A FÁBRICA

Dezembro 04 2005

4 de Dezembro de 1980:
Um bimotor Cessna C421 descola do Aeroporto da Portela, com destino ao Porto.
A viagem demorou 38 segundos… acabou em Camarate.
A bordo seguiam sete pessoas que morreram.
Além dos dois tripulantes e de dois acompanhantes, seguiam nesse avião, Adelino Amaro da Costa, ministro de Estado e da Defesa, Francisco de Sá Carneiro, Primeiro Ministro de Portugal, e a sua companheira, Snu Abecassis.
Eram 20 horas e quinze minutos.
Faz hoje 25 anos.
Francisco Manuel Lumbralles de Sá Carneiro nasceu na cidade do Porto em 19 de Julho de 1934. Oriundo de uma família onde se englobam figuras de relevo do regime salazarista e, por outro lado, personalidades liberais, Francisco de Sá Carneiro licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa, em 1956, montando de imediato, um escritório de advogado na sua cidade natal.

Co-director da revista dos tribunais, fundada por seu pai, o conhecido advogado José Gualberto Sá Carneiro, aqui publicou alguns estudos sobre a dissolução do casamento em face da Concordata e do Código Civil então vigente.
Após a subida ao Poder de Marcelo Caetano, período conhecido como a “primavera marcelista”, Sá Carneiro foi convidado a participar nas listas de candidatos a deputados da Acção Nacional Popular (ANP), pedido a que acedeu, embora como independente e distanciando-se do Governo de então.
Assim, em 1969, tomou assento na Assembleia Nacional, englobando a chamada “ala liberal”, cargo que renunciaria em 2 de Fevereiro de 1973, por entrar em forte litígio com a maioria dos outros deputados. De regresso ao Porto, voltou à advocacia.
Com o eclodir do 25 de Abril de 1974, Francisco de Sá Carneiro vem a constituir, com Magalhães Mota e Pinto Balsemão, o Partido Popular Democrático, em 5 de Maio de 1974.
Assim Sá Carneiro, integrou o I Governo Provisório, liderado por Adelino da Palma Carlos, na qualidade de ministro sem Pasta, chegando a desempenhar ainda funções de ministro-adjunto do primeiro ministro. Contudo, Sá Carneiro irá acompanhar Adelino da Palma Carlos quando este se demitiu.
Em 1975 foi eleito deputado à Assembleia da República, mas não chegou a exercer o mandato por motivos de saúde. Voltou a ser eleito deputado em 1976, ano que assumiu a chefia da bancada parlamentar. No IV Congresso do partido, em Outubro de 1976 foi eleito presidente do PPD e o partido passou a designar-se PSD (Partido Social Democrata).

No entanto, em Novembro de 1977, na sequência de convulsões internas do partido, demitiu-se do cargo de presidente. Contudo, em 1978, assistiu-se ao regresso triunfal de Sá Carneiro à presidência do PSD, ao derrotar o grupo subscritor do documento “Opções Inadiáveis”, com uma maioria de dois terços. Depois de vencer praticamente a oposição interna, Sá Carneiro levou o PSD a aproximar-se do CDS(de Freitas do Amaral), surgindo a Aliança Democrática em 5 Julho de 1979, composta por estes dois partidos, aos quais se juntou o PPM (de Gonçalo Ribeiro Teles).
Em 2 de Dezembro de 1979, conduziu a Aliança Democrática à vitória nas eleições legislativas intercalares. Dispondo de uma ampla maioria a apoia-lo (a maior coligação governamental até então desde o 25 de Abril), foi chamado pelo Presidente da República Ramalho Eanes para liderar o novo executivo, tendo sido designado como Primeiro-Ministro de Portugal em 3 de Janeiro de 1980, sucedendo assim a Maria de Lourdes Pintassilgo. Mais tarde, em 5 de Outubro de 1980, a AD volta a vencer novamente as eleições legislativas, que Sá Carneiro declara terem sido "a primeira volta das eleições presidenciais".
E é na sequência de uma acção de campanha para as presidenciais, que Sá Carneiro viria a falecer em circunstâncias trágicas, em 4 de Dezembro de 1980, quando o avião no qual seguia se despenhou em Camarate, pouco depois da descolagem do aeroporto da Portela, em Lisboa, quando se dirigia ao Porto para tomar parte num comício destinado a apoiar o candidato presidencial da coligação, o general António Soares Carneiro.

O funeral do malogrado líder social-democrata constituiu uma grande manifestação de pesar. A nível póstumo foi laureado com a Medalha de Mérito da Região Autónoma da Madeira, em 1984 e com a Grã – Cruz da Ordem Militar de Cristo, em 1986.
A razão da queda do avião é oficialmente aceite como sendo devido a uma falha técnica, mas ainda hoje não é aceite pelo Parlamento português que, nas conclusões de várias comissões de inquérito, tem afirmado ser a possibilidade de atentado muito provável.
publicado por armando ésse às 06:12
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