A FÁBRICA

Maio 11 2008

A UM DEUS DESCONHECIDO

Ele é que nos faz respirar e a força é dádiva Sua.
As altas divindades respeitam os Seus mandamentos.
A Sua sombra é Vida, a Sua sombra é Morte;
Quem é Ele. a Quem oferecemos o nosso sacrifício?

Apesar do Seu poder, tornou-se senhor da vida e do mundo resplandecente.
E governa o mundo, os homens e as bestas.
Quem é ele, a Quem oferecemos o nosso sacrifício?

Da Sua força as montanhas tomaram forma, e também o mar
E o distante rio;
Sãos esses o Seu corpo e os seus dois braços.
Quem é Ele, a Quem oferecemos o nosso sacrifício?

Fez o Céu e fez a Terra e, pela Sua vontade, ocuparam os seus lugares,
Contudo, olham-No e estremecem.
O Sol nascente brilha sob a Sua vontade.
Quem é Ele, a Quem oferecemos o nosso sacrifício?

Olhou sobre as águas que entesouraram o Seu poder e engendraram a imolação.
É o Deus dos Deuses.
Quem é Ele a Quem oferecemos o nosso sacrifício?

Que não nos fira Aquele que fez a Terra,
Que fez o Céu e o Mar reluzente?
Quem é o Deus a quem oferecemos sacrifícios?

Após o armazenamento das colheitas na quinta Wayne, próximo de Pittsford, no Vermont, quando a lenha para o Inverno estava cortada e a primeira fina camada de neve jazia no solo, Joseph Wayne foi ter com o pai, que se encontrava sentado na cadeira de costas altas, junto da lareira. Aqueles dois homens eram semelhantes. Ambos tinham grandes narizes e maças do rosto salientes; ambos os rostos pareciam feitos do mesmo material, mais duro e durável que a carne, uma substância semelhante à pedra, que não se altera com facilidade. A barba de Joseph era negra e sedosa, ainda suficientemente rala para que o esboço sombreado do queixo se visse através dela. A do velho era longa e branca. Cofiava-a aqui e ali, com dedos cautelosos, tornando-lhe as pontas para a proteger. Só passado um bocado deu pela presença do filho a seu lado. Ergueu os olhos velhos, conhecedores e plácidos olhos muito azuis. Os de Joseph eram também da mesma cor, mas orgulhosos e curiosos com a juventude. Agora que se encontrava junto do pai, hesitava comunicar-lhe a sua nova heresia.
Preâmbulo e 1º página do livro, A Um Deus Desconhecido, de John Steinbeck, editora Livros do Brasil.
John Steinbeck.
publicado por armando ésse às 09:40

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