A FÁBRICA

Fevereiro 19 2005

Skins decididos a matar

Matar um «não branco» é uma das condições do novo estatuto dos «skinheads»


Na manifestação de Sábado passado, as autoridades confirmaram a associação do PNR e da Frente Nacional, liderada pelos «skins» mais radicais.
O movimento dos «skinheads» em Portugal registou, nos últimos meses, um recrudescimento que preocupa profundamente as autoridades. A constatação é comum ao SIS, PJ, GNR e PSP, que têm estado no terreno a acompanhar todos os passos deste grupo extremista.
Há duas semanas, foi atribuído à facção mais radical dos «skins» portugueses - o Prospect of the Nation - o título de HammerSkins, uma espécie de elite mundial dos cabeças-rapadas, que se destaca por um elevado grau de violência, pela capacidade organizativa e pela dedicação à defesa da supremacia da raça branca. A atribuição individual desta «distinção» depende de um conjunto de acções violentas praticadas pelo «candidato», entre as quais o assassínio de um não-branco.
Nos últimos relatórios, as forças de segurança registaram também uma associação entre o Partido Nacional Renovador (PNR) e um projecto designado Frente Nacional (a FN, inspirada na Front National Française de Jean-Marie Le Pen), constituída por neonazis já referenciados, pertencentes à Irmandade Ariana - uma designação global para as organizações extremistas. Recorde-se que estas foram alvo de uma operação da GNR em Junho de 2004, em Loures. Na ocasião, foram detidos 27 cabeças-rapadas e o tribunal mandou instaurar um inquérito por «crime contra a Humanidade».
Os investigadores da GNR estão convencidos de que a FN se prepara para se tornar no «braço armado» do PNR, aproveitando-se da existência legal deste para promover as suas ideias xenófobas. No sábado passado, uma manifestação do PNR em Lisboa, contra a entrada da Turquia na UE, serviu para as autoridades confirmarem esta aproximação.
Depois da operação na «skinhouse» de Loures - que está sob investigação da DCCB (Direcção Central de Combate ao Banditismo da Polícia Judiciária) - os cabeças-rapadas não desmobilizaram. Antes, aprumaram a sua organização com o objectivo de ascenderem à Hammerskin Nation (HSN).
Desde essa altura, as forças de segurança - principalmente a GNR, na zona de Loures, e a PSP, essencialmente junto às claques de futebol - reforçaram o controlo sobre o movimento e obtiveram provas de que a ambição de pertencer à elite mundial dos «skins» os estava a conduzir à violência contra pessoas.
Em Outubro, a PSP apreendeu, numa busca à casa de um «skinhead» de 24 anos, diverso material que indiciava a preparação de acções criminosas. Entre os objectos estava uma listagem de nomes e moradas, bem como mapas da localização das residências de pessoas que, presumivelmente, seriam alvo das acções do grupo. Na lista constavam os nomes de um elemento da direcção da Opus Gay, de duas pessoas ligadas à Sinagoga israelita de Lisboa e de dois activistas da associação SOS Racismo. Depois do primeiro interrogatório, o indivíduo foi colocado em prisão preventiva, situação que se mantém. Este caso está ainda sob investigação e, contactada pelo EXPRESSO, fonte oficial da PSP não quis comentar nem adiantar nada sobre o assunto.
O núcleo de investigação criminal da GNR de Loures, responsável pela operação de Junho sobre a «skinhouse», é quem tem acompanhado e aprofundado o conhecimento das movimentações dos extremistas. Foram esses agentes que confirmaram a atribuição do título HammerSkin aos portugueses a 29 de Janeiro e logo deram o alerta ao comando-geral sobre o impacto que esse facto teria no recrudescimento da violência do grupo.


Os mais violentos.

A HSN, fundada em Dallas, nos anos 80, é o mais violento e melhor organizado grupo de «skinheads» neonazis dos Estados Unidos e da Alemanha, chegando a constituir pequenos exércitos fortemente armados. É composto quase exclusivamente por homens brancos, jovens, que defendem a supremacia da raça branca. Têm sido identificados por ligação a actividades criminais, incluindo assassínios, «batidas» (caçadas a não-brancos e anti-racistas), extorsões, cobranças difíceis e tráfico de armas.
A GNR não duvida de que os portugueses agora reconhecidos como Hammers («martelos») vão endurecer as suas acções para mostrar «trabalho».
Há suspeitas de que todos os seus membros se fazem acompanhar diariamente por armas de fogo, soqueiras e bastões. Aliás, foi o que se verificou na operação de Junho: um dos líderes estava na posse de um revólver ilegal, que foi apreendido e entregue ao tribunal.
Em Outubro, na sequência de desacatos no centro comercial Alvaláxia (Lisboa), esse mesmo indivíduo, foi encontrado na posse de uma arma do mesmo calibre, mas desta vez com a respectiva licença, emitida em Setembro de 2004 pela Direcção Nacional da PSP - ou seja, apenas dois meses depois de lhe ter sido apreendida a outra, ilegal.
Valentina Marcelino/Expresso

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publicado por armando ésse às 16:55

Num País de brandos costumes, cada vez os valores são alterados!
è pena...
Menina_marota a 20 de Fevereiro de 2005 às 23:14

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