A FÁBRICA

Dezembro 01 2007

O dérbi eterno do futebol português, entre Benfica e Sporting, festeja hoje o centésimo aniversário. Foi a 1 de Dezembro de 1907 que os dois clubes se defrontaram pela primeira vez, em jogo referente à terceira jornada do segundo Campeonato Regional de Lisboa.
O primeiro jogo entre estes dois clubes, como não podia deixar de ser, foi logo rodeado de polémica. O Sport Lisboa teve grandes dificuldades para sobreviver, quando o Sporting C.P., veio no defeso contratar oito jogadores ao Benfica. Os "traidores" que trocaram o Sport Lisboa pelo Sporting, foram: José da Cruz Viegas, Emilío de Carvalho, Albano dos Santos, António Couto, António Rosa Rodrigues, Candido Rosa Rodrigues, Daniel Queirós dos Santos e Henrique Costa. O Sporting que vivia desafogado na sombra do dinheiro do avô de José Alvalade, o Visconde de Alvalade, tinha sede, campo próprio e balneários, ofereceu banhos quentes aos jogadores, a lavagem de equipamentos e uma bola nova em cada jogo, enquanto que o Sport Lisboa nem sequer campo de jogos tinha, que fará outros "luxos".
Nestas condições, o primeiro dérbi entre os clubes, reuniu uma grande afluência de público ao campo, por um lado, os sportinguistas, desejosos de ver a grande equipa construída por José Alvalade e por outro lado, os benfiquistas empenhados em apoiar os seus jogadores contra os "traidores". Também estavam muitos adeptos neutros, atraídos pela polémica à volta do jogo.
O jogo realizou-se na Quinta Nova, em Carcavelos e o árbitro foi o inglês Burtenshaw. O resultado, foi de 2-1 favorável ao Sporting, tornando-se assim no primeiro clube a vencer o dérbi.
Cândido Rodrigues, um dos "traidores", marcou o golo inaugural dos dérbis, dando vantagem à equipa sportinguista . O Sport Lisboa reagiu e Eduardo Corga empatou o jogo. Entretanto, segundo rezam as crónicas, começou a chover a cântaros, o que fez com que a partida fosse interrompida. Os jogadores só voltaram contrariados ao campo para reiniciar a partida, após serem convencidos pelo senhor Burtenshaw, o árbitro do jogo. O resultado final surgiria já na segunda parte, com um golo na própria baliza de Cosme Damião, o histórico fundador do Benfica.
As equipas alinharam:
Sport Lisboa: João Persónio, Luís Vieira e Leopoldo Mocho, Alves, Cosme Damião e Marcolino Bragança, Félix Bermudes, António Costa e Eduardo Corga, António Meireles e Carlos Fraça.
Sporting CP: Emílio de Carvalho, Queirós dos Santos e José Belo, Albano dos Santos, António Couto e Nóbrega de Lima, António Rosa Rodrigues, Cândido Rosa Rodrigues e Jacob Eagleson, Cruz Viegas e Henrique Costa.
No “dérbi dos dérbis” os momentos de inspiração individual ou colectiva, são decisivos para levar alguns destes jogos, por uma ou outra razão, a entraram para a história do futebol português. Entre esses jogos, há dois célebres, os 7-1 com que o Sporting humilhou o Benfica; e os 6-3 com que os benfiquistas responderam, em Alvalade.
No primeiro, a 14 de Dezembro de 1986, o Benfica perdeu a invencibilidade frente ao Sporting, orientado por Manuel José, que esteve intratável na segunda parte. O Sporting abriu o activo com um golo de Mário Jorge aos quinze minutos do primeiro tempo. No recomeço da segunda parte Manuel Fernandes (50m) aumentou a contagem para 2-0. O Benfica reduziria a desvantagem para um golo, quando aos 59 minutos Wando apontou o tento benfiquista. A partir desta altura foi o descalabro do Benfica, Manuel Fernandes por mais três vezes, Mário Jorge e Meade, fizeram o resultado final de 7-1. Apesar desta pesada derrota, o Benfica seria campeão nacional. O Sporting ficaria em terceiro, atrás do FC Porto.
Com arbitragem de Vítor Correia de Lisboa, as equipas alinharam:
Sporting C.P. – Damas, Gabriel, Venâncio, Virgílio e Fernando Mendes (Duílio 79m), Oceano, Litos, (Silvinho 79 m), Zinho, Mário Jorge, Manuel Fernandes e Meade.
S.L. Benfica – Silvino, Veloso, Oliveira, Dito e Álvaro, Diamantino (César brito 72m), Carlos Manuel, Shéu, (Nunes 58m), Chiquinho, Rui águas e Wando.
Sete anos depois, o Benfica clamou “vingança”, quando, a 14 de Maio de 1994, no jogo do título, venceu em Alvalade, por 6-3. O Sporting, esteve a vencer por 1-0 e 2-1, mas João Pinto, com um hat-trick na primeira parte, escreveu a mais bela página da sua carreira. No segundo tempo, Carlos Queiroz, técnico do Sporting, arriscou tudo e o Benfica aproveitou para chegar aos 6-2, por Isaías (2) e Hélder. Balakov ainda reduziu, de penálti.
Com a arbitragem de António Marçal de Lisboa, as equipas alinharam:
Sporting C.P.- Lemajic, Nelson, Valckx, Vujacic, Paulo Tores, (Pacheco 45m), Paulo Sousa, Capucho, Figo, Balakov, Cadete e Iordanov (Poejo 60m).
S.L. Benfica – Neno, Veloso, Mozer, Hélder, Kenedy, Abel Xavier, Vítor Paneira, Isaías, (Rui Costa 71m), Schwarz, João Pinto (Rui Águas 78m) e Ailton.
Nos anais da história dos dérbis entre Benfica e Sporting, também deve ser recordada, uma das páginas mais tristes do futebol português. Na final da Taça de Portugal, realizada no Estádio Nacional, a 18 de Maio de 1996, um adepto leonino morreu ao ser atingido no peito por um “very-light” lançado por adeptos benfiquistas.
Desde do longínquo 1 de Dezembro de 1907, o Benfica e o Sporting já se encontraram por 179 vezes, em jogos a contar para Campeonato Nacional, a Taça de Portugal, a Supertaça Cândido de Oliveira. Destes 179 jogos, 81 foram ganhos pelo Benfica, 60 pelo Sporting e 38 acabaram empatados.
publicado por armando ésse às 10:49

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