A FÁBRICA

Março 21 2008

O Dia Mundial da Poesia foi instituído na 30ª sessão da Conferência Geral, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), reunida em Paris, em Novembro de 1999, com o objectivo de defender a diversidade linguística.
O Director-Geral na UNESCO, da altura, o japonês Koichiro Matsura lançou um apelo aos 191 estados-membros para promoverem a educação artística nas escolas, e justiçou a criação do Dia Mundial da Poesia pela “universalidade e natureza transcendental desta forma de expressão, constituindo por isso mesmo, um meio incomparável para a compreensão inter - cultural e para a consolidação da paz no Mundo”.
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Escolho para celebrar o Dia Mundial da Poesia, o Poema 20, de Pablo Neruda, do seu livro "Vinte poemas de amor e uma canção desesperada".
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Posso escrever os versos mais tristes esta noite
Escrever por exemplo:
”A noite está estrelada e tiritam, azuis, os astros ao longe”
O vento da noite gira no céu e canta
Posso escrever os versos mais tristes esta noite
Eu a quis e às vezes ela também me quis…
Em noites como esta, tive-a entre os meus braços
Beijei-a tantas vezes debaixo do céu infinito
Ela me quis às vezes eu também a queria
Como não ter amado seus grandes olhos fixos?
Posso escrever os versos mais tristes esta noite
Pensar que não a tenho Sentir que já a perdi
Ouvir a noite imensa mais profunda sem ela
E o verso cai na alma como na relva o orvalho
Que importa que o meu amor não pudesse guardá-la?
A noite está estrelada e ela não está comigo
Isso é tudo
Ao longe alguém canta. Ao longe
Minha alma não se contenta com tê-la perdido
Como para aproximá-la meu olhar a procura
Meu coração a procura e ela não está comigo
A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores
Nós, os de então, já não somos os mesmos
Já não a quero, é certo
Porém quanto a queria!
A minha voz procurava o vento para tocar o seu ouvido
De outro. Será de outro
Como antes de meus beijos?
Sua voz, seu corpo claro, seus olhos infinitos
Já não a quero, é verdade,
Porém talvez a queira
É tão curto o amor e tão longo o esquecimento
Porque em noites como esta
Eu tive-a entre os meus braços,
Minha alma não se contenta por havê-la perdido
Ainda que seja a última dor que ela me causa
E estes, os últimos versos que lhe escrevo.
publicado por armando ésse às 11:09

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