A FÁBRICA

Novembro 29 2007
O escritor americano Norman Mailer, recentemente falecido, foi o vencedor do prémio "Bad Sex in Fiction Award", pela pior descrição de um acto sexual na literatura de ficção em inglês.
Norman Mailer foi agraciado com o prémio, atribuído pela revista de literatura britânica The Literary Review por uma passagem do seu último livro, The Castle in the Forest, editado em português com o título O Fantasma de Hitler.
O objectivo do prémio, segundo a revista é “chamar a atenção para uso de trechos com descrições sexuais redundantes, de mau gosto, grosseiras e frequentemente superficiais em livros modernos”.
O trecho premiado descreve uma cena de sexo oral, entre Alois e Klara.Na edição portuguesa (Dom Quixote, 1ª edição Agosto 2007) do livro o trecho está na página setenta e dois:
“…Contudo, nessa noite quente de Verão quando tentava abrir-lhe as pernas fechadas, empurrando mais do que nunca com a força dos seus braços, houve um momento em que lhe faltou a respiração. Uma agonia assustadora! Por um instante, sentiu-se como se tivesse sido derrubado por um raio. Aquilo era o coração dele? Seria o próximo a morrer?
“Estás bem?” gritou ela quando ele se deitou a seu lado a procurar recuperar a respiração, com o fôlego a entrar e a sair num ronco que soava tão horrível como os últimos sopros dos seus filhos desaparecidos.
“Tudo bem. Sim. Não”, disse ele, e nesse momento ela pôs-se em cima dele. Não sabia se isto o ressuscitaria ou se acabaria com ele… Por isso Klara virou-se dos pés para a cabeça, e pôs a sua parte mais indecorosa no nariz e na boca dele que respiravam com dificuldade, e levou o velho aríete aos lábios. O Tio estava agora tão mole como uma rosca de excremento. Não obstante chupou-o com uma avidez que só podia ser obra do Demónio – isso ela sabia. Sabia de onde viera o impulso. Assim, agora tinham ambos as cabeças nas extremidades erradas, e o Demónio estava ali com eles. Ele nunca estivera tão próximo.
O Cão de Caça começou a ganhar vida. Ali dentro da boca dela. Isso surpreendeu-a. Alois estivera tão flácido. Mas, agora, era novamente um homem! Coma boca a espumar com os fluidos dela, virou-se e agarrou-lhe na cara com toda a paixão dos seus próprios lábios e cara, finalmente pronto a esfregar-se dentro dela com o Cão de Caça, a arremessá-lo contra a piedade dela, maldita piedade, pensou Alois - maldita mulher beata, maldita igreja! - regressara do mundo dos mortos - por alguma espécie de milagre, estava ali inteirinho, com o orgulho de uma espada. E em seguida o momento foi ainda mais longe, já que ela - a mulher mais angélica de Brannau - se entregava ao Diabo, sim ela sabia que ele estava ali, ali com Alois e com ela, todos os três soltos no géiser que saiu dele, e a seguir dela, juntos naquele momento, e eu estava lá com eles...”
Na realidade, deverá ser difícil encontrar na Literatura mundial, uma descrição tão canhestra de um simples 69.
publicado por armando ésse às 15:55

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