. Louis”, em honra aos seus patrocinadores. Nos dias 10 e 11 de Maio de 1927, Lindbergh testou o avião em voo, indo de San Diego a Nova York, com uma paragem em St. Louis. O tempo de duração do voo, 20 horas e 21 minutos, era um novo recorde transcontinental. A 20 de Maio, Lindbergh e o “Spirit of St. Louis” descolaram do campo Roosevelt, perto de Nova York, às 7:52 da manhã. Às 10:21 da noite do dia 21 ele pousou no Campo Le Bourget, próximo a Paris. Ele tinha voado mais de 5.700 km, em 33 horas e meia. O voo foi uma verdadeira epopeia, ele enfrentou neblina, ventos fortes, formação de gelo nas asas e, principalmente, o cansaço. Às vezes voando a 3.000 metros, outras rasando as águas do Atlântico, ele arrastou-se penosamente pelo ar até seu objectivo. O voo de Lindbergh electrizou as pessoas em todo o mundo. Prémios, celebrações, e paradas foram realizados em sua honra. O Presidente Calvin Coolidge entregou-lhe a Medalha de Honra do Congresso e a Cruz de Serviço Distintos. A julgar pela comoção que causou, e pela imensa multidão que o esperava em Paris, o seu voo pode ser comparado ao primeiro voo tripulado à Lua. Era quase inacreditável que aquele minúsculo avião pudesse voar através do Oceano Atlântico. Em 1927, Lindbergh publicou um livro sobre o seu voo transatlântico. O título, “Nós”, era uma referência a ele e ao avião. A seguir ao seu feito, voou através dos Estados Unidos, divulgando o trabalho da “Fundação Daniel Gugenheim para Promoção da Aeronáutica”. Conheceu a pesquisa sobre foguetes realizada por Robert H. Goddard, e convenceu a família Gugenheim a patrocinar suas experiências. Isto levou, eventualmente, ao futuro desenvolvimento de mísseis, satélites e às viagens espaciais. Lindbergh também trabalhou como consultor para várias empresas aeronáuticas e linhas aéreas comerciais. Em Dezembro de 1927, Charles visitou vários países latino-americanos, como “Embaixador da Boa Vontade”. Enquanto estava no México, conheceu Anne Spencer Morrow, com quem veio a casar. Ensinou-a a pilotar e, juntos, empreenderam várias viagens pelo mundo. Anne Morrow também se tornou conhecida pelas suas poesias e outras obras literárias. Outra realização de Lindbergh foi o coração artificial, para um cirurgião francês. Desenvolvido de 1931 a 1935, esse aparelho podia bombear o sangue através do corpo. Em Março de 1932, o primeiro filho de Charles e Anne foi raptado de sua casa. Dez semanas após o rapto, o seu corpo foi encontrado numa floresta. Os jornais passaram a perseguir os Lindbergh em qualquer parte, na ânsia de conseguir notícias. Para fugir dos repórteres, os Lindbergh mudaram-se para a Europa. Em 1934,Bruno Hauptman foi condenado à morte pelo rapto do bebé Lindbergh. Na Europa, Charles visitou os fabricantes de aviões alemães e franceses. Ficou impressionado com os avanços da aviação alemã, e pela qualidade de seus aviões. Em 1938, um alto dignitário nazista premiou-o com a Medalha de Honra Germânica. Isto fez com que muitos americanos anti-nazistas ficassem contra Lindbergh. Em 1939, ele voltou aos Estados Unidos e, em 1941, juntou-se a um comité que se opunha à II Guerra Mundial. Foi acusado de ser pró-nazista, por não ter devolvido a medalha com que fora agraciado na Alemanha. Após o bombardeamento de Pearl Harbor pelos japoneses, tentou alistar-se na Força Aérea do Exército, mas foi recusado. Então, entrou como consultor técnico na “Ford MotorCompany”. Em Abril de 1944, tornou-se consultor do Exército e da Marinha dos Estados Unidos. Mesmo ainda sendo tecnicamente um civil, voou em 50 missões de combate. Durante esse período, inventou um dispositivo que tornava os caças da época melhores e mais fáceis de pilotar. Após a Guerra, Lindbergh trabalhou como consultor para o Chefe do Estado-maior da Força Aérea. Em 1954, o Presidente Einsenhower nomeou-o General Brigadeiro da Força Aérea dos Estados Unidos. Também trabalhou como consultor para a empresa aérea Pan American, ajudando-os a escolher os aviões que iriam comprar. Em 1953, publicou uma expansão de seu livro “Nós”, o qual chamou de “The Spirit of St. Louis”. Lindbergh continuou a viajar pelo mundo. Visitou a África e as Filipinas. Durante os seus últimos anos, passou a interessar-se pela conservação da natureza. Lutou pela preservação das baleias, e era contra os aviões supersónicos, por achar que eles causavam perturbações na atmosfera. Charles Lindbergh morreu no dia 26 de Agosto de 1974, na sua casa em Mauí, no Hawai. Após a sua morte, em 1998, uma colecção de seus escritos foi publicada em forma de livro, chamado “The autobiography of Values”.
publicado por armando ésse às 09:15
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