A FÁBRICA

Abril 21 2006

A televisão ocupa um espaço significativo na vida quotidiana dos portugueses. Não tenho números certos, mas certamente haverão mais televisores em Portugal que lares. Independente do nível social, a televisão está presente em todos os lares e representa a principal fonte de informação e diversão, de uma esmagadora maioria dos portugueses. A televisão tornou-se hoje em dia um poder colossal, podemos dizer que é em potência o mais importante de todos, como se tivesse substituído a voz Divina. Assim continuará, por muito tempo, enquanto continuarmos a suportar os seus abusos e a sua programação de baixo nível cultural.
Fiquei a saber hoje, que existe uma Organização Não Governamental (ONG), que se propõe a discutir e a pôr em causa, a maneira como passamos o tempo em frente da “caixinha mágica”. Esta ONG é a TV-Turnoff Network( http://www.tvturnoff.org/) e a sua congénere brasileira é a Desligue a TV (www.desligueatv.org.br).
A TV-Turnoff Network, é uma organização americana sem fins lucrativos que encoraja crianças e adultos a verem menos televisão com o intuito de promover vidas e comunidades mais saudáveis. Fundada em 1994, TV-Turnoff Network dedica-se à crença de que todos nós temos o poder de determinar o papel que a televisão terá nas nossas vidas. Ao invés de esperarmos que os produtores façam uma melhor programação televisiva, podemos desligá-la com mais frequência para nos dedicar às nossas famílias, aos nossos amigos e a nós mesmos. TV-Turnoff Network já ajudou milhares de pessoas a fazerem exactamente isso. Com os seus dois programas iniciais, o TV-Turnoff Week (Semana Sem Televisão) e o More Reading, Less TV (Mais Leitura, Menos TV), ajuda as pessoas, especialmente as crianças, a desligarem a televisão e a terem actividades diferentes, especialmente ao ar livre. Na “Semana Sem Televisão”, vários programas são propostos e implementados, actividades desportivas, cinemas e teatros com promoções e horários alternativos, caminhadas ecológicas, passeio turísticos, visitas a museus com programação e preços especiais, festivais de música e poesia, livrarias como centro de convivência e estímulo à leitura, e conversa, com amigos, família e filhos. Por mais difícil que esta tarefa possa parecer, a sua forma de aplicação, agregando vários sectores da sociedade, tem atingido resultados surpreendentes, desde 1995, mais de 24 milhões de pessoas já participaram no projecto em mais de 84 países como: Canadá, México, Coreia do Sul, Noruega, Itália, e muitos outros.
Para finalizar deixo aqui as palavras de John Condry, no livro “Televisão: Um Perigo Para a Democracia”, feito a duas mãos, juntamente com Karl Popper:

“A televisão não está predestinada a desaparecer e é pouco provável que venha a constituir um ambiente favorável à socialização das crianças. É uma realidade que devemos aceitar. Podemos tentar melhorar as coisas, garantir que os programas que oferecemos aos nossos filhos sejam de melhor qualidade, mas o mais importante é mostrarmos às crianças que a televisão não é uma fonte de informação sobre o mundo. Se queremos que consagrem menos tempo à televisão, devemos propor-lhes outras actividades. O que faz falta às crianças é mais experiência e menos televisão.
A televisão não é capaz de ensinar às crianças aquilo que necessitam para se tornarem adultos. A televisão é um instrumento publicitário, e é legítimo que ocupe um lugar enquanto tal. Pode ser uma diversão, e o facto de nos divertir-mos não é mau em si. Pode ter um papel de informação e isso é uma coisa boa. Contudo não consegue ser um instrumento de socialização válido. É isso que devemos reconhecer e é sobre esse problema que devemos intervir. A escola e a família devem desempenhar um papel essencial neste domínio e agir mais do que presentemente; e é preciso ajudá-las na medida do possível. Poderíamos começar por reduzir a influência que a televisão exerce na vida das crianças. Seria um bom começo. Chegou o momento de darmos esse passo”.
Este ano, a “Semana Sem Televisão”, é entre 24 de Abril e 30 de Abril.
publicado por armando ésse às 15:31

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