A FÁBRICA

Novembro 25 2005

O talentoso futebolista George Best, que na década de 60 encantou os adeptos em todo o mundo com a camisola do Manchester United FC e da Irlanda do Norte, faleceu esta sexta-feira, aos 59 anos de idade, num hospital londrino.
George Best nasceu a 22 de Maio de 1946, em Belfast, Irlanda do Norte, era considerado um dos melhores jogadores de futebol da história da modalidade, e por muitos considerado o melhor jogador de sempre do Reino Unido.
Notabilizou-se enquanto jogador do Manchester United, embora o seu nome tenha ficado igualmente marcado por alguns escândalos pessoais. Best foi jogador do Manchester entre 1963 e 1974, período em que a equipa venceu dois campeonatos nacionais – 1965 e 1967 –, bem como uma taça dos Campeões Europeus, derrotando na final o Benfica, em 1968, altura em que foi premiado com o galardão de Melhor Jogador do Ano.
Nas décadas de 60 e 70, foi considerado um dos melhores jogadores do mundo, juntamente com Pelé e Eusébio.
Em onze anos no Manchester, onde se estreou a 14 de Setembro de 1963, com apenas 17 anos, George Best realizou 361 jogos e marcou 137 golos apesar de jogar a extremo direito.

Pela selecção da Irlanda do Norte, onde teve o baptismo internacional em 15 de Abril de 1964, numa vitória sobre o País de Gales por 3-2, realizou 37 partidas e apontou nove golos.
Para Sir Bobby Charlton, houve um jogo em particular que resumiu a carreira do extremo da Irlanda do Norte. Depois de ter ganho em Old Trafford ao Benfica, por 3-2, na primeira mão dos quartos-de-final da Taça dos Campeões Europeus de 1965/66, o Manchester United viajou para Portugal sabendo que podia tornar-se na primeira equipa a ganhar ao Benfica no seu estádio. “O ambiente era realmente hostil, mas, aos 15 minutos, ele já tinha acabado com o Benfica”, contou Sir Bobby. “O United tinha sofrido cinco golos naquele estádio numa visita anterior, mas Best marcou dois e regressou a casa com um ‘sombrero’ na cabeça”. O Manchester United venceu por 5-1 e qualificou-se para as meias-finais.

Best abandonou o Manchester com apenas 28 anos de idade, no auge da sua carreira, recusando-se a abdicar de um estilo de vida incompatível com o futebol profissional.Ainda jogou em Inglaterra (Fulham, Stockport e Bournemouth), Escócia (Hibernian) e Estados Unidos (última equipa foi o Tampa Bay, em 1983).
A par com os triunfos desportivos, Best acumulou uma boa dose de escândalos, muitos dos quais devido à sua dependência alcoólica. Em 1984, foi condenado a três meses de prisão por condução em estado de embriaguez e ataque a um agente da autoridade, passando o Natal atrás das grades.
No ano de 2000, o seu médico pediu publicamente para que não servissem bebidas a George Best. O jornal sensacionalista The Sun fez inclusive um póster com a sua fotografia, escrevendo uma única frase: «Não sirvam bebida a este homem».
Os problemas com o álcool continuaram até ao presente, tendo sido novamente detido em 2004 por conduzir bêbedo. George Best fora, no início do mês passado, internado na unidade de cuidados intensivos do Hospital Cromwell, na zona ocidental da capital britânica, com sintomas de gripe que derivaram para uma infecção nos rins. O seu estado de saúde melhorou no princípio de Novembro, mas a apreensão dos médicos voltou na passada semana, quando Best contraiu uma infecção nos pulmões. Faleceu hoje, aos 59 anos de idade.
Fica para a história do futebol alguém que um dia disse: “Essa coisa de eu ser um ídolo, o quinto Beatle... acho isso tão esquisito. Eu era apenas um miúdo de Cregagh Estate, em Belfast, a tentar que a minha vida como jogador e como pessoa fizesse sentido”.

publicado por armando ésse às 22:54
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