A FÁBRICA

Maio 29 2008

O garoto de cabelo cor-de-mel agachou-se, deixou-se escorregar ao longo do último troço do rochedo e encaminhou-se para a lagoa. Embora tivesse tirado o blusão, parte do seu uniforme escolar, e o arrastasse agora pela mão, a camisa cinzenta colava-se à pele e o cabelo encodeava-se-lhe na testa. À sua volta, a funda clareira rasgada na selva era um banho de calor. Rompia pesadamente por entre as lianas e os troncos quebrados, quando um pássaro, uma visão de vermelho e amarelo, cintilou numa fuga para o alto com um grito de feitiço. A este grito o eco respondeu com outro.
-Eh! – disse uma voz. – Espera um momento!
O matagal, num dos bordos da clareira, agitou-se e uma saraivada de gotas de água caiu com estridor.
-Espera um momento – repetia a voz. – Estou aqui preso.
O garoto de cabelo cor-de-mel abaixou-se e repuxou as peúgas com um gesto automático que fez com que a selva por um momento se parecesse com os condados ingleses.
A voz ouvia-se de novo.
-Nem me posso mexer com todas estas trepadeiras.
O dono da voz emergiu, esbracejando com o restolho alto, de modo que os ramalhos vibraram contra uma pala sebenta. As rótulas nuas dos joelhos eram grossas e tinham sido apanhadas e arranhadas por espinhos. Debruçou-se, tirou cuidadosamente os espinhos e voltou-se. Era mais baixo que o garoto louro e muito gordo. Adiantou-se, buscando piso seguro para os pés, e olhou então através dos óculos de lentes grossas.
1ª Página do livro, O Deus das Moscas, de William Golding, Vega, 1º edição, 1997.

Nota: William Golding (1911-1993), romancista inglês, Prémio Nobel em 1983, nasceu na Cornualha e cursou a Universidade de Oxford, dedicando-se ao estudo da Literatura inglesa. Professor, abandonou a profissão durante a II Grande Guerra, tendo servido na Royal Navy.Depois da Guerra, Golding deu-se à escrita.0 seu primeiro romance, em 1954, O Deus das Moscas (filme de Peter Brook em 1963), foi um sucesso, tendo a crítica internacional considerado a obra como uma das maiores do século XX. Depois deste seu primeiro título (traduzido em todo o mundo culto), Golding escreveu ainda Os Herdeiros (1955), Pincher Martin (1956), Borboleta de Latão (1958) e Queda Livre (1959).Outras obras: Rites of Passage (1980), Close Quarters (1987) e Fire Down Below (1989). Estes romances constituem uma trilogia galardoada com o Booker Prize. Assunto da trilogia: dilemas morais e reacções humanas em situações limite. O mar e a navegação são presenças constantes na sua escrita.Escreveu também vários ensaios - e o seu último romance, The Double Tongue, foi publicado postumamente em 1995. Em 88, foi elevado ao grau de Cavaleiro, juntando ao seu nome o título de Sir. (Vega).
publicado por armando ésse às 14:38

Maio 28 2008

Durante a segunda metade dos anos 60, em parte por motivos de estudo, em parte por outros que eu próprio não descortino bem, viajei amiúde entre a Inglaterra e a Bélgica, umas vezes por um ou dois dias, outras várias semanas. Numa destas excursões à Bélgica que, assim me parecia, me levavam cada vez mais longe em terra alheia, fui parar, numa gloriosa manhã do princípio do Verão, à cidade de Antuérpia, que até então apenas conhecia de nome. Logo à chegada, enquanto o comboio deslizava lentamente pelo viaduto rematado de ambos os lados por umas curiosas torrezinhas aguçadas e entrava no vão escuro da estação, fui tomado de um mal-estar, uma sensação de incómodo que não mais me largou durante todo o tempo dessa minha visita à Bélgica. Recordo ainda a insegurança dos passos com que dei uma volta pelo centro da cidade, percorri Jerusalemstraat, Nachtegaalstraat, Plikaanstraat, Paradijstraat, Immerseelstraat e muitas outras ruas e vielas, e que, por fim, afligido por uma dor de cabeça e pensamentos desagradáveis, me refugiei no jardim zoológico, perto de Astriplein, ao lado da Centraal Station. Por ali fiquei, aver se me sentia um pouco melhor, sentado num banco meio à sombra junto a um aviário onde esboaçavam numerosos tentilhões e pintassilgos. Enquanto a tarde foi passando deambulei pelo parque e acabei por ir ver o Nocturama, aberto apenas há um par de meses. Foi preciso algum tempo para que os olhos se adaptassem àquela penumbra artificial e eu pudesse reconhecer os diversos animais que levavam vidas obscuras por trás da vidraça, a uma pálida luz lunar. Já não sei quais foram os animais que vi nessa visita ao Nocturama de Antuérpia.
1ª Página do livro, Austerlitz, de W.G. Sebald, Editorial Teorema, 1ª edição Setembro de 2004.

Nota: A morte prematura de W.G. Sebald foi uma perda irreparável para a literatura contemporânea. W. G. Sebald, morreu tragicamente em Dezembro de 2001, de ataque cardíaco, depois de sofrer um acidente de viação, numa rua da cidade inglesa de Norwich. Nascido em Wertach im Allgäu, na Alemanha, em 1944, estudou Língua e Literatura Alemãs em Freiburg, na Suiça e em Manchester. A partir de 1970 ensinou na Universidade de East Anglia, em Morwich, tornando-se professor de Literatura Europeia, em 1987. Deixou um legado pouco volumoso em quantidade, apenas quatro obras de ficção, e não digo romances, pois é extremamente difícil classificar o género literário, da obra de W.G. Sebald.
Mas, independentemente da dificuldade que os estudiosos têm de rotular a obra de Sebald, este seu livro, Austerlitz, é provavelmente o melhor romance escrito no século XXI.
publicado por armando ésse às 15:27

Maio 28 2008

Durante a segunda metade dos anos 60, em parte por motivos de estudo, em parte por outros que eu próprio não descortino bem, viajei amiúde entre a Inglaterra e a Bélgica, umas vezes por um ou dois dias, outras várias semanas. Numa destas excursões à Bélgica que, assim me parecia, me levavam cada vez mais longe em terra alheia, fui parar, numa gloriosa manhã do princípio do Verão, à cidade de Antuérpia, que até então apenas conhecia de nome. Logo à chegada, enquanto o comboio deslizava lentamente pelo viaduto rematado de ambos os lados por umas curiosas torrezinhas aguçadas e entrava no vão escuro da estação, fui tomado de um mal-estar, uma sensação de incómodo que não mais me largou durante todo o tempo dessa minha visita à Bélgica. Recordo ainda a insegurança dos passos com que dei uma volta pelo centro da cidade, percorri Jerusalemstraat, Nachtegaalstraat, Plikaanstraat, Paradijstraat, Immerseelstraat e muitas outras ruas e vielas, e que, por fim, afligido por uma dor de cabeça e pensamentos desagradáveis, me refugiei no jardim zoológico, perto de Astriplein, ao lado da Centraal Station. Por ali fiquei, aver se me sentia um pouco melhor, sentado num banco meio à sombra junto a um aviário onde esboaçavam numerosos tentilhões e pintassilgos. Enquanto a tarde foi passando deambulei pelo parque e acabei por ir ver o Nocturama, aberto apenas há um par de meses. Foi preciso algum tempo para que os olhos se adaptassem àquela penumbra artificial e eu pudesse reconhecer os diversos animais que levavam vidas obscuras por trás da vidraça, a uma pálida luz lunar. Já não sei quais foram os animais que vi nessa visita ao Nocturama de Antuérpia.
1ª Página do livro, Austerlitz, de W.G. Sebald, Editorial Teorema, 1ª edição Setembro de 2004.

Nota: A morte prematura de W.G. Sebald foi uma perda irreparável para a literatura contemporânea. W. G. Sebald, morreu tragicamente em Dezembro de 2001, de ataque cardíaco, depois de sofrer um acidente de viação, numa rua da cidade inglesa de Norwich. Nascido em Wertach im Allgäu, na Alemanha, em 1944, estudou Língua e Literatura Alemãs em Freiburg, na Suiça e em Manchester. A partir de 1970 ensinou na Universidade de East Anglia, em Morwich, tornando-se professor de Literatura Europeia, em 1987. Deixou um legado pouco volumoso em quantidade, apenas quatro obras de ficção, e não digo romances, pois é extremamente difícil classificar o género literário, da obra de W.G. Sebald.
Mas, independentemente da dificuldade que os estudiosos têm de rotular a obra de Sebald, este seu livro, Austerlitz, é provavelmente o melhor romance escrito no século XXI.
publicado por armando ésse às 15:27

Maio 27 2008

Mas eu vou para Hollywood mas eu vou para o hospital, mas tu és primeiro mas tu és último, mas ele é alto mas ela é baixa, mas tu ficas em cima mas tu vais para baixo, mas nós somos ricos mas nós somos pobres, mas eles têm sossego mas eles têm…
Xan Meo foi ao Hollywood. E minutos depois, à velocidade da urgência e acompanhado pelos acordes estridentes do sofrimento electrificado, Xan Meo foi para o hospital. Por causa da violência masculina.
-Vou sair, eu – disse ele à sua esposa americana, Russia.
-Uh – disse ela, pronunciando como onde em francês.
-Não demoro. Eu dou-lhes banho. E também lhes leio uma história. Depois faço o jantar. A seguir ponho a louça na máquina. E a seguir dou-te uma boa massagem nas costas. Está bem assim?
-Posso ir também? – perguntou Russia.
-Acho que me apetece estar sozinho.
-Queres é ficar sozinho com a tua namorada.
Xan sabia que a acusação não era a sério. Mas odoptou uma expressão de agravo (um espessamento da fronte) e disse, não pela primeira vez e, tanto quanto sabia, com sinceridade: - Não tenho segredos para ti, pequena.
-Mm – disse ela oferecendo-lhe a face.
-Não sabes que dia é hoje?
-Oh. Claro.
O casal ficou a abraçar-se no pé-direito duplo da entrada. Depois o marido, com um movimento do braço, fez tilintar as chaves no bolso. A sua intenção semiconsciente foi mostrar impaciência por sair. Xan não concordaria publicamente, mas as mulheres gostam, por natureza, de prolongar as rotinas de partida. É o reverso do seu gosto por deixar pessoas à espera. Os homens não deviam importar-se com isso. Ser deixado à espera é uma compensação moderada pelos seus cinco milhões de anos no poder… Xan suspira agora baixinho e mais acima baixinho rangem escadas. Descia uma figura complexa, normal até à cintura mas com duas cabeças e quatro braços: a filha mais pequena de Meo, Sophie, colada ao flanco de Imaculada, a sua ama brasileira. Por trás delas, a uma distância ao mesmo tempo sonhadora e auto-suficiente, espreitava a de quatro anos, Billie.
1ª Página do livro, O Cão Amarelo, de Martin Amis, Editorial Teorema, 1ª edição, Agosto de 2004.

Nota: Martin Amis nasceu em Oxford, Inglaterra, a 25 de Agosto de 1949. Filho do escritor Kingsley Amis, autor vencedor de um Booker Prize.
Amis passou grande parte da sua juventude em Swansea, onde o seu pai leccionava. Mais tarde passou um ano em Princeton, antes de regressar a Inglaterra e depois em Cambridge. Aos 12 anos, depois do divórcio dos seus pais, Amis passou o ano seguinte na Ilha de Maiorca, Espanha, com a sua mãe e irmãos.
No anos seguinte regressou a Inglaterra, onde recebeu um papel para o filme A High Wind in Jamaica, ficando impedido de regressar à escola. Depois de a madrasta, a romancista Elizabeth Jane Howard, o introduzir às obras de Jane Austen, começou a preparar os requisitos de admissão para a Universidade de Oxford.
Em 1971, licenciou-se em Inglês com lugar no quadro de honra. Em 1971, recebeu uma proposta para crítico literário para o jornal London Observer e, nos oito anos seguintes, ocupou cargos editoriais em jornais como London Times Literary Supplement, New Statesman e London Observer, onde ocupou uma posição de escritor a partir de 1980.
Em 1980, depois de publicar três romances e vendido um argumento, Amis demitiu-se da sua posição editorial no New Statesman para escrever a tempo inteiro, apesar de continuar a publicar não-ficção em Inglaterra e América, incluindo críticas no Observer, The London Review of Books e New York Times Book Review.
As suas obras caracterizam-se pelo seu acerbado humor negro, incluindo-se entre elas The Rachel Papers (1973), um livro de memórias da adolescência contadas através de flashbacks, Dead Babies (1975), que trata a decadência e o sadismo, Money (1984), London Fields (1989), Time’s Arrow (1991), um romance muito apreciado que fala sobre os campos de morte nazis, Água Pesada (1999) e Experiência (2000), uma autobiografia do escritor, The War Against Cliché (2001), Koba o Terrível (2002), On Modern British Fiction (2002), O Cão Amarelo (2003), Vintage Amis (2003), House of Meetings (2006) e The Pregnant Widow (2007).
Recebeu os prémios: Somerset Maugham Award (1974) pela obra The Rachel Papers e James Tait Black Memorial Prize (para biografia) (2000) pela obra Experiência. (Fontes:Wikipédia e Biblioteca Universal).
publicado por armando ésse às 12:12

Maio 27 2008

Mas eu vou para Hollywood mas eu vou para o hospital, mas tu és primeiro mas tu és último, mas ele é alto mas ela é baixa, mas tu ficas em cima mas tu vais para baixo, mas nós somos ricos mas nós somos pobres, mas eles têm sossego mas eles têm…
Xan Meo foi ao Hollywood. E minutos depois, à velocidade da urgência e acompanhado pelos acordes estridentes do sofrimento electrificado, Xan Meo foi para o hospital. Por causa da violência masculina.
-Vou sair, eu – disse ele à sua esposa americana, Russia.
-Uh – disse ela, pronunciando como onde em francês.
-Não demoro. Eu dou-lhes banho. E também lhes leio uma história. Depois faço o jantar. A seguir ponho a louça na máquina. E a seguir dou-te uma boa massagem nas costas. Está bem assim?
-Posso ir também? – perguntou Russia.
-Acho que me apetece estar sozinho.
-Queres é ficar sozinho com a tua namorada.
Xan sabia que a acusação não era a sério. Mas odoptou uma expressão de agravo (um espessamento da fronte) e disse, não pela primeira vez e, tanto quanto sabia, com sinceridade: - Não tenho segredos para ti, pequena.
-Mm – disse ela oferecendo-lhe a face.
-Não sabes que dia é hoje?
-Oh. Claro.
O casal ficou a abraçar-se no pé-direito duplo da entrada. Depois o marido, com um movimento do braço, fez tilintar as chaves no bolso. A sua intenção semiconsciente foi mostrar impaciência por sair. Xan não concordaria publicamente, mas as mulheres gostam, por natureza, de prolongar as rotinas de partida. É o reverso do seu gosto por deixar pessoas à espera. Os homens não deviam importar-se com isso. Ser deixado à espera é uma compensação moderada pelos seus cinco milhões de anos no poder… Xan suspira agora baixinho e mais acima baixinho rangem escadas. Descia uma figura complexa, normal até à cintura mas com duas cabeças e quatro braços: a filha mais pequena de Meo, Sophie, colada ao flanco de Imaculada, a sua ama brasileira. Por trás delas, a uma distância ao mesmo tempo sonhadora e auto-suficiente, espreitava a de quatro anos, Billie.
1ª Página do livro, O Cão Amarelo, de Martin Amis, Editorial Teorema, 1ª edição, Agosto de 2004.

Nota: Martin Amis nasceu em Oxford, Inglaterra, a 25 de Agosto de 1949. Filho do escritor Kingsley Amis, autor vencedor de um Booker Prize.
Amis passou grande parte da sua juventude em Swansea, onde o seu pai leccionava. Mais tarde passou um ano em Princeton, antes de regressar a Inglaterra e depois em Cambridge. Aos 12 anos, depois do divórcio dos seus pais, Amis passou o ano seguinte na Ilha de Maiorca, Espanha, com a sua mãe e irmãos.
No anos seguinte regressou a Inglaterra, onde recebeu um papel para o filme A High Wind in Jamaica, ficando impedido de regressar à escola. Depois de a madrasta, a romancista Elizabeth Jane Howard, o introduzir às obras de Jane Austen, começou a preparar os requisitos de admissão para a Universidade de Oxford.
Em 1971, licenciou-se em Inglês com lugar no quadro de honra. Em 1971, recebeu uma proposta para crítico literário para o jornal London Observer e, nos oito anos seguintes, ocupou cargos editoriais em jornais como London Times Literary Supplement, New Statesman e London Observer, onde ocupou uma posição de escritor a partir de 1980.
Em 1980, depois de publicar três romances e vendido um argumento, Amis demitiu-se da sua posição editorial no New Statesman para escrever a tempo inteiro, apesar de continuar a publicar não-ficção em Inglaterra e América, incluindo críticas no Observer, The London Review of Books e New York Times Book Review.
As suas obras caracterizam-se pelo seu acerbado humor negro, incluindo-se entre elas The Rachel Papers (1973), um livro de memórias da adolescência contadas através de flashbacks, Dead Babies (1975), que trata a decadência e o sadismo, Money (1984), London Fields (1989), Time’s Arrow (1991), um romance muito apreciado que fala sobre os campos de morte nazis, Água Pesada (1999) e Experiência (2000), uma autobiografia do escritor, The War Against Cliché (2001), Koba o Terrível (2002), On Modern British Fiction (2002), O Cão Amarelo (2003), Vintage Amis (2003), House of Meetings (2006) e The Pregnant Widow (2007).
Recebeu os prémios: Somerset Maugham Award (1974) pela obra The Rachel Papers e James Tait Black Memorial Prize (para biografia) (2000) pela obra Experiência. (Fontes:Wikipédia e Biblioteca Universal).
publicado por armando ésse às 12:12

Maio 26 2008

Quando acordava nos bosques, na escuridão e no frio, estendia a mão para tocar na criança que dormia a seu lado. Noites de trevas mais densas do que as próprias trevas e cada dia mais cinzento do que anterior. Como os primórdios de um glaucoma frio a obscurecer o mundo. A mão subia e descia suavemente a cada fôlego precioso. Afastou o oleado de tela plástica e soergueu-se sob as vestes e cobertores malcheirosos e olhou para leste em busca de qualquer luz, mas nada viu. No sonho de que despertara tinha penetrado numa gruta onde a criança o conduzira pela mão. A luz que traziam brincava sobre as paredes húmidas de calcário ali depositado pelo escorrer da água. Como peregrinos numa fábula, engolidos por um monstro granítico em cujas entranhas se haviam perdido. Fundos canais de pedra onde a água gotejava melodiosamente, como sinos a dobrar no silencia para assinalar os minutos da terra e as horas e os dias da terra e os anos incessantes. Até que chegaram a uma grande sala de pedra onde havia um lado negro e antiquíssimo e, na margem oposta, uma criatura que ergueu a boca gotejante do rebordo calcário e fitou a luz com olhos brancos e sem vida e cegos como ovos de aranha. O animal baixou a cabeça sobre a água e agitou-a, como que a farejar o que não conseguia ver. Ali agachado, pálido e nu e translúcido, com os ossos de alabastro projectados em sombras nas rochas atrás de si. As vísceras, o coração a bater. O cérebro que pulsava numa campânula de vidro baço. Agitou a cabeça para um lado e para o outro e depois soltou um gemido surdo e deu meia volta e afastou-se em passo trôpego até se eclipsar nas trevas sem ruído.
Com a primeira luz cinzenta ele levantou-se e deixou o rapaz a dormir e caminhou até à estrada e acocorou-se e perscrutou a paisagem que se estendia para sul. Estéril, silenciosa, maléfica. Parecia-lhe que estavam no mês de Outubro, mas não tinha a certeza. Há anos que deixaram de contar os dias por um calendário. Iam para sul. Nunca conseguiriam sobreviver a outro Inverno naquele lugar.
1ª Página do livro, A Estrada, de Cormac McCarthy, Relógio D’Água Editores, Março 2007, sem número de edição.

Nota:Num mundo pós-nuclear, Cormac McCarthy, narra-nos a história de sobrevivência de um pai e de um filho através da América, numa linguagem crua e despojada de qualquer romantismo para com a humanidade.
Segundo o Jornal inglês, The Observer, deveremos ler o livro como “uma meditação sobre a morte”: a morte individual e num sentido mais lato, a meditação sobre o fim apocalíptico da humanidade. Com este romance, Cormac McCarthy arrecadou o Prémio Pulitzer de 2007.
Cormac McCarthy nasceu em Rhode Island, a 20 de Julho de 1933. Na juventude, serviu à Força Aérea dos Estados Unidos durante quatro anos, e estudou Artes na Universidade do Tennessee. Em 40 anos de carreira literária, editou nove romances, entre eles, O Filho de Deus, Meridiano de Sangue, Este País Não é Para Velhos e este, A Estrada.
O escritor é considerado nos últimos anos como um dos grandes nomes do romance contemporâneo norte-americano, ao lado de nomes, como Don DeLillo, Philip Roth e Thomas Pynchon.
publicado por armando ésse às 10:39

Maio 26 2008

Quando acordava nos bosques, na escuridão e no frio, estendia a mão para tocar na criança que dormia a seu lado. Noites de trevas mais densas do que as próprias trevas e cada dia mais cinzento do que anterior. Como os primórdios de um glaucoma frio a obscurecer o mundo. A mão subia e descia suavemente a cada fôlego precioso. Afastou o oleado de tela plástica e soergueu-se sob as vestes e cobertores malcheirosos e olhou para leste em busca de qualquer luz, mas nada viu. No sonho de que despertara tinha penetrado numa gruta onde a criança o conduzira pela mão. A luz que traziam brincava sobre as paredes húmidas de calcário ali depositado pelo escorrer da água. Como peregrinos numa fábula, engolidos por um monstro granítico em cujas entranhas se haviam perdido. Fundos canais de pedra onde a água gotejava melodiosamente, como sinos a dobrar no silencia para assinalar os minutos da terra e as horas e os dias da terra e os anos incessantes. Até que chegaram a uma grande sala de pedra onde havia um lado negro e antiquíssimo e, na margem oposta, uma criatura que ergueu a boca gotejante do rebordo calcário e fitou a luz com olhos brancos e sem vida e cegos como ovos de aranha. O animal baixou a cabeça sobre a água e agitou-a, como que a farejar o que não conseguia ver. Ali agachado, pálido e nu e translúcido, com os ossos de alabastro projectados em sombras nas rochas atrás de si. As vísceras, o coração a bater. O cérebro que pulsava numa campânula de vidro baço. Agitou a cabeça para um lado e para o outro e depois soltou um gemido surdo e deu meia volta e afastou-se em passo trôpego até se eclipsar nas trevas sem ruído.
Com a primeira luz cinzenta ele levantou-se e deixou o rapaz a dormir e caminhou até à estrada e acocorou-se e perscrutou a paisagem que se estendia para sul. Estéril, silenciosa, maléfica. Parecia-lhe que estavam no mês de Outubro, mas não tinha a certeza. Há anos que deixaram de contar os dias por um calendário. Iam para sul. Nunca conseguiriam sobreviver a outro Inverno naquele lugar.
1ª Página do livro, A Estrada, de Cormac McCarthy, Relógio D’Água Editores, Março 2007, sem número de edição.

Nota:Num mundo pós-nuclear, Cormac McCarthy, narra-nos a história de sobrevivência de um pai e de um filho através da América, numa linguagem crua e despojada de qualquer romantismo para com a humanidade.
Segundo o Jornal inglês, The Observer, deveremos ler o livro como “uma meditação sobre a morte”: a morte individual e num sentido mais lato, a meditação sobre o fim apocalíptico da humanidade. Com este romance, Cormac McCarthy arrecadou o Prémio Pulitzer de 2007.
Cormac McCarthy nasceu em Rhode Island, a 20 de Julho de 1933. Na juventude, serviu à Força Aérea dos Estados Unidos durante quatro anos, e estudou Artes na Universidade do Tennessee. Em 40 anos de carreira literária, editou nove romances, entre eles, O Filho de Deus, Meridiano de Sangue, Este País Não é Para Velhos e este, A Estrada.
O escritor é considerado nos últimos anos como um dos grandes nomes do romance contemporâneo norte-americano, ao lado de nomes, como Don DeLillo, Philip Roth e Thomas Pynchon.
publicado por armando ésse às 10:39

Maio 23 2008

Decido o título definitivo e completo do meu blablabla que é Alá não é obrigado a ser justo em todas as coisas desta Terra. E pronto. Começo a contar as minhas baboseiras.
E, para começar…e um…Chamo-me Birahima. Sou um p’tit négre. Não por ser black e miúdo. Não! Sou p’tit négre porque falo mal francês. É assim. Mesmo quando se é grande, mesmo velho, mesmo árabe, chinês, branco, russo, mesmo americano; quando se fala mal francês diz-se sempre que se fala p’tit négre. Isso é a lei do francês de todos os dias que assim decreta.
…E dois… A minha escola não foi lá muito longe; cortei com o curso elementar dois. Deixei o banco porque toda a gente diz que a escola não vale nada, nem sequer o peido de uma avó velha (é assim que se diz em preto negro africano indígena quando uma coisa não vale nada. Diz-se que não vale o peido de uma avó velha porque o peido da avó lixada e magricela não faz barulho e não cheira assim muito, muito mal). A escola não vale o peido da avó porque, mesmo com o diploma da universidade, não se consegue ser enfermeiro ou professor primário em nenhuma das repúblicas bananeiras corrompidas da África francófona. (República bananeira quer dizer aparentemente democrática mas, na verdade, governada por interesses privados, pela corrupção.) Mas mesmo frequentar o curso elementar dois não é forçosamente autónomo e mirífico. Fica-se a saber alguma coisa, mas não o suficiente; ficamos a parecer-nos com aquilo a que os pretos negros africanos indígenas chamam uma panqueca tostada dos dois lados. Já não somos aldeões, selvagens como os outros pretos negros africanos indígenas: ouvimos e compreendemos os negros civilizados e os toubabs, tirando os ingleses e os americanos pretos da Libéria. Mas ignoramos geografia, gramática, conjugações, divisões e redacção; não conseguimos ganhar o dinheiro facilmente como agente do Estado numa república lixada e corrompida, como a Guiné, a Costa do Marfim, etc., etc.
…E três…sou insolente, incorrecto como a barba de bode e falo como um sacanete. Não digo, como os pretos negros africanos indígenas muito engravatados: merda! Raios! Safado! Sirvo-me de palavras malinké, como faforo! (Faforo quer dizer sexo do meu pai ou do pai ou do teu pai). Como gnamokodé! (Gnamokodé quer dizer bastardo ou bastardia). Como Walahé! (Walahé quer dizer em nome de Alá.) Os Malinkés é a minha raça. É o tipo de pretos negros africanos indígenas que são numerosos no Norte da Costa do Marfim, na Guiné e noutras repúblicas bananeiras e lixadas como a Gâmbia, a Serra Leoa e o Senegal lá longe, etc.
1ª Página do livro, Alá não é obrigado, de Ahmadou Kouroma, ASA Editores, 1ª edição, Setembro de 2004.

NOTA:Neste livro, Ahmadou Kouroma (Costa do Marfim 1927 – França 2003) , narra-nos pela boca de uma criança de onze anos, o menino soldado Birahima, a terrível realidade que assola o continente africano: as alianças entre chefes de Estado e o mundo do crime, a corrupção generalizada, as dificuldades nas Nações Unidas actuarem no terreno, os desvios das ajudas humanitárias enviadas pelas organizações não governamentais, e a terrível situação dos meninos soldados.
O número de crianças a participar directamente em combate é difícil de quantificar, mas segundo a organização não governamental britânica Human Rights Watch, existem entre 200 mil e 300 mil meninos soldados, que participam actualmente em guerras em 21 países em todo o mundo. Metade destes meninos soldados encontram-se em África, onde lutam mais de 100 mil crianças, mas também podem ser encontrados, na guerrilha maoísta do Nepal, no grupo terrorista Farc, na Colômbia, na Palestina, no Sudão ou no Mianmar, onde o recrutamento é legal a partir dos 12 anos.
A imagem tipicamente africana do menino com uma Kalashnikov nas mãos, que se encontra na capa do livro, não é representativa de todos os meninos soldados. Muitos dos meninos soldados, fazem o trabalho que militarmente é destinado à companhia de serviços, como cozinhar, lavar etc. Outros são usados como escravos sexuais, não havendo distinção no sexo. Outros ainda servem para fazer a desminagem de campos de minas ou para os minar. Segundo números da Organização das Nações Unidas, desde de 1987, cerca de dois milhões de crianças morreram em combate e este número não inclui, os mortos da guerra Irão/Iraque, que no seu final, era mantida principalmente por adolescentes. Assiste-se actualmente a uma grande pressão internacional, por parte de algumas organizações não governamentais, para terminar com a prática de recrutar meninos soldados, mas este movimento, está apenas no princípio.
publicado por armando ésse às 21:32

Maio 23 2008

Decido o título definitivo e completo do meu blablabla que é Alá não é obrigado a ser justo em todas as coisas desta Terra. E pronto. Começo a contar as minhas baboseiras.
E, para começar…e um…Chamo-me Birahima. Sou um p’tit négre. Não por ser black e miúdo. Não! Sou p’tit négre porque falo mal francês. É assim. Mesmo quando se é grande, mesmo velho, mesmo árabe, chinês, branco, russo, mesmo americano; quando se fala mal francês diz-se sempre que se fala p’tit négre. Isso é a lei do francês de todos os dias que assim decreta.
…E dois… A minha escola não foi lá muito longe; cortei com o curso elementar dois. Deixei o banco porque toda a gente diz que a escola não vale nada, nem sequer o peido de uma avó velha (é assim que se diz em preto negro africano indígena quando uma coisa não vale nada. Diz-se que não vale o peido de uma avó velha porque o peido da avó lixada e magricela não faz barulho e não cheira assim muito, muito mal). A escola não vale o peido da avó porque, mesmo com o diploma da universidade, não se consegue ser enfermeiro ou professor primário em nenhuma das repúblicas bananeiras corrompidas da África francófona. (República bananeira quer dizer aparentemente democrática mas, na verdade, governada por interesses privados, pela corrupção.) Mas mesmo frequentar o curso elementar dois não é forçosamente autónomo e mirífico. Fica-se a saber alguma coisa, mas não o suficiente; ficamos a parecer-nos com aquilo a que os pretos negros africanos indígenas chamam uma panqueca tostada dos dois lados. Já não somos aldeões, selvagens como os outros pretos negros africanos indígenas: ouvimos e compreendemos os negros civilizados e os toubabs, tirando os ingleses e os americanos pretos da Libéria. Mas ignoramos geografia, gramática, conjugações, divisões e redacção; não conseguimos ganhar o dinheiro facilmente como agente do Estado numa república lixada e corrompida, como a Guiné, a Costa do Marfim, etc., etc.
…E três…sou insolente, incorrecto como a barba de bode e falo como um sacanete. Não digo, como os pretos negros africanos indígenas muito engravatados: merda! Raios! Safado! Sirvo-me de palavras malinké, como faforo! (Faforo quer dizer sexo do meu pai ou do pai ou do teu pai). Como gnamokodé! (Gnamokodé quer dizer bastardo ou bastardia). Como Walahé! (Walahé quer dizer em nome de Alá.) Os Malinkés é a minha raça. É o tipo de pretos negros africanos indígenas que são numerosos no Norte da Costa do Marfim, na Guiné e noutras repúblicas bananeiras e lixadas como a Gâmbia, a Serra Leoa e o Senegal lá longe, etc.
1ª Página do livro, Alá não é obrigado, de Ahmadou Kouroma, ASA Editores, 1ª edição, Setembro de 2004.

NOTA:Neste livro, Ahmadou Kouroma (Costa do Marfim 1927 – França 2003) , narra-nos pela boca de uma criança de onze anos, o menino soldado Birahima, a terrível realidade que assola o continente africano: as alianças entre chefes de Estado e o mundo do crime, a corrupção generalizada, as dificuldades nas Nações Unidas actuarem no terreno, os desvios das ajudas humanitárias enviadas pelas organizações não governamentais, e a terrível situação dos meninos soldados.
O número de crianças a participar directamente em combate é difícil de quantificar, mas segundo a organização não governamental britânica Human Rights Watch, existem entre 200 mil e 300 mil meninos soldados, que participam actualmente em guerras em 21 países em todo o mundo. Metade destes meninos soldados encontram-se em África, onde lutam mais de 100 mil crianças, mas também podem ser encontrados, na guerrilha maoísta do Nepal, no grupo terrorista Farc, na Colômbia, na Palestina, no Sudão ou no Mianmar, onde o recrutamento é legal a partir dos 12 anos.
A imagem tipicamente africana do menino com uma Kalashnikov nas mãos, que se encontra na capa do livro, não é representativa de todos os meninos soldados. Muitos dos meninos soldados, fazem o trabalho que militarmente é destinado à companhia de serviços, como cozinhar, lavar etc. Outros são usados como escravos sexuais, não havendo distinção no sexo. Outros ainda servem para fazer a desminagem de campos de minas ou para os minar. Segundo números da Organização das Nações Unidas, desde de 1987, cerca de dois milhões de crianças morreram em combate e este número não inclui, os mortos da guerra Irão/Iraque, que no seu final, era mantida principalmente por adolescentes. Assiste-se actualmente a uma grande pressão internacional, por parte de algumas organizações não governamentais, para terminar com a prática de recrutar meninos soldados, mas este movimento, está apenas no princípio.
publicado por armando ésse às 21:32

Maio 20 2008

Chegou o momento em que já não lhes bastava o sofrimento dos outros; precisavam de assistir ao espectáculo.
Para se ser preso, não era necessária nenhuma qualificação. As rusgas produziam-se por toda a parte: levavam toda a gente, sem possibilidades de derrogação. O único critério era tratar-se de um ser humano.
Naquela manhã, Pannonique fora passear ao Jardim dês Plantes. Chegaram os organizadores e passaram o parque a pente fino. A jovem deu consigo num camião.
Foi antes da primeira emissão: as pessoas ainda não sabiam o que ia acontecer-lhes. Indignavam-se. Na estação de caminhos-de-ferro, comprimiram-nas dentro de um vagão para animais. Pannonique viu que estavam a ser filmados: iam escoltados por várias câmaras que não perdiam pitada da angústia dos prisioneiros.
A rapariga compreendeu então que não lhe serviria de nada revoltar-se, mas seria telegénico. Permaneceu, portanto, impassível durante a longa viagem. À sua volta, crianças choravam, adultos vociferavam, velhos sufocavam.
Desembarcaram-nos num campo semelhante aos de deportação nazi, afinal não muito antigos, com uma notória diferença: havia câmaras de vigilância instaladas por toda a parte.

Não era necessária nenhuma qualificação para ser organizador. Os chefes mandavam desfilar os candidatos e seleccionavam os que apresentavam “os semblantes mais significativos”. Em seguida, tinham de responder a questionários sobre comportamento.
Zdena, que nunca na vida ficara aprovada num exame, foi aceite. Daí nasceu um grande orgulho. Doravante, poderia dizer que trabalhava na televisão. Aos vinte anos, sem estudos, um primeiro emprego: os seus familiares iam finalmente deixar de escarnecer dela.
Explicaram-lhe os princípios da emissão. Os responsáveis perguntaram-lhe se a chocavam:
-Não. É intenso – respondeu ela.
Pensativo, o caça-talentos disse-lhe que era exactamente assim.
-É o que as pessoas querem - acrescentou ele. – Acabou-se o estilo amaneirado, afectado.
A rapariga submeteu-se a outros testes nos quais provou ser capaz de agredir desconhecidos, gritar insultos gratuitos, impor a autoridade, não se deixar impressionar por lamúrias.
- O que conta é o respeito do público – declarou um responsável.
- Nenhum espectador merece o nosso desprezo.
Zdena concordou.
Foi-lhe atribuído o posto de kapo.
- Chamar-lhe-ão kapo Zdena – disseram-lhe.
Agradou-lhe o termo militar.
- Tens jeito, kapo Zdena – reconheceu ela perante o seu reflexo no espelho.
Já nem se apercebia de que estava sempre a ser filmada.

Os jornais já só falavam deste assunto. Os editoriais inflamaram-se, as boas consciências indignaram-se.
O público, esse, pediu que lhe dessem mais do mesmo, logo após a primeira emissão. O programa, que se chamava sobriamente Concentração, atingiu recordes de audiência. Nunca se vira o horror de forma tão directa.
1ª Página (um pouco mais) do livro Ácido Sulfúrico, de Amélie Nothomb, Edições ASA, 1ª edição Maio de 2007.
Nota: O livro de Nothomb parte da criação de um novo reality show, Concentração, o qual reproduz as condições que se vivia nos campos de concentração nazistas, onde impera a violência gratuita, os maus-tratos, a fome, os trabalhos forçados e a desumanizaço dos concorrentes, excepto, que por todo o lado estão instaladas câmaras de televisão, que transmitem todas as cenas, para um público interessado na violência kafkiana.
Os concorrentes forçados deste reality show são encontrados nas ruas de Paris e daí conduzidos em vagões para animais para o estúdio que, reproduz as condições de campo de concentração. A ordem no campo de concentração é mantida por kapos, escolhidos entre os mais imbecis e ineptos da sociedade.
O programa alcança instantaneamente um sucesso sem precedentes na televisão e atinge o seu clímax semanalmente, quando os telespectadores usam o televoto, para decidirem, qual dos concorrentes deve ser executado sumariamente.
A escritora belga Amélie Nothomb criou neste livro uma sátira violenta às degradantes tendências televisivas actuais, especialmente ao telelixo dos reality shows e também, um ataque a uma sociedade, em que o sofrimento extremo é reconvertido num espectáculo de sucesso. A nossa sociedade.
publicado por armando ésse às 10:00

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