A FÁBRICA

Março 11 2006

Slobodan Milosevic nasceu em Pozarevac, na Sérvia, no dia 20 de Agosto de 1941, filho de professores de Teologia. Advogado de formação, foi administrador da companhia nacional sérvia de gás e banqueiro nos EUA, antes de enveredar pela política.
Até Abril de 1987, Slobodan Milosevic não passava de um obscuro protegido de Ivan Stambolic, o ex. Presidente da República Sérvia. Mas quando a polícia de choque da província do Kosovo atacou uma série de Sérvios que se preparavam para participar num encontro político nesse dia de Abril, Milosevic assistiu a tudo numa varanda perto do local e declarou: "Ninguém tem o direito de vos bater. Ninguém vos vai voltar a bater; nunca mais!" As suas palavras transformaram - se num grito de batalha para os Sérvios, a nacionalidade maioritária nas duas repúblicas Jugoslavas. Cinco meses mais tarde, Milosevic derrubou Stambolic, o seu ex – amigo e mentor. Em 1989 assumiu as funções de presidente. Pouco tempo depois retirou ao Kosovo o seu estatuto de autonomia.
O seu objectivo aparente era a criação de uma Jugoslávia dominada pela Sérvia, consigo na liderança. Assumiu o controlo firme dos meios de comunicação social e assumiu uma posição intolerante relativamente às críticas que lhe são dirigidas. Mas à medida que o comunismo se enterrava em toda a Europa de Leste, as repúblicas Jugoslavas iniciaram os seus próprios processos independentistas.
Os esforços brutais de Milosevic de continuar a reinar sobre essas províncias agira independentes, acenderam conflitos sangrentos na Bósnia e na Croácia, e garantiram - lhe a alcunha de "O Carniceiro dos Balcãs". Muitos especialistas especulam que Milosevic- cujos pais e um tio cometeram suicídio - pode ter distúrbios mentais. A pressão internacional através da aviação da NATO e das sanções forçou Milosevic a aceitar as repúblicas, participando inclusivamente nas conversações de paz que, em 1995, puseram termo ao conflito.Mas durante os três anos sem guerra, o líder Sérvio viu que a sua base de apoio diminuía a olhos vistos. Diversos protestos estudantis tiveram início em Novembro de 1996, após Milosevic ter ordenado a anulação das eleições ganhas pela oposição.
Depois, em Fevereiro de 1998, nova guerra étnica explodiu no Kosovo, motivada pelo desejo dos Kosovares em retomarem a sua autonomia e à exigência de reformas diversas. Milosevic foi diversas vezes acusado de apoiar acções de "limpeza étnica", pelo menos 2000 pessoas foram mortas e mais de 400 mil obrigadas a abandonar as suas casas. Após a recusa de Milosevic em cumprir as exigências da NATO e dos Estados Unidos, as duas forças lançaram diversos ataques aéreos contra a Jugoslávia em Março de 1999. Extremamente popular entre os Sérvios, Milosevic parecia não ter qualquer intenção em alterar o seu modo de agir e muito menos de abandonar o poder.
Mas em Outubro de 2000, dá – se a reviravolta, na sequência da derrota eleitoral que Milosevic não quer aceitar, um levantamento popular provoca o afastamento de Milosevic do poder. O ex- presidente retira - se para a sua luxuosa "villa" em Belgrado. O Presidente Kostunica, que lhe sucede, recusa - se a entregar Milosevic ao Tribunal Internacional de Crimes de Guerra, em Haia. A 1 de Abril de 2001, Milosevic é detido pelas autoridades Sérvias, sob acusações de abuso do poder e peculato. Durante a noite, é entregue a militares Holandeses da ONU que o levaram para Haia, para ser julgado, sobre a acusação de ter praticado, crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio pelo seu papel nas guerras na Croácia e Bósnia (1991-1995) e no Kosovo (1998-1999) e nomeadamente, o massacre de
Srebrenica*, considerado o pior massacre ocorrido na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
O julgamento de Milosevic no Tribunal Penal Internacional, começou em 12 de Fevereiro de 2002 e a sua conclusão vinha sofrendo vários atrasos por causa dos problemas de saúde do ex-presidente.
Morreu hoje, 11 de Março 2006, na prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia. O Tribunal afirmou que ele foi encontrado morto na sua cela na manhã deste sábado, não se sabendo ainda, qual foi a causa da morte.O TPI ordenou a abertura de um inquérito para apurar as circunstâncias da sua morte.

*O Massacre de Srebrenica


Quando em 11 de Julho de 1995, Srebrenica foi conquistada pelas forças sérvias comandadas por Ratko Mladic (um dos mais procurados suspeitos do conflito na Bósnia, acusado pelo Tribunal Penal Internacional para a ex. Jugoslávia de genocídio e outros crimes contra a humanidade), cerca de 15 mil muçulmanos conseguem fugir para as montanhas. Outros 25 mil tentam refugiar-se na base do contingente holandês, em Potocari. Cerca de cinco mil conseguem entrar, antes de os holandeses fecharem os portões. Os refugiados encontravam-se sob a protecção de 450 capacetes azuis holandeses naquela que foi decretada “zona de segurança” pelas Nações Unidas. O bombardeamento das posições sérvias, naquele dia, por parte da aviação holandesa, teve que ser suspenso, porque as forças comandadas por Ratko Mladic ameaçaram assassinar os 30 capacetes azuis que tinham sequestrado, deixando os soldados da ONU a assistir, impotentes, à separação dos refugiados por parte das forças sérvias. Mulheres e crianças para um lado, homens e rapazes para outro. As mulheres são metidas em autocarros e enviadas para território sob controlo muçulmano. Os outros, com idades entre os 12 e os 92 anos, sim, entre 12 e 92 anos, seguem para a morte. Cerca de oito mil muçulmanos foram executados sumariamente pelas forças sérvias nos dias seguintes, em Srebrenica, naquele que foi o pior massacre na Europa desde a II Guerra Mundial.
publicado por armando ésse às 11:59
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