A FÁBRICA

Fevereiro 21 2006

A maior e mais completa exposição realizada nas últimas décadas sobre a pintora mexicana Frida Kahlo abre as portas a 24 de Fevereiro no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Vinte e seis obras estarão expostas até 21 de Maio. A exposição - que já passou pela Tate Modern de Londres e pela Fundación Caixa Galicia, em Santiago de Compostela - inclui obras do Museu Dolores Olmedo, no México.Do total das 26 obras apresentadas no Grande Hall do Centro de Exposições destaca-se “A Coluna Partida” (1944), “O Camião” (1929), “Hospital Henry Ford” (1932) e “Auto-retrato com macaco” (1945).A exposição fica completa com uma colecção de fotografias e objectos pessoais da pintora, pertencentes ao museu mexicano.

Frida Kahlo é a mais famosa pintora mexicana de sempre. Magdalena Cármen Frida Kahlo y Calderón, conhecida como Frida Kahlo, nasceu em 6 de Julho de 1907, em Coyoacan, no México e teve uma vida que se pautou por acontecimentos trágicos, os quais exerceram uma grande influência na forma de ver o mundo, que a levaram a abraçar a pintura como forma de poder exteriorizar todos os sentimentos que a assolavam por dentro. Aos seis anos, contraiu poliomielite, o que lhe deixou marcas visíveis na perna direita e no pé esquerdo, que Frida tentou esconder passando a usar calças na adolescência e, mais tarde, compridas saias mexicanas. Aos 18 anos, o autocarro em que seguia Frida Kahlo embateu num eléctrico. A jovem Frida sofreu ferimentos na coluna vertebral, de tal modo graves que os médicos questionavam-se se sobreviveria ou não. Passou nove meses na cama de um hospital, completamente privada de liberdade e de movimentos corporais. Foi precisamente neste período que começou a pintar pela primeira vez, como forma de se distrair do sofrimento que a consumia.

Os auto-retratos, “Eu pinto-me porque estou muitas vezes sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor”e as representações de cenas do hospital ou de procedimentos médicos foram retratados de forma a fazer o observador partilhar da sua dor. Retratou a lápis a cena do acidente, sem respeito por regras ou perspectivas. Saída do hospital, e postas de lado as hipóteses de vir a tornar-se médica, Frida Kahlo começou a dedicar todo o seu tempo à pintura, afirmando que a sua obsessão era começar de novo e passar a pintar as coisas tais como os seus olhos as viam. Por esta altura, a artista decidiu quebrar os tabus do seu tempo e passou a representar nos seus quadros imagens muito pessoais, intimamente relacionadas com o corpo e sexualidade femininas. A pintora começa igualmente a relacionar-se com artistas e intelectuais do seu tempo e acaba por casar-se com Diego Rivera, um famoso pintor mural mexicano. Quando se casou com Frida, a família dela comparou a união ao casamento de um elefante com uma pomba - ele era imenso e 21 anos mais velho. Mas os dois formaram o casal de artistas mais original da época. Frida amargou muito com os relacionamentos extra-conjugais do marido, seu grande amor e reconhecido mulherengo. No entanto Frida Kahlo, também viveu romances paralelos com mulheres e homens, o mais famoso com o revolucionário russo León Trotski. Apesar das traições do marido, a maior dor de Frida foi a impossibilidade de ter filhos, o que ficou claro em muitos dos seus quadros. Em 1930, viaja para os EUA com o marido. Frida Kahlo, mais mexicana do que nunca, chocava na sociedade americana, com as suas roupas, risos e gestos. Em Detroit, Frida engravida, mas sofre um aborto, facto que mais de uma vez leva embora o seu sonho de ser mãe. Nesse período, Frida começou a produzir telas, a respeito do aborto, do quarto do hospital e dos sentimentos inerentes a estas perdas. De volta ao México, teve de superar ainda a morte da mãe, mais um aborto e algumas crises no seu casamento com Diego Rivera, que a traía com a sua irmã mais nova, Cristina. Em 1939 parte sozinha para Nova Iorque, onde faz a sua primeira exposição individual, na galeria de Julien Levy, que é um sucesso. Em seguida, segue para Paris, onde é hospitalizada com uma infecção renal, mas também entra no mundo da vanguarda artística dos surrealistas. Conhece Pablo Picasso, Wassily Kandinsky, Marcel Duchamp, Paul Éluard e Max Ernst. O museu do Louvre adquire um dos seus auto-retratos. No mesmo ano, divorcia-se de Diego Rivera, com quem volta a casar-se um ano depois. Em 1942 começa a dar aulas de arte numa escola recém aberta na Cidade do México. Entretanto, o seu estado de saúde piorou, e o colete antes de gesso, foi substituído por um de ferro que impedia até a sua respiração. Em 1946 a sua coluna precisou ser operada. Com fortes dores na perna direita, em 1950 é tratada no Hospital Inglês durante todo o ano. Os médicos diagnosticam a amputação da perna e ela entra em depressão. Entre, 1950 e 1951, Frida Kahlo é submetida a sete operações na coluna, que infeccionam, devido ao colete de uso obrigatório. Depois destas operações, Frida Kahlo volta a pintar sendo-lhe montado um cavalete especial na sua cama para que pudesse trabalhar, deitada de costas. Frida Kahlo pintou até à sua morte, que chegou na madrugada de 13 de Julho de 1954. A mexicana sofredora, tinha 47 anos e causa oficial da morte foi uma embolia pulmonar, no entanto a última anotação no seu diário permite aventar a hipótese de suicídio:"Espero alegre a minha partida e espero não retornar nunca mais."
publicado por armando ésse às 10:01
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