A FÁBRICA

Dezembro 21 2007

O presidente russo, Vladimir Putin, foi designado personalidade do ano 2007 pela "Time". Putin "impôs a estabilidade a um país que raramente a conheceu e conduziu a Rússia à mesa dos poderosos deste mundo", explicou a revista para justificar a escolha. Num artigo com o título "escolher a ordem antes da liberdade", a revista lembra que "ser a personalidade do ano da “Time” não é, nem nunca foi uma honra". "Não é um apoio, não é um concurso de popularidade", sublinhou a revista que pretende, com estas escolhas, designar as pessoas que desempenharam um papel preponderante na cena internacional.
"Putin não é um escuteiro. Não é um democrata, de acordo com os critérios do Ocidente. Não é um modelo da liberdade de expressão", acrescentou. Este reconhecimento é atribuído ao chefe de Estado russo por ter remodelado um país que tinha "desaparecido do nosso mapa mental", sublinhou um dos chefes de redacção Richard Stengel.
"Com o sacrifício de princípios e valores que uma nação livre estima, Putin realizou, enquanto dirigente, uma proeza extraordinária, impôs a estabilidade a uma nação que raramente a conheceu e conduziu a Rússia à mesa dos poderosos deste mundo", acrescentou Stengel. "Por estas razões, Vladimir Putin é o homem do ano 2007 da “Time", concluiu.
Putin foi escolhido em detrimento do Nobel da Paz Al Gore, considerado pelo cantor Bono a consciência ambiental da América; da autora das aventuras de Harry Potter J.K.Rowling; do Presidente da China Hu Jintao, que conjuga a sabedoria ancestral e a doutrina comunista, e do comandante das forças norte-americanas no Iraque, o general David Petraeus.
A "Time" recorre habitualmente à provocação quando escolhe a "pessoa do ano". Entre os anteriores "eleitos" contam-se Adolf Hitler, Joseph Estaline, ou o presidente norte-americano George W. Bush em 2004, um ano depois da invasão do Iraque. O antigo dirigente iraniano, o ayatollah Khomeini, foi escolhido em 1979, ano do fim do regime do Xá da Pérsia.(LUSA).
Vladimir Vladimirovich Putin, nasceu a 7 de Outubro de 1952, em Leninegrado (mais tarde S. Petersburgo), na Rússia.
Filho único, Putin cresceu junto da mãe e do pai, trabalhador fabril e veterano da Segunda Guerra Mundial, num apartamento comunal que dividia com diversas famílias. Em criança estudou artes marciais, e aos 16 anos era já especialista em sambo, uma combinação Russa de judo e luta livre.
Por volta desta idade, Putin foi escolhido para estudar na Escola de Leninegrado Nº 281, um colégio – preparatório para os melhores estudantes da cidade. Em 1970, entrou para a prestigiada Universidade do Estado de Leninegrado, onde se formou em lei civil, continuando a aperfeiçoar as suas técnicas de artes marciais. Foi campeão de Leninegrado em Judo em 1974, e um ano mais tarde terminou o curso universitário com distinção. Após terminado o curso, Putin foi recrutado pelo KGB, o serviço de segurança da União Soviética, liderado então por Yuri Andropov, um fanático da disciplina e mais tarde, durante um breve período, líder da União Soviética em 1983. Após os estudos de espionagem e política externa em Moscovo, onde aprendeu Alemão e recebeu o cinturão negro de judo, Putin começou trabalhar em contra - inteligência, juntando - se mais tarde ao Primeiro Directório do KGB como agente de inteligência internacional.
Em 1985, o KGB enviou Putin para a Alemanha Democrata, onde residiu na cidade de Dresden sob nome falso e com um emprego fictício como chefe da denominada associação de amizade Germano-Soviética. A natureza exacta do seu trabalho na RDA continua motivo de debate; as suas funções principais incluíam, certamente, actividades de espionagem sobre uma série de nações pertencentes à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN-NATO), recrutamento de informadores e agentes e recolha e análise de dados para envio para Moscovo. Durante a sua permanência na Alemanha dividida, Putin ficou exposto a uma série de ideias Ocidentais, tanto económicas como políticas, que iriam mais tarde ter um papel fundamental na sua carreira pós-KGB.
Com a subida ao poder de Mikhail Gorbatchev e da sua "perestroika", que viria a ter um papel fundamental no colapso do Comunismo na Europa de Leste no final da década de 80, o trabalho de Putin na Alemanha de Leste foi interrompido de forma abrupta. Voltou a Moscovo em 1990, após a queda do Muro de Berlim e da reunificação da Alemanha, como um dos agentes mais condecorados do KGB. A agência recompensou-o com um posto administrativo na sua alma mater, A Universidade do Estado De Leninegrado, que lhe serviu de cobertura para continuar o seu trabalho como agente secreto.
Pouco depois, Putin encontrou o seu ex-professor, Anatoly Sobchak, que já era então presidente do concelho da cidade e um dos líderes do movimento democrata Russo. Atraído pela política, Putin abandonou o KGB para se tornar um dos principais assessores de Sobchak. Após a vitória de Sobchak nas eleições para a presidência da câmara da rebaptizada S. Petersburgo em 1991, Putin foi nomeado vice-presidente da câmara. Além de gerir as actividades diárias de S. Petersburgo, Putin era também responsável pela abertura da cidade a uma série de investimentos estrangeiros, incluindo às grandes companhias como o Credit Lyonnais, Coca-Cola e a NEC, o gigante Japonês de material electrónico.
Em 1996, Sobchak foi derrotado na sua campanha para a reeleição; Putin abandonaria o governo da cidade em lealdade com o seu velho professor. Apesar de Sobchak ter sido acusado de corrupção oficial após ter abandonado a câmara, Putin permaneceu virtualmente intocado pelas alegações. Recebeu em 1997 um convite para o Kremlin, como assessor de Pavel Borodin, o líder do poderoso departamento de propriedades do Kremlin, em Moscovo.
O ex-agente do KGB subiu as escadarias do poder dentro do Kremlin de forma rápida e eficaz: em 1998, o então Presidente Boris Yeltsin apontou Putin para a chefia do Serviço Federal de Segurança, o sucessor doméstico do KGB. Em Agosto de 1999, altura em que o conflito na República da Chechénia começou a entrar na fase mais dramática, Yeltsin nomeou Putin, então com 47 anos, primeiro-ministro (o último de uma série de políticos que Yeltsin apontou sucessivamente para este posto).
De início, poucos consideraram que Putin, como sucessor designado do próprio Yeltsin, viesse a revelar – se um candidato viável para a presidência da Rússia. Mas o pulso forte do novo primeiro-ministro, quer nos assuntos domésticos como internacionais, especialmente a sua atitude de dureza contra os rebeldes Chechenos garantiram-lhe o apoio da população e a reputação de mais popular político Russo.
A 31 de Dezembro de 1999, Yeltsin resignou da presidência do país, seis meses antes do termo do seu mandato. Num acto claramente desenhado para atrair o máximo da atenção internacional, apontou Putin para a presidência da Rússia, anunciando que "a Rússia deve entrar no novo milénio com novos políticos, novas personalidades e com um novo povo, mais inteligente, forte e energético". Se o verdadeiro programa de Putin para a Rússia permaneceu, de início e durante alguns meses, algo obscuro, o novo líder conseguiu contudo aproveitar o apoio popular para garantir a vitória na primeira volta das eleições presidenciais, a 27 de Março de 2000, quando se tornou o segundo presidente da Rússia e o mais jovem líder desde 1922, quando Josef Estaline foi apontado como secretário-geral do Partido Comunista. Nas eleições de 2004, conseguiu mais de 70% dos votos.
Os dois mandatos à frente dos destinos da Rússia, foram marcados por constantes atropelos aos direitos humanos, um controle rígido da imprensa e por uma luta contra as actividades terroristas na Chechénia. Apesar de toda esta repressão, não evitou que a 1 de Setembro de 2004, os terroristas invadissem uma escola em Beslam, e massacrassem 186 crianças. A imprensa internacional, viria a responsabilizar Putin pelo massacre, devido à sua política repressiva na Chechénia. Outro lado negro dos mandatos de Putin, é a eliminação física de todos os que se lhe opõem, sendo de referir neste caso, o assassínio de Anna Politkovskaia e o envenenamento de Alexander Litvinenko, além da eliminação física de outros 12 jornalistas.
Apesar de Putin continuar a ser uma figura algo enigmática, tanto politica como pessoalmente, tem uma alta popularidade na Rússia, onde cerca de 75% dos eleitores, acha que ele deveria cumprir um terceiro mandato á frente dos destinos do país, apesar de ir contra a Constituição. De todas as maneiras, Vladimir Putin, que não pode ser de novo presidente da Rússia, prepara-se para abandonar a presidência, mas não o poder, pois é o mais sério candidato a tornar-se primeiro-ministro da Rússia, depois de ter "nomeado" para seu sucessor, Dmitri Medvedev, para as eleições presidenciais de Março de 2008.
publicado por armando ésse às 10:36
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